Inositol e Síndrome do Ovário Políquistico (SOP): O Guia Definitivo

Inositol e Síndrome do Ovário Políquistico (SOP): O Guia Definitivo

O tema do qual vamos tratar neste post é uma patologia relacionada com a mulher, e da qual talvez já tenhas ouvido falar. Estou a referir-me ao Síndrome do Ovário Poliquístico, o conhecido pelas siglas SOP. Em que consiste?

Cada vez mais frequente entre as mulheres mais jovens e em idade de reprodução, trata-se de um síndrome que diminui significativamente a sua qualidade de vida. Pode parecer surpreendente, mas o SOP afeta entre 5 a 21% das mulheres em idade reprodutora!

Quais são os critérios para definir o SOP?

No momento de estabelecer o que é isso de SOP, temos que nos fazer valer dos denominados critérios de Rotterdam e concluir que, para falar do Síndrome do Ovário Poliquístico, devemos obedecer, pelo menos, a três critérios:

  1. Oligomenorreia, ou amenorreia ou, o que é o mesmo, uma alteração menstrual que condiciona o aparecimento de menor número de períodos menstruais dos que seria de esperar, e inclusivamente a ausência dos mesmos, circunstâncias que são justificadas por um menor número de ciclos ovulatórios. Dito de outro modo, muitas destas mulheres não ovulam como seria de esperar.
  2. Sintomas clínicos ou bioquímicos de hiperandrogenismo. Entre eles temos de destacar o acne, ou hirsutismo, como veremos mais adiante.
  3. Uma imagem característica na ecografia e que corresponde a um ovário microfolicular, a presença de entre 10 a 12 quistos ou aumento do tamanho dos ovários superior a um determinado volume.

Apesar de que estes tenham sido (e vão continuar a ser) os critérios clássicos que os médicos lidam, também encontrámos que estas mulheres costumam ter problemas ao nível metabólico.

Síndrome Ovário Poliquístico

Não é por acaso que a maioria das mulheres e, em particular, 80% das mulheres jovens que padecem de Obesidade/Excesso de peso com SOP, e entre 15 a 30% das mulheres magras com SOP, apresentavam um certo grau de Resistência à Insulina, circunstância que lhes confere um maior risco cardiometabólico.

Por isso mesmo, criou-se um termo com o objetivo de incluir tal evidência na própria definição de SOP, que é conhecido como “Metabolic Reproductive Syndrome” ou “Síndrome Reprodutivo Metabólico”.

Como estão as minhas hormonas se tenho SOPQ?

Vejamos então qual é o perfil endócrino de uma paciente de Síndrome do Ovário Poliquístico. Esta informação é relevante com o objetivo de compreender a que é devido, tanto as suas manifestações como os síndromes que dita patologia produz.

As suas alterações hormonais podem ser resumidas da seguinte forma:

  • Aumento de andrógenos ováricos e suprarrenais: aumento da Testosterona, Androstendiona e S-DHEA
  • Aumento da gonadotropina LH a >8-12 mUI/ml
  • Aumento de estrogénios, principalmente de estrona, por conversão periférica extraglandular de andrógenos
  • Diminuição da SHBG, a proteína que se encarrega de transportar as hormonas sexuais no plasma. Ao estar diminuida tal proteína, é obtida uma maior quantidade de andrógenos livres. Esta circunstância é negativa para los síntomas del Síndrome de Ovario Poliquístico
  • Aumento de prolactina
  • De insulinemia
  • E de leptina e diminuição de adiponectina, hormonas reguladoras dos sistemas da fome-saciedade, assim como de outras funções.

Por que motivo se produz o Síndrome do Ovário Poliquístico?

Por que motivo surge o Síndrome do Ovário Poliquístico?

Atualmente, a origem do Síndrome do Ovário Poliquístico continua sem estar totalmente claro para os investigadores e que não é mais do que, hoje-em-dia, uma dor de cabeça acrescida.

A hipótese que é veiculada com mais força é que provavelmente é uma anomalia hipotalâmica-hipofisária a que produz pulsos de LH e FSH anómalos, condicionando um ratio LH/FSH (gonadotropinas) mais elevado do que o normal.

O mencionado excesso de LH e defeito de FSH, é o que faz com que se origine um excesso de estímulo das células ováricas, as quais se denominam células da teca, produtoras de uma maior quantidade de andrógenos ováricos como testosterona e androstendiona.

Temos que sumar a tudo o que já foi dito que os andrógenos circulam livres em maior quantidade, devido a que a hormona transportadora (SHBG) se encontra diminuída.

