Guia de Treino de Basquetebol por Posições Extremos

Guia de Treino de Basquetebol por Posições Extremos

O extremo, vulgarmente designado em Espanha (alero), avançado, em países hispanoamericanos; small forward, nos países anglófonos; o ‘3’ na linguagem do campo; é uma posição de basquetebol que normalmente ocupa um (ou dois) dos jogadores que formam o quinteto que está em jogo no campo de baquetebol, na posição de fora de zona. Conhece mais sobre eles neste Guia de Treino de Extremos.

Determinantes extremo

O que define os extremos?

Quando procuramos o perfil fisiológico de um extremo vemos rapidamente que é o mais equilibrado, tanto ao nível antropométrico como físico no que diz respeito ao basquetebol.

Um todo-o-terreno do campo

Isto deve-se ao facto de os extremos serem um híbrido entre os bases (ou, melhor ainda, o 2º base) e os postes. São os denominados postes mais quatro (fora de zona) que cinco (interior). De facto, é muito usual encontrar em jogo uma posição chamada extremo-poste (que é um híbrido entre ambas as posições) e/ou que o extremo apoie o base na subida da bola se o 2º base está a ser defendido por um jogador fisicamente maior e não consegue cumprir a sua função.

Doncic extremo treino

O treino físico dos extremos

Contra este quadro tão equilibrado, o que fazer? Um extremo deve treinar de forma especial?

Na verdade, não deve treinar isoladamente. Um extremo deve treinar de igual forma que um base ou um poste, e utilizar um sistema de treino específico a uma posição ou outra em função das necessidades do jogador ou da equipa:

Proposta melhoria extremo basquetebol

Não parece difícil, verdade?

Realmente não o é, como são jogadores muito equilibrados o que lhe falta é aquilo que tem de desenvolver.

Podes utilizar os guias de treino de bases e 2ºs bases para tirar ideias para o treino físico de um extremo. Faz click aqui! para conhecer um pouco mais sobre o treino de um 2º base.

O jogador com maior desgaste?

Uma das perguntas frequentes numa equipa de basquetebol é:

Qual é o jogador de basquetebol que realiza mais esforço físico durante um jogo?

Antes de dar uma resposta, deixamos aqui o exigente treino individual que realiza um dos melhores extremos da NBA, pelo menos um dos mais reconhecidos: Lebron James

A resposta a esta pergunta não é assim tão simples, já que falamos de esforço físico aeróbico e é tudo muito próximo.

O extremo-poste, especialmente se é um jogador debaixo do cesto, receberá mais contato e portanto o seu esforço será maior. Por seu lado, um base, que no ataque recebe uma pressão muito forte a todo o campo, vai precisar de maior esforço para se livrar do defensor.

Existem muitas investigações sobre qual é a posição que maior distância percorre durante um jogo, mas os dados são bastante díspares; não existe um consenso.

O que sabemos é que num periodo de 4 anos, os jogadores que têm mais carga de treino são os extremos. A que se deve este facto? Ao facto de terem um maior grau de fadiga (Edwards et al., 2018) e portanto recuperam menos e, o que é ainda pior,acabam por sofrer alterações no seu sistema hormonal (Schelling et al., 2015).

Percepção fadiga basquetebol

Existem muitos fatores que condicionam a fadiga, pelo que não podemos saber por qual deles o extremo sofre mais do que os seus companheiros. O que sabemos é que um treinador deve monitorizar os seus extremos e falar com o psicólogo da equipa para detetar a tempo um overreaching que possa desencadear um síndrome de burnout, que faça com que o extremo tenha que se retirar da competição por uns meses.

Quando falamos de desporto e de carga de treino, é sempre melhor prevenir do que remediar.

Extremo Rudy Fernandez

O treino técnico-tático dos extremos

Apesar de os extremos não serem jogadores que apresentam características extraordinariamente diferenciadas em relação a outras posições, são jogadores que se encontram numa posição que exige um grande desempenho técnico-tático.

Isto traduz-se em:

  • Capacidade de driblar com ambas as mãos e máximo controlo em movimento.
  • Realizar um passe em velocidade.
  • Fintar.
  • Encestar com precisão desde diferentes distâncias e ângulos com respeito ao eixo do cesto.
  • Entrar no cesto superando em velocidade o seu defensor próximo, unido a uma extraordinária visão de jogo que lhe permita selecionar o melhor momento para lançar, entrar, ou passar a bola a um colega de equipa cujo defensor foi arrastado por ele, numa entrada à tabela, por exemplo.

