Quais são e como saber o Meu Tipo de Corpo

Quais são e como saber o Meu Tipo de Corpo

Conheces os tipos de corpo? Ectomorfo, Mesomorfo e Endomorfo. Explicamos-te as características de cada um e como fazer os “pligues”.

É inevitável observar tendências quando caminhamos na rua, pessoas que têm uma composição corporal específica: Mais largos, ou mais compridos, há gente que diretamente se percebe como atlética.

A cinantropometria é a ciência que trata do estudo das proporções corporais, da sua determinação e das suas associações com outros componentes da vida.

Neste artigo veremos tudo o que precisas de saber sobre tipos de corpo!

Quantos tipos de corpo existem

Há um número infinito de corpos, tantos quantos se pode imaginar, desde a configuração específica das medições antropométricas apresenta infinitas combinações.

Quando falamos de “tipos de corpo” referimo-nos à tendência antropométrica, que é conhecida como a como “somatótipos”.

Mais uma vez, encontramos classificações diferentes dependendo do autor ou da escola de referência. Na maioria dos casos, é feita uma distinção entre 2 e 4 tipos de corpo.

Quais são eles?

A escola que prevalece hoje em dia é a escola americana, que é estabelecida como a referência para organismos de certificação reconhecidos internacionalmente especialistas en cinantropometria, como ISAK.

ISAK

Figura I. Logótipo ISAK, entidade de referência na formação en cinantropometria.

A escola americana emprega a classificação de Sheldon, que categoriza 3 grupos de corpos:

  • Endomorfo: Pessoas com tendência a engordar, mais desenvolvimento no eixo transversal do que no eixo longitudinal, e uma tendência para a obesidade. Formas flácidas e arredondadas.
  • Mesomorfo: Pessoas com tendência a ganhar massa muscular e a ficar maiores facilmente. Proporções equilibradas, tonificadas e com bom desenvolvimento muscular.
  • Ectomorfo: Pessoas com tendência para emagrecer, mais desenvolvimento no eixo longitudinal do que no eixo transversal. Inclinado, de membros longos e com desenvolvimento dos membros em proporção ao tronco acima do padrão.

Exemplos de tipos de corpo de futebolistas

Figura II. Exemplo de 3 tipos de corpo claramente diferentes no alto rendimento em futebol (ectomorfo-mesomorfo-endomorfo).

A determinação de somatótipos pode ser utilizada para orientar o futuro desportivo mais promissor de um adolescente ou para perseguir a adequação ao elevado padrão de desempenho de uma determinada disciplina desportiva.

Somatocarta

Figura III. Posição na somatocarta dos canoístas médios de alto rendimento de diferentes países da América do Sul e Central. Todos eles estão posicionados numa tendência de predominância mesomórfica..

O que é o corpo endomorfo?

O corpo endomorfo é aquele que é caracterizado por apresentar uma grande quantidade de massa, usualmente tanto gorda como magra.

É um somatótipo associado a uma forma “arredondada” do corpo, posicionando o centro da massa na parte inferior do tronco.

Exemplo de lutador endomorfo

Figura IV. Lutador de Wrestling.

São físicos associados tradicionalmente a lutadores e desportistas de equipa que ocupam posições pesadas (pivot de basquetebol, pivot de andebol, hooker em râguebi, e semelhantes).

  • São sujeitos que necessitam manter um controlo dietético mais estrito para não ganhar peso repidamente.
  • A prática desportiva ajuda-os a manter uma composição corporal saudável e atlética, já que a sua principal dificuldade é perder gordura.

Exemplo de jogador de râguebi endomorfo

Figura V. Hooker de Rugby.

Ectomorfo

O corpo ectomorfo caracteriza-se por uma baixa quantidade de massa, geralmente gorda e magra, embora esta última seja particularmente inexistente.

É um somatótipo associado a uma forma corporal “alongada”, com membros longos que não são muito desenvolvidos transversalmente.

Atleta Ectomorfo

Figura VI. Saltadora de altura.

São físicos associados tradicionalmente a atletas de resistência e disciplinas que requerem grande agilidade.

  • São sujeitos que usualmente são caracterizados por necessitar certa atenção ao controlo dietético para evitar perdas excessivas de massa, fruto do descuido.
  • A sua principal dificuldade é ganhar massa muscular.

Calisténico Ectomorfo

Figura VII. Praticante de calistenia como disciplina desportiva.

Mesomorfo

O corpo mesomorfo é caracterizado por uma quantidade equilibrada de massa muscular/massa gorda. Quantidades consideráveis de músculo e quantidades reduzidas de gordura.

