Alulose, será que este açúcar vai fazer o milagre?

Alulose, será que este açúcar vai fazer o milagre?

Se existe tema que vai buscar o setor alimentar e os próprios consumidores, é encontrar um substituto do açúcar que seja verdadeiramente saudável

Açúcar é Açúcar

Acho que é necessário explicar neste momento, porque é que não é necessário consumir açúcar adicionado, ou seja, aquele que é adicionado intencionalmente quando confecionamos um produto ou preparação culinária, seja a nível industrial ou quotidiano.

O que é importante, porque muita gente pensa que a pastelaria caseira é muito melhor do que os ultraprocessados produzidos na fábrica, mas a realidade é diferente: o açúcar é o açúcar na nossa casa ou na fábrica “X”.

Açúcares

Estou a referir somente o açúcar porque é o tema que está a ser abordado, embora este raciocínio seja estendido às farinhas refinadas ou às margarinas e gorduras de baixa qualidade, como por exemplo

Podemos dizer que até hoje, esta procura do «Santo Graal» da alimentação não tem sido de todo bem sucedida…

Alternativas al Açúcar

Existem alguns no mercado que podem ser encarados como uma alternativa saudável ao açúcar de mesa, mas que, na verdade, são praticamente «a mesma coisa com um nome diferente».

Agave

Falamos do açúcar mascavado, do mel, sharopes (agave ou acer), ou a própria frutose, que foi considerada a alternativa mais saudável à sacarose (o açúcar normal)

Polióis

Também encontramos os polióis como substitutos amplamente estendidos às práticas industriais.

São utilizados como edulcorantes baixos em calorias que aparecem de forma natural em alimentos como a fruta

Goma

Alguns exemplos são o xilitol, o sorbitol e o eritritol

Apesar de estes serem benéficos ao prevenirem o aparecimento de cáries, podem ter efeitos laxantes, que são a principal contraindicação. Também existem pessoas com intolerância a este tipo de produtos

Edulcorantes

Por outro lado, existem os edulcorantes sem calorias como o são a sacarina, o aspartame, o acesulfamo-K ou a tão conhecida stevia.

Na minha opinião, estes constituem a melhor alternativa para adoçar de forma pontual, embora seja verdade que o melhor é mesmo é nos tentarmos habituar ao sabor real dos alimentos.

Edulcorantes

Também gostaria de esclarecer que segundo a evidência atual, são seguros, embora mesmo assim continuem a ser alvo de polémicas e debates à volta da sua inocuidade e efeitos sobe a saúde

A procura não tem parado e durante os últimos anos surgiu um novo nome em cena D-alulose ou D-psicose

O que é a Alulose?

Trata-se de um açúcar natural, baixo em calorias, que possui 70% do poder edulcorante da sacarose.

A sua aparência é semelhante à de um pó branco facilmente solúvel em água

Pó de alulose

A maior parte da alulose é absorvida quase na totalidade pelo intestino delgado e é eliminada através da urina praticamente na totalidade, o que faz com que tenha repercussão somente no metabolismo energético. A parte não absorvida passa para o intestino grosso, onde é fermentada

Estrutura Molecular

Em termos estruturais, é um epímero da frutose, o que significa que possuem a mesma composição, embora apresentem uma variação na posição de um dos grupos de OH presentes na sua estrutura.

Na imagem seguinte, poderemos ver de forma mais clara:

Estructuras

Comparação entre a Frutose VS Alulose

Esta simples alteração estrutural faz com que se comporte de forma totalmente diferente da frutose uma vez que é absorvida, apesar de serem moléculas praticamente idênticas como vimos

Onde é que a podemos encontrar?

Só se encontra presente em produtos de origem vegetal, como a planta Itea ou em algumas misturas de glicose-frutose, café tratado com vapor, processados de cana de açúcar ou misturas de beterraba e inclusive em sumos de frutos tratados termicamente.

