Correr com potência é uma ferramenta que nos últimos anos anda a acompanhar muitos corredores e os seus treinadores nas suas sessões utilizando os medidores de potência para a corrida.
A tendência de poder obter quantos mais dados melhor, para deste modo poder analisá-los e melhorar em cada disciplina, é um facto que está a ganhar cada vez mais relevância entre os desportistas amadores e os seus treinadores.
Índice
O que é o treino por potência
Existe alguma coisa que de maneira imediata e objetiva nos dê informação relativa sobre a intensidade a que estamos a correr? É aqui que aparece o medidor de potência de corrida ou running por potência.
Assim, temos a POTÊNCIA como um fator de confiança para medir a intensidade do esforço de corrida.
Do mesmo modo, é possível fornecer muitos dados que podem ser de grande valor para o treinador e utilizar para quantificar as cargas e programar as sessões de treino.
Ou seja, ao contrário do ciclismo, que treinamos por potência, no caso da corrida, mais do que treinar por potência (estabelecendo zonas de treino), o que se faz é treinar com um medidor de potência para ter mais dados acerca do rendimento do desportista, intensidade, recuperação.

Isto é, é outro complemento que ajuda a criar uma imagem muito mais precisa de como se está a treinar.
Razões pelas quais usar um medidor de potência em corrida
Em termos gerais, usamos sempre vários parâmetros para quantificar e determinar a intensidade da carga de uma sessão de corrida:
- Frequência cardíaca (estabelecendo as zonas de treino a partir de uma prova de esforço com análise de gases);
- Perceção subjetiva do esforço; e o
- Ritmo/velocidade de corrida.
Estes parâmetros podem ver-se afetados por fatores externos que afetam de maneira direta:
- Assim, um ambiente húmido e quente vai provocar um aumento da temperatura corporal e a consequente subida de frequência cardíaca e uma maior perceção de esforço.
- Além disso, não reflete a intensidade de forma imediata, isto é, em muitos casos há uma derivação temporal e a frequência cardíaca sofre um atraso.
Medidor da potência em corrida
No caso do dispositivo de que falamos neste artigo, o STRYD, permite-nos o treino por potência, realizando três medições de força: na horizontal, na vertical e na lateral.
De qualquer forma, a mais interessante no momento de analisar os dados é a potência horizontal que nos permite avançar.
E as outras duas?
Dado que procuramos ser corredores eficientes e gastar o mínimo possível, interessa que estas outras duas (lateral e vertical) sejam o mínimo possível.

O que devemos observar para saber se somos mais eficientes? Como saber se a nossa economia de corrida melhorou?
Deixo aqui alguns exemplos:
- Correr ao mesmo ritmo, mas com um número menor de watts.
- Percorrer um circuito conhecido a um ritmo maior, produzindo menos watts.
- Manter-se mais tempo a correr num determinado intervalo de watts.
- Diminuição da FC a um determinado ritmo ou a um número de watts pré-estabelecido.
Como treinar por potência em running?
O objetivo principal enquanto corredores é ser eficientes: ser capazes de correr o mais rapidamente possível consumindo o menos possível.
Ou seja, ter um ritmo de corrida mais rápido, gastando menos.
Seguindo as exposições de Coggan (“Treinar e Correr com potenciómetro”, 2013), quando falamos de corrida no contexto da potência referimo-nos à velocidade que corremos em relação aos watts que produzimos.
Assim, o que procuramos é gerar watts que nos ajudem a deslocar-nos para a frente, não para cima ou para os lados.
Existem outros fatores que podem afetar essa eficiência de que falámos, como por exemplo: o peso corporal, a flexibilidade metabólica que tenhamos, tipo de calçado que usemos para correr, temperatura e fadiga, etc.
No momento de medir para comparar dados ao longo de um período de tempo, devemos centrar-nos no seguinte:
- Índice de Eficiência: velocidade média entre a potência média. Quanto maior for o índice, mais eficiente se é.
- Fator de Eficiência: ritmo normalizado/FC média
Relação peso e potência em corrida
Outro parâmetro relevante para monitorizar a eficiência são os watts por quilograma de peso (W/kg).