Por isso e neste caso, gostava de propôr um modelo de sessão onde possamos treinar as habilidades técnicas específicas de um extremo:

Extremo nba Anteto

Aquecimento

Dividimos a equipa em grupos de 3 jogadores a meia pista, vamosjogar um 3×3 modificado.

Pedimos a todos os jogadores que se deitem de barriga para baixo com as mãos atrás da cabeça e colocamos tantas bolas como quantos grupos de 6 jogadores tenhamos no campo (3×3). Podemos colocar mais bolas que grupos, mas o jogo torna-se especialmente difícil (e divertido), aviso.

As bolas vão colocar-se longe dos jogadores, como por exemplo nas bancadas, de forma a que estejam visíveis, mas que os jogadores tenham de deslocar-se para os alcançar. Quando tiverem a bola, a equipa que a tiver vai atacar e a outra vai defender.

A jogada começa no momento em que um jogador tem a bola nas mãos, sem linhas limite no campo nem paragens de cronómetro. Têm que encestar no cesto que foi designado.

Conheces a evolução de um jogador total como Luka Doncic? No percas o vídeo onde estão gravados os seus inícios enquanto jogador até à sua chegada à NBA, a melhor liga de basquetebol do mundo…

Este jogo é importante, uma vez que não apenas desenvolve a capacidade física (especialmente a potência aeróbica) dos jogadores, mas também a sua capacidade de decisão e comunicação, situações onde encontrei mais carências do que gostaria de ter encontrado. Inclusivamente em equipas profissionais: quantas bolas mortas se vêem devido à falta de comunicação?

Já viste aquilo de que Giannis Antetokoumpo é capaz num jogo da NBA? 50 pontos e 14 ressaltos. Sim! Um extremo “assinando” números de outro planeta…

Por que motivo digo isto?

Porque haverá muitas bolas, mas também muitas equipas a correr para elas. Uma equipa é um adversário direto, o resto não, desde que se dirijam todos à mesma posição.

Ao princípio, a cena é caótica, e se a tua equipa não tem um bom desenvolvimento tático vai custar-lhes um pouco a entender, mas não desesperes.

Se dois jogadores da mesma equipa apanham duas bolas (quando apenas deviam apanhar uma) devem correr 800 metros no menor tempo possível, e rapidamente! Pois, quando acabar essa jogada e começar a seguinte, o jogo começa e, se não estão no campo, a equipa vai jogar em inferioridade.

Se duas equipas que se confrontam (Ex. Equipa 1 vs Equipa 2) apanham 2 bolas diferentes (jogador X da equipa 1 apanha uma bola, e o jogador Y da equipa 2 apanha outra bola), toda a equipa vai correr uma milha (+/- 1.500 metros).

Fiquem cientes que algumas equipas vão correr a milha… Mas, quando isso passar, vão dar-se conta que é necessário comunicar e estabelecer uma tática para evitar que isto volte a acontecer.

Capacidade fisica extremo

Já vi de tudo neste jogo, e muitíssimos exemplos de riqueza motora pela grande variedade e incerteza que oculta. Bloqueios indiretos a ataques a 20 metros do cesto para avançar porque estavam a pressionar enquanto apanham a bola. Já vi passes longos intercetados em velocidade e parados em seco que fizeram com que o defesa fosse ao chão e o atacante ficasse com a bola. E, obviamente… já vi dois jogadores de equipas contrárias agachados para apanhar duas bolas fingindo mutuamente, sabendo que se lhe tocavam os dois ao mesmo tempo se punham a correr.

Vais-te divertir imenso a assistir a este espetáculo!

Parte principal

Exercício 1

Exercício 1

Mantemos a equipa dividida em sub-grupos de 3 jogadores enfrentados, mas neste caso um jogador da equipa que defende descansa e roda com os seus companheiros.

O jogo desenvolve-se novamente a meio-campo, onde uma equipa começa a atacar desde o centro do campo.

O objetivo do jogo é que os jogadores atacantes marquem, e que os jogadores defensores evitem que eles encestem. Simples, não é verdade? Parece um 3×2 em superioridade ofensiva.

Realmente é. No entanto, os jogadores atacantes não podem realizar passes para a frente, somente para trás ou em paralelo, o mesmo que faria uma equipa de rugby.

