Manobra de Valsalva, maior rendimento em levantamentos pesados

Manobra de Valsalva, maior rendimento em levantamentos pesados

Há situações em que as variações do ritmo respiratório em exercícios com pesos (inspirar durante a fase excêntrica e expirar durante a fase concêntrica) podem ser úteis para nos proteger, mantendo uma postura adequada e evitando a falha técnica, assim como para melhorar nos levantamentos pesados.

A manobra de Valsalva pode ser usada por pessoas com experiência (não é recomendada para iniciantes) que vão executar algum exercício estrutural; ou seja, aqueles que exercem carga sobre a coluna vertebral, como agachamentos, press militar em pé, peso morto, remada inclinada…

Esta técnica respiratória caracteriza-se por segurar temporariamente a respiração durante parte do exercício. Nela, a glote (porção mais estreita da laringe) fecha-se para evitar que o ar escape dos pulmões enquanto os músculos do abdómen e da caixa torácica se contraem. Ou seja, trata-se de expirar com a garganta fechada.

O resultado é que o diafragma e os músculos profundos do tronco se contraem e geram pressão intra-abdominal contra as paredes internas do abdómen, o que ajuda a sustentar internamente a coluna vertebral de dentro para fora, reduzindo significativamente as forças compressivas sobre ela. Assim, o maior controlo dos músculos inspiratórios traz até diminuição da dor na zona lombar.

valsalva

Existem duas opções para realizá-la:

Opção 1: Inspirar na excêntrica

  1. Inspirar durante a fase excêntrica (a mais fácil do exercício) até pouco antes de iniciar a fase concêntrica.
  2. Segurar a respiração durante o ponto de maior dificuldade.
  3. Depois, expirar.

Esta metodologia é mais adequada para exercícios como o agachamento, em que o ponto de maior dificuldade está na transição excêntrica-concêntrica e nos primeiros graus de extensão das pernas.

agachamento

Opção 2: Inspirar antes da repetição

  1. Inspirar antes de iniciar uma repetição.
  2. Segurar a respiração durante o ponto mais difícil da fase concêntrica.
  3. Depois, expirar.

Sem dúvida, o peso morto é o exercício por excelência para aplicar esta opção.

peso-morto

Embora a manobra de Valsalva possa ser aplicada tanto em várias repetições como ao testar 1RM, recomenda-se que acompanhe esforços máximos, ou próximos deles, sempre seguida de um breve processo de expiração e inspiração. Para repetições de esforços submáximos com carga média-alta, é recomendada a respiração dinâmica a que nos referimos no início do artigo.

Contraindicações

Os benefícios da pressão intra-abdominal não devem ser sobrestimados em relação aos efeitos fisiológicos que a manobra de Valsalva provoca, sobretudo em grávidas, pessoas com hipertensão ou com problemas cardiovasculares/cardiacos. As ações isométricas também tendem a ser realizadas com este padrão respiratório, pelo que merecem atenção especial.

Ocorre uma redução do retorno venoso e do débito cardíaco que gera hipotensão momentânea durante o exercício. Os barorreceptores, responsáveis por detectar este tipo de alterações de pressão, enviam um estímulo ao sistema nervoso para aumentar a frequência cardíaca, a fração de ejeção de cada batimento e as resistências periféricas para recuperar a pressão arterial normal durante o exercício.

respiração

Este mecanismo tem outra vantagem do ponto de vista do consumo de oxigénio do miocárdio, pois pode aumentar consideravelmente (maior número de kcal) para o mesmo trabalho mecânico realizado em comparação com repetições sem a manobra de Valsalva.

Em todo o caso, é importante reforçar que requer técnica rigorosa e supervisão de um especialista, pois pode causar rotura de vasos sanguíneos, desmaios, isquemias, falhas cardíacas ou arritmias.

Fontes

  • Earle, R. W., & Baechle, T. R. (2008). Manual NSCA: Fundamentos do treino pessoal. Barcelona. Ed. Paidotribo.
  • Hackett, D. A., & Chow, C. M. (2013). The Valsalva maneuver: its effect on intra-abdominal pressure and safety issues during resistance exercise. The Journal of Strength & Conditioning Research, 27(8), 2338-2345.
  • Janssens, L., McConnell, A. K., Pijnenburg, M., Claeys, K., Goossens, N., Lysens, R., … & Brumagne, S. (2015). Inspiratory muscle training affects proprioceptive use and low back pain. Medicine and science in sports and exercise, 47(1), 12-19.
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Sobre Carlos Sánchez
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