Glicina: Tudo o que Precisa de Saber

Glicina: Tudo o que Precisa de Saber

Vamos contar tudo aquilo que deve saber sobre o aminoácido Glicina, as suas propriedades e formas de utilização. É o mais simples de todos, mas com funções complexas.

O que é

A glicina é um aminoácido, ou seja, um composto orgânico que contém nitrogénio e cuja ligação aos outros aminoácidos forma proteínas, como aquelas que consumimos através dos alimentos e encontramos no nosso organismo.

É um aminoácido neutro, não polar; o que significa que não possui carga elétrica nem reage na presença da água; não apresenta uma configuração quiral, pelo que visto num espelho poderá sobrepor-se à imagem original espetacular.

Moléculas

Figura I. Exemplo de una molécula quiral de uma aquiral e a sua espetacular imagem.

O que explica a razão pela qual a glicina, por ser um aminoácido, não possui uma configuração L- ou D-, não a tem porque o seu grupo funcional não se desloca para ambos os lados da estrutura de carbono.

Comparação

Figura II. Glicina (esquerda) e L-Leucina (direita). Defina-os na posição neutra do grupo funcional na glicina.

E como aminoácido, é o mais simples de todos, uma vez que a sua cadeia lateral (aquela que torna únicos todos os aminoácidos) é composta por apenas um hidrogénio.

Após estas informações técnicas, entramos na matéria, como é que um aminoácido tão simples pode ser tão importante para o nosso funcionamento?

Caraterísticas nutricionais da Glicina

A glicina é um aminoácido condicionalmente essencial, e é descrita como tal, uma vez que, apesar de o organismo o conseguir sintetizar sozinho a partir de outras moléculas (através do GHMT, principalmente), o faz em quantidades insuficientes.

Um organismo humano em condições suficiência nutricional consegue sintetizar cerca de 3g de glicina por dia, quando as necessidades de uma pessoa do sexo masculino, sedentária, com um peso normal ronda as 15g.

Quando consumimos glicina em quantidade suficiente durante algum tempo:

  • A síntese de colagénio é alterada significativamente, podendo conduzir ao aparecimento de sintomas como a osteoartrite, queratose, enfraquecimento e possibilidade de queda de cabelo.
  • É criado um ambiente de stress oxidativo que elimina a glutação e conduz à hepatotoxicidade, resistência à insulina, nefrotapia, retinopatia e, inclusive, neurotoxicidade.

Osteoartrite

Figura III. Osteoartrite.

É importante garantir um estado de suficiência de glicina para prevenir o aparecimento destes sintomas.

Para que serve

A glicina possui uma grande quantidade de funções no organismo e embora a sua função mais conhecida é a de neurotransmissor (envio de mensagens entre neurónios), trabalho não falta.

Glicina como neurotransmisor

A glicina é um neutrotransmisor inibitório, embora já tenham ouvido estes comentários relativamente ao GABA, que é o nosso principal inibidor nervoso, uma vez que a glicina funciona quase da mesma forma.

Acumula-se nos neurónios emissores e é libertado para atuar sobre recetores específicos dos neurónios recetores, de modo a permitir o aumento da permeabilidade ao cloro e a prevenção da despolarização (inibindo a ativação dos neurónios).

gaba

Figura IV. Sinalização inibitória da glicina no complexo Gly/GABA.

Imaginem a glicínia como um porteiro de discoteca, que somente deixa entrar pessoas calmas que evitam que os boémios que procuram apenas confusão, entrem no local para a desencadear, é mais ou menos desta forma que funciona.

O que sugeriu que a glicina e os seus recetores sejam uma espécie de alvo de ação anestésica e remédio para dormir; efetivamente:

A glicínia demonstrou aumentar a eficácia do sono e a perceção subjetiva do descanso, além de diminuir a ativação eletroencefalográfica durante um estudo do sono, ou seja, atua como um tranquilizante neurológico natural (Yamadera et al., 2007).

A melhoria da qualidade do sono causada pela glicínia também conduziu a melhorias no desempenho cognitivo posterior das pessoas que utilizaram este aminoácido.

Mesmo assim, a glicina é extraña, uma vez que ao mesmo tempo manifesta efeitos inibitórios no tronco cerebral e na medula espinal; em outras áreas do sistema nervoso pode aumentar a resposta dos recetores de NMDA ao glutamato, podendo aumentar a resposta excitatória deste neurotransmissor.

A glicina tem noites que o contratam como porteiro em outra discoteca e deixa entrar as pessoas que fazem mais barulho para animar a festa.

Por iso, devemos evitar o consumo de glicina com glutamatérgicos como a cafeína.

