Como Interpretar o rótulo de Suplemento de Extrato de Plantas?

Como Interpretar o rótulo de Suplemento de Extrato de Plantas?

Neste artigo vamos explicar e dar um exemplo sobre como devemos interpretar o rótulo de extrato de plantas

Sem duvidas, o consumo de plantas medicinais e os seus extratos é algo comum.

A lista de variedades é praticamente interminável, e o conjunto de benefícios que prometem não é pequena

O que são os Extratos de Plantas?

Sabemos que na nossa dieta não há só aportação de hidratos de carbono, gorduras, proteínas, vitaminas e minerais, mas que existem outros componentes, como os polifenóis (com certeza já escutaste falar dos polifonóis do azeite de oliva virgem extra ), que podem desempenhar papeis importantes na saúde do consumidor.

O conjunto de “moléculas funcionais” presentes nos alimentos se conhece como compostos bioativos

compostos bioativos extratos de plantas

Os Fitonutrientes são compostos orgânicos que encontram-se no reino vegetal e dos quais podemos obter interessantes benefícios para nossa saúde

Para definir, simplesmente diremos que os compostos bioativos são substâncias que são produzidos pela a natureza, que formam parte da cadeia alimentaria e que podem ter efeitos sobre a saúde humana (Bielsalski et al., 2009), tanto positivos (farmacológicos) como negativos (tóxicológicos) (Azmir et al., 2013)

Classificação de compostos bioativos

Os composto bioativos das plantas podem classificar se em 3 grandes categorias dependendo das suas estruturas:

  1. Terpenos e terpenóides: mais de 25.000 tipos
  2. Alcaloides: aproximadamente 12.000 tipos
  3. Compostos fenólicos: aproximadamente 8.000 tipos
Se prestamos atenção, atualmente há constância de uns 45.000 componentes procedentes de plantas com atividade biológica, mas evidentemente, antes de seleccionar um em concreto, é necessário realizar um processo de separação, mediante o qual vamos assegurar que não estamos seleccionando um composto potencialmente tóxico

Que passos se seguem antes de comercializar um Extrato de Plantas?

  1. Selecção das espécies de plantas

Nesta fase se analisam quais são as plantas utilizadas tradicionalmente para um fim específico. Quando estão identificadas, se realiza uma revisão, e se compara a validade dos estudos. Em base a isso se toma a decisão de continuar com os análise ou não. bacopa

Planta Bacopa Monnieri

  1. Avaliação de toxicidade

A ideia é recolher a informação disponível em quanto a toxicidade e se não é tóxico, se deve realizar um análise adequado da mesma para avaliar diretamente a segurança e a toxicidade.

  1. Preparação de uma amostra da planta e análise

Obtém uma amostra da planta e se extrai. Para a extracção utilizam vários protocolos diferentes com o fim de comparar a selecção e o desempenho. Ou seja, o grau em que se isola unicamente o composto e a quantidade de matéria-prima invertida para alcançar uma quantidade do mesmo.

folha planta salacia

Folha da planta Salacia

  1. Testes biológicos

Uma vez selecionados os procedimentos e os protocolos adequados, se analisa a atividade biológica in vitro. Desta forma se avalua o tipo e o nível de atividade.

  1. Isolamento dos compostos ativos

Este passo consiste na caraterização e isolamento dos compostos concretos da planta que são responsáveis da atividade biológica. Além disso, avaluam de forma isolada ou combinando com outros, para determinar se podem existir sinergias entre eles.

analise

  1. Análise in vivo

Avaluam outra vez os compostos, mas esta vez em modelos de animais. Nesta fase se reavaliam a toxicidade, segurança e atividade. No caso que os resultados sejam favoráveis, se realizam ensaios em humanos.

  1. Comercialização

Esta é a última fase do processo. Nela estabelecem as doses óptimas, assim como o formato de toma. Além disso é necessário estudar a funcionalidade, avaluando o custo-efetividade e sua sustentabilidade á nível de produção industrial.

Técnicas de Extração

Em que consiste?

As duas principais razões pelas quais podemos querer realizar uma extração são ás seguintes:

  1. Concentrar a molécula ou composto de interesse para aplicar em um formato mais pequeno e prático.
  2. Eliminar ingredientes potencialmente indesejáveis.

