As lesões no Futebol durante a pandemia

As lesões no Futebol durante a pandemia

Já passou mais de um ano desde que a pandemia da Covid-19 obrigou a suspender todas as competições desportivas no nosso país. Desde esse momento, as equipas de futebol profissionais tiveram de se reinventar para poder continuar a treinar e por manter os seus jogadores na melhor forma física possível, visto que o futuro do vírus era incerto e deviam estar preparados para o regresso à competição a qualquer momento. Sabemos depois de um ano quais as consequências da doença que os futebolistas passaram? Aqui vamos tratar de falar das lesões no futebol pós-covid.

Como é que o futebol tratou de evitar a pandemia?

Depois começou o regresso à normalidade e os jogadores puderam voltar ao exercício nas suas instalações desportivas, La Liga estabeleceu um protocolo muito exaustivo para os futebolistas profissionais, com o objetivo de evitar ao máximo colocar em risco tanto os jogadores e as suas famílias como os corpos técnicos e demais trabalhadores dos clubes.

Como trabalham as equipas de futebol na pandemia?

Num primeiro momento, durante as primeiras semanas da improvisada e necessária “pré-temporada” antes de voltar à competição, dado que os jogadores, apesar de terem estado a treinar em casa, não estavam em condições de voltar à competição.

O protocolo estabeleceu que estes deviam exercitar-se de forma individual, mantendo as distâncias de segurança com os seus companheiros e sem partilhar material.

Mais à frente foi permitido aos clubes que treinassem por grupos estáveis até 10 jogadores, permitindo assim realizar treinos com algo mais de especificidade da qual tinham os treinos individuais, podendo já os jogadores ter contato com os integrantes do seu grupo estável de treino.

O passo seguinte foi realizar os treinos em grupos, tentando limitar ao máximo o contato e o tempo no qual os jogadores se encontravam perto uns dos outros ao mínimo tempo imprescindível. Este protocolo foi aquele que se manteve até que a competição profissional voltasse a arrancar no mês de junho de 2020.

Protocolo LaLiga Covid-19

Relativamente às medidas de segurança, todos os jogadores deviam realizar um teste PCR ao chegar às instalações, assim como 48h antes de cada jogo, depois de arrancar a competição.

Além disso, todos os jogadores deviam aceder às instalações de maneira individual, sendo obrigatório o uso de máscaras, luvas e gel hidroalcoólico.

Relativamente à roupa de treino, cada jogador devia chegar às instalações com a sua roupa de treino e ir embora com ela para casa, estando proibido o uso dos balneários por supôr um importante foco de risco de contágio.

Futebol não profissional

No futebol amador ou não profissional, no entanto, as medidas e protocolos implementados pelos seus vizinhos profissionais eram impossíveis. Desta forma foi decidido suspender todas as competições não profissionais e de futebol formativo.

Em concreto, as ligas abaixo da terceira categoria nacional acabaram, jogando-se unicamente os playoffs pela subida de divisão, com todas as medidas de segurança anteriormente citadas para o futebol profissional.

Futebol de formação durante a pandemia

No que diz respeito aos jogadores, na maioria dos casos passaram mais de 3 meses sem se poderem exercitar e vários meses sem realizar treinos específicos, já que nem dispunham do espaço para treinar em casa nem da autorização para voltar aos treinos nos seus clubes depois do desconfinamento.

Relativamente ao início da temporada 20/21, esta foi muito diferente conforme a categoria e a comunidade autónoma. Desta forma, cada autonomia estabeleceu os seus próprios planos para o desporto durante a pandemia.

Hoje em dia, comunidades como Castilha e Leão ainda não permitiram o regresso à competição do futebol formativo. Naquelas que permitiram o regresso à competição, como é o caso de Madrid, existem protocolos que incluem a proibição da utilização de balneários, testes aos jogadores em categorias nacionais ou uso de máscaras durante a prática do futebol, entre muitas outras.

Principais fatores de risco no futebol

Como bem sabemos, o futebol é um desporto com um elevado nível de contato entre os desportistas, tanto da nossa própria equipa como da equipa rival. Por isso, o risco de se contagiar durante um jogo de futebol ou de um treino é um facto que não podemos deixar de lado no momento de tomar decisões.

Por isso, é de vital importância tomar todas as medidas de segurança que indicam os protocolos anti-Covid, já que existem numerosos fatores de risco durante a prática desportiva.

Riscos futebol Covid

Um dos principais fatores de risco é o uso dos vestuários/balneários, já que, em condições normais, num balneário de uma equipa profissional concentram-se cerca de 30-35 pessoas entre jogadores, corpo técnico e serviços médicos do clube durante cada treino e jogo.

Por isso, os balneários supõem um claro foco de contágio no caso de que uma pessoa estar infetada.

Outro fator de risco é o próprio contacto com os companheiros e rivais durante a prática desportiva. É certo que a doença se transmite, principalmente, por via aérea, os jogadores transpiram durante a atividade e toca-se na boca, nos olhos, etc.

