Determinantes fisiológicas de Alto Rendimento no Basquetebol, como os desenvolver?

Determinantes fisiológicas de Alto Rendimento no Basquetebol, como os desenvolver?

O basquetebol é um desporto de equipa de intensidade intermitente, baseado na repetição cíclica de jogadas de ataque e defesa, e frequentes câmbios no movimento. Os peíodos de atividade de alta intensidade (sprint e movimentos basculantes de desequilíbrio)) intercalam-se com períodos de baixa ou moderada intensidade (trotar, caminhar ou estar parado). Por isso, existem uma série de determinantes fisiológicas para o basquetebol.

Podemos dizer que é o desporto de equipa que mais saltos expressa de entre todas as modalidades desportivas possíveis, mais inclusivé que o voleibol.

Ok, já percebemos. Vamos treinar!

Como treinar basquetebol

Queres ampliar informação sobre o baquetebol, as suas características e que suplementos deves utilizar? Clica no link y lee el post.

Primeiras dúvidas de treino

No entanto, até os melhores treinadores do mundo chocam com algum dos seguintes aspetos:

  • Como devo preparar fisicamente os meus jogadores?
  • É mais importante o trabalho aeróbico que o anaeróbico?
  • E como o posso saber?
  • Preparação física com bola ou sem bola?

Uff… 20 voltas ao campo toda a equipa!

Tranquilo… Não fiques frustado! Sejas um jogador amador ou profissional, o treinador de uma equipa que compete a nível local ou da Eurocup; vou explicar-te o que nos dizem as análises de jogo sobre este desporto.

Necessidades do basquetebol

O objetivo? Que possas saber o que é o mais importante a desenvolver.

Desta forma, em futuros artigos posso explicar como melhorar os aspetos críticos que determinam o rendimento físico de um jogador.

Antes de começar a desvendar um aspeto tão complexo, gostaria que, se és um leitor que não está habituado à análise de jogo no basquetebol, saibas que o scouting é um processo de análise bastante denso, e não é agradável estar a ver tabelas de frequências umas após outras. No entanto, o conhecer as determinantes fisiológicas no basquetebol é importante.

Aos jogadores habitualmente se lhes apresentam recursos visuais (fichas, gráficos, e vídeos), para que não percam a cabeça com as análises. Prometo tentar fazer o artigo o mais simples e visual possível, dentro das limitações deste tipo de análises, ok?

Vamos a isto!

Para que já possam meter-se no assunto preparámos um gráfico sobre o que iremos desenvolvendo posteriormente de maneira algo mais extensa. Teorias e exemplos visuais vão-te acompanhar ao longo de todas as explicações para o fazer o mais exemplificado possível.

Determinantes fisiologicos alto rendimiento basquetebol

Para terminar esta introdução apenas uma coisa mais que quero deixar claro, relacionada com as principais diferenças entre posições:

  • Os bases são menos pesados e mais baixos, são os que têm maior resistência e toleram melhor a fadiga; e são os que mais saltam.
  • No caso dos poste (pívots), são os mais pesados e altos, são aqueles capazes de exercer mais força absoluta.
  • Por último, os extremos (aleros) são os jogadores mais equilibrados, um ponto intermédio entre base e poste (pívot), que necessita aproveitar as vantagens de cada um ao máximo. Jogadores todo-terreno!

Perfil Antropométrico do jogador de Basquetebol

Antes de começar, é importante ressaltar quais são as características corporais standard de um jogador de alto rendimento.

Porque sim, existem padrões ideais de altura, peso, massa muscular, idade… para os competidores de alto rendimento de diferentes desportos. Algumas variáveis têm mais peso ou mais homogeneidade que outras, mas quanto mais te afastes delas mais extraordinário resulta que alcances esse nível.

Caracteristicas antropometricas

Tabela I. Características antropométricas que determinam o rendimento entre divisões. A vermelho é o pior e a verde o melhor. Adaptado de Ferioli et al. (2018)

A tabela anterior mostra as características de idade média, estatura em centímetros, peso corporal e percentagem de gordura corporal dos jogadores da Série A, A2, B e D da liga italiana de basquetebol.

Antropometrias desempenho

Figura I. Características antropométricas que determinam o rendimento entre 1ª e 4ª divisão. Idade quanto mais baixa, melhor; Estatura quanto mais alta, melhor; Peso quanto mais alto, melhor; Massa gorda quanto mais baixa, melhor. Adaptado de Ferioli et al. (2018)

A “bote rápido” 😉 podemos ver que existem várias diferenças significativas na altura e massa corporal. Também na idade, mas isso é inerente ao nível de mestria que precisas para jogar na máxima categoria.

Quanto mais alto fores e mais massa magra tiveres, mais rendimento expressas no basquetebol. São determinantes fisiológicas do basquetebol.

