O Parkinson é uma doença neurológica degenerativa caracterizada pela destruição progressiva da substância negra, núcleo basal responsável por coordenar a atividade, o tónus muscular e os movimentos. Ocorre principalmente em indivíduos de idade avançada, com a morte prematura das células da substância negra sem serem substituídas por outras novas.
Isto provoca a diminuição da produção de dopamina e o aumento da atividade inibitória do GABA.
Quando desaparece 50 ou 60% destas células, começam a surgir os primeiros sintomas. À medida que a degeneração desta zona cerebral avança, podem surgir problemas mais graves.
Epidemiologia
- 2.ª doença degenerativa mais frequente. A prevalência é variável: 50 – 350 casos / 100 000 habitantes.
- 250 – 500 casos / 100 000 em maiores de 60 anos.
- 5 – 20 novos casos / 100 000 habitantes / ano.
Diagnóstico
Requer a presença de pelo menos dois dos seguintes sintomas cardinais:
- Tremor: de repouso, lento. Aumenta em situações de tensão emocional. Desaparece durante o movimento voluntário e o sono.
- Rigidez: em movimentos passivos dá origem ao fenómeno em “roda dentada”.
- Acinesia: lentidão para comer, vestir-se e cuidar da higiene; para iniciar a marcha ou levantar-se de um assento; perda do movimento dos braços ao caminhar; lentidão ao escrever; disartria e linguagem monótona, etc.
Além destes, podem e costumam surgir outros sintomas secundários:
- Ansiedade; depressão.
- Deterioração cognitiva e perturbações de comportamento.
- Distúrbios do sono (fragmentação; insónia).
- Disfunção autonómica (hipotensão ortostática).
- Sintomas sensitivos (disfunção olfativa; parestesias).
- Alterações dos nervos cranianos.
- Alterações respiratórias e da voz.
- Urgência ou incontinência urinária.
- Diminuição da libido e impotência.
- Expressão facial menos expressiva.
Evolução (Estádios de Hoehn & Yahr)
- Pacientes com diagnóstico recente (estádio I) (afetação unilateral).
- Moderadamente afetados (estádios II e III) (afetação bilateral leve).
- Severamente afetados (estádios IV e V) (afetação bilateral grave, com incapacidade).
Tratamento
Pode ser médico, cirúrgico ou através da atividade física. Em todo o caso, a doença é paliativa, não curativa.
Na atividade física, é importante nos primeiros estádios procurar maior coordenação, controlo do movimento, equilíbrio e precisão. Para isso, serão realizados exercícios de baixa intensidade e com grande número de repetições em que o paciente é obrigado a coordenar movimentos.
Com base nisso, podem estabelecer-se dois tipos de objetivos a alcançar através da atividade física:
Objetivos imediatos
- Diminuir a rigidez articular.
- Aumentar a mobilidade articular.
- Evitar fraqueza muscular.
- Melhorar postura e equilíbrio.
- Melhoria da marcha.
Objetivos finais
- Melhoria objetiva e subjetiva da qualidade de vida e capacidades.
- Evitar, atrasar ou reduzir os problemas músculo-esqueléticos.
- Melhoria dos sintomas associados à depressão a curto e longo prazo.
Áreas mais importantes a trabalhar
- Correção postural e alinhamento corporal.
- Melhoria e manutenção da marcha.
- Melhoria e manutenção do equilíbrio e coordenação.
- Evitar o encurtamento, rigidez muscular e articular prevenindo dores.
- Manutenção da mobilidade.
Exercícios

Os exercícios devem ser realizados diariamente, sempre sob o efeito da medicação. Deve evitar-se a fadiga, pelo que serão feitos os descansos necessários.
- Exercício de resistência: pode ser aconselhável, mas deve ser uma atividade de baixo impacto e intensidade baixa 40-60% da FCmax, com os descansos necessários, sendo aconselhável o exercício diário. É muito benéfico o exercício na água, pois diminui o tónus muscular e, portanto, a rigidez, aumenta a consciência corporal, melhora o controlo motor do movimento voluntário pelo efeito calmante e analgésico da água e trabalha especialmente o sistema cardiorrespiratório. Como devem ser realizados exercícios de coordenação, coordenação óculo-manual e equilíbrio, o baile de salão seria aconselhável.
- Exercício de força: devem ser feitos movimentos amplos, repetidos e rítmicos, com baixa carga e grande número de repetições. É mais aconselhável usar máquinas isotónicas de peso livre, pois garantem estabilidade e limites de movimento. É conveniente que os exercícios se repitam cerca de 10 vezes:
- Treino de flexibilidade: deve acompanhar o exercício de força e resistência, realizando alongamentos antes e depois das sessões de força e resistência, representando pelo menos 1/3 do volume total da sessão.
Se a capacidade física e o grau da doença permitirem, parece que o treino intenso tanto em força como em resistência (HIPT e HIIT), sempre com o menor impacto possível, melhora (ou pelo menos não piora) a atividade neurológica, atrasando assim o avanço da doença. Esta metodologia de exercício é mais fácil de incorporar em pacientes com grau de doença I.
Fontes:
- Bayés Rusiñol, A (2003) Reabilitação integral na doença de Parkinson e outros parkinsonianos: manual de exercícios práticos. Medicina STM editores.
- Chicharro JL (2008) Fisiologia clínica do exercício. Madrid. Editorial Médica Panamericana.
- González Badillo JJ e Serna JR (2002) Bases da programação do treino de força. Madrid. INDE.
- Madeleine E. Hackney, Gammon M. Earhart (2009) Qualidade de vida relacionada com a saúde e formas alternativas de exercício na doença de Parkinson. Parkinsonism & Related Disorders Vol. 15, Issue 9, Pages 644-648,
- van der Kolk NM, King LA. (2013) Efeitos do exercício na mobilidade em pessoas com doença de Parkinson. Mov Disord. 28(11):1587-96.
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