Triatlo: as transições (III)

Triatlo: as transições (III)

Hoje toca falar das transições no triatlo, esses momentos nos quais se passa de uma disciplina desportiva para outra.

Existem simplesmente dois tipos genéricos de transições, as quais são:

  1. Da água para a bicicleta (Transição T1): esta primera transição realiza-se da passagem da natação para o ciclismo. Nas classificações costuma indicar-se como T1 (e em ocasiões conta-se o tempo que se demorou em realizá-la).
  2. Da bicicleta para o asfalto (Transição T2): esta é a transição chave, e realiza-se da passagem da bicicleta para a corrida. Neste caso nas classificações vem referenciada como T2 (e também costuma medir-se o tempo que se tarda em realizar)

Preparação das transições

Antes de começar a tratar concretamente das transições, vamos explicar alguns conceitos chave que há que fazer antes de iniciar a competição com o objetivo de preparar não apenas o começo do triatlo, mas para deixar preparado tudo corretamente para cada transição, equipamento e comida, no ponto ou pontos que a organização cria exclusivamente para essa função.

Podemos dizer que existe uma pré-transição que realmente não conta para a competição, nem soma tempo à prova, mas na que devemos colocar tanto ênfase, ou ainda mais, que no resto de transições, para que quando cheguemos a estas tenhamos preparado todo o material e os alimentos que iremos ingerir.

Pre transição

O primeiro aspeto a ter em conta é a chegada à zona da corrida. Há que chegar com suficiente antecedência, pois já sabemos que as pressas não são boas e nesta ocasão não é diferente, assim que o ideal é chegar duas horas antes ao ponto de informações (se não o tiveres feito no dia anterior) e informar-te de tudo: situação das zonas, horários, distribuição de dorsais…

Há que deixar o material em ordem para que esteja facilmente acessível: capacete, óculos e sapatilhas da bicicleta (soltas e sem atar), bidões no sítio, barritas colocadas estrategicamente, em bolsos ou bicicleta, possível comida para as transições (muito útil para as longas distâncias), meias de substituição para evitar assaduras e bolhas ou aplicação de creme solar.

Visibilidade do dorsal

Em cada disciplina é muito importante ter sempre visível o dorsal que a organização da prova te designou. Na natação leva-se na touca, e normalmente vem pré-inscrito pela organização, mas deves comprovar que é o teu e que está visível e correto.

Na parte do ciclismo deve-se colocar em três lugares visíveis: capacete, bicicleta e no corpo. Para a bicicleta e capacete a organização costuma dar uns autocolantes que vamos colocar corretamente. Normalmente dois no K7 (lateral e frontal) e um na bicicleta (costuma-se colocar no espigão do selim). O do corpo varia, já que na disciplina ciclística deve colocar-se na parte baixa das costas, e na corrida a pé deve colocar-se na parte dianteira do corpo, por isso é recomendável o uso de um porta dorsais.

O porta dorsais não é mais que uma espécie de cinto em que se pendura o dorsal (com alfinetes de dama ou engates que o dorsal traz), e a única coisa que há a fazer ao chegar à transição da bicicleta para a corrida é voltá-lo de trás para a frente, sem perder tempo nenhum (imagina se o tens de pendurar com alfinetes de dama).

Visibilidade do dorsal

As transições T1

Dizemos que é o primeiro tipo porque é a primeira transição que se realiza no triatlo comum, que é quando acabamos de nadar e agarramos a bicicleta, algo assim como da água para o pedal. Nesta transição o mais importante é desfazer-se com rapidez do neopreno, portanto uma recomendação um tanto óbvia é realizar vários testes em casa uma semana antes da competição, ou inclusivamente nas sessões de treino que faças de natação (é melhor que o faças quando treines no mar já que na piscina não é habitual ver a ninguém com neopreno).

Não é o mesmo tirar o neopreno molhado que seco, assim que experimenta das duas formas para aprender a diferença e como o pisar para o tirar antes. Um conselho é usar óleo corporal antes de o vestir, vai ajudar a despir e além disso evita possíveis assaduras nas zonas de frição, como axilas, pescoço ou virilhas (também se costuma usar vaselina).

O ideal é sair da água, ao passo que nos vamos aproximando da zona das boxes onde se encontra a bicicleta para realizar a transição, e ir despindo a parte superior do neopreno. Importante nao tirar os óculos e a touca até à zona permitida para tanto (deve perguntar-se tudo muito bem antes, como já dissemos no post anterior) para não ser sancionados.

A parte superior do neopreno desaperta-se facilmente graças a um cordão longo enganchado ao fecho que podemos agarrar facilmente, e que devemos comprovar que funciona corretamente, e lubrificar em caso contrário para um correto funcionamento.

O problema é que em algumas ocasiões fica preso por causa do velcro que existe na zona da gola do neopreno ou por não poder baixar corretamente por causa do frio ou outras causas, mesmo depois de ter comprovado em casa que funcionava tudo bem. O importante é não perder a calma e não dizer a ninguém (público ou companheiros) que te ajude a baixar o fecho, já que se és apanhado a fazer isso podes ser sancionado.

Depois de chegar à zona de transição, onde está a bicicleta e o resto da equipa e alimentos, devemos despachar-nos em tirar o neopreno da forma mais rápida possível,pomos tanto o capacete como os óculos na bicicleta. Se a competição é longa, é importante secar os pés e calçar umas meias para evitar assaduras ou bolhas que nos possam inclusivamente por em causa a continuidade da prova.

