Stress oxidativo e treino: antioxidantes necessários?

Stress oxidativo e treino: antioxidantes necessários?

Tão falado no mundo do desporto, o stress oxidativo refere-se ao desequilíbrio entre a produção de pró-oxidantes e a capacidade de um sistema biológico de desintoxicar rapidamente os reagentes intermédios.

O que são os Radicais Livres?

Átomos ou grupos de átomos que têm um eletrão desemparelhado com capacidade para emparelhar, pelo que são muito reativos. Estes radicais percorrem o nosso organismo tentando roubar um eletrão às moléculas estáveis, para alcançar a sua estabilidade electroquímica.

Átomo y Radical Libre

No momento em que isto acontece, cria-se um composto quimicamente desestabilizado, que fica também obrigado a captar o eletrão que “lhe foi roubado” de outra molécula próxima, e esta por sua vez de outra (reação em cadeia)

Radicais Livres aceleram o envelhecimento

A ação dos radicais livres resulta numa erosão da membrana celular ou das cadeias de ADN e ARN. As erosões na membrana celular vão diminuindo a sua permeabilidade e, por isso, a sua função, de modo que, com o passar do tempo, a percentagem de células danificadas vai aumentando até atingir níveis de 50 % na velhice; o que constitui a base do envelhecimento e abre portas a doenças.

Envejecimiento y Radicales Libres

Quais são os Radicais Livres?

Os radicais livres mais comuns podem dividir-se em três grupos:

  1. ROS (espécies reativas do oxigénio): anião superóxido (-O2-), peróxido de hidrogénio (H2O2) e radical hidroxilo (-OH). Formados em processos de oxidação aeróbica dentro das mitocôndrias.
  2. RNS ou NOS (espécies reativas do azoto): peroxinitrito (ONO2-) proveniente da oxidação do NO.
  3. Espécies radicais secundárias, que se iniciam a partir de radicais livres: peroxidação lipídica, carbonilos proteicos, nitrotirosina…

Formación Radical Libre

Antioxidantes para controlar os níveis de Radicais Livres

Um antioxidante é uma molécula que protege outras da oxidação, oxidando-se a si mesma (reações com cobre e ferro) e transformando-se em compostos não prejudiciais. Além disso, criam um ambiente favorável para que outros antioxidantes atuem (mecanismo em cascata).

Efecto Antioxidantes

O nosso próprio corpo produz radicais livres em quantidades moderadas para combater bactérias e vírus, que depois são facilmente neutralizados pelo nosso próprio sistema

Sistemas Antioxidantes do Organismo

O organismo humano, por apresentar metabolismo aeróbico, possui sistemas detoxificadores ou antioxidantes próprios. Entre eles encontram-se:

  • SISTEMAS ENZIMÁTICOS: Catalase e superóxido dismutase (SOD); além de outros como GPX, TPX, GRX, TRX…
  • SISTEMAS NÃO ENZIMÁTICOS: Destacam-se o glutationa (GSH), ácido úrico e bilirrubina. O GSH é um tripéptido sintetizado no fígado que contém um grupo sulfídrilo ou tiol (-SH), que o torna ideal para atenuar o efeito dos radicais livres, sendo o elemento central de muitos sistemas detoxificadores enzimáticos (GSH peroxidase e GSH redutase, ligados ao selénio).
  • ALIMENTAÇÃO: ácido ascórbico (vitamina C) e carotenoides (em frutas e legumes); tocoferóis e vitamina E (sementes, alguns óleos vegetais e azeite virgem), polifenóis de frutos vermelhos; minerais (Se, Fe, Cu, Zn); flavonoides, etc. ros
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Stress Oxidativo e Exercício Físico

Tão falado no mundo do desporto, o stress oxidativo refere-se ao desequilíbrio entre a produção de pró-oxidantes e a capacidade de um sistema biológico de desintoxicar rapidamente os reagentes intermédios (antioxidantes). Pode ocorrer por dois motivos:

  1. Excesso de formação de ROS e RNS
  2. Défice de sistemas AOX.

Ejercicio Aeróbico y Radicales Libres

Em qualquer dos casos, sabe-se que um elevado nível de stress oxidativo origina danos nas macromoléculas e alteração dos mecanismos de sinalização e controlo das reações redox

O Treino Aeróbico aumenta os Radicais Livres

A prática desportiva provoca um aumento dos radicais livres devido ao aumento do consumo de oxigénio e dos processos oxidativos em relação ao estado de repouso. Entre as vias que podem explicar este aumento da produção de ROS e RNS, aceita-se que a principal é a cadeia transportadora de eletrões mitocondrial, responsável por mais de 90 % do VO2 celular.

Ejercicio Resistencia

Além disso, e dado que a sua capacidade oxidativa é maior, associam-se as fibras tipo I e o treino aeróbico a uma maior produção de radicais livres do que as fibras tipo II e o treino anaeróbico (pesas)

XANTINA OXIDASE (XO): É uma via alternativa à clássica, mas que também gera ROS. Após a degradação de ATP para obter energia e a sua conversão em hipoxantina, via purinas, a XO é uma enzima que catalisa a oxidação da hipoxantina a xantina, podendo depois catalisar a oxidação da xantina em ácido úrico. Neste processo obtêm-se dois anións superóxidos. Pelo fenómeno de isquemia-perfusão (tecidos como renal, fígado ou intestino) reduzem a sua circulação devido ao desvio sanguíneo para órgãos de maior procura metabólica.
celula

Ao terminar o exercício, a reperfusão imediata leva os radicais livres a estas zonas, podendo também ocorrer lesões a este nível.

Efeitos dos Radicais Livres sobre o músculo esquelético

Modulação da produção de força

Existe um estado redox celular ótimo para a produção de força muscular (“hormese”). hormesisIndução à fadiga muscular

A fadiga muscular define-se como a redução causada pelo exercício na capacidade de gerar força pelo músculo esquelético. Um dos fatores responsáveis é o stress oxidativo: demonstrou-se que os ROS atuam sobre as proteínas miofibrilares diminuindo a sua sensibilidade ao Ca2+. O aparecimento da fadiga muscular pode ser retardado em períodos de grande carga com antioxidantes como a N-acetil-cisteína (NAC), doadora de tióis (-SH), que permite a ressíntese da glutationa (antioxidante endógeno).

Resposta adaptativa ao exercício

Por um lado, se falarmos de respostas agudas a uma sessão única de exercício, produz-se um aumento do stress oxidativo, mas se atendermos às respostas crónicas ao exercício, há certos benefícios em sofrer danos agudos repetitivos associados a este stress oxidativo.

A evidência experimental apoia a ideia de que, como consequência do treino físico habitual, os ROS atuam como indutores dos sistemas antioxidantes, especialmente no músculo esquelético.

ROS

Tudo isto acontece pela ativação das vias de sinalização redox, que permitem mudanças na expressão genética e enzimática: na maioria dos estudos, ↑ SOD e GPX; enquanto a CAT não mostra aumentos tão significativos

Extracto de Triphala de EssentialSeries

Extrato de Triphala da EssentialSeries

Antioxidantes para Reduzir o Stress Oxidativo

Como se viu anteriormente, os antioxidantes têm um papel essencial para neutralizar os ROS, onde o nosso próprio corpo conta com mecanismos para os combater. Por vezes, este equilíbrio na geração de substâncias reguladoras pode ser afetado. Além disso, pode não ser o mais indicado incorporar antioxidantes em momentos próximos do treino.

Antioxidantes Contrarrestan Estrés Oxidativo

Por isso, salvo em mesociclos onde se siga uma dieta hipocalórica com alta carga de treino (especialmente, alto volume ou treino aeróbico, como parte de um planeamento competitivo), a inclusão de suplementos antioxidantes pode não ser totalmente eficaz, para além dos que já aporta a dieta, embora deva sempre ser individualizada

Fontes

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  • Dekany, M., Nemeskeri, V., Györe, I., Harbula, I., Malomsoki, J., & Pucsok, J. (2006). Antioxidant status of interval-trained athletes in various sports.International journal of sports medicine, 27(2), 112-116.
  • Gómez, C. M. C., & Ribes, J. V. (2004). Papel de los radicales libres en el ejercicio físico agotador. Efecto de la administración de antioxidantes. Departamento de Fisiología. Valencia, Universidad de Valencia (Tesis Doctoral).
  • Kanter, M. M. (1994). Free radicals, exercise, and antioxidant supplementation. International journal of sport nutrition, 4(3), 205-220.
  • Salinas, J. G. (2007). Función de los complementos antioxidantes durante el ejercicio. Medicina Interna de México, 23(3).
  • Wagner, K. H. (2014). Antioxidants in Sport Nutrition. Antioxidants in Sport Nutrition, 67.

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