Aquecimento e alongamentos para corredores

Aquecimento e alongamentos para corredores

O running é um dos desportos mais acessíveis e praticados, mas também implica uma elevada carga mecânica sobre os músculos, tendões e articulações. Uma das perguntas mais frequentes entre corredores principiantes e experientes é: o que devo fazer antes e depois de correr para preparar o meu corpo e favorecer a recuperação?

A evidência científica atual recomenda dar prioridade a um aquecimento dinâmico antes de correr.

Após o treino, o retorno à calma e os alongamentos estáticos podem ser úteis para melhorar a sensação de rigidez e manter a mobilidade, embora não sejam imprescindíveis para todos os corredores.

Neste guia mostramos-te o que fazer antes e depois de correr de acordo com as recomendações mais recentes das principais organizações de medicina e ciências do desporto.

Porque é recomendável aquecer antes de correr?

Começar a correr sem uma preparação adequada pode aumentar a sensação de rigidez durante os primeiros minutos e reduzir o rendimento, especialmente em treinos intensos ou competições. O objetivo do aquecimento não é apenas aumentar a temperatura corporal, existindo também outros benefícios:

  • Maior fluxo sanguíneo para os músculos ativos.
  • Melhor coordenação e ativação do sistema nervoso.
  • Preparação progressiva do sistema cardiovascular.
  • Melhor rendimento durante os primeiros minutos do treino.

Benefícios da ativação dinâmica

As principais organizações científicas dedicadas ao exercício físico, como o American College of Sports Medicine (ACSM), recomendam dar prioridade ao aquecimento dinâmico antes de correr.

Os alongamentos estáticos mantidos durante períodos prolongados (mais de 60 segundos por grupo muscular) imediatamente antes do exercício podem diminuir ligeiramente a produção de força e potência. Em contrapartida, os exercícios dinâmicos de mobilidade e ativação preparam melhor o organismo para o esforço sem prejudicar o rendimento.

Rotina de aquecimento antes de correr passo a passo

Dedicar entre 5 e 15 minutos, dependendo da intensidade do treino, da temperatura ambiente e da tua experiência como corredor, costuma ser suficiente para preparar o organismo.

1. Mobilidade articular

Dedica 30 segundos a cada articulação sem realizar movimentos bruscos:

  1. Tornozelos: Rotações suaves em ambos os sentidos.
  2. Joelhos: Flexão e extensão controladas.
  3. Anca: Movimentos circulares e oscilações da perna para a frente e para trás (pêndulo).

2. Ativação dinâmica

Executa estes movimentos de forma progressiva, avançando cerca de 15-20 metros em cada um:

  1. Skipping baixo: Elevação suave dos joelhos, coordenando com o movimento dos braços.
  2. Calcanhares aos glúteos: Ativação direta dos músculos isquiotibiais.
  3. Passadas a caminhar (Lunges): Ativam os quadríceps e os glúteos de forma específica.
  4. Deslocamentos laterais: Cruzamento das pernas para ativar os abdutores e estabilizadores da anca.

3. Progressivos (opcional, mas recomendável)

Se vais realizar séries, mudanças de ritmo, fartlek e/ou uma competição, termina o aquecimento com 3-5 progressivos de 60-80 metros, aumentando a velocidade de forma gradual até atingires aproximadamente 85-90 % da tua velocidade máxima.

Alongamentos depois de correr

Depois de terminares a sessão, o objetivo passa a ser favorecer uma recuperação progressiva e reduzir a sensação de rigidez muscular.

Embora os alongamentos estáticos continuem a ser uma prática habitual entre muitos corredores, a evidência científica indica que o seu principal benefício é manter a mobilidade e melhorar a sensação subjetiva de bem-estar, mais do que acelerar a recuperação muscular ou prevenir lesões.

Antes de alongar, é recomendável caminhar ou trotar muito suavemente durante 3-5 minutos para favorecer uma transição progressiva para o repouso.