É um somatótipo associado a uma forma “triangular” do corpo, com uma composição muscular desenvolvida, um corpo rochoso, “magro” e uma aparência desportiva.

Halterofista Mesomorfo

Figura VIII. Halterofilista.

São físicos associados tradicionalmente a halterofilistas, sprinters e desportistas de potência.

  • São sujeitos que sem grande controlo dietético mantêm uma composição corporal agraciada.
  • Com um controlo preciso da alimentaçaõ e do treino progressam rapidamente e desenvolvem as suas capacidades físicas com facilidade.

Crossfiter Mesomorfo

Figura IX. Praticante de CrossFit®.

Que tipo de corpo tenho

Antes de mais, gostaria de salientar que os somatótipos entendidos como acabam de ser explicados são um reducionismo altamente impreciso.

A distribuição do somatótipo é triaxial, ou seja, existe uma posição específica de ectomorfia, mesomorfia, e endomorfia que determina a tendência do somatótipo.

Mesmo assim, o somatotipo não parece ter uma causa biológica, embora seja verdade que as causas genéticas estão subjacentes ao fenótipo, os principais contribuidores são ambientais: comportamento, e status socio-económico, na sua maioria.

O teu tipo de corpo pode ser determinado “a olho nu” de forma imprecisa, ou com instrumentos de medição específicos para estabelecer com maior precisão o ponto dos 3 somatótipos no qual te encontras.

Como saber o meu tipo de corpo?

Podes fazê-lo em tua casa, mas necessitas:

  • Plicómetro.
  • Fita métrica.
  • Talímetro.
  • Balança corporal.

E alguém familiarizado com a toma de pregas/dobras com certa experiência.

O tipo de corpo é determinado separadamente para cada variável a ser determinada:

  • Endomorfo: Pregas cutâneas.
  • Mesomorfo: Circunferências, Pregas e Tamanho.
  • Ectomorfo: Tamanho/Peso.

Vamos começar com as medições do endomorfo. Necessitamos medir:

  • Prega tricipital.
  • Prega subescapular.
  • Prega suprailíaca.

Toma de pregas

Figura X. Toma de pregas subescapular.

Em segundo lugar, vamos determinar a contribuição da mesomorfia. Necessitamos medir:

  • Diâmetro do úmero à altura do epicôndilo.
  • Diâmetro do fémur à altura do côndilo.
  • Perímetro do braço contraído.
  • Perímetro da perna.
  • Altura.
  • Dobra do tríceps.
  • Dobra da perna.
Tudo em centímetros, inclídas as dobras cutâneas, ao contrário da endomorfia onde se medem em mm.

Em terceiro e último lugar, medimos a ectomorfia, para isso necessitamos:

  • Tamanho(altura) em centímetros.
  • Peso em quilogramas.

Com todos os dados disponíveis procedemos aos cálculos:

Para a determinação da contribuição de endomorfo: 0,7182 + 0,1451 x – 0,00068 x^2 + 0,0000014 x^3
  • “x” refere a soma das três dobras efetuadas, em milímetros.

Pode ser efetuado um cálculo corrigido de X à altura, que é a prática mais comum, de forma simples:

X Corrigido = X * 170,18 / Estatura (cm)

Obteremos um número entre o 1 e o 14. Se é assim, vamos bem.

Para a determinação da contribuição de mesomorfo: 0,858 U + 0,601 F + 0,188 B + 0,161 P – 0,131 H + 4,5
  • “U” refere o diâmetro biepicondíleo do úmero, em centímetros.
  • “F” refere o diâmetro bicondíleo do fémur, em centímetros.
  • “B” refere o perímetro corrigido do braço, em centímetros. Que se corrige:

Perímetro de braço (cm) – Dobra do tríceps (cm)

  • “P” refere o perímetro corrigido da perna, em centímetros.

Perímetro de perna (cm) – Dobra da perna (cm)

  • “H” refere a estatura, em centímetros.

Irá obter-se um valor entre o 1 e o 14, se é assim, continuamos a fazer bem as coisas.

Vamos com a última determinação: A ectomorfia, mediante o cálculo de índice ponderal (IP): IP = Estatura (cm) / ∛Peso (kg)

Será obtido um valor que determinará a fórmula mais adequada a utilizar:

  1. Se IP > 40,75 -> (IP * 0,732) – 28,58.
  2. Se IP <40,75 y >38,28 -> (IP * 0,463) – 17,63
  3. Se IP ≤ 38,38 -> 0,1

Com estes valores podemos trabalhar no posicionamento da composição corporal sobre uma somatocarta, que é um triângulo de Granz Reuleaux escalado e vetorizado a um ponto equidistante do seu perímetro:

Somatocarta escalada e vetorizada

Figura XI. Somatocarta escalada e vetorizada.