Existem várias técnicas mediante as quais podem extrair os compostos de interesse das plantas

extrato plantas

O conteúdo em fitoquímicos ou compostos bioativos de um extrato depende, em grande parte das técnicas de extração e os dissolventes utilizados, assim como do próprio origem da planta, ou das condições de armazenamento (Leyva-Jiménez et al ., 2018)

De forma tradicional, foi utilizado metodologias que baseavam na pulverização da planta, ou na parte que mais interessante (raiz, caule, folhas, frutos, etc.), ou no contato do pó obtido com diferentes dissolventes, combinado com a aplicação de calor e/ou mistura

Exemplos de dissolventes e compostos bioativos extraídos

DissolventeCompostos Bioativos
ÁguaAntocianinas, Taninos, Saponinas, Terpenóides
EtanolTaninos, Polifenóis, Flavonol, Terpenóides, Alcaloides
MetanolAntocianinas, Terpenóides, Saponinas, Taninos, Flavonas, Polifenóis
ClorofórmioTerpenóides, Flavonoides
DiclorometanoTerpenóides
ÉterAlcaloides, Terpenóides
AcetonaFlavonoides

Os maiores problemas que podem presentar os métodos tradicionais são o requerimento de maior tempo de extração, ou a necessidade de solventes costosos, assim como uma menor seleção os compostos de interesse e maior descomposição de substâncias sensíveis a temperatura.

Por estes motivos, se desenvolveram novas técnicas, as quais magnificam os ratios de extração e protegem as moléculas de interesse, resultando em produtos de grande qualidade.

Novas técnicas de extração e vantagens que apresentam sobre os métodos tradicionais

  • Extração assistida por ultra-sons: reduz o tempo, o volume de dissolvente e a energia utilizada.
  • Por pulsos eléctricos de alto voltagem: permite maximizar a extração dos compostos de interesse mediante a destruição das membranas celulares.
  • Extração assistida por enzimas: libera substâncias que podem estar unidas a outras moléculas no interior da célula vegetal.
  • Extração assistida por micro-ondas: além disso reduz o uso de dissolventes orgânicos, é considerada uma técnica bastante seletiva para a extração de determinados composto. Por exemplo, é uma das melhores técnicas para a extração de cafeína e polifenóis das folhas de chá.
  • Extração por pressurização líquida (PLE): suas principais vantagens são o menor requerimento de solventes e de tempo, resultando em parte propiciados porque permite um alto grau de automatização. Além disso, a aplicação de altas pressões, facilita o processo de extração.
  • Extração de fluidos supercríticos (SFE): esta técnica utiliza temperaturas e pressão para expor aos solventes a um estado supercritico. Geralmente se utiliza CO2, que em condições supercriticas é líquido e fomenta a transferência de compostos bioativos da planta ao dissolvente, e ao terminar o processo de extração e voltar a condições atmosfericas, o CO2 se evapora e deixa o extrato sem nenhum dissolvente. Também se utiliza para processos de descafeinado do café.

O que é o Ratio de Extração?

Tanto se sois consumidores habituais de extratos, como se não, é possível que tenhas visto nos rótulos os  números: 10:1, 20:1 ou 35:1, por colocar alguns exemplos.

Estas cifras fazem referência ao “ratio de extração”

extrato pó

Também pode aparecer outra cifra, em forma de percentagem, a qual nos indica a “estandarização” com respeito a um componente do extrato em concreto

Não te preocupes não é nada esquisito, a continuação vamos explicar o que significa e vais a descobrir que não é nada tão complexo

Exemplo “Extrato 10:1 da Planta Astragalus Membranaceus”

Para explicar este conceito, nos basearemos em um exemplo de um extrato 10:1, proposto em Examine.com sobre a planta Astragalus membranaceus e a extração do composto bioativo astragalósido IV:

  • Supomos que 20g do pó em cru, obtido da raiz, contém a quantidade necessária do astragalósido para exercer efeitos beneficiosos.
  • Se realiza uma extração com etanol, se podem separar os resíduos solúveis e os não solúveis no mesmo. Neste exemplo, a fração solúvel supõem 2g e a não solúvel 18g.
  • Se todo o astragalósido IV estiver na fração solúvel no etanol, significa que há uma concentração da parte de interesse da planta e que se a gerado um resíduo de 18g.

Desta forma obtemos um extrato com ratio de extração 10:1, já que partimos de 20g para obter uma fração extraída de 2g. O cálculo é simples, 20/2=10; ou seja, obtemos 1 parte do extrato por cada 10 partes da matéria-prima.

