Há anos que se conhece o impacto do açúcar na nossa saúde, sendo um fator importante em problemas como a obesidade.
No entanto, pouco se fala sobre o seu efeito direto no cérebro e como pode provocar uma resposta viciante semelhante a algumas drogas. Neste artigo, vamos explicar as razões por detrás desta adição com base em casos de estudo e como afeta o nosso organismo.
Índice
O açúcar e o cérebro
Quando consumimos alimentos ricos em açúcar, ocorre uma libertação de dopamina no cérebro. Este neurotransmissor, associado ao sistema de recompensa, gera-nos sensações imediatas de bem-estar e prazer.
O processo começa na área tegmental ventral, de onde os neurónios libertam dopamina para estruturas como o núcleo accumbens, a amígdala e o neocórtex. Esta ativação leva-nos a procurar novamente essa sensação prazerosa, criando um ciclo de consumo repetitivo.
Este mecanismo é muito semelhante ao que ocorre com drogas como a cocaína. Ambas as substâncias estimulam intensamente os circuitos de recompensa, embora o açúcar tenha um impacto diferente a longo prazo.
Recetores de dopamina e a adição ao açúcar
No nosso cérebro, os recetores D2 de dopamina (DRD2) são responsáveis por gerar as sensações de prazer. No entanto, em pessoas com um consumo elevado de açúcar, estes recetores tornam-se menos sensíveis, o que faz com que seja necessário mais estímulo para sentir a mesma satisfação.
Estudos demonstraram que as pessoas com adição ao açúcar apresentam menos recetores DRD2 funcionais. Isto significa que precisam de maiores quantidades de açúcar para “ativar” o sistema de recompensa, o que promove um padrão aditivo.

O efeito do açúcar em adolescentes e a obesidade
Pesquisas com ressonância magnética funcional demonstraram que os adolescentes com obesidade têm centros de recompensa menos ativos. Isto torna-os mais propensos a procurar alimentos açucarados em excesso, perpetuando o ciclo da obesidade.
Este fenómeno não se limita ao açúcar: outras substâncias viciantes também diminuem a sensibilidade do sistema de recompensa, mas o açúcar fá-lo de forma mais acessível e socialmente aceite.
O açúcar é mais viciante do que a cocaína?
Uma experiência realizada com ratos permitia-lhes escolher entre consumir cocaína por via intravenosa ou beber água adoçada. Incrivelmente, os ratos preferiam a água com açúcar, mesmo depois de terem experimentado a cocaína.
Outro estudo realizado pela Universidade de Bordéus em 2007 confirmou estes resultados: os ratos escolheram sistematicamente o açúcar em vez da droga. A intensa doçura parecia despertar uma resposta cerebral muito mais forte do que a própria cocaína.
Porque é que a frutose pode ser mais perigosa do que a glicose?
Nem todos os açúcares afetam o corpo da mesma forma. A frutose, presente em muitos produtos processados, tem um impacto distinto do da glicose:
- A frutose não ativa o hipotálamo como a glicose, o que reduz a sensação de saciedade.
- Não reduz os níveis de grelina (a hormona da fome) nem estimula a leptina (que suprime o apetite), promovendo o consumo excessivo.
Isto significa que consumir frutose em excesso pode programar o nosso corpo para ingerir mais calorias, aumentando o risco de obesidade e outros problemas metabólicos.
O que podemos fazer perante esta adição?
Embora não se trate de eliminar completamente o açúcar da nossa dieta, é importante moderar o seu consumo. Ler os rótulos dos alimentos e dar prioridade a fontes naturais de açúcar, como as frutas, pode ser um bom ponto de partida.
Existem também alternativas naturais que são mais saudáveis e ainda oferecem benefícios adicionais. Se procuras reduzir o consumo de açúcar sem abdicar do sabor doce, estas opções da HSN podem ser o que precisas:
Stevia
A stevia é uma planta cujo extrato tem um poder adoçante muito superior ao do açúcar, mas sem as calorias adicionais. Não eleva os níveis de glicose no sangue, o que a torna uma excelente opção para pessoas com diabetes ou que procuram controlar o peso.

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Açúcar de coco
O açúcar de coco é um alimento menos processado do que outros açúcares extraídos de fontes tradicionais. Uma versão mais natural, sem processo de refinação, mantendo todo o seu sabor natural e todas as suas propriedades.

Bibliografia:
- Cherbuin N, Sachdev P, Anstey KJ. Higher normal fasting plasma glucose is associated with hippocampal atrophy: The PATH Study.
- Stice, E., Yokum, S., Bohon, C., et al. 2010. Reward circuitry responsivity to food predicts future increases in body mass: moderating effects of DRD2 and DRD4.Neuroimage. 50(4): 1618–25.
- Stice, E., Yokum, S., Zald, D., and A. Dagher. 2011. Dopamine-based reward circuitry responsivity, genetics, and overeating. Curr Top Behav Neurosci. 6: 81–93.
- Blum, K., Chen, A.L., Chen, T.J., et al. 2008. Activation instead of blocking mesolimbic dopaminergic reward circuitry is a preferred modality in the long term treatment of reward deficiency syndrome (RDS): a commentary. Theor Biol Med Model. 5:24. Review.
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