Harpagófito ou Garra-do-diabo: O anti-inflamatório natural que tens de conhecer

Harpagófito ou Garra-do-diabo: O anti-inflamatório natural que tens de conhecer

O harpagófito, também conhecido como garra-do-diabo, é uma planta tradicionalmente utilizada para o bem-estar articular, desconfortos musculoesqueléticos leves e apoio digestivo. A sua raiz contém compostos bioativos, especialmente harpagósidos, que têm despertado interesse pelo seu possível papel na modulação da inflamação e no conforto articular.

Neste artigo, analisamos o que é o harpagófito, quais são os seus principais componentes, como costuma ser utilizado, o que diz a evidência disponível e que precauções devem ser consideradas antes de o incorporar na rotina.

O que é o Harpagófito ou Garra-do-Diabo?

O harpagófito, cujo nome científico é Harpagophytum procumbens, é uma planta herbácea originária do sul de África, especialmente de regiões próximas do deserto do Kalahari.

O seu nome popular, “garra-do-diabo”, deriva da forma dos seus frutos, que apresentam apêndices em forma de gancho. No entanto, a parte tradicionalmente utilizada para fins fitoterapêuticos não é o fruto, mas sim as raízes secundárias tuberosas, onde se concentram os seus principais compostos ativos.

Princípios ativos do harpagófito

A composição do harpagófito é complexa e a sua atividade não depende de um único composto. Entre os seus componentes mais destacados encontram-se:

  • Harpagósidos: glicosídeos iridoides considerados os principais marcadores de qualidade nos extratos de harpagófito.
  • Flavonoides: como a luteolina e o kaempferol, associados à atividade antioxidante.
  • Ácidos fenólicos e outros fitonutrientes: compostos que podem contribuir para o perfil global da planta.

Ao escolher um suplemento, é importante verificar se se trata de raiz pulverizada ou de um extrato seco padronizado, uma vez que a concentração de princípios ativos pode variar consideravelmente.

Propriedades do Harpagófito

Apoio ao bem-estar articular

O harpagófito tem sido tradicionalmente utilizado para promover o conforto das articulações e aliviar desconfortos articulares leves. A Agência Europeia do Medicamento reconhece o seu uso tradicional para o alívio da dor articular ligeira, com base na sua utilização prolongada em fitoterapia.

Conforto muscular e lombar

Alguns estudos clínicos avaliaram preparações de Harpagophytum procumbens em casos de dor lombar inespecífica. Embora os resultados sejam promissores, a evidência disponível deve ser interpretada com prudência e não substitui a avaliação médica em caso de dor persistente, intensa ou incapacitante.

Atividade antioxidante

O harpagófito contém compostos vegetais com atividade antioxidante que podem ajudar a proteger as células contra o stress oxidativo. Este efeito faz parte do interesse geral da planta no contexto do bem-estar musculoesquelético.

Apoio digestivo tradicional

Devido ao seu conteúdo em compostos amargos, o harpagófito também tem sido tradicionalmente utilizado para apoiar a digestão e estimular o apetite em situações pontuais de perda temporária do mesmo.

Benefícios Potenciais do Harpagófito

O uso mais conhecido do harpagófito está relacionado com o bem-estar articular. Pode ser uma opção de apoio para pessoas que procuram cuidar das suas articulações, especialmente quando existe rigidez ou desconforto ligeiro associado ao movimento.

Artrose e desgaste articular

Alguns ensaios estudaram a utilização de extratos de harpagófito em pessoas com osteoartrose. Os resultados sugerem uma possível melhoria da dor e da mobilidade em determinados casos, embora sejam necessários mais estudos de qualidade para confirmar o seu alcance e comparar adequadamente a sua eficácia com outras opções.

Dor lombar inespecífica

Revisões clínicas avaliaram o harpagófito na dor lombar inespecífica. Alguns preparados padronizados demonstraram benefícios a curto prazo em comparação com placebo, mas a qualidade da evidência é considerada, no máximo, moderada.

Recuperação em pessoas ativas

Em pessoas fisicamente ativas, o harpagófito pode ser interessante como complemento dentro de uma estratégia global de recuperação que inclua descanso, alimentação adequada, hidratação e planeamento do treino.

Como atua o Harpagófito?

Os mecanismos de ação do harpagófito não estão completamente definidos. A investigação sugere que os seus extratos podem modular diferentes vias relacionadas com a inflamação, incluindo mediadores como citocinas pró-inflamatórias e enzimas envolvidas na resposta inflamatória.

No entanto, convém evitar simplificar a sua ação como se atuasse da mesma forma que um fármaco anti-inflamatório. O harpagófito é uma planta com múltiplos compostos, e o seu efeito parece depender da combinação de vários mecanismos.

Quanto tempo demora a fazer efeito?

O harpagófito não costuma atuar como um analgésico imediato. Nos estudos e na utilização tradicional, os seus possíveis benefícios são normalmente observados após uma utilização contínua durante várias semanas. De forma orientativa, algumas pessoas podem começar a notar alterações entre as 2 e 4 semanas, embora a resposta individual possa variar.

Como Tomar Harpagófito

Cápsulas ou comprimidos

As cápsulas e os comprimidos são as formas mais utilizadas devido à sua comodidade e precisão. Permitem conhecer melhor a quantidade ingerida, especialmente quando são utilizados extratos secos padronizados em harpagósidos.

Extratos líquidos

Os extratos líquidos ou tinturas permitem ajustar a dose com facilidade, embora o seu sabor seja geralmente amargo. Em alguns casos contêm álcool, pelo que não são adequados para todas as pessoas.

Infusões ou decocções

A raiz de harpagófito também pode ser preparada em infusão ou decocção. Trata-se de uma forma tradicional de consumo, embora apresente uma desvantagem: é mais difícil conhecer a quantidade exata de princípios ativos ingeridos.

Dose orientativa

A dose depende do tipo de preparado, da concentração do extrato e do conteúdo em harpagósidos. Nos suplementos alimentares, é habitual encontrar doses de extrato seco na ordem dos 400-800 mg por dia, embora devam ser sempre seguidas as indicações do fabricante ou de um profissional de saúde.

Como referência de qualidade, a Farmacopeia Europeia inclui extratos secos de harpagófito com um teor mínimo de harpagósido. Por isso, ao comparar produtos, convém verificar tanto a quantidade total de extrato como o seu grau de padronização.

Qualidade do extrato: O que deve verificar?

Nem todos os produtos de harpagófito são iguais. Para avaliar a sua qualidade, convém ter em conta:

  • Parte utilizada: preferencialmente raiz secundária tuberosa.
  • Tipo de ingrediente: raiz pulverizada ou extrato seco.
  • Padronização: percentagem ou quantidade de harpagósidos por dose diária.
  • Dose diária real: não apenas a quantidade por cápsula, mas a quantidade total recomendada por dia.
  • Transparência da rotulagem: informação clara sobre concentração, modo de utilização e advertências.

Um extrato padronizado permite um maior controlo sobre a quantidade de compostos ativos ingeridos do que uma raiz em pó sem concentração declarada.

Harpagófito vs Outros Anti-inflamatórios Naturais

IngredienteUso habitualCompostos em destaqueQuando pode ser interessante
HarpagófitoBem-estar articular e desconfortos musculoesqueléticos levesHarpagósidosConforto articular, rigidez e desconfortos lombares leves
CúrcumaApoio antioxidante e inflamação de baixo grauCurcuminoidesBem-estar geral, saúde celular e apoio antioxidante
GengibreDigestão, náuseas e conforto muscularGingeróisDigestões pesadas, náuseas ou desconfortos musculares leves

Podem ser combinados?

Em alguns suplementos combinam-se ingredientes como harpagófito, cúrcuma, gengibre, colagénio, glucosamina ou condroitina. Estas combinações podem fazer sentido dentro de uma estratégia de cuidado articular, mas devem ser avaliadas as doses, a tolerância digestiva e as possíveis interações.

Efeitos Secundários do Harpagófito

O harpagófito costuma ser bem tolerado quando utilizado nas doses recomendadas, mas pode provocar efeitos adversos em algumas pessoas. Entre os efeitos adversos mais frequentes encontram-se:

  • Desconfortos digestivos.
  • Azia ou sensação de irritação gástrica.
  • Náuseas ligeiras.
  • Diarreia ocasional.

Caso surja qualquer reação inesperada, recomenda-se suspender a toma e consultar um profissional de saúde.

Contraindicações e Precauções

  • Gravidez e amamentação: Não se recomenda a utilização de harpagófito durante a gravidez nem a amamentação, salvo indicação expressa de um profissional de saúde, devido à falta de dados suficientes de segurança.
  • Problemas gastrointestinais: Pessoas com úlcera péptica, gastrite ativa, refluxo gastroesofágico importante ou outros problemas digestivos relevantes devem consultar um profissional antes de tomar harpagófito, uma vez que os seus compostos amargos podem aumentar a secreção gástrica.
  • Litíase biliar ou problemas da vesícula: Devido ao seu possível efeito sobre a secreção biliar, pessoas com cálculos biliares, obstrução das vias biliares ou doenças da vesícula devem evitar a sua utilização, salvo recomendação profissional.

