A hidratação nos desportos de resistência assume uma importância quase vital e é fundamental para o desempenho ótimo do exercício, além da manutenção da saúde
Índice
Perda de Água pelo Suor
Muitos atletas de ultra-resistência não costumam satisfazer as suas necessidades de líquidos durante o exercício
Para a hidratação em desportos de resistência é importante tentar ter em conta todos os fatores que influenciam as alterações no peso corporal, além da perda de líquidos, e todas as fontes de entrada de água.
O aumento da temperatura ambiental e da humidade pode aumentar a taxa de sudação em aproximadamente 1 L/h.

Dependendo da variação individual, do tipo de exercício e da intensidade, as taxas de sudação podem variar desde valores extremamente baixos até mais de 3 L/h
Sobrehidratação e Hiponatremia
A sobrehidratação, embora não seja frequente, também pode apresentar problemas, assim como a composição inadequada dos fluidos
A hidratação excessiva em desportos de resistência ou as necessidades de fluidos durante um exercício de longa duração com calor e uma ingestão baixa ou insignificante de sódio podem resultar numa redução do desempenho.
Por vezes, hiponatremia (concentração de sódio no sangue muito baixa). Portanto, com grandes taxas de ingestão de líquidos, mesmo só para satisfazer as necessidades de líquidos, a ingestão de sódio é vital e uma maior concentração em bebidas (30 a 50 mmol/L – 1,7 a 2,9 g NaCl/L) pode ser benéfica.

Se for ingerida uma quantidade insuficiente de líquidos durante o exercício, o desempenho pode ser reduzido
Influência dos Hidratos de Carbono
Oxidação da Glicose
A inclusão de hidratos de carbono numa bebida pode afetar a taxa líquida de assimilação de água, sendo também importante para complementar as reservas endógenas como substrato para exercitar os músculos durante a atividade de ultra-resistência.
Para melhorar a absorção de água, recomendam-se glicose e/ou hidratos de carbono que contenham glicose (por exemplo sacarose, maltose) a concentrações de 3 a 5% em peso/volume.
Concentrações de hidratos de carbono acima deste valor podem ser vantajosas em termos de oxidação da glicose e manutenção da intensidade do exercício, mas não terão qualquer vantagem adicional.
Esvaziamento Gástrico
A taxa de perda de fluido pode exceder a capacidade do trato gastrointestinal para assimilar fluidos. O esvaziamento gástrico pode estar abaixo da taxa de perda de fluido e, por isso, a tolerância individual pode ditar a velocidade máxima de introdução de fluido.

Há grande variação individual na taxa de esvaziamento gástrico e tolerância a volumes maiores
Melhorar a Absorção de Água
A água, os eletrólitos e os hidratos de carbono são nutrientes essenciais para a manutenção da função fisiológica normal e o desempenho ótimo do exercício.
À medida que aumenta a duração e a intensidade do exercício, as perdas de fluidos e eletrólitos e os desequilíbrios compartimentais aumentam, a menos que as perdas sejam compensadas por ingestões apropriadas.
Não só o volume, mas também a composição é fundamental para assegurar a homeostase dos fluidos corporais totais (intracelulares e extracelulares, vasculares e intersticiais).

A ingestão de hidratos de carbono durante o exercício prolongado pode ajudar o desempenho, não só através de uma maior oxidação da glicose, mas também, indiretamente, através de uma melhor absorção de água
Reposição de Líquidos e Eletrólitos para a Saúde e Desempenho
Respostas Fisiológicas
Com uma taxa crescente de contração muscular e uma massa crescente de musculatura ativa, as exigências metabólicas aumentam assim como a produção de calor
As respostas fisiológicas compensatórias incluem um aumento na circulação e redistribuição do fluxo sanguíneo. Em particular, observam-se aumentos no fluxo sanguíneo para o músculo e a periferia (pele) e diminuição no fluxo abdominal (hepático e da veia porta).
Além destas alterações cardiovasculares, ocorre um aumento na produção de suor, cuja evaporação fornece o meio mais eficiente de perda de calor disponível para os seres humanos.

Perdas por Sudação
Durante o exercício intenso e/ou de longa duração, as perdas por suor podem reduzir substancialmente a água corporal
Praticamente não há armazenamento de água no corpo, com exceção talvez da água armazenada com glicogénio muscular (que é necessária para o metabolismo desse glicogénio), e da que está na bexiga, que não está disponível para contribuir para as necessidades de líquidos.
Também aumenta durante o exercício principalmente através de um aumento na respiração e na evaporação do líquido das vias respiratórias
Mecanismo de Arrefecimento
Se forem ingeridos fluidos em quantidades suficientes para compensar as perdas de fluido, consegue-se o manutenção dos mecanismos endógenos de arrefecimento.
No entanto, se ocorrer um défice de líquido durante o exercício, o volume plasmático e o volume sistólico reduzem-se.
A frequência cardíaca aumenta e o debito cardíaco diminui num dado ponto, devido à incapacidade da frequência cardíaca para compensar a redução do volume sistólico, e a temperatura do núcleo eleva-se.

Fadiga durante o Exercício
Em contraste, com a ingestão de líquidos durante o exercício, estas respostas são atenuadas
Vários autores demonstraram que o fluxo sanguíneo dos músculos em exercício diminui com a desidratação durante o exercício. Estes autores também demonstraram que a fadiga associada à desidratação durante o exercício está altamente correlacionada com a alta temperatura corporal.

Parece haver uma temperatura corporal interna crítica em que a fadiga ocorre apesar de variar as temperaturas corporais iniciais ou a velocidade a que ocorre o armazenamento de calor
Suplementos para Reposição de Líquidos e Eletrólitos
A importância relativa dos suplementos de hidratos de carbono e líquidos durante o exercício pode variar, como resultado da variação nas taxas de sudação e utilização de hidratos de carbono.
Em condições mais frescas, com menores taxas de sudação e exercício prolongado de moderado a intenso, as reservas de glicogénio podem tornar-se limitantes antes que a desidratação seja significativa.
Pelo contrário, em condições quentes e húmidas, quando as taxas de sudação são elevadas, o défice de líquido pode limitar o desempenho antes que as reservas de hidratos de carbono se tornem limitantes do desempenho.
Como consequência, não só o fluido, mas também os hidratos de carbono podem ser limitantes para o desempenho num determinado esforço de ultra-resistência e, como tal, a suplementação deve ter em conta as duas necessidades para garantir uma correta hidratação nos desportos de resistência.
A sudação não só resulta em perdas de água, mas também em perdas de eletrólitos.

Recomendações
Necessidades Individuais
O volume de fluido a ingerir deve ser determinado individualmente e ajustado à tolerância, tentando satisfazer as necessidades.
Estas necessidades individuais devem ser avaliadas através das alterações no peso corporal, corrigir a ingestão de líquidos e ajustar as perdas metabólicas de peso corporal e a produção metabólica de água sempre que possível.
Experimentar antes da Competição
Para assegurar uma hidratação ótima nos desportos de resistência, as bebidas devem ser testadas nos treinos para garantir que não causam qualquer problema, pois se forem testadas numa competição podem piorar o desempenho se não forem bem toleradas.
Fontes
- Gonzalez-Alonso, J., Calbet, A. L., Nielsen, B. (1998) Muscle blood flow is reduced with dehydration during prolonged exercise in humans. J Pysiol.
- Gonzalez-Alonso, J., Teller, C., Andersen, S. L., et al. (1999). Influence of body temperatura on the development of fatigue during prolonged Exercise in the heat. J Appl Pysiol.
- Gonzalez-Alonso, J., Nielsen, B. (1999). Metabolic and thermodynamic responses to dehydration induced reductions in muscle blood flow exercising humans. J Physiol.
- Hargreaves, M. Dillo, P., Angus, D., et al. (1996). Effect of fluid ingestión on muscle Metabolism during prolonged Exercise. J Appl Physiol.
- Sawka, M., Pandolf, K. (1990). Effects of body water on physiological function and Exercise performance. Perspectives in Exercise science and sports medicine.
- Maughan, R. J. (1991). Fluid and electrolyte loss and replacement in Exercise. J Sports Sci.
- Vrijens, D. M., Rehrer, N. J. (1999). Sodium-free fluid ingestión decreases plasma sodium during Exercise in the heat. J Appl Physiol.
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