Não obstante, existe um facto definitivo do qual ainda não aludimos e que não é outro do que o excesso de andrógenos circulantes facilita a resistência à insulina, que se agrava no caso das mulheres jovens que padecem de excesso de peso/obesidade pelo excesso de peso.

Do mesmo modo, parece que a resistência à insulina facilita o excesso de andrógenos, pelo que as pacientes entram num ciclo vicioso do qual custa saír (mas é possível).

A resistência à insulina agrava tudo

A resistência à insulina é uma situação que está fundamentada numa alteração dos tecidos periféricos, primordialmente do músculo e do fígado, mas também de outros como o SNC à ação da insulina.

A insulina chega às células de forma abundante, ou seja, em quantidades suficientes, mas afetada por um defeito no recetor, talvez por uma excessiva fosforilação de resíduos de Serina, mas também pode ser por um defeito ao nível pós-recetor, impossibilitando que a insulina exerça a sua ação.

Esta circunstância faz com que o pâncreas secrete mais insulina com fins compensatórios. Parece ser que o mecanismo, ao não funcionar este órgão nesses níveis para exercer a ação necesaria, secreta mais com o objetivo de que os tecidos reajam.

Por esta razão, a hiperinsulemia concomitante à resistencia à insulina é denominada “hiperinsulemia compensatória”.

O problema reside em que esta resistência à insulina (RI) piora tanto a função ovárica como a produção de andrógenos, amplificando a hiperestimulação de LH.

E essas borbulhas na cara?

No ínicio deste post, aludimos ao facto de que uma das pedras angulares do SOP é o hiperandrogenismo, uma condição que no seio médico tradicional se está a tratar com:

  • Contracetivos hormonais que combinam estrogénios e gestagénios, destacando a pílula Sibilla, Yasmin ou Diane.
  • Antiandrógenos: como por exemplo a flutamida ou o finasteride.
  • Insulin-sensibilizadores como a Pioglitazona (um medicamento que não se costuma usar em Espanha para estes efeitos) ou a Metformina.

Estes fármacos fazem bem a muitas mulheres jovens e melhoram nitidamente os seus sintomas.

No entanto, o problema primordial que se esconde por detrás do hiperandrogenismo é a resistência à insulina e, enquanto a mesma continue alta, o hiperandrogenismo irá resistir a ir-se embora, por muitos remédios que possamos utilizar.

SOPQ mulher e desporto

Por que razão as mulheres magras também sofrem de resistência à insulina e ao SOP?

Quando tivieos conhecimento de que a resistência à insulina era uma das causas do Síndrome do Ovário Poliquístico, as dúvidas não demoraram em aparecer.

Sabíamos que a obesidade e o excesso de peso tinham uma estrita relação com a resistência à insulina, mas perguntávamos o porquê do SOP e da RI afetarem igualmente a mulheres magras e qual o mecanismo que nos estava a escapar a esse respeito.

Surgiu então a hipótese de que o problema não tinha apenas que ver com a perda de peso, mas sim que estas mulheres apresentavam um defeito na sinalização da insulina ao nível pós-recetor e de moléculas como o Inositol fosfoglicano (IPG), crucial na sinalização da hormona.

O IPG é produzido por hidrólise do Glicosil-fosfatidil-inositol na membrana celular interna e, tal e como vínhamos referindo, é um fator essencial na complicada cascata de sinalização da insulina que exerce um controlo direto e indireto do metabolismo oxidativo e não oxidativo da glicose, assim como a translocação dos recetores GLUT4 para a membrana celular.

Em suma, os inositóis e as suas moléculas derivadas, como o IPG, são necessários para um adequado funcionamento do sistema da insulina.

O que supra referimos tem de ser especialmente tido em consideração em termos dos efeitos do SOP e do funcionamento do Inositol enquanto suplemento.

Administração de Inositóis em pacientes com SOPQ

O Inositol é uma substância com presença nas membranas celulares, semelhante a nível molecular a um açúcar, da qual temos até 9 isómeros (dos quais o MioInositol é o mais abundante) e que se dá em vários processos de sinalização celular.

Esta é a razão pela qual o Inositol e os seus produtos derivados (como o já mencionado IPG) têm relevância, tanto no SOP como em outras patologias que têm que ver com a resistência à insulina.

Sabemos que ao nível científico que, tanto o Mioinositol (MI), como o D-Chiro-Inositol (DCI) são excretados em maior quantidade pelos rins em pacientes diabéticos. A propósito daquilo que ora se relatou, pode-se dizer que estes pacientes não fazem um adequado uso dos inositós, “deitando-os fora” em maior proporção.