Por se tratar de um açúcar raro, encontra-se em quantidades muito pequenas em fontes muito determinadas

Fontes alulosa

Em qualquer caso, a concentração é bastante baixa nestes produtos…

Por este motivo, foram desenvolvidos métodos para obter uma síntese química, embora devido à formação de produtos de desperdício e ao difícil processamento seguinte para a conseguir isolar, foram procuradas alternativas para a conseguir produzir de forma biológica, através de enzimas

Alulose em Produtos Comerciais

De um modo geral, a alulose de forma cristalina apresenta uma pureza superior a 98%, enquanto que na forma de xaropes pode ser encontrada em cerca de 50 – 90% em combinações com quantidades variáveis de frutose e glicose.

Acucar raro

Dependendo do tipo de produto comercial em que se encontrar, a pureza será superior ou inferior

Que Efeitos tem a Alulose sobre a Saúde?

A alulose concorre com a glicose e a frutose pelos transportadores de substâncias para os intestinos (GLUT5 e GLUT2), o que significa que, de alguma forma, bloqueia a absorção destes dois tipos de açúcar, o que se encontra relacionado com:

  • melhor função da insulina,
  • menor acumulação de gordura e
  • fortes efeitos antidiabéticos.
Vários estudos sugerem que possa ter um efeito no combate à obesidade

A alulose concorre com a frutose a nível de transportador GLUT5, que é a responsável pela sua introdução do intestino para o interior das células e com a glicose e a frutose a nível do GLUT2 para passar do enterócito (célula intestinal) para a circulação sanguínea.

Efeitos

Imagem extraída de Hossain et al., 2015

O que se traduz em fortes efeitos de proteção contra os grandes aumentos dos níveis de glicose no sangue:

Saúde digestiva

Imagem extraída de Hossain et al., 2015

Alguns ensaios clínicos demonstraram que a administração de alulose juntamente com a maltodextrina numa relação de 1:15 (uma parte de alulose por cada 15 de maltodextrina), foi eficaz na redução da elevação dos níveis de glicémia.

Quando foram administrados 5 g de alulose de forma isolada não afeta os níveis no sangue nem de glicose nem de insulina, oque significa que não induz hipoglicémias. Além de todo o disposto anteriormente, verificou-se que possui um potencial antiinflamatório e neuroprotetor

É Seguro o consumo de Alulose?

A FDA (U. S. Food & Drug Administration), a agência americana de segurança de alimentos e medicamentos considera-a como um ingrediente seguro.

Além disso, um estudo clínico mostrou níveis máximos toleráveis de:

  • 0,5 g/kg peso/dia em homens
  • 0,6 g/kg peso/dia em mulheres
De qualquer forma, os únicos efeitos adversos atribuíveis são alguns desconfortos gastrointestinais passageiros quando ingerido em grandes quantidades. O que não é considerado relevante do ponto de vista toxicológico

Alulose e Metabolismo Energético

Como explicamos no início, a alulose absorvida não é utilizada como combustível, mas isso não significa que não influencie o metabolismo energético.

Estudo

No ano passado, foi publicado um estudo (Kimura et al., 2017) no qual foram avaliados os efeitos da alulose no metabolismo energético postprandial em indivíduos saudáveis. Para isso, foram administrados 5g de alulose (99% pureza) contra 10 mg de aspartame (controlo) diluídos em 150 ml de água, obtendo soluções de doçura semelhante.

A conceção deste estudo foi cruzada, ou seja, os indivíduos que na primeira vez consumiram alulose e na medição seguinte realizada uma semana depois tomaram aspartame, e viceversa.