Outras funções da glicina

A glicina apresenta várias funções metabólicas, genómicas e bioquímicas en el organismo que a tornam única:

Funções

Figura V. Funções metabólicas e bioquímicas da glicina.

Atenção e não perca a explicação das mais importantes!

Síntese de proteínas

A glicina faz parte das proteínas no nosso organismo, especialmente do colagénio, uma estrutura que forma os nossos vasos sanguíneos, a cartilagem das articulações, cabelo, pele…

A nossa principal proteína “estrutural”.

Quantidade colagenio

Figura VI. Quantidade de colagénio nos diferentes tecidos do organismo.

A glicina constitui 1/3 da composição do colagénio, por ser o aminoácido com maior expressão na sequência de aminoácidos que formam o colagénio.

Sequência

Figura VII. Sequência de aminoácidos de uma proteína de colagénio. Gly significa Glicina.

Sem glicina não é possível produzir colagénio, uma vez que falta o principal elemento estrutural da proteína, e começaríamos a sofrer um sério quadro catabólico que coloque em risco a nossa saúde.

Precursor de moléculas

A glicina é um precursor (um elemento do processo de síntese) de produtos, de:

  • Do guanidinoacetato nos rins, que depois é transformado em creatina.
  • Da glutationa, o nosso principal antioxidante presente no organismo.
  • Das porfirinas, a partir das quais se desenvolvem as hemoproteínas como a hemoglobina, que previne o aparecimento de anemia.
  • As bases púricas, a partir das quais ocorre a síntese de nucleótidos para a síntese de de ADN y ARN.

E não ficamos por aqui…

É complexa e envolve vários mecanismos bio sintéticos primários e secundários

Biometabolismo glicina

Figura VIII. Biometabolismo simplificado da Glicina.

… é importante entender que a glicina é um aminoácido biologicamente essencial necessário para o organismo conseguir desempenhar as suas funções corporais com normalidade.

Como obter a glicina através da dieta?

A glicina encontra-se naturalmente presente nos tecidos de ligação dos animais.

Por isso, as fontes de alimentos mais ricas em glicina são a gelatina, seguida pela pele de porco (torresmos) e em menor quantidade a carne, peixe, sementes e proteínas concentradas de soja.

Glicina alimentos

Figura IX. Quantidade de Glicina por 100g de produto, retirado da base de dados da USDA.

Uma pessoa que siga uma dieta vegetariana/vegana, ou que não consuma uma grande quantidade de proteínas através da dieta pode apresentar dificuldades em alcançar as recomendações de 10-12g extra de glicina através da dieta.

Para isso, criamos a Glicina em pó de HSNraw!

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  • Constitui uma forma cómoda e simples de consumir este aminoácido.
  • Apta para vegans.
  • Pode ser consumido ao deitar: aumentar o relaxamento e melhorar a qualidade do sono como mostram os estudos.
Basta uma quantidade de 3 gramas de produto para alcançar estes efeitos.

De que é que estás à espera? 😉

Referências Bibliográficas

  1. Meisenberg, G., & Simmons, W. H. (2012). Principles of medical biochemistry. Philadelphia: Elsevier/Mosby.
  2. Meléndez-Hevia, E., & De Paz-Lugo, P. (2008). Branch-point stoichiometry can generate weak links in metabolism: The case of glycine biosynthesis. Journal of Biosciences, 33(5), 771–780.
  3. Meléndez-Hevia, E., De Paz-Lugo, P., Cornish-Bowden, A., & Cárdenas, M. L. (2009). A weak link in metabolism: the metabolic capacity for glycine biosynthesis does not satisfy the need for collagen synthesis. Journal of Biosciences, 34(6), 853–872.
  4. Razak, M. A., Begum, P. S., Viswanath, B., & Rajagopal, S. (2017). Multifarious Beneficial Effect of Nonessential Amino Acid, Glycine: A Review. Oxidative Medicine and Cellular Longevity, 2017, 1716701.
  5. Yamadera, W., Inagawa, K., Chiba, S., Bannai, M., Takahashi, M., & Nakayama, K. (2007). Glycine ingestion improves subjective sleep quality in human volunteers, correlating with polysomnographic changes. Sleep and Biological Rhythms, 5(2), 126–131.

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Sobre Alfredo Valdés
Alfredo Valdés
Especialista e treino de fisiopatologia metabólica e nos efeitos biomoleculares da alimentação e o exercício físico, com os seus artigos, vai levar-te no complexo mundo da nutrição desportiva e clínica, de forma simples e desde uma perspectiva crítica.
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