Lesão de Tríade, o maior medo para o jogador de futebol

Lesão de Tríade, o maior medo para o jogador de futebol

A lesão de tríade reúne três das lesões mais duras para o jogador de futebol, por estar relacionada com o joelho. Neste artigo vou explicar-te como ocorre, os tratamentos para a recuperação e formas de prevenção. Dá sempre o máximo em campo e esquece as lesões!

O que é a lesão de Tríade?

A lesão conhecida como tríade é um conjunto de 3 lesões que ocorrem em cadeia na articulação do joelho com um mecanismo de lesão comum. Mais concretamente, a tríade do joelho ou Tríade de O’Donoghue, engloba as seguintes lesões:

  • Rotura do Ligamento Cruzado Anterior (LCA)
  • Do Ligamento Lateral Interno (LLI).
  • Do Menisco Interno.

Joelho a articulação principal no futebol

O joelho do jogador de futebol é a articulação principal?

Conforme referimos em artigos anteriores, o joelho é uma das articulações mais complexas e, por sua vez, mais expostas do nosso corpo, pelo que, por vezes, como acontece com a lesão da tríade, o mesmo mecanismo de lesão acaba por danificar diferentes estruturas que atuam de forma sinérgica na articulação.

Como é que ocorre a tríade?

O mecanismo de lesão da tríade é semelhante ao da rotura do ligamento cruzado anterior. Conforme referimos no artigo referente a este lesão, devemos distinguir entre o mecanismo com contacto e o mecanismo sem contacto (que é geralmente o mais comum).

O mecanismo de lesão mais comum nesta lesão ocorre quando existe uma rotação interna do joelho enquanto este se encontra numa posição de valgo que produz um entorse grande na articulação, ficando o pé fixo no chão, o que causa uma tração grande no ligamento impossível de suportar para este, pelo que acaba por sofrer uma roturano final acabando por estabilizar o movimento.

Além disso, esta rotura do ligamento e este entorse grande acabam também por rasgar o ligamento lateral interno, permitindo que o fémur se desloque sobre a cabeça proximal da tíbia e produza um aperto que belisca o menisco interno até provocar a sua rotura.

Como é que ocorre a lesão de tríade?

Qual é o risco de lesão de tríade para os jogadores profissionais?

A pior lesão é para o jogador de futebol

Sempre que falamos em lesões no joelho sabemos que a recuperação geralmente é lenta devido à grande implicação que esta articulação tem num desporto como o futebol. De um modo geral, fala-se geralmente da rotura do ligamento cruzado anterior como a lesão mais temida, uma vez que ocorre numa percentagem muito superior do que a tríade, embora esta última seja bem pior do que a rotura do LCA.

Se é bem verdade que em termos de recuperação os tempos de uma tríade e de um ligamento cruzado anterior são semelhantes, uma vez que as outras duas lesões extra apresentam uns tempos de recuperação geralmente inferiores aos do LCA, a tríade pode ter outras repercussões na articulação do joelho.

Quando o jogador de futebol tiver recuperado da tríade, não deve ser somente o cruzado anterior que o deve preocupar e onde deve concentrar a sua atenção, mas também, além disso, terá outras duas estruturas dentro do joelho que foram recuperadas ou intervencionadas cirurgicamente, enquanto que na rotura do LCA as restantes estruturas ficam intactas.

Por tudo isto o trabalho de prevenção do joelho após a tríade deve ser ainda mais intensivo e feito de forma consciente, uma vez que um joelho mal recuperado pode resultar em recaídas e inclusive obrigar o jogar de futebol a abandonar o futebol profissional.

Tratamento de recuperação

O tratamento para a recuperação da tríade é muito semelhante ao que é realizado após uma reconstrução isolada do ligamento cruzado anterior, uma vez que os tempos biológicos de consolidação do enxerto para substituir o ligamento cruzado anterior serão maiores do que dos de cicatrização dos pontos do menisco ou da recuperação do ligamento lateral interno.

Processo de recuperação da lesão de Tríade

Trabalho solitário durante um longo período por parte do jogador de futebol.

Após uma etapa de imobilização na qual será realizado um trabalho alternativo para perder o mínimo de tónus muscular possível, deve começar a ganhar mobilidade aos poucos com trabalho de fisioterapia. Por sua vez, serão realizados exercícios de força isométrica (sem encurtamento-alongamento das fibras), de mobilidade articular de todas as articulações não afetadas e trabalho aeróbico sem impacto nem movimento do joelho (por exemplo, trabalho de remo com as pernas esticadas).

Depois de ganhar mobilidade, deve começar o trabalho de forma concêntrica e excêntrica, bem como exercício aeróbico com movimento do joelho, como a bicicleta, marcha e subir/descer escadas. O trabalho de estabilidade articular vai ser fundamental ao longo de toda a recuperação.