Desempenho posicoes diferentes

Tabela II. Características antropométricas que determinam o rendimento entre posições. Em vermelho é o pior e em verde o melhor. Adaptado de Ferioli et al. (2018)

Também existem diferenças entre posições, sendo as mais evidentes:

  • Os bases são 11cm mais baixos que os extremos, e 17cm mais baixos que os extremos!
  • Também são mais leves, chegando a pesar 23kg menos que os extremos.

Também é lógico, naõ? Os bases, pelo seu estilo de jogo necessitam ser jogadores mais leves, enquanto que um extremo pode ser mais alto.

Não confundamos o extremo com a figura do ‘5’, poste baixo, pesado e torpe que sempre foi associado. Isso nestas divisões não funciona assim. Um extremo deixa-te boquiaberto com a sua habilidade sobre o manejo da bola.

Base pivot nba diferenças

Solução?

A altura é a variável independente: se medes 1,90… não vais ser um extremo competitivo, por desgraça. Assegura-te de melhorar o teu manejo de bola! A tua posição, em caso de chegar a alto rendimento, será base.

Treina e alimenta-te em função da tua altura, procura alcançar um peso corporal próximo ao expressado por um jogador de alto rendimento. Para isso deves compreender:

  • A importância que possui o treino de força.
  • A necessidade de comer. Os jogadores de basquetebol não são pessoas magras. São fortes e têm que comer. Isso não significa engordar, já que a percentagem de gordura que expressam os jogadores se situa em intervalos normais: entre 9 e 14%. Deves cuidar a tua alimentação, assegurando-te de consumir suficiente proteína e calorias diárias, mas sem excessos.

Perfil Fisiológico do jogador de Basquetebol

Passemos agora às características das capacidades físicas que deve manifestar um jogador.

1. Potência aeróbica

Submeteram-se os jogadores a um Teste de Mognoni, talvez a algum leitor lhe seja familiar, ou não… É uma prova que não se realiza muito em Espanha. Em Espanha (por exemplo) utiliza-se mais o Teste de Cooper, que de certeza que já ouviram falar, verdade? Que bons ‘alunos’ nas aulas de Educação Física 🙂

O de Mognoni consiste em correr durante 6 minutos numa passadeira a uma velocidade constante de 13,5km/h.

Potencia aerobica tabela

Tabela III. Perfil de potência aeróbica que determina o rendimento entre divisões. Em vermelho é o pior e em verde o melhor. Adaptado de Ferioli et al. (2018)

La primera fila de valores faz referência à quantidade de lactato (mmol/L) acumulado, enquanto que a segunda faz referência à frequência cardíaca. Interpretar os dados é simples se conheces as bases fisiológicas de cardiologa, mas explicá-lo não é simples nem breve, assim que faço um resumo:

  • O coração dos jogadores profissionais é maior. As suas cavidades têm mais capacidade, pelo que necessita bater menos vezes por minuto para alcançar as mesmas necessidades (também conhecido como que en cada batimento expulsa mais sangue).
  • O umbral aeróbico é mais alto nos jogadores profissionais; isto é, são capazes de aguentar mais tempo um esforço sem disparar o consumo de oxigénio e portanto aumentar as necessidades energéticas (isto é,são capazes de manter mais intensidade aeróbica e produzir menos fadiga).

Potencia aerobica

Figura II. Perfil de potência aeróbica que determina o rendimento entre 1ª e 4ª divisão. Lactato quanto mais baixo, melhor; FC quanto mais baixa, melhor. Adaptado de Ferioli et al. (2018)

Como podem ver, a capacidade de um jogador de primeira vs um jogador de segunda divisão é semelhante, pelo que o fator diferenciador é a habilidade. Por seu lado, as capacidades físicas podem ser mais relevantes para alcançar um ponto de alto rendimento. Uma vez aí, não marcam grandes diferenças já que todos possuem valores máximos muito semelhantes.

Perfil potencia aerobica

Tabela IV. Perfil de potência aeróbica que determina o rendimento entre posições. Em vermelho é o pior e em verde o melhor. Adaptado de Ferioli et al. (2018)

Conseguem adivinhar? Os bases estão melhor adaptados cardiorrespiratoriamente que os extremos, e estes por seu lado melhor que os pívots. De novo não nos confundamos, também se deve a que os pívots pesam 20kg mais de média e o seu tecido muscular tem uma maior necessidade de sangue oxigenada.

Mas, seja como for, os bases estão mais adaptados, e também o necessitam, pelo que são aqueles que necessitam maior desenvolvimento desta capacidae.

Máxima potencia aerobica

Figura III. Perfil de máxima potência aeróbica, medindo VO2máx relativo (Eixo Y) no Teste BEST, tempo (eixo X). Extraído de Laltzel et al. (2018)

O consumo máximo de oxigénio dos jogadores de basquetebol é de 57,6ml/kg/min. O consumo máximo de oxigénio é a máxima quantidade de oxigénio que um organismo pode utilizar por quilograma e por minuto.

Para que tenham uma ideia do preparados que estão fisicamente: o consumo máximo de oxigénio médio de um jogador de hockey júnior, saudável e ativo, é de 54,4ml/kg/min (Latzel, 2017). Isto é, o de um jogador de basquetebol é 5,88% superior à média, que em valores relativos é muita diferença.

Para não dizer que a sua tolerância cardíaca ao esforço é tremendamente alta. Num teste máximo alcançaram uma média de 202 pulsações por minuto, que num sujeito treinado é uma frequência cardíaca elevada; e uma tolerância a 9,1mmol/L de lactato, uma boa adaptação.

Dados que mostram que a preparação física de um jogador de basquetebol é realmente exigente. Mais determinantes fisiológicas no basquetebol.

Treino físico basquetebol

A Solução?

Correr, nadar, bicicleta… ou sistemas de jogo contínuos, devemos melhorar a capacidade dos nossos jogadores em manter exercício físico de moderada intensidade durante um tempo longo.

Por exemplo, um sistema adequado pode ser um clássico treino contínuo intensivo:

30-60’ de duração a 130-140 pulsações por minuto

O treinador pode decidir colocar os jogadores a correr ou fazer sessões mais animadas, com gestão de bola e modelos jogados. Depende do que se queira complicar no desenho, porque os jogadores percebem um grande câmbio ao nível de motivação entre ambas as manifestações do mesmo sistema.

Este tipo de preparação deve realizar-se na pré-temporada.

2. Capacidade anaeróbica

Perfil capacidade anaerobica

Tabela V. Perfil de capacidade anaeróbica que determina o rendimento entre divisões. A vermelho é o pior e em verde o melhor. Adaptado de Ferioli et al. (2018)

Capacidade anaerobica

Figura IV. Perfil de capacidade anaeróbica que determina o rendimento entre 1ª e 4ª divisão. Lactato quanto mais baixo, melhor; H+ quanto mais baixo, melhor, HCO3 quanto mais alto, melhor; FC quanto mais baixo, melhor. Adaptado de Ferioli et al. (2018)

Os resultados mostram claramente que os profissionais possuem uma capacidade muitíssimo maior de controlar os sub-produtos do metabolismo da glucólise anaeróbica que jogadores de 3-4ª divisão.

O que quer dizer isto?

Quando aumentamos a intensidade do exercício físico, o nosso organismo começa a necessitar muita energia para poder satisfazer as exgências musculares, e para isso ativa sistemas de obtenção de energia de alta densidade e baixa capacidade.

Como o da glucólise extramitocrondrial, que produz energia de forma rápida a partir da descomposição da glucose sem presença de oxigénio.

Processo glicolise

Figura V. Representação gráfica do processo de glucólise (obtenção de energia a partir de glucose) em presença (- intensidade) y ausência (+ intensidade) de oxigénio.

Neste processo produz-se lactato, que se reintegra de novo na glucose no ciclo de cori (passaremos a explicá-lo noutro momento), e hidrogeniões. Éstos últimos são catiões que se acumulam no interior das células musculares e diminuem o seu pH através de mecanismos bioquímicos que não é útil por ora explicar.

Até que as fibras musculares perdem a capacidade de contrair-se; e se não a perdem, não te preocupes que já paras tu, porque…

Sabes essa sensação de ardor que experimentas quando te põem a fazer equilíbrio defensivo abanando? Isso, são os hidrogeniões acumulando-se.

As concentrações de HCO3 também são menores nos jogadores da 4ª divisão. Esta substância é a principal tampa do nosso organismo. Isto é, é a principal substância que se encarrega de retirar os hidrogeniões que se produzem. Menos HCO3 = Menos resistência à fadiga.

Por isso os jogadores da 4ª divisão aguentaram 21,74% menos num teste semelhante ao anterior que os jogadores da 1ª divisão.

E o que se passa nas posições? adivinhas? Efetivamente!

Capacidade anaerobica posiçoes

Tabela VI. Perfil de capacidade anaeróbica que determina o rendimento entre posições. A vermelho é o pior e a verde o melhor. Adaptado de Ferioli et al. (2018)

Os bases têm uma capacidade superior aos extremos, e estes superior os pívots para tolerar esforços de carácter anaeróbico.

A Solução?

Desenvolver esta manifestação é complexa, já que não se pode dar uma recomendação geral para toda a gente. Além disso, nem todos os atletas vão poder manifestar a mesma intensidade.