Isto supõe um esforço extra para os jogadores, que não estão nada habituados a esta dinâmica de jogo. Este exercício exige avançar com a bola, forçar alterações de mãos, fintas dinâmicas, apoiarem-se mutuamente, e nunca apanhar a bola, porque se não “comem-no”.

Este jogo pode complicar-se bastante para os atacantes com diferentes variantes que, novamente, vão melhorar as suas capacidades de coordenação e a sua visão tática do jogo. Deixo-vos algumas ideias:

  • Reintroduzir o jogador rodado para fazer um 3×3.
  • Proibir os passes a duas mãos.
  • Permitir apenas passes picados.
  • Proibir que se devolva o passe ao jogador que acaba de passar a bola.
  • Proibir passar sem bater a bola.

Têm um sem fim de possibilidades ao vosso alcance!

Exercício 2

Exercicio 2

Um exercício lúdico de técnica de lançamento. Já jogaram alguma vez a uma ronda de lançamentos? Pois é semelhante. Vamos ver.

Dividimos a equipa em pares, um membro do par vai ser o lançador e o outro será o guia.

Todos os lançadores dos pares devem pôr-se na linha no prolongamento (em linha) com a tabela e o cesto.

Todos os guias vão posicionar-se sempre em frente dos seus companheiros, a uma distância prudente onde não sejam um empecilho, mas que sejam facilmente visíveis.

Ao longo da linha de 6,25 vão ser desenhadas 10 marcas (4 pela esquerda, 2 no centro e 4 pela direita). O objetivo é encestar desde cada uma dessas marcas (ou bases) antes que os lançadores dos outros pares. Cada lançador dispõe de uma bola que deve apanhar depois de cada lançamento.

Exercício 3

No entanto, para o lançamento, os lançadores não podem lançar como quiserem, têm que obedecer ao seu guia, que através de um gesto com a mão lhe vai dizer como deve lançar:

  • Levantar a mão direita, batendo a bola, e um passo de deslocação lateral + lançamento.
  • Levantar o punho esquerdo, batendo a bola para trás e mudança de direção para sair em potência para a frente, um passo + lançamento.
  • Levantar os dois braços para lançamento em suspensão.
  • Dançar o gangnam style a fintar + passo lateral + lançamento sem salto.

Situação extremos NBA treino

É importante que tanto os jogadores estejam atentos para não cometer erros na interpretação dos gestos dos guias como os guias estejam atentos para não dar ordens aos seus companheiros que possam fazer chocar com outros lançadores.

Uma má interpretação do sinal do guia por parte do lançador será motivo para retroceder uma base.

Sei que muitos treinadores pensam que isto não é treinar, mas sim jogar… já partilhei a minha visão como treinador em posts anteriores onde explico que os extremos são jogadores de basquetebol, e por isso têm que jogar. Além de que o treino baseado em puro acondicionamento físico está obsoleto e sem exercícios eficazes para melhorar a forma física de um desportista.

Já passaram muitos anos, mas o extremo espanhol Rudy Fernández continua no ativo e oferecendo triplos e “smaches” quase ao mesmo tempo. Aqui está um exemplo da forma em que participou no concurso de “smaches” da NBA no ano de 2009…

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Com os exercícios anteriores vais acabar por lançar como os seguintes profissionais a sair do bloqueio.

Mas com tantos saltos e impactos as articulações sofrem. De facto, os desportistas que submetem as suas articulações a impactos derivados da corrida (especialmente os jogadores de basquetebol por causa das sapatilhas e a técnica de corrida no campo) são aqueles que sofrem maior risco de degeneração da cartilagem articular (Vannini et al., 2016) e portanto maior dano nos joelhos, por exemplo.

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Referências Bibliográficas:

Avaliação Guia de Treino de Basquetebol por Posições: Extremos

Todo-o-terreno em campo - 100%

Treino Físico - 100%

Treino técnico-tático - 100%

Suplementos para as articulações - 100%

100%

HSN Evaluação: 5 /5
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Sobre Alfredo Valdés
Alfredo Valdés
Especialista e treino de fisiopatologia metabólica e nos efeitos biomoleculares da alimentação e o exercício físico, com os seus artigos, vai levar-te no complexo mundo da nutrição desportiva e clínica, de forma simples e desde uma perspectiva crítica.
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