Em outras palavras “colocamos” em 1 grama, o que antes tinha em 10;  esta 10 vezes mais concentrado

Podemos dizer que obtemos os mesmos benefícios derivados da ingesta de astragalósido IV ao consumir 1g de extrato que 10g de pó

O que é a Estandarização?

Outro conceito que nos falta por explicar é a estandarização. A estandarização faz referência a concentração a que encontra o composto de interesse, e por outro lado supõem uma espécie de “controlo de qualidade”.

Com a estandarização asseguramos de que, independientemente do procedimento ou o ratio de extração, tenhamos uma concentração determinada do principio ativo.

Um exemplo seria dois suplementos que este estandarizados em um 0,8% de ácido valerénico

Neste caso, podem usar-se técnicas diferentes para a sua obtenção, as quais requerem mais ou menos matéria-prima, dissolventes ou tempo, mas o resultado final é similar em quanto a concentração da substância que buscamos

O que estou a comprar quando adquiro um Extrato de Plantas?

Para explicar, vamos analisar o rótulo de um dos nossos produtos: EvoBrain

evobrain rótulo extrato de plantas

Se observamos a informação na tabela de informação nutricional (o rótulo extrato de plantas), é possível que encontremos alguma coisa que não esta bem. Podemos pensar que uma dose de 3 cápsulas nos aportara um total de 28200 mg, ou seja, 28,2 gramas (uns 9,4 gramas por cápsula). Evidentemente, esta cifra não é verdadeira, e seria um disparate administrar cápsulas de mais de 9 gramas

Qual é a explicação para isso?

Aqui é onde os ratios de extração entram. Deixando um de lado as quantidades de Alfa-GPC e de Bitartrato de Colina, que sim se ajustam ao aporte real por cada 3 cápsulas, temos que prestar atenção na letra pequena que acompanha os nomes das plantas: Rhodiola Rosea e Bacopa Monnieri.

Em ambos casos vemos que se trata de extratos 25:1, o que indica que cada parte que contém na cápsula equivale a 25 partes do material de origem. Desta forma encontramos o seguinte:

  • Para o caso da Rhodiola Rosea: o aporte real é de 300 mg do extrato 25:1. Se multiplicamos 300 mg x 25 nos dá um resultado de 7500 mg, que é a quantidade de raizes de Rhodiola Rosea utilizada e recolhida na tabela.
  • O mesmo ocorre com a Bacopa: 750 mg de extrato x 25 da como resultado 18750 mg, que seria a quantidade de folhas de Bacopa Monnieri utilizada.
  • Estes extratos, ao mesmo tempo estão estandarizados em um 3% de rosavinas (Rhodiola Rosea) e um 30% de bacósidos (Bacopa Monnieri).

Resumo

  • Os vegetais, ademais dos nutrientes tradicionalmente conhecidos (hidratos de carbono, gorduras, proteínas, vitaminas e minerais), nos aportam determinadas substâncias que podem proporcionar efeitos beneficiosos para a saúde. Estas substâncias são conhecidas como nutracéuticos, fitoquímicos ou compostos bioativos.
  • Os produtos á base de extratos de plantas, surgem com o propósito de isolar e concentrar estas substâncias ou de eliminar outras que potencialmente podem ser perigosas.
  • Antes de que um extrato seja comercializado é necessário que passe por diferentes fases de investigação e provas da sua inocuidade para o consumidor, através de estudos in vitro e em modelos animais.
  • Existem numerosas técnicas para a obtenção de estes extratos, as quais podem diferenciar entre tradicionais e não tradicionais. Pelo geral, estas últimas melhoram ratios de extração e optimizam a utilização de recursos e tempo.
Os extratos estão definidos por duas cifras, o ratio de extração o qual mostra a proporção da matéria-prima utilizada para obter uma parte de extrato, e a estandarização, que é a percentagem de um determinado composto presente no extrato, e que nos serve para comparar, de certa maneira, a qualidade de um extrato frente a outro

Fontes

  1. Leyva-Jiménez et al., (2018). Comparative study of conventional and pressurized liquid extraction for recovering bioactive compounds from Lippia citriodora leaves.
  2. Azmir et al., (2013). Techniques for extraction of bioactive compounds from plant materials: A review.
  3. Bielsalski et al., (2009). Bioactive compounds: Definition and assessment of activity.
  4. What is actually in my herbal supplement?

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        Classificação compostos bioativos - 100%

        Técnicas de extração - 100%

        Ratio de extração - 100%

        Estandarização - 99%

        Exemplo pratico - 100%

        100%

        HSN Evaluação: 5 /5
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