Muitos movimentos de flexo-extensão realizados no plano sagital exigem uma mobilidade adequada da articulação do tornozelo: agachamentos, corrida, salto, mudanças de direção, etc.
Índice
Mobilidade Articular e Limitação de Movimento
Indo mais além, as diferentes articulações do corpo humano funcionam como um mecano, de forma que uma limitação nesta articulação afetará o movimento equilibrado geral das outras articulações responsáveis pela flexo-extensão: joelhos, ancas e coluna vertebral.
Por isso, qualquer desportista que queira ser funcionalmente ótimo para o desempenho, deve garantir uma boa amplitude de ROM desta articulação

Além disso, quem não pratica desporto profissionalmente, mas por lazer, deve saber que este é um padrão de movimento a que se deve dar atenção especial para prevenir lesões no membro inferior
Mobilidade do Tornozelo
A absorção de impactos na corrida ou saltos, por exemplo, é responsabilidade dos músculos flexores plantares do tornozelo em ação excêntrica (gémeos e sóleo, principalmente).
Em desportos clássicos de salto como voleibol, basquetebol, salto em altura ou comprimento, foi demonstrado que existe um risco aumentado até 13 vezes de desenvolver tendinopatia rotuliana em quem tem uma dorsiflexão inferior a 36,5º (ângulo mais obtuso entre a perna e o dorso do pé).

Claro que a relação entre cadeias musculares faz com que uma limitação da mobilidade do tornozelo possa prejudicar a mobilidade do joelho no plano sagital e aumentar também o valgo de joelho; assim como provocar uma estabilização incorreta a nível lombo-pélvico, como veremos mais à frente.
Dorsiflexão e Profundidade do Agachamento
Como já abordámos noutros artigos, a profundidade do agachamento com técnica postural correta é um bom indicador da força, flexibilidade e mobilidade das diferentes articulações e grupos musculares envolvidos; ainda mais o é o agachamento acima da cabeça (Overhead Squat).
Claro que, em cada nível de treino em que a pessoa esteja, o agachamento deve ser adaptado às capacidades de cada um, mas sempre com o objetivo claro de melhorar.
Não pode ser desculpa o “não tenho flexibilidade no tornozelo; por isso fico-me por amplitudes parciais”. SEMPRE se pode melhorar
A mobilidade ativa da articulação do tornozelo em cadeia cinética aberta (ou seja, sem apoio da ponta do pé ou do pé completo), aproximando o dorso do pé da tíbia, é de 20-30º; mas quando o pé está totalmente apoiado no chão, este intervalo pode aumentar até 10º (em termos absolutos, indica um ângulo menor entre a tíbia e o pé).
Por isso, cinesiologicamente falando, será mesmo tão prejudicial ultrapassar a ponta dos pés com os joelhos quando o nosso próprio corpo (com diferenças individuais) está preparado para isso?

Evitar Compensações Articulares
Sempre que tentarem avaliar a dorsiflexão do tornozelo ou executar qualquer exercício que envolva este movimento (os agachamentos búlgaros e Pistols squats são exemplos claros), devemos garantir que não existem movimentos compensatórios da limitação nas articulações adjacentes, como a pronação ou eversão do pé ou a rotação externa do joelho.

Exercícios para Melhorar a Dorsiflexão do Tornozelo
Pela sua (des)conhecida importância na prevenção de lesões, desempenho e funcionalidade mesmo em pessoas idosas, vamos dar atenção para melhorá-la.
Todo o nosso sistema musculoesquelético (qual mecano?) vai agradecer
A seguir, uma série de exercícios para aumentar o ROM da dorsiflexão:
Fontes
- Backman, L. J., & Danielson, P. (2011). Baixa amplitude de dorsiflexão do tornozelo predispõe à Tendinopatia Patelar em Jogadores Juniores de Basquetebol de Elite: estudo prospectivo de 1 ano. The American journal of sports medicine, 39(12), 2626-2633.
- Cook, G. (2010). Movement. Functional Movement Systems. On Target Publications. Santa Cruz (CA)
- Fong, C. M., Blackburn, J. T., Norcross, M. F., McGrath, M., & Padua, D. A. (2011). Amplitude de movimento da dorsiflexão do tornozelo e biomecânica do aterragem. Journal of Athletic Training, 46(1), 5.
- Fry, A. C., Smith, J. C., & Schilling, B. K. (2003). Efeito da posição do joelho nos torques da anca e joelho durante o agachamento com barra. The Journal of Strength & Conditioning Research, 17(4), 629-633.
- Kapandji, I. A. (2012). Fisiologia articular. Tomo II: Membro inferior, 6ª edição. Madrid. Ed. Médica Panamericana
- Menz, H. B., Morris, M. E., & Lord, S. R. (2006). Fatores de risco no pé e tornozelo para quedas em idosos: estudo prospectivo. The Journals of Gerontology Series A: Biological Sciences and Medical Sciences, 61(8), 866-870.
- Macrum, E., Robert Bell, D., Boling, M., Lewek, M., & Padua, D. (2012). Efeito da limitação da amplitude de dorsiflexão do tornozelo na cinemática dos membros inferiores e padrões de ativação muscular durante um agachamento. Journal of sport rehabilitation, 21(2), 144.
- Reinold, M. (2013). Exercícios de mobilidade do tornozelo para melhorar a dorsiflexão.

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