Benefícios e propriedades do Cogumelo Juba de Leão

Benefícios e propriedades do Cogumelo Juba de Leão

A juba de leão, ou Hericium erinaceus, é um cogumelo comestível e medicinal conhecido pela sua aparência única, semelhante a uma juba de leão. Originário do sudeste da Europa e da Ásia, tornou-se popular em todo o mundo, especialmente na medicina tradicional chinesa e japonesa, onde é chamado de Yamabushitake.

Este cogumelo não é apenas utilizado na cozinha, como também tem ganho reconhecimento na medicina moderna pelos seus benefícios terapêuticos, apoiados por estudos científicos. Neste artigo, vais descobrir os nutrientes chave e os benefícios que a juba de leão pode trazer à tua saúde.

1 Tem benefícios neuroprotetores e cognitivos

A juba de leão demonstrou um número importante de bioatividades associadas à prevenção da demência, como a promoção da síntese do NGF (Nerve Growth Factor), um fator neurológico inversamente relacionado com o desenvolvimento de doenças neurodegenerativas.

Também:

  • Reduz o stress induzido pelo péptido Beta-amilóide nos retículos endoplasmáticos dos neurónios.
  • Induz a sobrevivência, reparação e proliferação dos neurónios, principalmente através do mecanismo de NGF referido acima.

As Hericenonas e diferentes tipos de Polissacáridos naturalmente presentes na juba de leão conseguem estimular de forma natural a síntese de NGF, sendo os primeiros estimulantes deste processo conhecidos na natureza (Kawagishi, 2018).

Juba de Leão para melhorar o estado de ânimo

2 Melhoria do estado de espírito

A juba de leão tem sido utilizada com sucesso em ensaios pré-clínicos e clínicos para a melhoria do estado de espírito.

Os mecanismos através dos quais consegue estes efeitos ainda estão a ser investigados, já que os transtornos depressivos ou pseudodepressivos são complexos e ainda não têm causas totalmente compreendidas.

Algumas das justificações para a eficácia do extrato de juba de leão são:

  • Potenciação das propriedades neurogénicas (relacionadas com a criação de neurónios).
  • Estimulação do aumento de fatores neurotróficos (que promovem a sobrevivência neuronal).
  • Modulação monoaminérgica (aumentando a síntese ou a sensibilidade às catecolaminas).
  • Efeitos anti-inflamatórios (reduzindo a expressão de interleucina-6 e fator de necrose tumoral alfa).

Tudo isto pode resultar numa melhoria dos sintomas da depressão subclínica e na otimização do estado de espírito geral (Chong et al., 2020).

3 Reforça o sistema imunitário

Os polissacarídeos da juba de leão são compostos típicos de cogumelos com propriedades positivas no aumento da imunidade adquirida.

Os efeitos imunomoduladores da utilização do extrato de juba de leão são mediados pela proliferação de linfócitos, níveis de hemolisina, aumento da capacidade fagocítica e atividade das células NK (Natural Killers), entre outros. (Sheng et al., 2017).

Estes resultados são pré-clínicos, o que significa que ainda precisam ser claramente definidos em humanos. No entanto, as propriedades dos polissacáridos dos cogumelos, como os que a juba de leão contém, já contam com estudos importantes que confirmam os seus efeitos positivos sobre a resistência às infeções graças ao reforço do sistema imunitário.

Juba de leão e sistema imunitário

4 Apoia o teu bem-estar gastrointestinal

A juba de leão tem interessantes propriedades positivas a nível digestivo, já que vários dos seus princípios ativos naturais e não farmacológicos têm sido associados, desde o uso tradicional na China e noutros países asiáticos, à melhoria de distúrbios gastrointestinais.

Muitos estudos pré-clínicos demonstraram o potencial anti-inflamatório e antineoplásico deste importante cogumelo, capaz de:

  • Exercer um efeito gastroprotetor e reparar os danos na mucosa gástrica.
  • Ajudar a combater a infeção por Helicobacter pylori e contribuir para a sua prevenção.
  • Atuar como um sistema de proteção, no contexto de um estilo de vida saudável, como antineoplásico (ajudando a prevenir a adesão e desenvolvimento de células tumorais no tecido gástrico).

O extrato de juba de leão pode ter efeitos positivos em casos como colite ulcerosa ou doença de Crohn (manifestações das síndromes inflamatórias intestinais), bem como em diverticulite colónica e síndrome do intestino irritável.

É necessário mais investigação para avaliar com precisão o alcance destes efeitos em humanos, no entanto, tudo indica que esta pode ser uma das razões pelas quais a juba de leão consegue melhorar o estado de espírito, devido à sua interação com o eixo intestino – cérebro (Gravina et al. 2023).

5 Protege as tuas células dos danos

A juba de leão é rica em polifenóis e possui potencial redutor férrico, o que confirma o seu potente efeito antioxidante como sequestrador de radicais livres (ROS). Em estudos pré-clínicos, os polissacáridos da juba de leão demonstraram um aumento da atividade das enzimas antioxidantes endógenas e uma diminuição dos níveis de peroxidação lipídica (Khan et al., 2013)

O que é que isto significa?

Que a juba de leão tem potencial para proteger as nossas células e o nosso ADN, podendo ter efeitos preventivos contra mutações erráticas, apoptose celular e outros defeitos internos que, em casos de exposição crónica a elevados níveis de stress oxidativo, podem causar doenças futuras.