O passo seguinte vai ser começar a trotar a fazer movimento de bola de forma individual e sem oposição, bem como realizar trabalho de força mais específico e com um nível superior de exigência. Além disso, devem ser realizados exercícios de coordenação, para aumentar a intensidade e dificuldade dos mesmos de forma progressiva.

Para terminar, iremos começar com os trabalhos específicos no campo com pontapés largos, trabalho de mudança de direção e exercícios com oposição. Iremos realizar trabalhos de pliometria e velocidade de reação, e o jogador poderá começar a participar em atividades de grupo sem oposição.

Quando a equipa médica considerar oportuno, o jogador poderá começar a ser integrado de forma progressiva nos treinos, sempre com a supervisão de toda a equipa responsável pela sua recuperação.

Intervenção cirúrgica da tríade

Conforme referimos anteriormente, a tríade não é uma lesão em si própria, mas um conjunto de lesões de diferentes estruturas, pelo que devemos tratar cada uma das estruturas em separado:

  • Ligamento Cruzado Anterior: este ligamento, quando sofre uma rotura, não se cura nem regenera sozinho, pelo que, geralmente, o seu tratamento deve ser cirúrgico. A intervenção consiste em colocar um enxerto do próprio doente (geralmente do tendão rotuliano) para substituir o ligamento que sofreu a rotura. Esta intervenção é realizada através de uma astroscopia e pequenas incisões.
  • Menisco Interno: este é diferente do ligamento cruzado anterior, uma vez que, embora nenhum deles regenere sozinho, não é possível substituir o menisco que sofreu a rotura por um novo nem com um enxerto que cumpra as suas funções. No entanto, a boa notícia é que, muitas vezes, se a rotura tiver sido limpa e segundo o tamanho da parte que sofreu a rotura, é possível dar pontos na parte que sofreu a rotura novamente no menisco. Caso não seja possível, a intervenção irá consistir em retirar as partes do menisco partidas para não bloquearem a articulação nem causarem novos problemas.
  • Ligamento Lateral Interno: na maioria dos casos, a lesão deste ligamento dentro da tríade é geralmente uma rotura parcial, embora exista a possibilidade de a rotura ser completa. O tratamento é geralmente conservador, sendo raras as vezes em que é necessária uma intervenção cirúrgica.

Complicações da lesão

Qualquer lesão pode ter complicações se não fizermos a recuperação como deve ser e uma reabilitação intensiva a seguir, pelo que, uma lesão grave como a tríade, sem dúvida, que poderá trazer muitas complicações se a recuperação não for feita de forma adequada e for supervisionada por uma equipa multidisciplinar de profissionais.

Prevenção da lesão de Tríade no Futebol

Quando são danificadas várias estruturas, conforme referimos, as possibilidades de complicações aumentam, uma vez que existem vários focos para controlar ao mesmo tempo.

Por um lado, como qualquer interveção cirúrgica, tanto a reconstrução do ligamento cruzado anterior como a sutura do menisco correm o risco de infetar, embora com um tratamento de forma adequada não deva acontecer.

Por outro lado, devemos ter atenção a dois aspetos fundamentais:

  • Não tentar apressar o tempo. Para correr, primeiro devemos aprender a andar. Se tentarmos realizar atividades para as quais o nosso joelho não está preparado, é bem possível que alguma das estruturas que estamos a tentar recuperar voltem a ficar danificadas.
  • Cuidado: a recuperação de uma tríade é uma corrida de fundo, pelo que devemos realizar um trabalho intensivo e consciente todos os dias, seguindo sempre o programa do fisioterapeuta e preparador.

Prevenção da lesão da tríade

Passa por ter uma boa estabilidade no joelho, bem como um funcionamento correto de todas as suas estruturas, uma vez que uma corrente pode ser tão forte como o seu sabão mais fraco.

Por isso, devemos ter muita atenção aos trabalhos de estabilidade articular, tanto de forma isolada no ginásio como com movimentos específicos do desporto em campo.

Além disso, devemos garantir que a coordenação intermuscular de todos os músculos que intervêm na estabilidade desta articulação seja perfeita, uma vez que, uma assincronia dos mesmos pode levar, por exemplo, a este temido valgo do joelho que desencadeia na lesão que estamos a tentar evitar.

Dentro destes músculos, devemos concentrar-nos na ativação do glúteo médio (por ser este a evitar o valgo), na coordenação entre isquiosurais e quadríceps bem como na coordenação entre adutores e abdutores.

Fontes Bibliográficas consultadas:

Conteúdos que não deves deixar de ler:

Avaliação da Lesão da Tríade em Futebol

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Tratamentos - 100%

Intervenção Cirúrgica - 100%

Prevenção da lesão - 100%

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Sobre Carlos Gallardo
Carlos Gallardo
Além de exercer como readaptador das escolas do Rayo Vallecano de Madrid, é um apaixonado pela divulgação científica. Desta forma, procura aproximar as novas técnicas de recuperação e trabalho através de textos especializados no HSN Blog.
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