Comer Melhor: Conselhos e Recomendações

Comer Melhor: Conselhos e Recomendações

Comer melhor não é tarefa simples, mas na HSN vamos indicar-te alguns conselhos para que ponhas em prática e consigas um maior benefício

O “como comemos” está condicionado por um compêndio de fatores que, passo a redundância, são dificilmente modificáveis. Dificilmente, mas não impossível.

Falo de:

  • Educação (como te ensinaram a comer),
  • Conhecimentos (o que creio que é saudável ou apropriado),
  • Possibilidades (o que permite comprar o meu salário),
  • Tempo (o tempo que demoro a comprar e a cozinhar),
  • Sociedade (qual é a forma de comer na minha sociedade),
  • Hábitos (adquiridos ao longo de anos), ou
  • Condicionantes psico-sociais (como pode ser a ansiedade ou depressão, que condicionam muito o facto de comer).

Não obstante, a missão dos profissionais de saúde é a de fornecer ferramentas para facilitar “comer melhor” ao maior número de pessoas dentro das suas possibilidades.

Assim que hoje vamos ver cinco ferramentas práticas que toda a gente deveria estar a aplicar e que servem para comer melhor, ou pelo menos tentar fazê-lo 😉

1. O ato de comprar marca a diferença

O comer mal ou comer bem começa sempre no estabelecimento comercial

Aí tomamos, em poucos minutos, centenas de decisões.

O pior: a maioria são inconscientes.

Aqui o ponto chave é a planificação. Ter uma lista da compra previamente pensada não vai impedir-te de comprar alimentos pouco saudáveis, mas sem dúvida vai minimizar as probabilidades que isso aconteça.

Como regra geral para colocar em prática, pessoalmente desenvolveria o hábito de não comprar nada sem lista de compras. Isto é, eliminar a improvisação do ato de comprar.

Desta forma, estamos a eliminar de uma vez só gestos como:

  • “Essas bolachas são as preferidas do meu filho, vou comprá-las. Ao fim e ao cabo, está todo o dia a correr”
  • A caixa de “Donetes” a metade do preço!
  • A promoção da segunda unidade grátis na cerveja de litro

E muitas mais…

Temos de entrar num supermercado com a mesma mentalidade de quem entra numa loja: vão sempre tentar que compres seja o que for. Percebes? Perder o controlo é muito simples.

Se ainda ninguém te falou dos Benefícios de uma Dieta Saudável, já é hora que os conheças. Ler mais...

2. Reconhecer o que não é comida essencial

Um dos principais problemas é que nos alimentamos de produtos e não de alimentos

As crianças deixaram de reconhecer de onde vem o peixe, a carne, os ovos ou o pão. “Do supermercado”, vão responder.

Por muitas críticas que se possam fazer (e as que ficam guardadas) o movimento “Realfooding” ou Real Food (Comida Real) era bastante necessário. Estamos a chegar a um ponto de confusão total em que a população não sabe distinguir o que é comida e o que não o é.

Por isso, pese embora o facto de todas as nuances deste movimento, é algo plenamente positivo para consciencializar a população não formada nem informada daquilo que é comida e o que são produtos comestíveis. Existe uma diferença abismal.

Comida real

E o que conseguiu o movimento Realfooding? Uma palavra: educar

Ao fim e ao cabo, falamos de educação nutricional. Algo que não se faz nas escolas primárias ou nem mesmo no secundário. Algo que se deixou de fazer há muito tempo nas cozinhas das nossas casas.

A nossa educação nutricional depende hoje em dia de anúncios dirigidos às crianças de 4 anos onde se misturam hambúrgueres com brinquedos de cores para chamar a sua atenção. A nossa educação está orientada, e isto é ainda mais notório e nocivo por causa dos guias e recomendações nutricionais baseados nas mais que questionáveis “evidências científicas”

3. A pergunta chave: porque é que eu como?

Se conseguimos responder de forma consciente a esta pergunta, temos muito a ganhar

Mas não é fácil. Necessita de introspeção. Análise, pormenorizado as tuas sensações. Deixar de escutar por um minuto a tua cabeça e sentir. As pessoas não sabem como se sentem.

As pessoas atuam em função do que sentem, mas não sabem como se sentem.

Quase qualquer emoção “negativa” pode induzir-te a comer. A comida é a droga socialmente mais aceite. Muito mais que o álcool. Muito mais que o tabaco. Muito mais que qualquer outra. Em crianças, é a única “droga” aceite.

