Desde há anos que se conhece o impacto do açúcar na nossa saúde, sendo um fator importante em problemas como a obesidade.
- A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda não ultrapassar 5 por cento da ingestão diária total sob a forma de açúcares livres ou adicionados. Isto significa não consumir mais de 25 g de açúcar livre ou adicionado por dia para adultos, tomando como referência uma pessoa com uma necessidade de 2000 kcal/dia.
No entanto, não se fala tanto do seu efeito direto no cérebro e de como pode gerar uma resposta aditiva semelhante à de algumas drogas. Neste artigo, vamos explicar as razões por trás desta dependência com base em estudos e como afeta o nosso organismo.
Índice
O açúcar e o cérebro
Quando consumimos alimentos ricos em açúcar, ocorre uma libertação de dopamina no cérebro. Este neurotransmissor, associado ao sistema de recompensa, gera sensações imediatas de bem-estar e prazer.
O processo começa na área tegmental ventral, a partir da qual os neurónios libertam dopamina para estruturas como o núcleo accumbens, a amígdala e o neocórtex. Esta ativação leva-nos a procurar novamente essa sensação prazerosa, criando um ciclo de consumo repetitivo.
Este mecanismo é muito semelhante ao que acontece com drogas como a cocaína. Ambas as substâncias estimulam intensamente os circuitos de recompensa, embora o açúcar tenha um impacto diferente a longo prazo.
Recetores de dopamina e a dependência do açúcar
No nosso cérebro, os recetores D2 de dopamina (DRD2) são responsáveis por gerar as sensações de prazer. No entanto, em pessoas com um consumo elevado de açúcar, estes recetores tornam-se menos sensíveis, o que faz com que seja necessário mais estímulo para sentir a mesma satisfação.
Estudos demonstraram que as pessoas com dependência de açúcar apresentam menos recetores DRD2 funcionais. Isto significa que precisam de maiores quantidades de açúcar para “ativar” o sistema de recompensa, promovendo um padrão aditivo.

O efeito do açúcar em adolescentes e a obesidade
Investigações com ressonância magnética funcional demonstraram que os adolescentes obesos têm centros de recompensa menos ativos. Isto torna-os mais propensos a procurar alimentos açucarados em excesso, perpetuando o ciclo da obesidade.
Este fenómeno não se limita ao açúcar: outras substâncias aditivas também diminuem a sensibilidade do sistema de recompensa, mas o açúcar fá-lo de forma mais acessível e socialmente aceite.
Indicadores que podem revelar uma dependência do açúcar
Depois de compreender porque é que o açúcar pode gerar dependência, é importante ter em conta alguns sinais que podem alertar para uma possível adição:
- Consumo diário e compulsivo de alimentos ricos em açúcar.
- Tendência para planear ou antecipar a compra de produtos doces.
- Substituição habitual de opções nutritivas por alternativas açucaradas, como beber um sumo em vez de comer fruta inteira.
O que podemos fazer perante esta dependência?
Embora não seja necessário eliminar completamente o açúcar da dieta, é importante moderar o seu consumo. Ler os rótulos dos alimentos e dar prioridade a fontes naturais de açúcar, como a fruta, pode ser um bom ponto de partida.
Existem também alternativas naturais mais saudáveis que oferecem benefícios adicionais. Se queres reduzir o consumo de açúcar sem abdicar do sabor doce, estas opções da HSN podem ser aquilo que procuras:
Stevia
A stevia é uma planta cujo extrato tem um poder adoçante muito superior ao do açúcar, mas sem as calorias adicionais. Não aumenta os níveis de glicose no sangue, tornando-se uma excelente opção para pessoas com diabetes ou para quem quer controlar o peso.
Extrato de Stevia em pó da FoodSeries
Açúcar de coco
O açúcar de coco é um alimento menos processado do que outros açúcares obtidos a partir de fontes tradicionais. Uma versão mais natural, sem processo de refinação, mantendo todo o seu sabor natural e todas as suas propriedades.
Perguntas frequentes
O açúcar é mais viciante do que a cocaína?
Uma experiência realizada com ratos permitiu-lhes escolher entre consumir cocaína por via intravenosa ou beber água açucarada. Surpreendentemente, os ratos preferiram a água com açúcar, mesmo depois de terem experimentado a cocaína.
Outro estudo realizado pela Universidade de Bordéus em 2007 confirmou estes resultados: os ratos escolheram sistematicamente o açúcar em vez da droga. A doçura intensa parecia desencadear uma resposta cerebral muito mais forte do que a própria cocaína.
Porque é que a frutose pode ser mais perigosa do que a glicose?
Nem todos os açúcares afetam o corpo da mesma forma. A frutose, presente em muitos produtos processados, tem um impacto diferente da glicose:
- A frutose não ativa o hipotálamo como a glicose, o que reduz a sensação de saciedade.
- Não diminui os níveis de grelina (a hormona da fome) nem estimula a leptina (que suprime o apetite), promovendo o consumo excessivo.
Isto significa que consumir frutose em excesso pode programar o nosso corpo para ingerir mais calorias, aumentando o risco de obesidade e outros problemas metabólicos.
Bibliografia:
- Cherbuin N, Sachdev P, Anstey KJ. Higher normal fasting plasma glucose is associated with hippocampal atrophy: The PATH Study.
- Stice, E., Yokum, S., Bohon, C., et al. 2010. Reward circuitry responsivity to food predicts future increases in body mass: moderating effects of DRD2 and DRD4.Neuroimage. 50(4): 1618–25.
- Stice, E., Yokum, S., Zald, D., and A. Dagher. 2011. Dopamine-based reward circuitry responsivity, genetics, and overeating. Curr Top Behav Neurosci. 6: 81–93.
- Blum, K., Chen, A.L., Chen, T.J., et al. 2008. Activation instead of blocking mesolimbic dopaminergic reward circuitry is a preferred modality in the long term treatment of reward deficiency syndrome (RDS): a commentary. Theor Biol Med Model. 5:24. Review.
Entradas Relacionadas
- Tudo o que precisas de saber sobre a sucralose
- O açúcar é assim tão mau como dizem?
- Alulose, a melhor alternativa ao açúcar
- O que são os polióis ou álcoois de açúcar?

Blog de Fitness, Nutrição, Saúde e Desporto | Blog HSN En el Blog de HSNstore encontrarás tips sobre Fitness, deporte en general, nutrición y salud – HSNstore.com 