Estudos de lesões durante a pandemia

O período de confinamento que começou no passado mês março de 2020 supôs uma paragem sem precedentes no futebol mundial. Os jogadores, acostumados a um nível de treinos e competições muito exigentes, viram-se fechados em casa tendo de realizar treinos muito pouco específicos que nada tinham que ver com a sua modalidade desportiva.

Portanto, apesar de os jogadores continuarem a treinar em casa sob a supervisão dos seus preparadores físicos, a não especificidade dos mesmos fez com que, depois do rgresso aos terrenos de jogo depois do confinamento, a incidência de lesões entre os jogadores disparasse, já que os seus tecidos já não estavam acostumados aos estímulos próprios do futebol, tendo as suas estruturas sofrido um certo grau de falta de treino.

Entre as lesões que mais se repetem depois do regresso aos treinos e à competição depois do confinamento destacam-se as entorces do tornozelo e as lesões musculares.

É bastante lógico que estas estruturas sejam as que mais lesões sofrem, já que a intensidade dos estímulos aos quais estão submetidos durante a prática do futebol difere muito do tipo de treino que se pode realizar fechados em casa.

Como se isto não bastasse, a pressa dos órgãos competentes por terminar a competição obrigou os clubes a jogar também jogos entre semana, o que dava ainda menos tempo de recuperação a jogadores que, já por si, estavam a forçar as suas estruturas para voltar a competir depois de uma longa paragem.

A consequência deste cúmulo de fatores foi, como já comentámos, um claro aumento das lesiões tanto a nível de ligamentos como musculares no final da temporada 19/20 e no início da 20/21.

Quais são as lesões mais comuns depois de superar o COVID?

Se é certo que não existe ainda grande evidência científica que relacione estas lesões com o facto de ter superado o Covid-19, começam-se a vislumbrar certos padrões que parecem indicar uma relação entre ambos os fatores.

Tudo indica que uma das lesões mais comuns depois de superar a doença pode ser a lesão muscular, como foi o caso de futebolistas como Pogba (Manchester United) ou Cheryshev (Valência), que estiveram afastados da prática do futebol durante algum tempo.

No entanto, ainda não está claro o porquê desta relação. Uma possível causa seria a degradação dos tecidos por culpa da febre e da inatividade, juntamente com um regresso à competição demasiado rápido depois da alta médica. Se a isto somamos uma possível degradação do sistema cardiorrespiratório como consequência do vírus que limita o fornecimento de oxigénio aos tecidos, o mais normal seria que isto desencadeasse uma falta de oxigénio nos músculos que precipitasse o seu dano durante a atividade.

Pese embora esse facto, o que mais preocupa aos médicos é que os casos mais soantes estão a acontecer em jogadores que passaram o Covid de forma praticamente assintomática, o qual descartaria esta teoria da febre.

Vários médicos desportivos concordam na definição do vírus como dinâmico que, ao que parece, pode dar sintomas tardios, sobretudo naqueles pacientes que o têm de forma assintomática. Além disso, apontam que estes efeitos ou sintomas podem afetar todo o corpo e não apenas ao sistema respiratório.

Por isso, as autoridades de saúde alertam para ter especial precaução no regresso aos treinos e à competição depois de ter superado o vírus, tanto se se tratar de um paciente que teve sintomas como se não os tenha sofrido.

Outras sequelas da pandemia no futebolista

Apesar de, como vimos, os problemas musculares terem os mais recorrentes depois de superar a doença em jogadores profissionais, estes porém não foram os únicos.

Apareceram casos muito mais graves e preocupantes que são os que dispararam os alarmes entre os médicos de medicina desportiva, já que estes efeitos aparecem quando o jogador, supostamente, já superou o vírus.

Este tipo de casos são conhecidos como persistentee, e indicam que a cura não será real até que o jogador não tenha passado um mínimo de 3 meses sem nenhum tipo de sintoma.

Um dos mais veiculados foi a trombose venosa profunda espontânea sofrida por Diego Costa (ex-jogador do Atlético de Madrid) na sua perna direita, da qual teve que ser operado.

A trombose, ou trombo, aparece quando se produz um coágulo de sangue numa ou mais veias do corpo, obstruindo-as e provocando dor.

Outro dos casos mais conhecidos foi o do jogador do Athletic Club, Yuri Berchiche, que superou a Covid-19 de forma praticamente assintomática e voltou à competição em 15 dias.

O jogador jogou 3 jogos completos sem nenhum problema nem sintoma estranho. No entanto, nos dois jogos posteriores, o jogador teve de pedir a substituição antes do minuto 50 por estar com tonturas, débil e mal disposto. Os médicos acreditam que se pode tratar também de uma sequela da doença, apesar de ainda haver muita incerteza relativamente a isso.

Por isso, se superámos o Covid, mesmo que tenha sido de forma assintomática, as autoridades de saúde insistem em que devemos estar atentos durante o nosso regresso à prática desportiva e à mesma forma de maneira progressiva e controlada, consultando um especialista no caso de notarmos que alguma coisa não está bem.

Fontes consultadas:

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Sobre Carlos Gallardo
Carlos Gallardo
Carlos Gallardo, além de trabalhar como formador de equipas juvenis para o Rayo Vallecano de Madrid, é apaixonado pela divulgação científica.
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