Biomarcadores para Monitorar a Saúde do Desportista

Biomarcadores para Monitorar a Saúde do Desportista

Hoje falaremos do uso dos biomarcadores para desportistas. Um sistema para monitorar em casa o controle do desportista.

O que são os Biomarcadores?

Um biomarcador é um reflexo de algum aspecto do organismo que somos capazes de medir a través do uso de diferentes ferramentas.

Exemplo “Biomarcador hematológico”: mede a hemoglobina como parte do protocolo diagnóstico de anemia.

Os biomarcadores são importantes porque sua medição é uma forma de conhecer  como se encontra o nosso estado de saúde, como nos estamos recuperando.

Em definitiva… o que está acontecer no nosso organismo.

Biomarcadores em desportistas

É usual encontrar alterações nos biomarcadores séricos em atletas.

Embora a maioria dos médicos não estão de acordo com isto, dentro de certo intervalo é um pouco normal, já que um desportista que possui um metabolismo mais activo (metabolismo compreendido como o conjunto de reacções redox que ocorrem no organismo).

O fruto de isso é que experimentam certas adaptações nas concentrações de resíduos musculares, a expressão de enzimas, o volume de certos parâmetros hematológicos, que são retirado fora do “intervalo de normalidade”.

grafica desportista biomarcadores

Figura I. Distribuição da campanha de Gauss, onde a maioria da população está no centro e os desportistas saem dessa “normalidade” já que as duas demandas metabólicas não são “normais”.

É importante que um desportista tenha o controle dos seus biomarcadores?

Sim, devido que são um estrato da população sensível de sofrer alterações serias na saúde, precisamente devidos as grandes demandas energéticas aos que submetem com exercício físico.

Não é estranho encontrar a desportistas com anemia, com deficiências subclínicas de vitaminas e minerais, com insuficiência renal crónica em estados iniciais com alterações estruturais e funcionais do coração…

Uma grande quantidade de cenários que afectam o seu rendimento e a saúde (Kreher y Schwartz, 2012), e que podem ser evitados a través de uma correta monitorização do desportista.

O controle do estado de um desportista não é algo para um centro de saúde, a disponibilidade de aparelhos caros e a formação para o manuseo.

Existem ferramentas que podemos utilizar desde as nossas casas para controlar ao menos as nossas mudanças básicas de forma objetiva.

Neste artigo vou falar como podem ser utilizados e para que servem!

Peso corporal

O peso corporal é um biomarcador que todos controlamos…

Como que é um biomarcador? Não expressa a informação do que ocorre no teu organismo?

Claro que sim! 😊

As mudanças no peso e na composição corporal são uma forma muito eficaz de controlar os efeitos do treino que estamos realizando na nossa estrutura… Se não crescem os teus parâmetros com o a mesma percepção de gordura, simples não estas ganhando massa muscular.

Neste caso vou falar da influencia do peso no estado de saúde do desportista:

É importante manter em um IMC entre 23,1 e 30,1 (Ortega et al., 2016) já que o intervalos de referencia para manter um bom estado de saúde e menor risco de morte.

Perda de peso rápida

  • Em menos de um mês, sem querer, pode significar a presença de uma doença de gravidade aguda (linha vermelha continua);
  • Uma perda de peso mais regular em um período de tempo em torno de 6 meses sem querer, pode significar uma doenças de gravidade crónica (linha azul descontinua longa).

grafica perda gordura

Figura II. Percentagem de perda de massa magra de acordo com diferentes situações. Jensen et al. (2010).

Perda de peso por desidratação

Uma perda do 2% (ou mais) do peso corporal entre um dia e o seguinte pode indicar um estado de desidratação.

Seria boa ideia que certificaras de repor o líquido perdido a través da ingesta de água e sódio, já que uma desidratação do 7% pode chegar a produzir a morte, mais não precisa preocupar, que quando a osmolalidade do meio interno sobe, se produz a vontade de beber água, sede rapidamente, e isso acontece muito antes desse 7%.

Ganho de peso

Realmente é muito drástico de um dia para o outro (não existem termino médio, más a minha experiência prática com desportistas, >3,5% do peso corporal) pode significar um consumo excessivo de sal no dia prévio e uma maior retenção de água para manter a osmolalidade plasmática;

O um excessivo dano muscular que produz a morte celular e edema intersticial: ganho de peso porque acumula uma quantidade de água inusual em torno as tuas células musculares como mecanismo de proteção após o excesso de treino.

resonancia maratona

Figura III. Imagem por ressonância magnética onde se observa edema (seta) no músculo semimembranoso depois de correr uma maratona (McMahon et al., 2010).

Temperatura corporal

A temperatura corporal está controlada por um (extremamente entrelaçado) complexo de sistemas que nos mantém em equilibro.

temperatura corporal biomarcadores

Figura IV. Representação gráfica da curva de regulação da temperatura corporal em função da temperatura ambiental.

Os humanos somos seres endotermos: somos capazes de regular a nossa temperatura corporal para manter num estreito intervalo seja qual seja a temperatura do meio.