O que é importante, uma vez que elimina vários fatores de confusão no tratamento dos resultados. Além disso, foi normalizada a refeição que os indivíduos deviam consumir na noite anterior

O protocolo da pesquisa consistia em ingerir alulose ou aspartamo 30 minutos antes do pequeno almoço consistente em 200g de arroz cozido e um hambúrguer de 166g juntamente com 150ml de água. Após o pequeno almoço, foi feita a medição do metabolismo energético através da análise do ar expirado e do sangue

Resultados do estudo

Apesar do gasto energético basal (REE e gráficos) não ter sido diferente entre grupos, a ingestão de alulose aumentou significativamente a utilização de gordura (FEE em gráficos) aos 90 minutos, sendo menor neste grupo a utilização de hidratos de carbono (CEE em gráficos) e o coeficiente respiratório (RQ em gráficos).

Para aqueles que ainda não estiverem familiarizados com os termos, um coeficiente respiratório elevado (próximo de 1) indica que estão a ser realizados maioritariamente de hidratos de carbono como combustível, enquanto que o coeficiente respiratório próximo de 0,7 indica uma maior dependência energética das gorduras.

Gráficos

Além disso, na análise ao sangue verificou-se uma descida dos níveis de glicose após 90 minutos no grupo com alulose, bem como, a presença de maiores concentrações de ácidos gordos 180 – 240 minutos

Os autores destacaram a capacidade da alulose para aumentar a oxidação de ácidos gordos no período postprandial, ligando esta descoberta às propriedades de combate à obesidade atribuídas à alulose.

Glucose

também associaram a menor utilização de hidratos de carbono ao bloqueio de absorção da glicose e da ação da enzima alfa-glicosiadase, responsável pela decomposição do amido em moléculas simples que possam ser absorvidas

Conclusões

  • A alulose ou psicose é um açúcar raro presente em determinados produtos de origem vegetal. Embora apresente a mesma composição do que a frutose, uma pequena alteração na sua estrutura faz com que não seja utilizada como combustível nem seja metabolizada.
  • Possui cerca de 70% do poder edulcorante da sacarose e não implica fornecimento de energia.
  • Embora seja absorvida quase na totalidade, é excretada pela urina e não apresenta efeitos adversos se for consumida nas doses certas.
  • A sua maior funcionalidade parece ser a competência para a absorção com a frutose e a glicose a nível intestinal, motivos pelos quais lhe foram atribuídas propriedades no combate à diabetes e à obesidade, além de outras como antiinflamatórias e neuroprotetoras.
  • Pode estimular a utilização das gorduras como combustível e melhorar a resistência à insulina, segundo vários estudos.
Por outro lado, os principais inconvenientes são o preço elevado (cerca 200g de alulosa cristalina custam à volta de 11€) e a ausência de estudos realizados em humanos com amostras de tamanho superior, com vários estados patológicos e a longo prazo

Fontes

  1. Tsukamoto et al., (2014). Intestinal absorption, organ distruibution, and urinary excretion of the rare sugar D-psicose.
  2. Iida et al., 2010. Failure of D-psicose absorbed in the small intestine to metabolize into energy and its low large intestinal fermentability in humans.
  3. Kimura et al., 2017. D-Allulose enhances postprandial fat oxidation in healthy humans.
  4. Hossain et al., 2015. Rare sugar D-allulose: potential role and therapuetic monitoring in maintaining obesity and type 2 diabetes mellitus.
  5. Zhang et al., 2016. Recent advances in D-allulose: physiological functionalities, applications, and biological production.

Entradas Relacionadas

  • Conhece o Eritritol, a melhor alternativa ao açúcar!
Análise da Alulose

O que é - 100%

Propriedades - 100%

Segura para la saúde - 100%

Alternativas al Açúcar - 100%

100%

HSN Evaluação: 5 /5
Content Protection by DMCA.com
Sobre Carlos Sánchez
Carlos Sánchez
Carlos Sánchez é um apaixonado da nutrição e do desporto. Diplomado em Nutrição Humana e Dietética, sempre procura dar um sentido prático e aplicável nas diferentes teorias.
Confira também
perolas tapioca
Tapioca, um aliado para as dietas livres de Glúten

A tapioca ganhou muita importância no mercado nos últimos anos devido a sua falta de …

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *