Data de validade e de consumo preferencial: em que é que se diferenciam?

Data de validade e de consumo preferencial: em que é que se diferenciam?

A data de validade e o consumo preferencial dos alimentos são dois conceitos diferentes.

Os números impressos nos produtos que podem afetar negativamente a nossa saúde se estiverem em mau estado, sempre foram uma fonte de preocupação para nós, os consumidores.

  • O que significa essa data?
  • Validade e consumo preferencial são a mesma coisa?
  • Quer dizer que a partir daí já não posso consumir esse produto?
  • Vou ficar doente se o fizer?
Neste artigo vou responder a todas essas perguntas e explicar-te o porquê da confusão generalizada sobre estes conceitos.

O que é a data de validade de um alimento?

É a data a partir da qual, segundo o fabricante, o produto já não é seguro para a saúde do consumidor. Geralmente a data de validade serve de guia, indica até quando podes ingerir um determinado produto.

Às vezes é a nossa negligência como consumidores uma das principais causas da degradação prematura do alimento em questão…

Qual a diferença entre data de validade e consumo preferencial?

A diferença entre “data de validade” e “data de consumo preferencial”, ou seja, a data de duração mínima, consiste em que a primeira determina a vida útil de um alimento. É usada em produtos que, por motivos microbiológicos, são perecíveis e podem tornar-se um perigo para a saúde após um curto período de tempo.

Carnes e peixes frescos, ovos, lacticínios e legumes são principalmente os destinatários da data de validade e é extremamente recomendável que te atentes a elas

No caso do consumo preferencial, esta data indica o tempo em que o produto conserva bem as suas propriedades organoléticas, ou seja, as relacionadas com cheiro, sabor e textura, entre outras, sem que corras algum risco para a saúde se o ingerires depois do dia indicado.

Alimentos

Já reparaste que às vezes aparece a data de consumo preferencial com o dia e o mês, e outras vezes só com o mês?

Isto deve-se ao regulamento europeu que regula a informação alimentar que o consumidor recebe e indica que, esses alimentos:

  • Com uma vida mínima inferior a 3 meses: devem indicar dia e mês de consumo preferencial, seguido de “consumir preferencialmente antes de…”
  • Com uma vida mínima entre 3 e 18 meses: devem indicar mês e ano de consumo preferencial, seguido de “consumir preferencialmente antes do fim de…”
  • Com uma vida mínima > 18 meses: devem indicar o ano de consumo preferencial.

Que datas podemos encontrar nos alimentos ou preparados alimentares?

Principalmente 3:

Data de consumo preferencial ou data de duração mínima

Data de consumo preferencial

Data de validade, ou data de duração máxima

Data de validade

Data de congelação

Data de congelação

Esta data indica a primeira vez que o alimento foi congelado, já que muitos alimentos são congelados várias vezes ao longo do processamento e fabrico.

Explicação

  • As duas primeiras datas são discriminatórias, ou seja, ou aparece uma ou outra (ou há data de validade ou há data de consumo preferencial), não as duas ao mesmo tempo.
  • A data de congelação aparece, logicamente, em alimentos congelados; concretamente em carne congelada, preparados cárnicos congelados e produtos de pesca não transformados congelados.
Como “todos os produtos” contêm data de validade e de consumo preferencial, e são esses dados que nos dão informação mais interessante aos consumidores, vou focar-me neles.

O que determina a conservação?

As empresas realizam todo o tipo de análises para determinar a qualidade e a rastreabilidade dos alimentos.

Entre elas, a análise mais importante é a microbiológica, que determina quanto tempo demora um alimento a poder ser colonizado por microrganismos patogénicos.

Mas, ATENÇÃO! com base nas condições de conservação propostas.

Apesar de toda a gente se preocupar se deve ou não comer um produto passado da data de consumo preferencial, presta-se muito pouca atenção às condições de conservação.

Sabes a que temperatura está o teu frigorífico?

Essa é a principal causa de contaminação microbiológica nos alimentos em Portugal: frigoríficos pouco refrigerados.

Por isso deves prestar atenção a estas indicações, as datas de consumo preferencial não servem de nada se não o fizeres.

Algumas dicas

Para que comer te permita não só alimentar-te, mas também manter-te saudável, é conveniente:

  • Lavar bem as mãos antes de comer. Faz isso ao preparar os alimentos e depois de ir à casa de banho.
  • Manipular separadamente os alimentos crus, para evitar a contaminação.
  • Consumir alimentos bem cozinhados.
  • Manter os alimentos a temperatura segura. Recomenda-se refrigerá-los a menos de 5° e aquecê-los a mais de 65°.
  • Comprar e consumir alimentos em locais autorizados.
  • Beber apenas água potável. Se não houver, ferver pelo menos 3 minutos.
  • Limpar bem a zona e os talheres com que se preparam os alimentos.
  • Manter a cozinha limpa.

