Capsaicina – Para a perda de peso e alívio da dor articular

Capsaicina – Para a perda de peso e alívio da dor articular

A capsaicina combate a acumulação de gordura corporal, além de inibir a sensação de dor nas articulações. Vamos contar-te mais sobre este interessante ingrediente.

O que é a capsaicina?

A capsaicina é um alcaloide natural que se encontra no género capsicum.

Trata-se de uma espécie de plantas angiospermas, dicotiledóneasoriginárias das regiões tropicais e subtropicais da América e que pertencem à família das solanáceas. A capsaicina pode ser encontrada em chili, pimenta, pimentões, malaguetas, pepperoni, etc.

O princípio primário picante dos frutos do género capsicum (como o chili). Esta substância é um agonista exógeno do recetor TPRV1, um recetor iónico trans-membrana que atua sobre as respostas integradas à temperatura, Ph e lípidos endógenos.

Malaguetas

O ingrediente ativo da pimenta, a capsaicina, pode reduzir a dor da artrite reumatoide, os nervos e a dor articular, entre outros…

Quando este recetor estiver ativado por agonistas endógenos ou exógenos, vai ocorrer a abertura transitória do canal TPRV1 e iniciar uma despolarização mediada pela entrada de iões do cálcio e sódio que resultará por sua vez na ativação de potenciais de ação que serão propagados pela medula espinal até ao cérebro e nos darão as sensações de calor, ardor, prurido e comichão sentidos pelos utilizadores deste composto.

Figura 1

Figura I. Efeitos da ativação do recetor TRPV1 sobre a disfunção mitocondrial e a sensibilidade neural

Dessensibilização

A ativação do recetor TPRV1 após a exposição prolongada ou repetida aos seus agonistas resulta numa “dessensibilização”. A causa é a redução na resposta dos recetores, os canais iónicos e as vias de sinalização intracelular. Estes provocam efeitos (por exemplo através da utilização de capsaicina) como a analgesia por uma alteração da função sensorial nervosa.

Figura 2

Figura II. Efeitos da aplicação de capsaicina sobre TPRV1 e PGP9.5 (marcador de nervos intra-epidermais) pré-intervenção, 1d pós-intervenção, 54d pós-intervenção

Considera-se um alcaloide irritante e é a substância que faz com que a língua tenha uma sensação de ardor ao comer um dos alimentos referidos anteriormente. Enquanto algumas pessoas não gostam de comida picante, a capsaicina pode ser realmente útil para promover a perda de gordura através de várias formas.

A capsaicina e o apetite

Ao aumentar o consumo de capsaicina podes reduzir o teu apetite, segundo um estudo de 2009 da revista Clinical Nutrition. Numa experiência com 27 voluntários saudáveis, os investigadores perceberam que o consumo de uma combinação de capsaicina e chá verde ajuda os indivíduos a sentir menos fome e consumir menos calorias.

Outro estudo de 2009 publicado no European Journal of Nutrition demonstrou que a capsaicina pode ajudar a diminuir a grelina (uma hormona com influência na sensação de fome)

A capsaicina, o metabolismo e a gordura corporal

Um grande número de estudos de laboratório mostram que a capsaicina pode ajudar a acelerar a termogénese (um processo biológico que influencia na queima de calorias) e pode vir a provocar o aumento do metabolismo temporal em cerca de 23 % 

Os estudos comprovaram que os suplementos da capsaicina têm o poder de aumentar e manter a oxidação de gorduras (queima de gorduras) nas pessoas. Apesar disso, o que é mais interessante é que se consome à refeição, a capsaicina tem o poder de aumentar a oxidação de hidratos de carbono, enquanto por sua vez retarda a oxidação de lípidos durante um curto período de tempo (até duas horas).

Também pode ajudar a combater a acumulação de gordura corporal. Em testes com ratos alimentados com uma dieta rica em gorduras, os autores de um estudo em 2010 da revista Journal of Proteome Research descobriram que a capsaicina estimula determinadas proteínas conhecidas para decompor a gordura e inibir a ação das proteínas envolvidas na produção de gordura.

Perder gordura

Quantidade recomendada

A quantidade recomendada para aumentar a termogénese é de 135 mg de capsaicina/ dia. Esta pode provocar o aumento significativo da perda de peso

Suplementos com capsaicina

O complicado de encontrar suplementos que contêm capsaicina é que a “capsaicina” geralmente não aparece como ingrediente. No entanto pode aparecer o nome de pimenta caiena, pimenta vermelha, etc.  Não confundir com o extrato de pimenta preta que contém uma substância chamada piperina – embora na realidade seja um composto relacionado, não é a mesma coisa que a capsaicina.  A capsaicina é um ingrediente muito comum nos queimadores de gordura. É muito recomendável escolher um suplemento que contenha capsacina e extrato de chá verde, o que vai impulsionar ainda mais a perda de gordura.

Riscos da capsaicina

A capsaicina é segura, embora possa ser tóxica se consumida em quantidades extremamente elevadas por ser um irritante natural. Também pode causar alguns efeitos secundários desagradáveis em pessoas que não estão habituadas,como sensação de ardor e mal-estar estomacal.