Mas, mesmo que se possam rir de mim… se são jogadores ou treinadores com uma equipa hábil, em pré-temporada (que eu conheço-vos) e depois de uma preparação geral para evitar danos…. a realização de WODs, estilo CrossFit, que se caracterizam por ser especialmente duros (Murph, Chelsea, Frank…), são uma opção muito interessante.

Porquê? Pelo perfil de atividade e pela motivação que desperta nos jogadores.

3. Salto

Ao contrário do que possa parecer, os jogadores profissionais não saltam mais, mas menos que os jogadores da 4ª divisão. Porquê?

Teste salto contra movimento

Tabela VII. Capacidade de salto e condicionantes, que determinam o rendimento entre divisões. A vermelho é o pior e a verde o melhor. Adaptado de Ferioli et al. (2018)

Capacidade salto basquetebol

Figura VI. Capacidade de salto, e condicionantes, que determina o rendimento entre 1ª e 4ª divisão. hCMJ quanto mais alto, melhor; PPO rel. quanto mais alto melhor; PF quanto mais alto, melhor; PPO Ab quanto mais alto, melhor; PF Ab quanto mais alto, melhor. Adaptado de Ferioli et al. (2018)

Não está muito claro, mas vendo que a sua potência pico (PPO) e força pico (PF) é mais alta. Podemos inferir que simplesmente como pesam mais, saltão menos; além disso são mais altos, pelo que é possível que estejam desadaptados já que não precisam de saltos de tanta potência para alcançar as bolas.

Capacidade de salto

Tabela VIII. Capacidade de salto e condicionantes, que determinam o rendimento entre posições. A vermelho é o pior e a verde o melhor. Adaptado de Ferioli et al. (2018)

De todas formas, um CMJ (Counter-Movement Jump) de 50cm é uma barbaridade. Pensa que a altura de salto médio de um adolescente ativo e habituado ao treino explosivo é de 35,3 cm (Markovic et al., 2004). Não deixam de ser jogadores profissionais de basquetebol, pelo que desenvolver a sua capacidade de salto vertical é uma prioridade desde o princípio da sua carreira desportiva.

Salto nba basquetebol

A Solução?

  • Trabalho geral: Desenvolvimento da força da musculatura do trem inferior (curva de força velocidade mais para cima).
  • Específico: Desenvolvimento da força em padrões de movimento específicos do basquetebol no trem inferior, como pliometiías sem ressalto (curva de força velocidade mais para a direita). Melhorará os determinantes fisiológicos no basquetebol.

Curva de potencia basquetebol

Figura VII. Curva de força–velocidade (Eixo Y – Eixo X) clássica; a curva azul mostra uma melhoria da força base; a curva vermelha mostra uma melhoria da potência (capacidade de exercer força a alta velocidade).

  • Trabalho especializado: Desenvolvimento da capacidade reativa do tendão para resistir aos impactos e aproveitar a energia elástica acumulada no ciclo de alongamento-encurtamento.

Capacidade reactiva

Figura VIII. Quando falamos de “capacidade reativa” imaginem que os vossos tendões são uma mola. Quanto mais capacidade de se contrair, e reagir, sem se inibir nem se romper; mais potência vais expressar num salto.

Podem analisar-se muitíssimas variáveis mais, como a percentagem de contribuição dos sistemas energéticos (em profundidade), das distâncias recorridas num jogo, a frequência cardíaca média dos jogos, o tempo que passam os jogadores de pé parados, caminhando, correndo, saltando; o número de gestos, de passes, de lançamentos, a diminuição de qualquer destas variáveis com o decurso do jogo, em função do sexo, do nível, da posição…

Há artigos que o analisam tudo, talvez algum dia fale mais extensamente de tudo isto, mas se o faço neste artigo, este seria eterno. Por isso vamos deixá-lo por aqui e em breve escrevo sobre como desenvolver as capacidades que comentei neste artigo. O que acham?

Treinem duro, alimentem-se de forma saudável e descansem! Em breve voltarei a estar aqui com mais conteúdos de interesse sobre o basquetebol.

Referências Bibliográficas:

Avaliação Determinantes Fisiológicas no Basquetebol

Perfil Antropométrico - 100%

Perfil Fisiológico - 100%

Potência aeróbica - 100%

Capacidade anaeróbica - 100%

Salto - 100%

100%

HSN Evaluação: 5 /5
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Sobre Alfredo Valdés
Alfredo Valdés
Especialista e treino de fisiopatologia metabólica e nos efeitos biomoleculares da alimentação e o exercício físico, com os seus artigos, vai levar-te no complexo mundo da nutrição desportiva e clínica, de forma simples e desde uma perspectiva crítica.
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