Ultra-maratona, passar dos 35 anos é uma vantagem

Ultra-maratona, passar dos 35 anos é uma vantagem

Em geral, ao analisar os resultados de eventos individuais de resistência, parece haver uma tendência de que, ao aumentar a idade do atleta, também aumenta a distância da corrida em que participa. Neste caso em concreto, vamos focar-nos especificamente na idade de máximo rendimento nos eventos de ultra-resistência.

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O campeão na maioria das corridas é definido por cobrir mais rápido uma distância determinada. O protocolo que nos interessa para descobrir qual a idade mais relacionada com um melhor desempenho consiste, no entanto, num tipo menos comum de corrida em que os atletas correm durante um tempo determinado e competem para cobrir a maior distância possível. As corridas estudadas decorreram entre 1975 e 2012 e foram para os seguintes períodos de tempo (mesmo a corrida mais curta nesta lista é mais longa que uma maratona):

  • 6 horas
  • 12 horas
  • 48 horas (2 dias)
  • 72 horas (3 dias)
  • 6 dias
  • 10 dias

Foram analisados os dados em relação à idade de várias formas diferentes, incluindo a idade média dos dez primeiros classificados em cada categoria, a idade média dos finalistas de alto nível de todos os tempos, as diferenças de idade entre os que terminaram a prova para cada tempo…

As idades de melhor desempenho não aumentam com a distância da corrida

Na maioria dos casos estudados, houve uma curva em sino para as idades dos/ das atletas com melhor desempenho; por exemplo:

  • A idade das dez melhores mulheres finalistas de todos os tempos em cada categoria variou entre 41 anos, para a corrida de seis horas, até aos 46 anos, para a corrida de 48 horas. Depois, voltou a descer para 37 anos nas corridas de dez dias.
  • No caso dos homens, a idade média dos dez melhores finalistas de cada categoria atingiu o seu ponto máximo na corrida de 72 horas: 51 anos.

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As únicas tendências que não se assemelham a uma curva em sino foram os dez melhores finalistas masculinos de todos os tempos, sem agrupar por categorias. Neste caso, 35 anos parece ser a melhor idade para estar nos lugares da frente em corridas de 6 horas; enquanto que para corridas entre 3 e 10 dias, são os 48 anos, sem variação significativa conforme a distância.

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Os investigadores também encontraram diferenças ao longo dos anos, a nível de preparação para este tipo de eventos. Em 1982, os dez homens finalistas mais rápidos em corridas de 48 horas tinham uma idade média de 40 anos; enquanto que em 2012, essa idade tinha aumentado 10 anos (50 anos de média).

Conclusões e conselhos

Pode haver uma razão estatística para a idade média de sucesso máximo em corridas de ultra-resistência não aumentar à medida que aumenta a distância da corrida; sendo uma das prováveis a redução da participação à medida que a prova dura mais, especialmente nas mulheres. Neste sentido, por haver menos corredores para eventos longos (3-10 dias), a força estatística dos resultados também é menor.

O que está claro e apoiado pela investigação e pelos resultados reais das provas é que os ultra-maratonistas mais bem-sucedidos (tanto homens como mulheres) tendem a ter mais de 35 anos, e muitos estão bem entrados nos 40 (mais perto dos 50 para provas muito duradouras).

Os dados apresentados podem ser interpretados de forma superficial, pensando que ao chegar a uma idade madura será mais fácil terminar e até alcançar boas posições neste tipo de provas; mas é preciso estar consciente das capacidades e experiência de cada um.

Para participar no primeiro ultra-maratona, a média de treino prévio é de 7 anos; e os que apresentam melhor desempenho também têm uma experiência prévia de 7 anos em ultra-maratonas (ou seja, no total, cerca de 14 anos de treino em muito longa distância); chegando a treinar 3500 quilómetros por ano (aproximadamente a distância Madrid-Moscovo) para os ultra-maratonas mais longos do ano.

Fontes

  • Rüst, C. A., Zingg, M. A., Rosemann, T., & Knechtle, B. (2014). Will the age of peak ultra-marathon performance increase with increasing race duration?. BMC sports science, medicine and rehabilitation, 6(1), 36.
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Sobre Carlos Sánchez
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