Planeamento do Treino de Força em Principiantes

Planeamento do Treino de Força em Principiantes

Vamos conhecer os pontos fundamentais sobre o Planeamento do Treino de Força para Principiantes

Starischka (1988) citado em Weineck (2005) define o planeamento como:

“Um procedimento destinado a alcançar um objetivo de treino, que tem em conta o estado de rendimento individual e se insere num processo de treino a longo prazo, previsível, sistemático e orientado em função das experiências práticas do treino e dos avanços na ciência do desporto”.

Além disso, esta sistematização do treino a longo prazo deverá contemplar o estabelecimento dos objetivos do indivíduo: Saúde ou Rendimento

Planeamento do Treino de Força para Principiantes com foco no Rendimento

Em relação ao anterior, se o objetivo for focar o treino no rendimento em pessoas principiantes, os passos a seguir são (García e Serrano, 2014; Manso et al., 1996):

Estudo prévio

  • Análise dos fatores de rendimento da modalidade
  • Conhecer o nível de rendimento da época anterior (neste caso, este ponto deverá ser omitido parcial ou totalmente, pois trata-se de desportistas principiantes)
  • Conhecer o nível de cumprimento dos objetivos estabelecidos
  • Conhecer o planeamento e distribuição da carga da época/épocas anteriores
  • Conhecer o perfil do desportista (condicional, técnico-coordenativo, psicológico, cognitivo-tático, etc.)
  • Conhecer os recursos disponíveis

Definição de objetivos

  • Claros
  • Realistas
  • Mensuráveis
  • Operativos
  • Específicos

Análise do calendário de competições

  • Desportos com longo período competitivo (Desportos Coletivos)
  • Desportos com curto período competitivo (Desportos Individuais)

Racionalização das estruturas intermédias (Periodização)

  • Macrociclos de treino
  • Mesociclos de treino
  • Microciclos de treino
  • Sessões de treino

Determinação dos meios do treino

  • Exercícios gerais
  • Exercícios específicos
  • Exercícios de competição (forma, técnica, intensidade)

Distribuição das cargas

A título de exemplo, Bompa (1995) propôs uma série de variações de carga inter-microciclo muito interessantes (Tabelas 14-18):

Tabla 14

Tabela 14. Microciclo com um pico. Fonte: Bompa (1995)

Tabla 15

Tabela 15. Microciclo com dois picos. Fonte: Bompa (1995)

Tabla 16

Tabela 16. Microciclo com dois picos de alta e baixa demanda. Fonte: Bompa (1995)

Tabla 17

Tabela 17. Microciclo de dois picos. O segundo corresponde a uma competição. Fonte: Bompa (1995)

Tabla 18

Tabela 18. Microciclo alternado com sessões de baixa intensidade. Fonte: Bompa (1995)

Planeamento do Treino de Força para Principiantes com foco na Saúde

A organização do treino de força para a saúde em pessoas principiantes deverá ser sistematizada em torno de processos que se adaptem à realidade dos sujeitos

Para isso, enumeram-se vários pontos a cumprir, entre os quais se insere a proposta de diferenciação de 4 fases progressivas no desenho do processo de treino (Figura 3) de Heredia, Isidro, Peña, Mata e Da Silva-Grigoletto (2012):

Diagrama planificación

Figura 3. Fases progressivas no desenho do processo de treino (Heredia et al., 2012)

Planeamento e Tomada de Decisões

  • Dados pessoais
  • Histórico de Atividade Física
  • Histórico Médico
  • Estilo de vida
  • Objetivos
  • Disponibilidade de Tempo e Espaço
  • Gostos e preferências
  • Avaliação da condição física

Programação

(Consultar Tabelas 19 e 20)

  • Determinação das Fases: Inicial ou Básica. Intermédia (Avançada I, Avançada II)
  • Determinação das estruturas intermédias e básicas.