  1. Isquiotibiais: Com as pernas esticadas, inclina o tronco para a frente tentando chegar às pontas das sapatilhas.
  2. Quadríceps: Flete o joelho levando o calcanhar ao glúteo, mantendo os joelhos alinhados e a pélvis neutra.
  3. Gémeos e Sóleo: Apoia as mãos numa parede, leva uma perna para trás mantendo o calcanhar apoiado no chão e pressiona para a frente.
  4. Glúteos e Piramidal: Sentado ou deitado, cruza uma perna sobre a outra e puxa o joelho em direção ao peito.
FaseMomentoTipo de exercícioObjetivo principalDuração aprox.
AquecimentoAntes de correrMobilidade e exercícios dinâmicosAumentar a temperatura e ativar o sistema nervoso5-15 minutos
Retorno à calmaNo finalTrote muito suave / CaminhadaReduzir a frequência cardíaca de forma progressiva3-5 minutos
AlongamentosDepois de correr (opcional)EstáticosManter a mobilidade e reduzir a sensação de rigidez5-10 minutos

Otimização da recuperação muscular no running

O treino é apenas uma parte do processo. Uma recuperação adequada depende também do descanso, da nutrição e da hidratação.

Hidratação e reposição de eletrólitos

Durante treinos prolongados ou realizados com temperaturas elevadas, perdem-se água e eletrólitos através do suor, especialmente sódio.

Em sessões inferiores a 60 minutos, a água costuma ser suficiente para a maioria dos corredores. No entanto, quando os treinos são longos ou a transpiração é elevada, repor sódio e outros eletrólitos pode ajudar a manter o equilíbrio hídrico e favorecer o rendimento.

Descanso e recuperação

A maior parte das adaptações ao treino ocorre durante o descanso. Dormir horas suficientes, respeitar os dias de recuperação e manter uma alimentação adequada são fatores muito mais determinantes para melhorar o rendimento do que qualquer suplemento por si só.

O magnésio é um mineral que participa em inúmeros processos relacionados com a função muscular e neuromuscular.

Manter níveis adequados é importante, especialmente se existir uma deficiência.

Saúde articular

A prática habitual de running, quando a carga de treino progride de forma adequada, não parece aumentar o risco de artrose e pode até contribuir para manter uma boa saúde articular.

Em corredores com desconforto articular ou sujeitos a elevados volumes de treino, alguns suplementos como o colagénio hidrolisado, o colagénio tipo II não desnaturado ou outros ingredientes destinados ao cuidado das articulações podem ser um apoio complementar, sempre em conjunto com um treino bem planeado e uma recuperação adequada.

Perguntas frequentes

  • É mau fazer alongamentos a frio antes de correr?

    Não necessariamente, embora antes de correr não costume ser a estratégia mais recomendável.

    Os alongamentos estáticos prolongados realizados imediatamente antes de um treino intenso podem diminuir ligeiramente o rendimento. Por isso, as orientações atuais recomendam dar prioridade a um aquecimento dinâmico e reservar os alongamentos estáticos para outros momentos, se o objetivo for melhorar a flexibilidade.

  • O que acontece se não fizer alongamentos depois de correr?

    Não acontece necessariamente nada de negativo.

    Muitos corredores não fazem alongamentos depois de correr e não apresentam um maior risco de lesão. Se sentires rigidez muscular ou quiseres manter uma boa mobilidade, dedicar alguns minutos aos alongamentos pode ajudar-te a sentires-te melhor, embora não seja um requisito imprescindível para uma recuperação adequada.

  • Devo aquecer da mesma forma antes de todos os treinos?

    Não. Quanto maior for a intensidade do treino, mais completo deverá ser o aquecimento. Antes de uma corrida suave, pode ser suficiente caminhar durante alguns minutos e realizar alguns exercícios de mobilidade, enquanto antes de séries ou competições é recomendável incluir exercícios dinâmicos e progressivos.

  • Os alongamentos previnem lesões?

    A evidência científica atual não demonstra que os alongamentos estáticos, por si só, reduzam o risco de lesão. A prevenção depende principalmente de um planeamento adequado do treino, de uma progressão gradual das cargas, do treino de força, de descanso suficiente e de uma boa técnica de corrida.

  • É recomendável fazer treino de força além de correr?

    Sim. O treino de força é uma das estratégias com maior respaldo científico para melhorar o rendimento e reduzir o risco de lesões nos corredores. Realizar entre duas e três sessões semanais ajuda a melhorar a economia de corrida, aumentar a capacidade de produzir força e proteger músculos, tendões e articulações das cargas repetidas do running.

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Sobre Alfredo Valdés
Alfredo Valdés
É especialista em treino de fisiopatologia metabólica e nos efeitos biomoleculares da alimentação e do exercício físico.
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