Podes comer por…

  • Aborrecimento.
  • Medo.
  • Cansaço.
  • Gula.
  • Tristeza.
  • Despeito.
  • Encontrar um momento de prazer na tua vida.
  • Solidão.

Por mil situações diferentes…

O aperceber-se disto é o desafio. O gerar consciência é o desafio.

Aplicações como Headspace ajudam-te muito a gerar consciência na tua vida. Inclusivamente tem meditações dirigidas para comer melhor e averiguar o porquê comemos. Isso sim, em Inglês

4. Estabelece limites claros, objetivos e não asfixiantes

Estabelece regras na tua vida, “diversifica-a” até certo ponto

Isto pode ser uma faca de dois gumes, e em grupos da população sensíveis (que costumam ser os que já comem bastante bem) podem gerar condutas “asfixiantes”. Mas se tens noção do que é comer, pode ser uma ferramenta útil.

Alguns exemplos de limites podem ser:

  • Como muito, uma saída por semana para comer fora
  • Máximo 2 cervejas semanais (se costumo tomar 5), ou 1 (se costumo tomar 3).
  • Não mais de 48 horas seguidas sem treinar pelo menos 30 minutos
  • Não mais de 90 minutos sentado

Podemos referir que em cada casa e em cada pessoa, as recomendações são (MUITO) diferentes. Procura a forma de diversificar o teu dia a dia. Conforme vás cumprindo com as tuas metas auto-impostas, vais estar a transmitir um mensagem muito importante:

“Podes fazer aquilo a que te propões”

Confiança

E isto gera confiança

A confiança é uma bola de neve. Roda e roda. Cada vez torna-se maior. Vai chegar o dia no qual tenhas obtido tal controlo sobre ti mism@ e sobre as tuas decisões que ler este tipo de posts vai deixar de fazer sentido.

5. Põe mais consciência no ato de comer

Conforme referido anteriormente, especialmente no terceiro aspeto, temos aqui a recomendação direta de ser mais conscientes antes, durante e inclusivamente depois do ato de comer

  • O que é aumentar a consciência?
  • Tenho de me converter num monge budista?
  • Tenho de rezar a um guia espiritual?

Não.

Eu vejo-o assim. O ato de comer é um ato sagrado. Não tens de professar nenhuma religião para que te dês conta disso mesmo. É um ato sagrado pelo que implica permitir-te manter com vida e de forma saudável. Pelos que não podem desfrutar disso muitas vezes.

Porque necesariamente reflete o trabalho de muitas pessoas (já paraste para pensar quantas pessoas são necessárias para que tenhas um prato de comida na tua mesa todos os dias? – Pescadores, agricultores, pastores, transportadores, vendedores, etc.).

Mas, sobretudo, porque as tuas decisões alimentares diárias dependem em grande medida a tua saúde

Aumenta a tua consciência durante as refeições. Mantém-te presente e em contato contigo mesmo. Evita distrações. Evita os telemóveis. Evita a televisão.

O que fazes à mesa e na cozinha tem repercussões. Gera hábitos. Modifica a tua saúde. Influi diretamente na tua qualidade de vida. E, por simpatia, na de todos os teus

Conclusões

Comer melhor não depende unicamente do indivíduo e das suas decisões

Condicionantes políticas, sociais e inclusivamente geográficas contribuiram e vão continuar a contribuir para que as pessoas comam melhor ou pior.

Se por um momento deixamos de lado estes condicionalismos, não modificáveis a curto prazo (mas sim a médio ou longo prazo) e nos centrarmos no dia a dia naquilo que podemos fazer em nossas casas e supermercados diariamente, existem ações a ser tomadas e desenvolvidas.

As que foram enumeradas neste artigo são apenas algumas, poucas, de muitas outras. Se achaste útil, não te esqueças de o compartilhar

Encontramo-nos no post seguinte. Continuemos a treinar!

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Avaliação Conselhos para Comer Melhor

Fazer lista de compras - 100%

Educação nutricional - 100%

Educação nutricional Comida Real - 100%

Estabelecer limites objetivos - 100%

100%

HSN Evaluação: 5 /5
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Sobre Borja Bandera
Borja Bandera
Borja Bandera é um jovem médico dedicado as áreas de nutrição, exercício e metabolismo, que concilia a sua atividade clínica junto a sua vocação divulgativa e investigadora.
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