Os 3 valores devem ser posicionados em dois eixos (X e Y), já que a representação gráfica é bidimensional.
  • Para a pontuação de X: Ectomorfia – Endomorfia
  • Para a pontuação de Y: 2* Mesomorfia – (Ectomorfia + Endomorfia)

Imaginemos portanto que somos um jogador de basquetebol que depois de realizar as medições antropométricas e os cálculos em ecto-/meso-/endo-morfia obtém:

  • Endomorfia: 2,4
  • Mesomorfia: 5
  • Ectomorfia: 3

Realiza o cálculo:

  • Eixo X: 3 – 2,4 = 0,6
  • Eixo Y: 2 * 5 (3 + 2,4) = 4,6

A sua posição na somatocarta é:

Suposição prática Somatocarta

Figura XII. Representação numa somatocarta do suposto prático de um base de basquetebol com as características anteriormente descritas.

O que converte ao desportista num meso-ectomorfo. Como sabemos isso?

Seguindo as indicações da seguinte tabela:

  • A. Mesomorfo balanceado
  • B. Endomorfo balanceado
  • C. Ectomorfo balanceado
  • D. Meso-Endomorfo
  • E. Meso-Ectomorfo
  • F. Endo-Ectomorfo
  • G. Endo-Mesomorfo
  • H. Ecto-Mesomorfo
  • I. Meso-Ectomorfo
  • J. Endo-Ectomorfo
  • K. Ecto-Endomorfo

O posicionamento ou a posição dos tipos de corpo na somatocarta corresponde à seguinte distribuição:

Distribuição dos tipos de corpo na somatocarta

Figura XIII. Distribuição dos tipos de corpo na somatocarta.

Que exercícios fazer segundo o teu tipo de corpo?

Os princípios que subjazem ao treino para progredir são idênticos independentemente do tipo de corpo do indivíduo.

A fisiologia e a biologia orgânica não distinguem entre somatótipos, pelo que o tecido muscular de um ectomorfo, de um endomorfo e de um mesomorfo responde igual ao mesmo tipo de estímulo (independentemente de fatores que possam condicionar uma maior ou menor tolerância à carga de treino, por exemplo).

Existem ensaios que mostram uma tendência a que o teu tipo de corpo condicione em certa medida a velocidade ou a extenção com as quais ocorrem certas adaptações ao treino (Marta et al., 2013; Van Etten et al., 1994).

E são os que todos pensamos:

  • Os endomorfos ganham mais massa muscular e mais rapidamente.
  • Os ectomorfos desenvolvem mais a sua capacidade cardiorrespiratória e mais rapidamente.
  • Os mesomorfos desenvolvem a sua capacidade atlética holística mais e mais rápidamente.

Contudo, isto pode ser devido a factores de confusão que influenciam os resultados, uma vez que todos os tipos de corpos melhoram as variáveis “alvo” para as quais se formam, e é possível que a vontade que lhe dediques, pelo “bom que sejas em algo”, determine o êxito no processo:

  • Por isso é que um mesomorfo que por natureza é mais forte, aumente mais a sua massa muscular ao treinar com cargas de forma mais intensa.
  • E que um ectomorfo que de base é mais leve desenvolva mais a sua resistência do que unm endomorfo ao acumular mais quilómetros por unidade de tempo.

Que o poder das expetativas esteja convosco!

Referências Bibliográficas

  1. Aladro Gonzalvo, A. R., Machado Díaz, M., & Bueno Fernández, E. (2007). Somatotipo de piragüistas élite de Cuba. MHSalud: Revista En Ciencias Del Movimiento Humano y Salud, 4(2).
  2. Marta, C. C., Marinho, D. A., Barbosa, T. M., Carneiro, A. L., Izquierdo, M., & Marques, M. C. (2013). Effects of body fat and dominant somatotype on explosive strength and aerobic capacity trainability in prepubescent children. Journal of Strength and Conditioning Research, 27(12), 3233–3244.
  3. Quintana, M. S. (2005). Teoría de kinantropometría (Curso 2004-2005 ed.).
  4. Van Etten, L. M. L. A., & Verstappen, F. T. J. (1994). Effect of body build on weight-training-induced adaptations in body composition and muscular strength. Medicine and Science in Sports and Exercise, 26(4), 515–521.

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Sobre Alfredo Valdés
Alfredo Valdés
É especialista em treino de fisiopatologia metabólica e nos efeitos biomoleculares da alimentação e do exercício físico.
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