Tabela 19

Tabela 19. Proposta para o estabelecimento de períodos em função da fase de treino. Fonte: Heredia et al. (2012)

Tabla 20

Tabela 20. Exemplo de programação de um cliente em fase intermédia. Fonte: Heredia et al. (2012)

Periodização

(Consultar Tabela 21)

  • Determinação do modelo de periodização: Linear (clássico), Não linear, Ondulada.
  • Distribuição da carga
  • Organização e Distribuição da Dose (I): Volume, Intensidade, Densidade, Frequência

Prescrição

  • Concretização dos componentes da dose (II)
  • Organização metodológica: Global, Hemisférios, Grupos musculares

Progressão metodológica

  • Vertical
  • Horizontal

Exercício

  • Segurança
  • Nível de estabilidade
  • Velocidade
  • Amplitude de movimento

Eficácia

  • Grupos musculares
  • Articulações envolvidas

Funcionalidade

  • Atividades da vida diária
  • Atividades da vida laboral
  • Atividade desportiva

Tabla 21

Tabela 21. Processo completo onde foram determinadas as fases, os períodos e desenvolvida a periodização atendendo aos objetivos pretendidos. Fonte: Heredia et al. (2012)

Leis básicas da força

Devido às particularidades específicas do treino de força, é importante referir quatro leis básicas propostas por Bompa (1995)

Estas leis são uma necessidade, especialmente para os atletas juvenis e iniciados em geral, dado que as quatro regras pretendem assegurar a adaptação anatómica de um organismo jovem antes de o expor à dureza do treino de força (Bompa, 1995).

  • Lei 1. “Antes de desenvolver a Força deve-se desenvolver a Flexibilidade”
  • Lei 2. “Antes de desenvolver a Força deve-se desenvolver a União músculo-osso (tendões)”
  • Lei 3. “Antes do desenvolvimento dos Membros deve-se desenvolver o Centro”
  • Lei 4. “Antes do desenvolvimento dos Músculos da 1.ª Força Motriz deve-se desenvolver os Estabilizadores”

Princípios do treino muscular diferenciado

De forma mais concreta, o treino muscular deverá respeitar os princípios do treino desportivo, no entanto, Gottlob (2007) destaca cerca de 12 princípios necessários para alcançar o sucesso desportivo orientado para a saúde ou rendimento.

  1. Ordem dos exercícios
  2. Resistência nos treinos
  3. Amplitude do movimento
  4. Como agir com as posições forçadas
  5. Estabilização corporal
  6. Simetria no treino e nas cargas
  7. Velocidade
  8. Sensação corporal
  9. Técnica de respiração
  10. Aquecimento e arrefecimento
  11. Planeamento dos treinos no tempo
  12. Organização individual dos treinos

Elementos básicos da programação do treino

Os pressupostos básicos do processo de adaptação e do treino aplicáveis à prática desportiva de González-Badillo e Ribas-Serna (2002), são úteis para justificar as decisões a tomar relativamente à dosificação da carga a aplicar.

  • Potencial de adaptação genética (PAG): marca as possibilidades do sujeito num desporto concreto ou no desenvolvimento de uma capacidade física
  • Capacidade de rendimento máxima (CRM): é a percentagem do PAG alcançada ou desenvolvida até à data, o melhor resultado ou marca obtidos pelo sujeito (1RM) e carga máxima global
  • Capacidade de rendimento atual (CRA): é a percentagem da CRM alcançada num momento concreto, ou dito de outra forma, a CRA é a CRM do dia
  • Défice de Adaptação (DA): é a diferença entre a CRM e o PAG, também denominado “Reserva Total de Adaptação”
  • Exigência do treino (EE): o grau de carga ou esforço que significa um treino em relação à CRA
  • Reserva de Rendimento Atual (RRA): é a percentagem da CRA que não é utilizada numa sessão de treino
  • Reserva de Adaptação Imediata (RAI): é a margem de melhoria da adaptação ou a possibilidade de progressão que um desportista tem num ciclo de treino

Meios de Controlo e Acompanhamento

Em todos os casos, objetivos e níveis de sujeitos principiantes, nunca se recomendaria realizar o número máximo de repetições por série, pelo que o caráter do esforço ou a sensação subjetiva do esforço será sempre baixo (Peña et al., 2016b).

