Parece que ultimamente está de moda realizar exercícios de Exposição ao Frio, más, são completamente inofensivos?
Historia da Exposição ao Frio
Na idade media as pessoas não aprendiam a nadar assim que não podiam atravessar o rio Estigio quando foram condenados a entrar no inferno .
Mesmo que Hipócrates, o Pai da Medicina falasse que terapia hídrica aliviava a preguiça e o cansaço, não foi até mais tarde quando a imersão na água passou a estar na moda.
Em 1750 livros médicos começavam a recomendar nadar no mar como tratamento de múltiplas doenças, sendo o inverno o melhor momento do ano para isso, de acordo com os que o realizaram.
Método Wim Hof
Um deles é o Método Wim Hof que inclui a exercícios respiratórios e exposição ao frio e conseguiu uma popularidade imensa nos últimos anos afirmando melhorar o sistema imune, patologias como a depressão ou simplesmente, melhorar a tua concentração e capacidade da superação.

Tudo que este relacionado com o conceito “superação pessoal” ou “optimização da saúde física e mental” tem bastante êxito e rapidamente se converte em tendência.
Mas hoje vamos falar de analisar desde o ponto de vista científico os perigos da imersão na água fria não controlada, para ter mais consciência do que nos estamos enfrentando.
Perigos da Exposição ao Frio de acordo a Ciência
Só em 2012 morreram afogados 372.000 pessoas (42 por hora), sendo a terceira causa de morte não natural de acordo com os dados da OMS.
Para saber por que pode morrer uma pessoa ao expor a água fria temos que entender vários conceitos básicos:
- Água fria: podemos definir aquela que está a <15 graus (Mike Tipton, que investiga a resposta fisiológica humana em ambientes extremos).
- Embora, o ponto termoneutro para uma pessoa que exercita na água é de 25 graus centígrados.
- Quanto menor seja a temperatura, menos minutos necessitarás até chegar a hipotermia, e viceversa.

O que acontece com o organismo ao diminuir a temperatura corporal?
- As tremedeira começam a 36º. É um esforço inconsciente e reflexo do teu organismo por manter a temperatura corporal gerando atividade física involuntária.
- A uns 35 graus aparecem a confusão, desorientação e ausência de busca de ajuda. Começas apagar. Aparece a apatia.
- Aos 34 graus aparece a amnésia, começas a perder o controle do que aconteceu e do que não, é muito difícil lembrar de dados.
- A 33 graus da génese de arritmias cardíacas é muito mais provável.
- Se chegas até aos 30 graus, provavelmente perdes a consciência. Se tens a sorte de ter apoio sólido não afogaras, mas se estas nadando, então não a possibilidades.
- A 28 graus a fibrilação ventricular, o tipo de arritmia mais frequente e letal, está quase garantida.
- E finalmente, a temperatura a qual a comunidade científica estabelece o limite compatível com a vida são os 25 graus centígrados.
Más atenção, há sempre outliers…

Riscos do frio
Anos mais tarde, a ciência descobriu outros potenciais riscos associados a imersão na água fria que pouco tem que ver com a hipotermia:
Shock por frio
Existem termorreceptores na pele que começa a funcionar quando entras em contacto com a água fria e gera uma resposta de hiperventilação, que as vezes pode ser suprimida conscientemente, mas outras não.
Esta hiperventilação, se mantém no tempo, e gera a chamada “alcalose respiratoria”, que não é outra coisa que a elevação do ph do sangue há um ph mais básico.
Arritmias letais
Se produz devido a um fenómeno curioso, um conflicto no sistema nervoso autónomo devido a activação concomitante dos seus dois componentes principais:
- o sistema nervoso simpático, que é activado mediante os receptores cutáneos de temperatura que acabamos de mencionar; e
- do sistema nervoso parasimpático, que se ativa devido a chamada resposta de imersão, especialmente se há um componente de mergulho ou apnéia
Esta activação de sistemas contra postos facilita enormemente a produção de disritmias e arritmias cardíacas.
Especialmente, como dizemos, se envolve uma apnéia prologada ou há fatores de pré disposição como síndrome de QT longo, doença isquémica cardíaca ou hipertrofias ventriculares patológicas.

Mergulhar no gelo
Parálise nervosa e incapacitação neuromuscular
A temperaturas por debaixo dos 20 graus a condução nervosa se desacelera e a amplitude do potencial de ação diminui.
Quando nos expomos a una imersão a temperaturas entre 5-15 graus por vários minutos, pode aparecer sintomatologia equivalente a uma parálise nervosa periférica, que pode acabar com o afogamento da pessoa devido a impossibilidade de manter as vias respiratórias fora de água.
Menores adaptações fisiológicas ao exercício físico, especialmente respeito a força e hipertrofia
Sim, como estas a escutar…
Parece que a típica imersão na água gelada ou banhos de gelo que os atletas tomam para recuperar de um esforço físico importante é uma arma de dois gumes:
- Por um lado, aparece melhorar a dor muscular e diminuir a inflamação;
- Mas por outro interfere com as adaptações moleculares ao exercício físico, especialmente com a especialmente com a sinalização anabólica que leva à hipertrofia muscular.
Um grande abraço, nos vemos no seguinte post e a seguir empoderando!
Fontes Bibliográficas
- Stocks JM, Taylor NAS, Tipton MJ, Greenleaf JE. Human Physiological Responses to Cold Exposure. Aviation Space and Environmental Medicine. 2004.
- Tipton MJ, Collier N, Massey H, Corbett J, Harper M. Cold water immersion: kill or cure? Exp Physiol. 2017;
- Cochrane DJ. Alternating hot and cold water immersion for athlete recovery: A review. Physical Therapy in Sport. 2004.
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