O talento com a bola e uma boa preparação física servem de pouco se o “motor celular” ficar sem combustível. É aquela fadiga que todos conhecemos, a que aparece quase sempre a partir do minuto 70: as pernas pesam, a explosão desaparece e as decisões tornam-se mais lentas.
Muitas vezes, não é apenas uma questão de treino, mas sim de o corpo ter as vitaminas adequadas para manter o ritmo até ao apito final.
Índice
Micronutrientes e desempenho físico
Comecemos por esclarecer algo importante: as vitaminas não fornecem energia diretamente, não têm calorias. O seu papel é outro, e é igualmente decisivo: atuam como cofatores enzimáticos, ou seja, como “chaves” que ativam os processos que efetivamente produzem energia.
Sem elas, o corpo não consegue transformar o glicogénio (os hidratos de carbono armazenados) em ATP, a moeda energética que os músculos utilizam para se contraírem.
Podes ter as reservas de glicogénio cheias, mas se faltarem estas chaves, essa energia fica bloqueada.
A isto junta-se outro fator que muitos ignoram: o suor. Jogar em relva sintética ou em condições de calor intenso acelera a perda de minerais e de vitaminas hidrossolúveis (como as do grupo B), o que pode deixar as tuas reservas no mínimo antes de o jogo terminar.
As 3 vitaminas de que qualquer futebolista precisa
Nem todas as vitaminas têm a mesma importância quando falamos de futebol. Há três que se destacam pelo seu papel em três áreas muito específicas:
- Suporte ósseo e muscular.
- Metabolismo energético.
- Redução dos danos oxidativos provocados por cada esforço.
Vitamina D3: força muscular e saúde óssea contra fraturas por stress
A D3 não é uma vitamina qualquer, é praticamente uma neuro-hormona. Regula a contração muscular e a absorção de cálcio, dois elementos essenciais para qualquer futebolista.
Os jogadores que treinam à noite ou em zonas com pouca exposição solar costumam apresentar níveis baixos, e isso não é um pormenor: um défice de D3 está associado a um maior risco de fraturas por stress nos metatarsos e a uma perda de força explosiva, precisamente o que precisas para um sprint ou um salto.
- Se procuras um suplemento, dá sempre prioridade à forma de colecalciferol (D3) em vez da D2, uma vez que a sua capacidade para aumentar os níveis sanguíneos é superior a médio prazo.
Vitaminas do grupo B (B6 e B12): otimização energética e redução do cansaço
A B6 participa diretamente na glicogenólise, o processo que degrada o glicogénio para libertar rapidamente glicose, exatamente aquilo de que o teu corpo precisa para um sprint ou uma mudança de ritmo repentina.
A B12, por sua vez, é essencial para a formação dos glóbulos vermelhos, responsáveis por transportar oxigénio para as pernas durante os 90 minutos (e o prolongamento, se for caso disso). Um défice traduz-se em maior fadiga e pior recuperação entre esforços.
- Um conselho prático: certifica-te de que incluis estas vitaminas na tua rotina diária, seja através da cianocobalamina (a forma mais estável, suportada pela maior parte da evidência científica e com uma excelente taxa de absorção) ou da metilcobalamina (a forma coenzimática já metilada). Ambas as opções são perfeitamente eficazes para garantir o desempenho e evitar essa “quebra” de energia nos minutos finais.
Vitamina E: recuperação antioxidante após o jogo
Cada sprint, cada travagem, cada mudança de direção gera uma enorme quantidade de radicais livres, fenómeno conhecido como stress oxidativo. Este processo danifica as membranas musculares e é um dos responsáveis por prolongar as dores musculares para além do esperado.
A vitamina E atua como um escudo protetor natural durante a fase de recuperação, ajudando a neutralizar esses danos.
- Se a incluíres através de um suplemento, procura fontes com tocoferóis naturais, que apresentam uma melhor atividade biológica do que as versões sintéticas.

Como obter estas vitaminas de forma eficiente
A boa notícia é que a natureza já tem tudo preparado:
- Vitamina D3: peixe gordo (salmão, cavala, sardinha).
- Vitaminas do grupo B: ovos e carnes magras.
- Vitamina E: frutos secos e sementes.
O problema é que o volume de treino de um futebolista desequilibra aquilo que uma alimentação convencional consegue fornecer.
Sessões duplas, jogos a meio da semana e cargas de treino elevadas aumentam as necessidades destes micronutrientes muito acima do que uma alimentação “normal” consegue cobrir, por mais cuidada que seja.
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