Data de validade e consumo preferencial dos suplementos

Os complementos alimentares e preparados alimentares destinados à nutrição de desportistas são produtos não perecíveis a curto nem médio prazo.

Na maioria das vezes a sua vida mínima ronda os dois anos.

Isto faz com que os complementos alimentares sejam produtos de consumo muito seguro, já que com uma vida mínima tão longa, a sua vida máxima torna-se indeterminável.

No entanto, não te esqueças de conservar os produtos como indicado no recipiente.

Na maior parte dos casos basta conservá-los num local fresco e seco, e afastado da luz. Fácil, não é? Simplesmente guardando-os na prateleira da tua despensa, prolongarás a vida útil dos teus complementos alimentares.

Tenho a certeza que os acabas antes da data de consumo!

Consumir suplementos passados da data preferencial

“Deixei uma Evolate 2.0 na despensa e passou a sua data de consumo preferencial. Posso consumi-la?”

Esta dúvida é bastante frequente, e é realmente complexa de responder, pois depende de fatores como:

“…que suplemento é, como foi conservado, há quanto tempo está aberto, há quanto tempo expirou a data de consumo preferencial, qual é a aparência (e outras propriedades organoléticas do produto…)…”

Factores

Mais uma vez, a data de consumo preferencial não é mais do que “a data até à qual o alimento conserva as suas propriedades específicas quando armazenado corretamente”.

Por isso, se cumprirmos com um bom controlo dos fatores extrínsecos: podemos estar convencidos de que durante um período moderadamente alargado, a nossa Evolate 2.0 pode ser consumida e considerada “segura” segundo os padrões do Regulamento (CE) n.º 178/2002 do Parlamento Europeu e do Conselho de 28 de janeiro de 2002 que estabelece os princípios e os requisitos gerais da legislação alimentar, cria a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar e fixa procedimentos relativos à segurança alimentar.

Como conservar um suplemento?

Deixo-vos alguns pequenos conselhos fáceis de seguir para conservar os vossos complementos alimentares, a menos que o produto indique outra forma de conservação:

Conservar num local fresco

Os microrganismos podem proliferar a qualquer temperatura; embora a maioria seja mesófila, com uma temperatura de crescimento ótima a 37ºC.

Apesar de certos microrganismos terem um perfil criófilo, são menos comuns.

Por isso, as temperaturas de 12-18ºC são ideais para a conservação à temperatura ambiente.

Conservar num local seco

A elevada humidade pode afetar os complementos alimentares micronizados, pois devido ao seu tratamento, aumentar o conteúdo de água ambiental altera a integridade do conteúdo do produto.

Conservar num local afastado da luz e bem fechados

O sol e o contacto com o ar podem oxidar o conteúdo dos preparados alimentares, podem peroxidar os seus lípidos, tornando-os rançosos, polimerizar o micronizado, fazendo com que se formem “grumos”, e glicar a proteína (reagindo os açúcares com os aminoácidos).

A proteína pode parecer deteriorada quando a sua textura é arenosa, quando no seu cheiro se percebem notas sulfúricas, e quando na sua dissolução não se dissolve, precipita (vai para o fundo) e coagula.

Nesse momento podemos interpretar que ultrapassou a sua vida máxima, dependente ou não de um bom ou mau estado de conservação; e é melhor descartá-la e comprar outra.

Fontes Bibliográficas

  1. Bondi, M., Messi, P., Halami, P. M., Papadopoulou, C., & De Niederhausern, S. (2014). Emerging microbial concerns in food safety and new control measures. BioMed Research International, 2014, 251512.
  2. Comissão Europeia (2011). Regulamento 1169/2011 sobre a informação alimentar fornecida ao consumidor. Jornal Oficial da União Europeia, 2011, 18–63.
  3. Comissão Europeia. (2002). Regulamento 178/2002 que estabelece os princípios e os requisitos gerais da legislação alimentar, cria a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar e fixa procedimentos relativos à segurança alimentar. Jornal Oficial das Comunidades Europeias, (9), L 128/8.
  4. Majumdar, A., Pradhan, N., Sadasivan, J., Acharya, A., Ojha, N., Babu, S., & Bose, S. (2018). Food Degradation and Foodborne Diseases: A Microbial Approach.
  5. Petruzzi, L., Corbo, M. R., Sinigaglia, M., & Bevilacqua, A. (2017). Chapter 1 – Microbial Spoilage of Foods: Fundamentals. In A. Bevilacqua, M. R. Corbo, & M. Sinigaglia (Eds.), The Microbiological Quality of Food (pp. 1–21).
  6. USDA (2019). Food Product Dating.
  7. Xavier, D., Jaffrès, E., & Zagorec, M. (2016). Spoilage: Bacterial Spoilage. Encyclopedia of Food and Health.

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Sobre Alfredo Valdés
Alfredo Valdés
É especialista em treino de fisiopatologia metabólica e nos efeitos biomoleculares da alimentação e do exercício físico.
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