Jovens principiantes

Por estas razões, o controlo da carga do treino, concretamente, a intensidade, é de suma importância para esta população. Relativamente a isso, existem marcadores para controlar a intensidade do treino de força, de grande utilidade e com bons índices de validade e fiabilidade.

Estas ferramentas são as Escalas de Esforço Percebido (EEP) (Peña et al., 2016b)

Sobre isto existem 2 estudos que desenvolveram e validaram escalas específicas com populações de crianças e adolescentes:

O primeiro destes estudos é o desenvolvido por Faigenbaum et al. (2004) citados em Peña et al. (2016b), que encontraram uma correlação positiva e linear entre cada % 1 RM e o esforço percebido numa escala de 11 pontos (r = 0.70-0.77), pelo que consideraram que essa escala fornecia uma evidência parcial de validação para o treino de força em crianças.

Por outro lado, Robertson et al. (2005) citados em Peña et al. (2016b), encontraram coeficientes de validade por regressão linear elevados (r = 0.72-0.88), o que os levou a concluir que essa escala de esforço percebido era uma ferramenta válida para realizar exercícios de força para o hemisfério superior e inferior com crianças e jovens de ambos os sexos (Figura 4):

Figura 4

Figura 4. Escala de esforço percebido OMNI-RES de força para crianças. Fonte: Peña et al. (2016b)

Pessoas idosas principiantes

Relativamente às pessoas idosas pouco experientes, também existem validações de escalas de controlo do esforço. Silva-Grigoletto et al. (2013) apresentaram resultados interessantes em pessoas idosas que realizam sessões com múltiplos objetivos.

A OMNI-GSE utilizada neste estudo (Figura 6), pode ser uma ferramenta de controlo do esforço realizado, especialmente quando o grupo de trabalho é formado por pessoas pouco experientes ou em populações de adultos maiores familiarizados com o exercício físico e sua incidência a nível funcional.

Figura 5

Figura 5. Escala OMNI: Global Session in the Elderly. Fonte: Silva-Grigoletto et al. (2013)

Escala RPE baseada em RIR

Por outro lado, encontramos a Escala RPE baseada em RIR (Repetições na Câmara)

Que apresenta uma relação (significativa) inversa entre a velocidade média e todos os percentuais do 1RM (Zourdos et al., 2016).

RPEPerceção de esforço em RIR
10Esforço máximo
9,5Sem repetições na câmara, mas não máximo
9RIR 1
8,5RIR 1-2
8RIR 2
7,5RIR 2-3
7RIR 3
5-6RIR 4-6
3-4Esforço suave
1-2Quase sem esforço

Escala RPE baseada em RIR (Zourdos et al., 2016)

De forma geral, este método nos permite controlar e programar os treinos de força de forma mais eficaz e eficiente em função do número de repetições que restam até à falha muscular

Propostas práticas para o Planeamento do Treino de Força para Principiantes

Modelo de desenvolvimento físico-juvenil

Esta proposta prática baseia-se no modelo de Lloid e Oliver (2012), onde estes autores utilizam coerentemente as janelas de oportunidade das capacidades físicas e as estruturam a longo prazo (Figuras 6 e 7):

Figura 6

Figura 6. O modelo YPD para homens. Fontes: Lloid e Oliver (2012)

Figura 7

Figura 7. O modelo YPD para mulheres. Fontes: Lloid e Oliver (2012)

Planeamento do treino de Hipertrofia para principiantes

A manipulação das variáveis do treino de resistência é considerada uma estratégia essencial para maximizar as adaptações musculares. Uma das variáveis que recebeu atenção substancial a este respeito é o volume de treino.

Por isso, Schoenfeld & Grgic (2018) apresentam um exemplo teórico sobre como o volume de treino deve ser periodizado ao longo de um ano.

Tabla 22

Tabela 22. Exemplo teórico de como o volume de treino pode ser periodizado ao longo de um ano. Fonte: elaboração própria a partir de Schoenfeld & Grgic (2018)

Este planeamento anual poderia ser um modelo exemplar para um sujeito adulto principiante
Treino de Força para Principiantes

Fontes Bibliográficas

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