Espirulina – Remédio Natural contra o Colesterol

Espirulina – Remédio Natural contra o Colesterol

Hoje vamos ver o potencial da Espirulina como alternativa natural para controlar o colesterol

A Espirulina é uma alga que normalmente se comercializa como produto nutracêutico com uma grande variedade de propriedades: atua como imunomodulador, potente antioxidante, agente anticancerígeno, antiviral e hipocolesterolemiante. E na população vegana, fonte de proteínas.

Por isso é conhecida como um “superalimento”.

Neste caso vamos focar no papel que a espirulina tem como suplemento para melhorar os marcadores lipídicos e, portanto, como possível tratamento para a dislipidemia, ou seja, reduzir o colesterol

Colesterol e problemas vasculares

Sabemos que os episódios consequência do dano vascular (ataques cardíacos, AVC e enfartes em geral) são uma das principais causas de morbi-mortalidade nos países desenvolvidos.

Na maior parte das vezes, este tipo de condições desenvolve-se como consequência da formação de tecido de fibrina e placas ateroscleróticas (formadas a partir do acumular de colesterol nas paredes vasculares), consequência de um excesso de lipoproteínas de baixa densidade na circulação.

E apesar de não se poder categorizar de forma absoluta o colesterol LDL como mau e o colesterol HDL como bom, devido à presença de diferentes frações de ambos que podem ser benéficas ou prejudiciais.

Para a população em geral: quanto mais colesterol de alta densidade (HDL) e menos colesterol de baixa (LDL) ou muito baixa densidade (VLDL) a circular, melhor

O que são as estatinas?

O tratamento médico de primeira escolha para melhorar a dislipidemia (alteração das concentrações normais de lipoproteínas) são as estatinas.

Cómo actúan las estatinas

Figura I. Mecanismo de ação das estatinas

As estatinas são um tipo de fármaco conhecido como inibidores da HMG-CoA redutase, ou seja, bloqueiam a ação desta enzima, limitando a síntese endógena de colesterol como mostra a imagem anterior.

Isto faz com que as lipoproteínas VLDL e LDL se reduzam no plasma e o HDL aumente por necessidades fisiológicas ao incrementar o transporte reverso do colesterol.

Efeitos secundários

No entanto, a segurança das estatinas tem sido amplamente questionada, pois apesar de ser um fármaco de uso diário e estabelecido como “seguro”, não está isento de efeitos secundários como:

  • rabdomiólisis (pouco frequente);
  • Mialgia (até em 10% dos utilizadores);
  • Disfunções mitocondriais devido à depleção de coenzima Q10 no organismo.

Para evitar a mialgia, tem-se hipotetizado que a suplementação com CoQ10 seria uma estratégia válida, aproveitando também que a sua suplementação é necessária para repor a depleção que as estatinas geram. No entanto, Buettner et al. (2015) demonstraram que a suplementação com CoQ10 atenua ligeiramente a mialgia causada pelo consumo de estatinas.

E se o consumo de espirulina fosse uma estratégia alternativa, mas igualmente válida que o consumo de estatinas para o tratamento da dislipidemia?

Espirulina para reduzir o colesterol

A espirulina atua como um agente redutor do colesterol “mau”, mas não conhecemos o seu mecanismo de ação com precisão

Apesar disso, tem-se hipotetizado que as suas propriedades cardioprotetoras se baseiam em:

  • a redução do stress oxidativo;
  • o aumento da síntese endotelial de óxido nítrico;
  • a redução da oxidação do LDL;
  • a inibição do crescimento das células do tecido liso dos vasos sanguíneos;
  • a modulação da resistência à insulina; e
  • a redução da pressão arterial (Huang et al., 2018).

Estes autores elaboraram uma revisão sistemática com meta-análise (ou seja, uma compilação dos estudos disponíveis; sendo o grau de evidência mais elevado) na qual concluíram que:

…a administração variável entre 1 e 19 gramas de espirulina diária, entre 2 e 24 semanas é um tratamento eficaz para a dislipidemia…

Que intervalo tão amplo, não é? Vou explicar melhor.

Evidência científica: Espirulina e Colesterol

Como Huang et al., 2018 publicaram um meta-análise, analisaram um total de 1868 artigos potencialmente válidos, que após aplicar as restrições de inclusão reduziram-se a um total de 12 artigos onde foram analisados 807 participantes líquidos.

