O Volume Máximo Recuperável é o ponto a partir do qual estamos a ultrapassar a capacidade de nos recuperar do treino.
Índice
Volume Máximo Recuperável ou MRV
O MRV é o máximo volume do que pode recuperar-se um desportista, geralmente definido como a recuperação de um microciclo ao outro (Israetel, 2018; Israetel & Hoffmann, 2017).
Por conseguinte, a recuperação, neste contexto, é o regresso às habilidades de rendimento habituais (figura 1) dentro das características da condição física (Israetel, 2018; Israetel & Hoffmann, 2017).

Figura 1. Modelo estímulo-resposta. Fonte: Israetel (2018).
Por outro lado (Israetel, 2018; Israetel & Hoffmann, 2017), sabe-se que se está «recuperado» se o rendimento neste microciclo é comparável ao seu microciclo anterior.
Então, saber quando se excerceu o seu MRV é simples: ter um rendimento inferior neste microciclo em comparação com o anterior.
De forma geral (Israetel, 2018; Israetel & Hoffmann, 2017), a quantificação exata do volume de treino com base no MRV determina-se tendo em conta que uma queda no rendimento sugere que se excedeu o seu MRV no microciclo mais recente, mas não se nota uma queda semelhante no microciclo anterior.
Por isso, é provável que o seu MRV esteja entre o volume do penúltimo e do último microciclo.
Importância do Volume de Treino
A manipulação das variáveis de treino de resistência (RT) é considerada uma estratégia essencial para maximizar as adaptações musculares (Schoenfeld, & Grgic, 2018).
Em relação a isto, os volumes mais altos mostram maiores aumentos no crescimento muscular (Schoenfeld, & Grgic, 2018). Deste facto se extrai que aquelas pessoas que procuram maximizar a hipertrofia devem treinar com métodos de séries múltiplas (Schoenfeld, & Grgic, 2018).
Deste modo, e tendo presente a literatura atual, mais de 10 séries/semana por grupo muscular parecem ser um bom ponto de partida para programar o volume naquelas pessoas cujos objetivos estão orientados para a hipertrofia (Schoenfeld, & Grgic, 2018). Também se podem conseguir ganhos substanciais de massa muscular com volumes tão baixos como 4 ou menos séries por grupo muscular por semana (Schoenfeld, & Grgic, 2018).
Por outro lado (Schoenfeld, & Grgic, 2018), o volume de treino deve estar contextualizado em função do sobre-treino. Isto é, dado que o treino constante com grandes volumes de trabalho acelera o início do sobre-treino, pode supor-se que periodizar o volume pode eventualmente melhorar a hipertrofia (figura 2).
O ideal será o aumento progressivo dos volumes de trabalho mais baixos (por exemplo, 10 séries/grupo muscular/semana) até aos mais altos (por exemplo, 20 séries/grupo muscular/semana) durante um período de vários meses, podendo ajudar a promover um estado de “functional overreaching”.

Figura 2. Como estruturar o volume para o treino de Hipertrofia. Fonte: Israetel (2017).
No entanto, Krzysztofik, Wilk, Wojdała & Gołaś (2019) proporcionam uma revisão sistemática, objetiva e crítica relacionada com os métodos e técnicas avançadas (BFR, Drop Sets, técnica de estimulação sarcoplasmática, super-séries e pré-fadiga) de força que influem no músculo esquelético, tanto em atletas recreativos como em atletas competitivos.
Concluiram que é difícil proporcionar tabelas específicas para o volume, intensidade de esforço e frequência das técnicas e métodos de força mencionados anteriormente.
Finalmente, a literatura mencionada anteriormente (Krzysztofik et al., 2019; Schoenfeld, & Grgic, 2018) convida-nos a pensar que a chave está na correta determinação dos volumes de treino:
- Volume de manutenção;
- Volume mínimo efetivo;
- Volume máximo adaptativo, e
- Volume máximo recuperável.
Índices de Volume de Treino
Volume de manutenção (MV)
Faz referência à quantidade de treino (número de séries por grupo muscular) que permite manter o nível atual de massa muscular.
Em pessoas principiantes será 0; no entanto, em pessoas de nível intermédio ou avançado será o trabalho mínimo que devem fazer para manter os ganhos.
Os pontos de referência de volume podem alterar ligeiramente, dependendo da frequência do treino e da sua relação com os grupos musculares a trabalhar.
Por outro lado, o objetivo principal desta referência é utilizar períodos de treino de baixo volume para dar descanso aos processos de crescimento e permitir a regeneração completa.
Volume Mínimo Efetivo (MEV)
Este conceito refere-se à quantidade de treino que aumenta o tamanho muscular.
Qualquer trabalho por baixo deste elemento apenas pode optar à manutenção dos mesmos.
De facto, a média do volume de treino semanal deve situar-se por cima do MEV. Uma boa estratégia é começar a primeira semana do mesociclo utilizando o MEV, e a partir daí aumentar a carga de trabalho.
Uma questão a ter em conta é a relação entre o MEV e o nível de experiência do desportista.

Volume Máximo Adaptativo (MAV)
Finalmente, o último elemento refere-se àquele volume de trabalho onde o desportista obtém os maiores ganhos de massa muscular e de rendimento.
É um índice muito mais amplo do que os anteriores volumes, uma vez que altera bastante dentro de cada mesociclo.
Portanto, o MAV sobe continuadamente durante o mesociclo.
Índices de volume em função do grupo muscular
Como ponto de referência práctico, na seguinte imagem pode-se observar o guia que Mikel Israetel (2017) propôs acerca dos volumes de treino em função do grupo muscular.
Estas recomendações não se devem tomar à letra, já que são suposições com base nos seus anos de experiência, e tal como o próprio autor comenta,
«…têm que se individualizar e reciclar-se…»

Figura 3. Guia de treino da Hipertrofia. Fonte: Israetel (2017).
Volume máximo recuperável e as diferenças individuais
O número de séries por grupo muscular comentado anteriormente tem que ser relacionado com as diferenças individuais e com os princípios do treino desportivo (Israetel, 2018; Israetel & Hoffmann, 2017).
Em relação a este aspeto, é necessário considerar uma série de pontos para determinar os intervalos do volume de cada índice (Israetel, 2018; Israetel & Hoffmann, 2017):
- Adaptação dos valores de referência ao contexto fisiológico e físico.
- Interdependência entre a recuperação, treino, nutrição e aspetos psicológicos.
- Relação entre o tipo de exercício e organização intra e inter-microciclo com o MV, MEV, MAV e MRV.
- Exercícios com altas cargas e ROM completos: valores mais baixos de MEV e MRV mais altos. Os exercícios mais eficientes têm menos MEV e MRV mais elevados.
Determinação do MRV
Partindo da premissa anterior, de que o MRV é o volume máximo recuperável, parece lógico pensar que o alcançámos ou o ultrapassámos quando diminui o rendimento.
Por outras palavras, existe um pior rendimento em comparação à última semana de trabalho e, portanto, pode-se suspeitar da consecução do MRV.
Não obstante, determinou-se a média do MRV real, ou existe um erro de valoração e interpretação dos resultados? A resposta é simples, são necessárias duas estratégias: repetição e gravação.
Finalmente, vão ser necessários os passos a ter em conta à hora de determinar corretamente o MRV de forma fiável e válida (Israetel, 2018; Israetel & Hoffmann, 2017):
- Começo do mesociclo com um volume de trabalho relativamente baixo (número reduzido de séries por grupo muscular).
- Acrescenta 1-2 séries por grupo muscular por semana.
- Identifica o momento onde diminui o rendimento.
- Descarga de treino.
- Início do novo mesociclo (2º) acrescentando 1-2 séries adicionais por grupo muscular, e repete os passos 1-3.
- Repete os passos 1-5 de 2 a 4 vezes, e estabelece a média de séries por semana na qual diminui o rendimento.
- Estimativa do MRV atual.
- Aumento do MRV: utilização de um microciclo de alta intensidade depois do microciclo onde diminui o rendimento (utilização de exercícios simples).
Fontes Bibliográficas
- Israetel, M. (2017). General Training: Mesocycle Design for Hypertrophy. Renaissance Periodization.
- Revive Stronger (2017). Revive Stronger.
- Israetel, M. (2018). How to find your Maximum Recoverable Volume (MRV). Propane Fitness.
- Schoenfeld, B., & Grgic, J. (2018). Evidence-based guidelines for resistance training volume to maximize muscle hypertrophy. Strength & Conditioning Journal, 40(4), 107-112.
- Krzysztofik, M., Wilk, M., Wojdała, G., & Gołaś, A. (2019). Maximizing Muscle Hypertrophy: A Systematic Review of Advanced Resistance Training Techniques and Methods. International Journal of Environmental Research and Public Health, 16(24), 4897.
- Israetel, M. & Hoffmann, J. (2017). Volumen Landmarks for Muscle Growth. Renaissance Periodization.
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