Deve evitar-se o contacto com os olhos depois de tocar numa cápsula que contenha capsaicina.  Se fores tomar um suplemento que contenha este ingrediente, começa com pequenas quantidades e aumenta a quantidade à medida que te habituares a ela

Também são conhecidas interações com alguns fármacos. Por favor, consulta o teu médico se já estiveres a tomar algum medicamento antes de começar a tomar capsaicina.

Evita a utilização de capsaicina se estiveres grávida ou a amamentar.

Capsaicina para o tratamento da dor

A capsaicina, através do seu mecanismo de ação como agonista do recetor TPRV1, provoca uma redução reversível dos nervos intra-epidermais que desencadeiam alterações na função nociceptora, pelo que um produto com este composto nas concentrações adequadas (8 % como quantidade máxima) é uma ferramenta forte para o tratamento agudo da dor nervosa causada por danos estruturais resultantes do treino.

Figura 3

Figura III. Efeitos da aplicação de capsaicina contra o grupo de controlo sobre a dor sentida avaliada através da utilização da escala NPRS

Dor articular devido ao treino

Não é estranho encontrar utilizadores nas salas de musculação que apresentem desconforto articulares, alterações nas estruturas passivas do seu corpo e inflamações musculares de uma determinada índole.

Este desconforto articulare, de baixa magnitude, que nos dificultam a realização dos movimentos

Joelho

Longe da potencialidade de desencadear uma lesão real se formos atletas de competição, o nosso desempenho vai ser fortemente limitado por esta condição

O que acontece devido ao facto de o treino ser feito com carga externa. Especialmente quando este é executado a alta intensidade, provoca uma cedência orgânica nas estruturas musculares, ósseas, articulares, tendinosas e ligamentosas, entre outras, podendo provocar várias alterações na sua estrutura e funcionalidade que acabam por desencadear uma lesão de forma aguda e/ou crónica.

O mais inteligente e recomendável é consultar um profissional especializado. Este pode realizar uma avaliação in vivo, diagnosticar e tratar, assim como realizar um acompanhamento do caso individual de cada indivíduo para dessa forma conseguir assegurar uma recuperação segura e eficiente

Capsaicina e estudos em humanos

A literatura científica em intervenções humanas é limitada. Embora tenhamos duas meta-análises que nos atiram alguma luz sobre a evidência na eficácia da utilização de capsaicina em humanos para o tratamento da dor.

Em primeiro lugar, Laslett & Jones (2014) publicou uma revisão da literatura disponível até 2012 com um total de 5 controlos incluídos com intervenções de 4 a 12 semanas e aplicação de formulações de capsaicina em concentrações variáveis entre 0.025 – 0.075 %.

Capsaicina evidencia ciencia

Verificou-se a forma como a dor estimada através do VAS foi reduzida em 44 % em média após 4 semanas de tratamento; no entanto podemos destacar a grande heterogeneidade das intervenções incluídas na meta-análise, tanto em condições como em resultados.

Apesar disso, os autores concluíram que o tratamento com capsaicina é moderadamente eficaz. Reduz a intensidade da dor na área de aplicação

Anteriormente tinha sido publicado outra meta-análise (Mason et al. 2004), onde foram incluídas 6 intervenções para a análise da dor musculo-esquelética e neuropática e o tratamento com capsaicina.

Os autores concluíram que o tratamento com capsaicina a 0.075 % mostrava um benefício relativo médio de 1.4 no tratamento neuropático da dor contra o tratamento com placebo, e 1.5 comparativamente ao placebo no tratamento da dor musculo-esquelética através da aplicação da capsaicina a 0.025 %.

Figura 4

Figura IV. Resposta ao tratamento com capsaicina (eixo Y) vs placebo (eixo X). Sobre o tratamento da dor neuropático (branco) e musculo-esquelética (vermelho)

“A aplicação tópica de capsaicina tem uma fraca/moderada eficácia no tratamento da dor neuropática ou musculo-esquelética crónica. E pode ser utilizada como complemento ou como terapia isolada num pequeno número de doentes que não responderam ou sejam intolerantes a outros tratamentos” (Mason et al. 2004)

Capsaicina dor articular

Fontes Bibliográficas

  1. Anand, P., & Bley, K. (2011). Topical capsaicin for pain management: therapeutic potential and mechanisms of action of the new high-concentration capsaicin 8% patch. BJA: British Journal of Anaesthesia, 107(4), 490–502. http://doi.org/10.1093/bja/aer260
  2. Laslett, L. L., & Jones, G. (2014). Capsaicin for osteoarthritis pain. Progress in Drug Research. Fortschritte Der Arzneimittelforschung. Progres Des Recherches Pharmaceutiques, 68, 277–291.
  3. Mason, L., Moore, R. A., Derry, S., Edwards, J. E., & McQuay, H. J. (2004). Systematic review of topical capsaicin for the treatment of chronic pain. BMJ : British Medical Journal, 328(7446), 991.

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Sobre Alfredo Valdés
Alfredo Valdés
Especialista e treino de fisiopatologia metabólica e nos efeitos biomoleculares da alimentação e o exercício físico, com os seus artigos, vai levar-te no complexo mundo da nutrição desportiva e clínica, de forma simples e desde uma perspectiva crítica.
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Um comentário
  1. Parabéns pelo artigo, muito interessate o contedo. Voltarei mais vezes ao seu site 🙂

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