Por outro lado, no nosso organismo é efetuada a conversão do Mioinositol para DCI, conversão essa que também é diminuída em pacientes diabéticos e com Síndrome do Ovário Poliquístico pelo facto de contar com uma ação menor da enzima epimerase.

Suplementação com Inositol. por que razão?

Foi com base nestas hipóteses que se começaram a efetuar os primeiros estudos clínicos sobre o Inositol e a saúde, sendo Nestler quem iniciou este tipo de ações ao selecionar um grupo de 24 mulheres com obesidade que sofriam do Síndrome do Ovário Poliquístico, dando-lhes 1200 mg de DCI.

O resultado? O estudo concluiu comprovando-se uma diminuição da resistência à insulina, uma restauração total da ovulação e uma menor testosterona livre (Ivorno, 2002).

Posteriormente, Chiu teve oportunidade de constatar que o conteúdo em MI no líquido folicular, uma substância que se encontra no interior dos folículos ováricos, está relacionado com a qualidade do ovócito.

Inositol em Pó da RawSeries

Inositol em Pó da RawSeries.

Unfer levou a efeito uma publicação dos 21 estudos qualificados como sendo os mais importantes sobre o Inositol e a saúde ovárica-metabólica. Nesse estudo exibia uma metodologia bastante diversificada, pois foram utilizadas doses de 500 a 1500 mg de Inositol diárias.

Os resultados da maioria dos estudos coincidiram em:

  • Diminuição de LH
  • Do ratio LH/FSH
  • Diminuição da testosterona
  • Da insulinemia
  • Aumento do HDL
  • Diminuição de androstendiona
  • Do HOMA-IR
  • Diminuição do colesterol total
  • Melhoria da fertilidade e da amenorreia/oligomenorreia

Ao que parece, o mecanismo de ação é melhorar a biodisponibilidade do 2º mensageiro em cascata da sinalização da insulina-IPG.

Quais são os benefícios que tem o inositol para o Síndrome do Ovário Poliquístico?

Nas palavras dos investigadores: “depois de que o sistema metabólico endocelular esteja a funcionar melhor, todo o funcionamento endócrino começa novamente a funcionar adequadamente”.

É importante combinar DCI e MYO?

Temos que distinguir entre as características metabólicas do ovário e o resto dos tecidos em mulheres com Síndrome do Ovário Poliquístico.

Carlomagno referiu que a demonstração que o Mioinositol se epimeriza em circunstâncias normais para DCI no ovário devido a que é um tecido mais insulino-sensível que os restantes, o que justifica a importância do fornecimento do MI adequado para a saúde reprodutora.

Seguindo este pensamento e conforme o anteriormente referido, o MI epimeriza-se (transforma-se) para ou em DCI nos tecidos, sendo o DCI o encarregado, em última instância, de realizar a ação biológica. Por outro lado, foi Genazzani quem constatou que a administração de DCI a pacientes predispostos ao DM restaura os diminuídos níveis de DCI, com o resultado de melhoria da sensibilidade à insulina.

Por outro lado, e na opinião da LaMarca, o fornecimento de 1-1,5 g de DCI diárias modula a concentração da hormona antimulheriana em pacientes com PCOS.

¿Significa esto que habría que asociar MI y DCI en un mismo compuesto para lograr la mejora de su efectividad?

PCOS Care da EssentialSeries

PCOS Care da EssentialSeries.

Para o esclarecer, Facchinetti indica sobre este tema que, pelo menos desde o prisma teórico, um tratamento baseado na combinação de MI+DCI no ratio mais fisiológico (que costuma ser 40:1) pode ser a melhor forma de conseguir a melhoria/correção das alterações metabólicas subjacentes ao Síndrome do Ovário Poliquístico.

Conforme explicado até este momento, parece que pode ser boa ideia juntar ambos os compostos na mesma toma.

Qual é a relação entre a diabetes e SOPQ?

Se tens SOP, há uma coisa que em nenhum caso podes obviar: tens um maior risco de desenvolver diabetes tipo 2 e patologia cardiometabólica.

Como deves contemplar esta informação? Na medida em que deves colocar todos os seus esforços na prevenção destas patologias a partir do momento do diagnóstico. E estamos a falar de prevençaõ porque, mesmo tratando-se de riscos aumentados, são patologias que podem prevenir-se de antemão, adotando um estilo de vida adequado.