O principal mecanismo de controle da temperatura corporal é a regulação do metabolismo basal a través da glândula tiroides e da glândula suprarrenal, os sistemas tiroideo e nervoso simpático, respectivamente.

Diminuição da temperatura corporal

Se realiza sempre em condições estáveis  (localização, hora do dia, estado de descanso, lugar de medição, etc.) indica uma diminuição da taxa metabólica basal, normalmente por alterações no metabolismo tiroideo a causa de:

  • Baixa disponibilidade energética por: Redução na ingesta calórica ou Baixo percentagem de gordura corporal.
    • Sobre-treino.
    • Outras causas patológicas.
    Os desportistas usualmente subestimam este biomarcador:

    Más realmente é que a taxa metabólica basal reduzida diminui o rendimento desportivo, e tão só 1ºC de diferencia se correlaciona com uma diminuição de um 10-13% da taxa metabólica (que equivale a 100-130kcal/dia de gasto menos, aproximadamente).

    Pressão arterial

    A pressão arterial é a força que o sangue exerce contra as paredes do sistema dos vasos sanguíneos, e se mede com um tensiómetro.

    Um aumento da pressão arterial pontual não é alarmante, já que mudanças na quantidade do plasma que circula pelo nosso sistema sanguíneo podem provocar a alteração desta.

    Embora, um aumento da pressão arterial de forma crónica que chega a 130/80mmHg e não se corrige em um período de 1 semana, requer atenção já que indica alterações no sistema autónomo simpático por excesso de treino.

    pressão biomarcadores

    Figura V. Critérios diagnósticos das classificações de pressão sanguínea. (Whelton et al., 2018).

    Se os valores não se corrigem depois de diminuir a carga de treino se requer uma atenção médica para descartar alterações renais ou transtornos suprarrenais.

    O exercício físico Não é um factor de risco para o desenvolvimento de hipertensão arterial, a ausência de exercício físico, Sim é.

    Isso não quer dizer que um excesso de carga de treino não possa propiciar um episódio hipertensivo pontual que se corrige como indiquei deixando que o nosso organismo se recupere.

    Se queres aprofundar mais sobre como o exercício influi na pressão arterial, faz click aqui.

    Glicemia

    A glicemia é a concentração de glicose no sangue, se mede a través de uma picado no dedo e o análise com um glicosímetro.

    controle glicemia

    Figura VI. Processo para a determinação da glicemia no sangue capilar. (González-Hernández, 2010).

    A glicemia se mantém em equilibro e não sofre de alterações drásticas ao longo do dia si não padecemos alterações metabólicas.

    Um aumento da glicemia em jejum por cima de 100mg/dL indicaria resistência periférica a insulina e sobrealimentação, é um factor de risco no desenvolvimento de diabetes e o primeiro critério diagnóstico da pré-diabetes. Consulta um médico e pensa em perder gordura corporal.

    Medidor continuo

    Podem ser utilizados os medidores de glicose contínuos, que são uma ferramenta através da inserção de um adesivo com um sensor de glicose (agulha de mínima grossura) baixo da epiderme que nos permite controlar as nossas concentrações de glicose de forma continua ao estar recebendo sempre informação e seguir a traves do nosso telemóvel ou smartwatch.

    É um sistema aprovado para o uso clínico, sempre que o lugar de colocação seja no abdómen (NÃO no braço) e seja colocado durante  menos de 7 dias.

    cgm

    Figura VII. CGM no seu APP do telemóvel.

    Actualmente se comercializa a sexta geração de CGMs que até agora é a que da melhor dados.

    Embora, as alterações na glicemia são estranhas em desportistas saudáveis que não utilizam drogas para o aumento do rendimento desportivo que podem alterar o equilibro do metabolismo dos hidratos de carbono; pelo que nunca indicaria que um desportista gastasse dinheiro neste sistema.

    Monitorar o sono

    Um excesso de treino, uma grande privação energética ou outros comportamentos geralmente associados a desportistas (como o consumo de grandes quantidades de estimulantes) podem fazer que demores mais em adormecer, dormes menos, e/ou dormes de forma mais superficial.

    Um estudo do sono realizado a traves de uma polisomnografía.

    polisomnografia

    Figura VIII. Representação simulada  da polisomnografía hospitalaria.

    No obstante, contamos com certos aparelhos acessíveis que nos permitem obter uma certa informação que pode ser mais ou menos válida, más se o sistema é fiável, nos da uma referência para saber se descansamos melhor ou pior.

    meu bandhand

    Figura IX. Interface diagnóstico do sono com Xiaomi Meu Band 4.

    Eu, prefiro o ŌURA ring, um anel que regista a nossa actividade do sono noturno e nos da a informação a traves de um hipnograma bastante exacto se comparamos com o gold-standard: o polisomnografo (embora não é capaz de diferenciar fases e engloba no sono ligeiro/profundo/REM).

    hiponograma sono

    Figura X. Hipnograma comparativo entre Oura e um polisomnografo. (De Zambotti et al., 2019).