Cada artigo utilizava uma metodologia diferente, com uma dose, um timing e uma duração determinados. Para avaliar a magnitude disso temos as análises estatísticas de Huang et al. (2018).

Efectos del consumo de estatinas

Figura II. Efeitos do consumo de uma dose variável de espirulina, em intervenções de duração variável sobre o colesterol total (A); colesterol LDL (B); colesterol HDL (C) e Triglicéridos (D). (Huang et al., 2018)

O consumo de espirulina gerou as seguintes alterações no perfil lipídico dos participantes:

  • O quadro A representa o colesterol total,
  • o B o colesterol LDL (baixa densidade),
  • o C o colesterol HDL (alta densidade),
  • e o D os triglicéridos.

Cada “linha” dentro dos quadros é um estudo analisado, à direita podemos ver o WMD que é a média das alterações que aconteceram no marcador analisado, assim como o seu intervalo; e a % do peso do artigo.

No centro observamos o número 0 que divide 2 semiplanos do quadro; todos os quadros que se encontram à esquerda desta linha contínua indicam que o marcador analisado diminui, os que estão à direita indicam que aumenta; e o losango branco que projeta uma linha vermelha descontínua indica a média da magnitude.

Para entender melhor, os quadros A, B e D deveriam mostrar losangos brancos para a esquerda; e o quadro C para a direita do ponto 0; idealmente, como fazem.

Consumo estatinas

Figura III. Efeitos do consumo de uma dose variável de espirulina, em intervenções de duração variável sobre o colesterol vLDL (expresso em média e intervalo do tamanho do efeito, assim como significância). (Huang et al., 2018)

Ou seja, a espirulina:

  • reduz o colesterol total (-36,60 mg/dL), o colesterol LDL (-33,16 mg/dL) e os triglicéridos (-39,20 mg/dL);
  • enquanto que aumenta o colesterol HDL (5,81 mg/dL).

Da mesma forma reduz o colesterol vLDL (8,02 mg/dL)

Os efeitos foram divididos pelos autores, para melhor compreensão, em consumo < e >2 g/dia; duração < e >12 semanas; assim como o controlo utilizado (sem intervenção e placebo) e uma análise de sensibilidade.

Dosis de estatinas

Figura IV. Efeitos do consumo de espirulina, estratificado em dose (</>2 g/d), duração (</>12 semanas), tipo de controlo utilizado (sem intervenção/placebo) e sensibilidade da análise (eliminando os estudos que usaram soja como controlo), sobre o colesterol total (TC); colesterol LDL (LDL-C); colesterol HDL (HDL-C) e Triglicéridos (TG). (Huang et al., 2018)

Os resultados mais interessantes para nós são os que aparecem na linha de “dose de espirulina” e “duração”.

Apesar de que a qualquer dose e a qualquer duração melhoram os marcadores lipídicos, observando as significâncias “P”, podemos concluir que doses de espirulina superiores a 2 g/dia e durante mais de 12 semanas são o mais adequado para melhorar os marcadores de dislipidemia

Conclusões

As estatinas, em doses habituais, têm a capacidade de reduzir:

  • Colesterol LDL entre 20 e 50%;
  • Triglicéridos entre 10 e 20%; e
  • Aumentar o colesterol HDL entre 5 e 10%.

Magnitudes semelhantes às apresentadas pela Espirulina

Apesar disso, a espirulina não é um tratamento recomendado como monoterapia para melhorar os marcadores lipídicos, por isso antes de iniciares um regime de suplementação com este produto, consulta o teu profissional de saúde

Fontes Bibliográficas

  1. Huang, H., Liao, D., Pu, R., & Cui, Y. (2018). Quantifying the effects of spirulina supplementation on plasma lipid and glucose concentrations, body weight, and blood pressure. Diabetes, Metabolic Syndrome and Obesity: Targets and Therapy, 11, 729–742.
  2. Karkos, P. D., Leong, S. C., Karkos, C. D., Sivaji, N., & Assimakopoulos, D. A. (2011). Spirulina in clinical practice: evidence-based human applications. Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine: ECAM, 2011, 531053.
  3. Ramkumar, S., Raghunath, A., & Raghunath, S. (2016). Statin Therapy: Review of Safety and Potential Side Effects. Acta Cardiologica Sinica, 32(6), 631–639.
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Sobre Alfredo Valdés
Alfredo Valdés
É especialista em treino de fisiopatologia metabólica e nos efeitos biomoleculares da alimentação e do exercício físico.
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