Aconselha-se o uso de um fato de banho ou maillot específico para o triatlo que se veste por baixo do neopreno, em caso de uso, e que nos servirá como vestimenta única, tanto para a parte da bicicleta como para a parte da corrida, com o qual evitaremos as perdas de tempo desnecessário ao ter que mudar de roupa para cada disciplina.

Transição 1

Do mesmo modo que já dissemos que existe uma zona em que há que usar ainda a touca e os óculos de natação, existe uma zona em que antes de sair com a bicicleta deves levar posto o capacete os óculos (se é que usas) para a parte de ciclismo. Portanto, antes de sair com a bicicleta até à saída da parte do ciclismo, coloca o capacete apertado e os óculos para nem ser sancionado nem perder tempo.

A importância de calçar as sapatilhas
Existe uma forma óptima para perder o menos tempo possível na hora de calçar as sapatilhas de ciclismo, que é deixá-las postas nos pedais da bicicleta, e quando se sai com a bicicleta, montar-se nela na zona marcada, pisando as sapatilhas e depois quando já estamos em andamento, calçá-las já em marcha.

Esta técnica não é muito fácil de realizar, assim que a deves praticar muitas vezes até que vejas que a dominas, já que se assim não é, pode ser que te faça perder mais tempo daquele que podes ganhar usando esta técnica.

A técnica tradicional é calçar as sapatilhas na box e ir correndo com elas calçadas até à linha de saída com a bicicleta, mas também há que ir com precaução já que as sapatilhas têm o encaixe na sola e por isso patinam muito.

Uses a técnica que uses, procura umas sapatilhas que se atem muito rápido, com uma única tira de velcro se possível, assim, se o fizeres em cima da bicicleta apenas tens que agachar-te uma vez de cada lado ganhando muito tempo. Não uses broches muito técnicos, como aqueles que têm as sapatilhas específicas de ciclismo atuais, já que podem ser mais complexos de atar e vão penalizar-te em tempo na transição.

As Transições T2

É a que se realiza na mudança de disciplina do ciclismo para o início da corrida, ou, como a baptizámos coloquialmente de pedal ao asfalto, que mais parece que é do asfalto ao asfalto, mas as pernas notam essa brutal alteração.

Esta transição é a mais importante das duas, já que a mudança de disciplina desportiva faz com que as pernas tenham que suportar um potente contraste no movimento, o impacto e a força a realizar, com o que devemos de acostumar o nosso corpo ao mesmo progressivamente.

Ao realizar o ciclismo, as pernas geram uma força “rotativa” necessária para realizar o pedaleio, e ao mudar para a corrida devem realizar uma força de translação diferente, pelo que os primeiros quilómetros da corrida costuma notar-se as pernas pesadas e excessivamente lentas.

Nos treinos, o câmbio de uma disciplina para outra deve ser realizado em menos de 10 minutos de separação, já que se excedemos este tempo, o treino não se vai assemelhar à competição já que as fibras musculares terão descansado o suficiente para se adaptar da bicicleta à corrida.

Transição 2

No que diz respeito à zona de transição, temos de realizar a entrada a pé a partir da zona assinalada pela organização, que por norma geral é a mesma da que se realiza a saída. Neste pode tirar-se o k7 da bicicleta, mas não antes, já que podes ser penalizado (em ocasiões há que colocá-lo numa caixa).

Do mesmo modo que para pegar na bicicleta e começar a pedalar, também existem duas formas de sair da bicicleta, com as sapatillhas específicas para a parte da bicicleta calçadas, existindo perigo de quedas, e a de sair descalço, deixando as sapatilhas enganchadas nos pedais.

Para realizar essa saída deixando as sapatilhas nos pedais e correr descalço há que treinár muitas vezes durante as sessões de treino com o objetivo de aprender a soltar-se os velcros das sapatilhas em movimento. É melhor que não se usem sapatilhas com broches complexos de soltar que nos penalizem o tempo.

O equipamento
Se estamos a realizar um triatlo de longa distância é conveniente usar outro par de meias, já que seguramente os que usaste no ciclismo estarão suados, e pode ser que se produzam incómodas assaduras ou bolhas que nos molestem à hora de correr.

Nas sapatilhas de correr, o ideal é usar umas sapatilhas mais simples de atar, ou com velcro ou melhor ainda usando atacadores elásticos que nos permitam por a pressão, sem ter que soltar ou atar os cordões, o mais rápido possível. Os cordões elásticos podem adquirir-se separadamente e colocá-los nas sapatillas.

Todos estes conceitos que explicámos para perder o mínimo tempo possível não são de todo necessários se simplesmente queremos competir sem procurar realizar um tempo o mais baixo possível, mesmo se competimos regularmente, mesmo que não fiquemos nos primeiros lugares, gostamos de limar ao tempo total a maior quantidade de segundos possível.

Não deixes de consultar outros temas sobre o Triatlo:

  • Os 3 suplementos indispensáveis em Triatlo, aqui
  • Consulta qual é o treino no ginásio para este desporto
Avaliação Transições em Triatlo

Preparação - 100%

Dorsal - 100%

T1 - 100%

T2 - 100%

100%

HSN Evaluação: 5 /5
Content Protection by DMCA.com
Sobre David Diaz Gil
David Diaz Gil
Em cada um dos geniais artigos, está depositada a essência da experiência além do rigor científico, como assim acreditam a David Díaz Gil.
Confira também
triatlo inicio
Triatlo: guia de início (I)

O triathlo requer uma grande força física como mental, devido a sua exigência na prática …

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *