Guia de Treino de Basquetebol por Posições 2ºs Bases

Guia de Treino de Basquetebol por Posições 2ºs Bases

O que define um 2º base? É o jogador que ocupa a posição de “2” no quinteto que está em campo. No seguinte post vamos conhecer mais sobre a posição, as características de dito jogador, mas sobretudo como deve treinar para alcançar o seu máximo rendimento. Começamos com o Guia de Treino de 2ºs bases!

Os seus principais papéis em campo são…

Determinantes extremo base

  • Apoiar o base no processo de subida da bola, especialmente quando a equipa adversária pressiona em defesa em todo o campo.
  • Apoiar as ações ofensivas do base como ponto de passe, jogador de bloqueio, jogador de arrasto defensivo, etc.
  • Ações próprias de um jogador exterior: penetração e lançamento.

Da mesma forma do resto das posições, as determinantes de rendimento do jogador indicam-nos qual é o foco que devemos seguir no seu treino para conseguir melhorar. Neste caso, o 2º base é uma exceção, já que por causa das suas semelhanças técnico/táticas com a posição de base, normalmente englobam-se ambas as posições dentro da mesma categoria:

“point guard (base) / shooting guard (2º base)”

categorização clássica entre posições de basquetebol

Figura I. Exemplo de categorização clássica entre posições de basquetebol.

Este é o motivo por que existe muito pouca literatura que distinga as posições de 2º base e base. De facto, o treino proposto no guia de treino para bases é perfeitamente extrapolável à posição de 2º base.

Ah! Não sabes do que estou a falar? Faz click aqui para descubrir.

Vamos lançar um pouco mais de luz sobre esta posição.

Harden nba extremo base

Base e 2º base, é exatamente o mesmo?

Tanto o base como o 2º base são posições computáveis, ambos são resistentes e ágeis e possuem um manejo de bola excecional, além de uma grande compreensão tática.

Vejam o dinamismo da jogada de Philip Scrubb e a visão de jogo no passe a Víctor Arteaga no seguinte vídeo de Movistar Estudiantes:

Ainda assim, existem leves diferenças entre ambas as posições que nos podem indicar o que nos interessa mais desenvolver nos nossos 2ºs bases como fator especializador:

Cui et al. (2019) analisaram as variáveis antropométricas e fisiológicas dos jogadores selecionados (e não selecionados) para o Draft da NBA entre os anos 2000 e 2018, em função das suas posições.

O artigo é uma revisão profunda que qualquer jogador de basquetebol terá interesse em ler. No entanto, para o nosso interesse, podemos comprovar que os autores nos indicam que:

Os 2ºs bases do Draft são mais altos e pesados; porém, são igualmente rápidos e ágeis; mas saltam menos do que os bases do Draft.

Qual é então o trabalho do 2º base?

Antes de facultar mais informação, deixo-vos com um vídeo onde os próprios 2ºs bases da Liga Endesa ACB descrevem as condições que um jogador na sua posição deve ter…

Como vimos anteriormente, podemos ter uma imagem mental daquilo que se está a passar no que diz respeito aos 2ºs bases:

  • Necessitam de apoiar o base nas jogadas ofensivas; bloqueiam, fazem mancha, e jogam como base quando é necessário; necessitam de ser fortes e por isso pesam mais.
  • Pesam mais, portanto saltam menos, um sinal indicador de que frequentemente se treina indistintamente aos bases e aos 2ºs bases, fazendo que estes não desenvolvam todo o seu potencial de salto.
  • Devem penetrar na zona da equipa contrária, por isso a sua agilidade e velocidade está desenvolvida ao máximo (quase tanto como a de qualquer jogador de basquetebol).

Os 2ºs bases são um híbrido entre os bases e os extremos, devem ser equilibrados e desenvolver o máximo potencial possível de ambas as posições, de forma equilibrada para alcançar o máximo rendimento.

Os 2ºs bases são os jogadores mais polivalentes que vais encontrar num campo de basquete!

Juan Carlos-navarro extremo base espanhol

Como treinar os 2ºs bases?

Em geral, igualmente que os teus bases, deves desenvolver a sua velocidade, a sua resistência, a sua capacidade de reação face de estímulos, a sua visão e compreenssão tática do jogo, e a sua técnica com bola e sem bola, móvel ou estático.

No post referente ao treino específico para bases já deixámos uma série de exercícios que se podem recuperar para os 2ºs bases, mas também vamos acrescentar mais um.

Já sabem que, por norma, prefiro treinar os jogadores de basquetebol através de jogos reduzidos porque permitem aos jogadores desfrutar muito mais e os resultados são iguais ou inclusivamente superiores a outros métodos mais tradicionais.

Exemplo prático 1

Nesta ocasião, vou propôr uma progressão de 6 semanas baseada na prática de jogos reduzidos para o desenvolvimento da agilidade, resistência, potência, e habilidades técnicas do basquetebol.

Exemplo treino extremo base baloncesto

Este sistema vai continuar durante as 6 semanas, todos os dias de treino, com as seguintes características:

  • Ao início do treino.
  • Depois de um aquecimento standard.
  • 2 vs 2.
  • Campo completo em comprimento (28m).
  • Meio campo em largura (7,5m).

O grupo com o qual se comparou, treinava um sistema tradicional de HIIT com a intensidade standard e duração equivalente ao modelo de SSG (o proposto anteriormente).

Os resultados foram os seguintes – ainda que ambos os grupos melhoraram (podem ver os detalhes na tabela 2 do artigo), aquele grupo que treinou a jogar com o 2 vs 2 melhorou mais a capacidade aeróbica, a agilidade defensiva, as habilidades de lançamento e a potência do trem superior.

Se o nosso interesse era desenvolver mais jogo e menos intensidade, em vez de um 2 vs 2, um 3 vs 3, talvez tivesse melhorado mais as habilidades de passe, que neste caso não melhoraram tanto como seria de esperar neste aspeto.

Exemplo prático 2

Os autores do artigo anterior recomendam-nos implementar treinos baseados em jogos reduzidos de forma sistemática no nosso treino; ainda assim, indicam-nos que devemos treinar a força dos jogadores através de outros sistemas.

Encontramos dois perfis de jogadores nas nossas equipas: aqueles que gostam do físico e aqueles que o detestam.

Para os primeiros, as sessões fechadas no ginásio são as mais recomendáveis, o preparador físico pode organizar os programas individualizados dos jogadores em função das avaliações que lhes fizeram na pré-temporada e das carências que tenham detetado.

Aqui explico-te tudo o que tens que saber para aprender a treinar no ginásio!

No que diz respeito aos jogadores do segundo grupo… É possível que tenhamos que introduzir sessões pontuais de treino com cargas, sobretudo chegados a certo ponto onde pedimos um certo nível de desenvolvimento físico para não ficar para trás. No entanto, o preparador físico pode dirigir sessões dinâmicas que motivem estes jogadores e sejam igualmente eficientes; refiro-me ao ensaio de Hernández et al., (2018).

Bryant nba treino extremo base

Os autores propuseram um método de treino para o desenvolvimento da potência do trem inferior, a velocidade, a estabilidade, e da agilidade no câmbio de direção dos jogadores de basquetebol, como alternativa pontual ao treino tradicional com cargas. O esquema consistia no seguinte:

  • 7 semanas de treino pliométrico.
  • 2 sessões por semana.
  • Foram incluidos saltos unilaterais, bilaterais, horizontais, verticais, laterais, diagonais, de giro, de retorno, cíclicos e acíclicos.

Veremos que a seleção de exercícios utilizada é muito estranha, na verdade, mas por isto é porque queriam cobrir todos os vetores de movimento possíveis.

  • 10 exercícios por sessão.
  • 1 série por exercício.
  • 5 segundos de descanso entre saltos acíclicos e 60 segundos entre exercícios.

Um dos 2ºs bases mais completos e recordados da historia da NBA é Kobe Bryant. Não percas a oportunidade de ver as suas melhores jogadas neste vídeo…

A sequência realizada foi a seguinte:

Exemplo treinos extremo base basquetebol

Os resultados foram os seguintes: ainda que todos os grupos melhoraram (inclusivamente o controlo, que foi aquele grupo que durante o tempo que estes jogadores faziam as sessões de pliometria, continuavam a treinar basquetebol tradicional), os grupos de treino pliométrico melhoraram mais.

Resultados ponderados pré pós intervenção entre grupos

Figura II. Resultados ponderados pré-/pós- intervenção entre grupos. Adaptado de Hernández et al., (2018).

Podem entender que existem dois grupos: NRG e RG, e que o segundo melhorou mais que o primeiro.

Bem, isto deve-se a que os investigadores queriam comprovar se o facto de tornar aleatório as tarefas resultava melhor do não o fazer, e isso parece ser verdade; pelo que, enquanto preparadores físicos, é interessante que se possa escolher todos estes exercícios e que os mesmos se tornem aleatórios, de forma a que os jogadores não saibam a ordem em que os têm que executar, e que sejam vocês quem lhes vá dizendo à medida que o treino vai decorrendo.

Em suma, acho que falo demais! Este plano de treino, juntamente com as propostas do artigo dos bases, vai-te catapultar para o mais alto da FIBA.

Antes de terminar, quero deixar uma seleção de jogadas de um dos 2ºs bases espanhóis mais importantes da historia: Juan Carlos Navarro. Carrega Play e desfruta!

Referências Bibliográficas

Avaliação Guia de Treino para 2ºs bases

O que é um 2º base - 100%

Diferenças com a posição de Base - 100%

Como deve treinar - 100%

Dois exemplos práticos - 100%

100%

HSN Evaluação: 5 /5
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Sobre Alfredo Valdés
Alfredo Valdés
Especialista e treino de fisiopatologia metabólica e nos efeitos biomoleculares da alimentação e o exercício físico, com os seus artigos, vai levar-te no complexo mundo da nutrição desportiva e clínica, de forma simples e desde uma perspectiva crítica.
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