    O anel mais barato custa 300 euros. Embora, si estas interessado neste sistema é uma boa opcção sempre que se utilize num dedo que não seja a anular, pois falha significativamente.

    oura anel

    Figura XI. Modelos de Oura disponíveis. Recuperado de: https://ouraring.com/choose-your-ring/

    O descanso é importante para o rendimento desportivo e a melhora da composição corporal. Se queres saber até que ponto influi o sono e o ganho da massa muscular só tens que visitar este link.

    Mais tipos de Biomarcadores

    Outros métodos de controle, como:

    • Um pulsioxímetro (que em geral carece de interesse se não estas treinando em altura, sofres EPOC ou dano microvascular);
    • Um cetómetro (que pode ter o certo interesse em desportistas que realizam dietas cetogénicas ou em pacientes diabéticos tipo I), e
    • O HRV que já falei aqui.

    Conclusões

    Embora, não gostaria de acabar o artigo sem lembrar que o poder da nossa percepção, já falei disso no artigo de HRV, más:

    Se achas que estás bem (recuperado), não há motivos para mudar a programação do treino ao menos que algum biomarcador objetivo mostre dados de emergência médica ou com dados de intervalos fora do normal que não se corrige com o tempo.

    escala recuperação

    Figura X. Escala de Recuperação Percibida (Laurent et al., 2011).

    Utiliza pelas manhãs uma PRSS (Escala do Estatus de Recuperação Percibida) para saber como estás e que deverias fazer:

    ValorAjuste
    0-2Diminui a carga do treino
    3-6Mantém a carga do treino
    7-10Podes seguir progressando

    Fontes Bibliográficas

    1. de Zambotti, M., Rosas, L., Colrain, I. M., & Baker, F. C. (2019). The Sleep of the Ring: Comparison of the ŌURA Sleep Tracker Against Polysomnography. Behavioral Sleep Medicine, 17(2), 124–136.
    2. González-Hernández, 2010. Principios de Bioquímica clínica y patología molecular. 1ed Editorial Elsevier
    3. Jensen, G. L., Mirtallo, J., Compher, C., Dhaliwal, R., Forbes, A., Figueredo Grijalba, R., … Waitzberg, D. (2010). Adult starvation and disease-related malnutrition: A proposal for etiology-based diagnosis in the clinical practice setting from the international consensus guideline committee. Journal of Parenteral and Enteral Nutrition, 34(2), 156–159.
    4. Kreher, J. B., & Schwartz, J. B. (2012). Overtraining Syndrome: A Practical Guide. Sports Health, 4(2), 128–138.
    5. Landsberg, L., Young, J. B., Leonard, W. R., Linsenmeier, R. A., & Turek, F. W. (2009). Do the obese have lower body temperatures? A new look at a forgotten variable in energy balance. Transactions of the American Clinical and Climatological Association, 120, 287–295.
    6. Laurent, C. M., Green, J. M., Bishop, P. A., Sjökvist, J., Schumacker, R. E., Richardson, M. T., & Curtner-Smith, M. (2011). A practical approach to monitoring recovery: Development of a perceived recovery status scale. Journal of Strength and Conditioning Research, 25(3), 620–628.
    7. Liska, D., Mah, E., Brisbois, T., Barrios, P. L., Baker, L. B., & Spriet, L. L. (2019). Narrative review of hydration and selected health outcomes in the general population. Nutrients, 11(1).
    8. McMahon, C. J., Wu, J. S., & Eisenberg, R. L. (2010). Muscle edema. American Journal of Roentgenology, 194(4), W284–W292.
    9. Of, S., & Carediabetes, M. (2018). Updates to the Standards of Medical Care in Diabetes-2018. Diabetes Care, 41(9), 2045–2047.
    10. Ortega, F. B., Sui, X., Lavie, C. J., & Blair, S. N. (2016). Body Mass Index, the Most Widely Used but Also Widely Criticized Index Would a Criterion Standard Measure of Total Body Fat Be a Better Predictor of Cardiovascular Disease Mortality? Mayo Clinic Proceedings, 91(4), 443–455.
    11. Whelton, P. K., Carey, R. M., Aronow, W. S., Casey, D. E., Collins, K. J., Himmelfarb, C. D., … Wright, J. T. (2018). 2017 ACC/AHA/AAPA/ABC/ACPM/AGS/APhA/ASH/ ASPC/NMA/PCNA guideline for the prevention, detection, evaluation, and management of high blood pressure in adults: Executive summary: A report of the American college of cardiology/American Heart Association task force on clinical practice guidelines. Hypertension, 71(6), 1269–1324.

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    Sobre Alfredo Valdés
    Alfredo Valdés
    Especialista e treino de fisiopatologia metabólica e nos efeitos biomoleculares da alimentação e o exercício físico, com os seus artigos, vai levar-te no complexo mundo da nutrição desportiva e clínica, de forma simples e desde uma perspectiva crítica.
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