O que não podes esquecer se padeces de SOPQ

Conforme anteriormente referidos, as alterações de estilo de vida supra aludidos que deves colocar em prática são os que te daremos como dicas finais.

Pesos Russos ou Kettlebells, O que são, Vantagens e Benefícios

Utiliza na tua rotina de treino de força

O músculo é o tecido que mais condiciona essa resistência à insulina. Por essa razão não podes deixar de ver o músculo como um grande órgão endocrinometabólico. Se tens resistência à insulina, o teu músculo também é resistente à insulina.

O que significa isto? O teu músculo tem problemas para utilizar a energia.

Paradoxalmente, podes melhorar esta situação utilizando o músculo, ao contrário daquilo que possas pensar…

Não esqueças de fazer trabalho de natureza muscular. Isto implica que tenha necessariamente que consistir em cargas externas, tais como halteres, barras ou kettlebells? A resposta tem de ser negativa, pois podes fazê-lo perfeitamente com exercícios com peso corporal, ou tipo calistenia, que agora está de moda.

Aumenta a intensidade

Treinar a força é uma grande ideia, mas no caso de ires ao ginásio, que faças três séries de curl de bíceps e que quando terminares continues repleto de energia, devias pensar que talvez estejas a treinar muito abaixo do limite da intensidade necessária.

Para que as melhorias às quais nos estamos a referir cheguem a produzir-se, vais ter que dar-lhe intensidade ao teu treino.

E isto não vai lá apenas com o treino de força, dado que o treino cardiovascular é outra opção bastante válida que podes pensar para a melhoria ao nível cardiometabólico, mas sempre com alguma intensidade.

Hiit para Síndrome de Ovário Poliquístico

HIIT

O que deves perguntar depois é que “nem só da força vive o homem”. O “treino metabólico” tipo CrossFit ou cross training, ou o clásico HIIT são uns ótimos aliados para melhorar a tua resistência à insulina e para criar uma elevada exigência energética no teu tecido muscular e nas mitocôndrias.

De novo, alia-te com a intensidade!

Cuidado com os ultraprocessados!

Uma das perguntas mais frequentes que me costumam colocar, é o de saber quais são os alimentos que aumentam a resistência à insulina. Em abono da verdade, não existe nenhum alimento que por si só aumente a resistência à insulina.

Então, isso vai depender de quê? Do contexto. Contudo, no caso de que tivéssemos de colocar em evidência a um determinado grupo de alimentos, o dos ultraprocessados seria o escolhido, assim como o seu consumo diário e indiscriminado.

Evidentemente todos nos podemos dar um doce capricho, como um donut em ocasiões pontuais. Otra cosia é que nos dediquemos a ingerir este tipo de produtos regularmente, pois tal circunstância está relacionada com uma degradação cardiometabólica, um aumento de peso e um maior risco do síndrome metabólico e do aparecimento da diabetes.

Inositol

Convidamos a que consultes a entrada completa que elaborámos a falar deste suplemento que, em consonância com aquilo que já explicámos, é um dos melhores candidatos para a melhoria do teu SOP.

Importante: Fica com a ideia de que os inositóis são umas moléculas necessárias para um bom funcionamento do sistema da insulina. Quando existe resistência à insulina, ditas moléculas não funcionam como é devido como função sinalizadora, um inconveniente que podes reverter de maneira total ou parcial graças à sua administração exógena.

Inositol EssentialSeries

Inositol da EssentialSeries.

Lê um pouco mais acerca dos benefícios deste suplemento no post específico.

Não deixes de ler as conclusões

Por sorte, se alguma coisa podemos dizer sem correr o risco de nos enganar relativamente a esta patologia, é que cada vez mais conhecemos aspetos fisiológicos e fisiopatológicos da mesma.

Dado que é um ente que abrange tudo, a alteração do metabolismo repercute-se, entre outros aspetos, no funcionamento do sistema reprodutor.

Foi útil para ti este post? Nesse caso, convidamos-te a deixar aqui o teu comentários e a que o possas partilhar com aquelas amigas às que também lhes possa interessar. Vemo-nos no seguinte post!

Fontes Bibliográficas:

    Avaliação Inositol e SOP

    Evidência científica - 100%

    Melhora o sistema da insulina - 100%

    Melhora a fertilidade - 100%

    Melhora o sistema da insulina - 100%

    100%

    HSN Evaluação: 5 /5
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    Sobre Borja Bandera
    Borja Bandera
    Borja Bandera é um jovem médico dedicado as áreas de nutrição, exercício e metabolismo, que concilia a sua atividade clínica junto a sua vocação divulgativa e investigadora.
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