Antes de tomar harpagófito, é recomendável consultar um profissional de saúde caso utilize medicamentos como:

  • Anticoagulantes ou antiagregantes: devido ao possível aumento do risco de hemorragia.
  • Antidiabéticos: devido à possível influência sobre o controlo da glicemia.
  • Anti-hipertensivos ou medicação cardiovascular: por precaução em pessoas com patologias prévias.
  • Anti-inflamatórios ou analgésicos de uso crónico: para evitar duplicações ou interações indesejadas.

Perguntas Frequentes sobre o Harpagófito

  • Para que serve o harpagófito?

    O harpagófito é tradicionalmente utilizado para apoiar o bem-estar articular, aliviar desconfortos articulares leves e favorecer o conforto musculoesquelético. Também tem sido utilizado para apoiar a digestão e estimular o apetite de forma pontual.

  • O harpagófito ajuda na artrose?

    Alguns estudos avaliaram preparações de harpagófito em pessoas com osteoartrose, observando possíveis melhorias na dor e na funcionalidade. Ainda assim, não deve ser considerado um tratamento substitutivo e recomenda-se consultar um profissional de saúde em casos diagnosticados.

  • Durante quanto tempo pode ser tomado?

    A duração dependerá do produto e do objetivo. Em geral, muitos protocolos utilizam períodos de várias semanas. Para utilizações prolongadas, especialmente superiores a 2-3 meses, recomenda-se consultar um profissional de saúde.

  • Tem efeitos secundários?

    Pode causar desconfortos digestivos, azia, náuseas ou diarreia em pessoas sensíveis. Também pode não ser adequado para pessoas com úlcera, refluxo importante, problemas biliares ou tratamentos farmacológicos específicos.

  • Pode ser tomado com colagénio?

    Pode ser combinado com colagénio, desde que não existam contraindicações individuais. O colagénio costuma estar orientado para o fornecimento de péptidos e aminoácidos estruturais, enquanto o harpagófito é mais utilizado como apoio ao conforto articular.

  • É melhor harpagófito ou cúrcuma?

    Não existe uma resposta única. O harpagófito pode ser mais interessante quando o principal objetivo é o conforto articular, enquanto a cúrcuma costuma ser escolhida como apoio antioxidante e para o bem-estar geral. Em alguns casos, podem ser combinados.

  • Os desportistas podem tomá-lo?

    Pode ser uma opção de apoio para pessoas ativas que procuram cuidar das suas articulações e favorecer a recuperação. No entanto, deve fazer parte de uma estratégia global que inclua descanso, nutrição adequada e um correto planeamento do treino.

Conclusão

O harpagófito ou garra-do-diabo é uma planta com uma longa tradição de utilização no cuidado articular e digestivo. A sua raiz contém harpagósidos e outros compostos bioativos que foram estudados pelo seu possível papel no conforto musculoesquelético.

Embora a evidência disponível seja promissora em áreas como os desconfortos articulares leves, a osteoartrose e a dor lombar inespecífica, os seus benefícios devem ser interpretados com prudência. A qualidade do extrato, a padronização em harpagósidos, a dose e a consistência da utilização são fatores fundamentais.

Bibliografia

  1. European Medicines Agency. European Union herbal monograph on Harpagophytum procumbens DC. and/or Harpagophytum zeyheri Decne., radix.
  2. European Medicines Agency. Assessment report on Harpagophytum procumbens DC. and/or Harpagophytum zeyheri Decne., radix.
  3. Cochrane. Herbal medicine for low-back pain.
  4. Gagnier JJ, van Tulder M, Berman B, Bombardier C. Herbal medicine for low back pain: a Cochrane review.
  5. Brien S, Lewith GT, McGregor G. Devil’s Claw (Harpagophytum procumbens) as a treatment for osteoarthritis: a review of efficacy and safety.

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2 comentários
    • Comecei hoje a tomar um remédio fabricado na França com extrato de Hargopphyton ( 150 mg em 3 cápsulas ) + Glucosamina + Condroitina .
      Tenho problema com as cervicais q me levam a dores de cabeça e tontura crônicas . Tb sofro c dores permanentes num dos joelhos e nas lombares.
      Faço fisioterapia há algum tempo, mas sem nenhuma melhora .
      Obrigada ?

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