É, por isso, um excelente complemento a antioxidantes conhecidos como a vitamina C, o resveratrol ou a quercetina; para alpinistas, atletas de resistência, operários de fábricas que trabalham com aerossóis e outros agentes pro-oxidantes; bem como pessoas com muita exposição solar (como pedreiros).

6 Contribui para a saúde cardiovascular

A juba de leão contém compostos ainda não totalmente identificados (por isso considera-se que é o cogumelo em si que possui os efeitos positivos mencionados abaixo), que conseguem atuar a diferentes níveis sobre o sistema cardiovascular, melhorando o seu funcionamento.

Em primeiro lugar, a juba de leão consegue inibir, em ensaios in vitro, a oxidação do colesterol LDL, um processo perigoso no organismo que favorece o desenvolvimento de aterosclerose e formação de placas, aumentando o risco de doenças vasculares.

Por outro lado, consegue reduzir a atividade da enzima HMG-CoA redutase (Rahman et al., 2014), responsável pela conversão da HMG-CoA em Ácido Mevalónico, alvo de ação das estatinas utilizadas na redução dos níveis de colesterol (um fator de risco cardíaco).

A juba de leão atua ao mesmo nível biológico que as estatinas, e os próximos estudos a publicar nos próximos anos irão determinar o quão potente é a sua ação no organismo humano e se poderá ser um tratamento coadjuvante eficaz para casos de hipercolesterolemia e risco cardiovascular.

Como consumir o cogumelo juba de leão

A juba de leão pode ser cultivada (ou comprada) para consumo como alimento, já que é um cogumelo comestível que tem uma textura semelhante à carne e um sabor moderadamente umami.

Contudo, como acontece noutros casos, este modo de consumo é ótimo para desfrutar de um alimento saboroso e “saudável” graças à sua composição nutricional.

Mas para usá-lo com fins nutricionais mais específicos (como os mencionados acima), este não é o melhor método, porque: que quantidade de compostos importantes, como os polifenóis, estás realmente a consumir?

Pois não se sabe, porque o cogumelo como alimento não é padronizado nos seus componentes bioativos, e o seu conteúdo pode variar consoante fatores como a luz, o solo, a humidade, e outros aspetos que podem influenciar negativamente as propriedades do cogumelo.

Para usares a Juba de Leão com fins nutricionais, escolhe o extrato da HSN, que é 15 vezes mais concentrado, e com teor de polissacáridos garantido a 50%, para que saibas exatamente o que estás a usar e possas adaptá-lo às tuas necessidades.

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Efeitos secundários da juba de leão

A juba de leão é um cogumelo de consumo habitual, e o seu corpo de frutificação é seguro por ser considerado um alimento tradicional.

Não são conhecidos efeitos adversos pelo seu consumo, e de facto, praticamente não existem casos clínicos (de pessoas hospitalizadas por qualquer razão, enquanto consumiam juba de leão, onde tenha sido encontrada alguma relação entre o consumo e a causa do internamento); pelo que a juba de leão é considerada um composto muito seguro.

Em casos de gravidez, amamentação, doenças específicas diagnosticadas ou medicação, é recomendável consultar o teu médico.

Conclusão

  • A juba de leão é um cogumelo comestível com uma grande riqueza nutricional natural.
  • Entre os principais efeitos das suas propriedades destacam-se: neuroestimulante, neuroprotetor, antioxidante, cardioprotetor, hipocolesterolemiante e imunomodulador.
  • A maior parte da investigação sobre as propriedades funcionais do cogumelo é pré-clínica, pelo que nos próximos anos receberemos mais dados sobre os seus efeitos em humanos.
  • É preferível utilizar extratos padronizados para aproveitar ao máximo as propriedades funcionais do cogumelo.
  • O corpo frutífero da juba de leão é seguro e não tem efeitos adversos conhecidos.

Referências Bibliográficas

  • Chong, P. S., Fung, M. L., Wong, K. H., & Lim, L. W. (2020). Therapeutic potential of Hericium erinaceus for depressive disorder. International Journal of Molecular Sciences, 21(1). https://doi.org/10.3390/ijms21010163
  • Gravina, A. G., Pellegrino, R., Auletta, S., Palladino, G., Brandimarte, G., D’Onofrio, R., … Federico, A. (2023). Hericium erinaceus, a medicinal fungus with a centuries-old history: Evidence in gastrointestinal diseases. World Journal of Gastroenterology, 29(20), 3048–3065. https://doi.org/10.3748/wjg.v29.i20.3048
  • Kawagishi, H. (2018). Biologically Functional Compounds From Mushroom-Forming Fungi. In S. C. Mandal, V. Mandal, & T. Konishi (Eds.), Natural Products and Drug Discovery: an Integrated Approach (pp. 309–326). https://doi.org/10.1016/B978-0-08-102081-4.00011-3
  • Khan, M. A., Tania, M., Liu, R., & Rahman, M. M. (2013). Hericium erinaceus: An edible mushroom with medicinal values. Journal of Complementary and Integrative Medicine, 10(1). https://doi.org/10.1515/jcim-2013-0001
  • Sheng, X., Yan, J., Meng, Y., Kang, Y., Han, Z., Tai, G., … Cheng, H. (2017). Immunomodulatory effects of Hericium erinaceus derived polysaccharides are mediated by intestinal immunology. Food and Function, 8(3), 1020–1027. https://doi.org/10.1039/c7fo00071e

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Sobre Alfredo Valdés
Alfredo Valdés
É especialista em treino de fisiopatologia metabólica e nos efeitos biomoleculares da alimentação e do exercício físico.
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