É um dos melhores indicadores de rendimento, especialmente em corridas com terreno variável e com muitas pendentes para ultrapassar, onde a gravidade é importante.
Teste FTP
A potência ajuda-nos a definir a intensidade para compreender todos os dados que recolhemos e para quantificar a carga de treino.
Mas como determinar o Limite de Potência Funcional – FTP para a corrida?
No caso do ciclismo, corresponde à máxima intensidade que o desportista pode manter durante 60 minutos. Idem para a corrida.
Assim como no ciclismo, utilizamos um teste de campo ou com ciclo-ergómetrico para determinar esse limite; sem submeter o desportista a uma hora de teste, no caso da corrida, também existem diferentes testes de campo para determinar a FTP de corrida:
Método 1
- Aquecimento 15 minutos.
- 3′ corrida à máxima intensidade possível.
- 30′ (5′ a caminhar + 10′ suave + 5′ a caminhar, 5′ a correr de forma suave + ‘ a caminhar + 9’ a corrrer à máxima intensidade possível).
Método 2
Para corredores mais experimentes, este teste consiste em:
- Correr de maneira contínua 30 minutos à intensidade máxima possível, aquecimento prévio de 15 minutos.
A FTP é obtida pela média de potência dos últimos 20 minutos de corrida de intensidade máxima.
Zonas de potência em running
Já comentei anteriormente que se pode correr com dados de potência, o ideal não é estabelecer zonas de potência para a corrida, pois resulta muito mais complicado do que no ciclismo.
Mas o que significa isto?
Como se referiu, podemos produzir mais watts no total, (forças horizontais, verticais e laterais), mas isso não significa que sejamos eficientes (as forças verticais e laterais devem ser as mínimas possíveis).

Assim que determinar as zonas de treino por potência não seja o mais indicado.
Recordamos que o mais relevante é aprender a analisar os dados que indicam estes avaliadores de potência de corrida.
Ainda assim, Coogan faz uma comparação e estabelece umas zonas de treino baseando-se no critério que utiliza para as mesmas no ciclismo.
Vantagens e inconvenientes do treino por watts
Recapitulando, fica claro que o útil de treinar com potência em running é obter dados para poder analisar todas as variáveis com o objetivo de melhorar a economia de corrida.
Não deviam ser excluidos os dados obtidos a partir da frequência cardíaca, cadência, ritmo e potência, mas antes entender como ficam afetados uns e outros e realizar os ajustes necessários para que as melhorias se produzam.
Que dispositivos medem a potência ao correr?
Os conhecidos como potenciómetros de corrida, dentro dos quais se destaca o da marca Stryd:
Revolução Stryd
Oferece uma recuperação completa, uma previsão do rendimento e uma divisão das habilidades que fazem que a análise dos dados seja perspicaz e rápida. São muitos os treinadores que atualmente os utilizam com os seus desportistas.

STRYD é um medidor de potência para a corrida e relativamente a correr por potência.
Características Básicas do Stryd:
- Este dispositivo é um avaliador de potência que se coloca numa das sapatilhas.
- Apenas pesa 8 gramas, pelo que apenas se nota.
- Além do seu tamanho que é relativamente pequeno.
- Pode ligar-se com qualquer relógio com GPS que os corredores e triatletas usam normalmente, que vão recolher os dados da sessão, além daqueles que constem do medidor de potência.
- O seu preço ronda os 229 Euros.
Treino de running FC VS Potência
Chegado a este ponto, talvez estejas a pensar qual será a variável a usar para determinar a intensidade dos treinos de corrida, não é?
Treinar em função das zonas de treino estabelecidas a partir de uma prova de esforço e, portanto, ter em consideração as mesmas em função da frequência cardíaca é, sem dúvida nenhuma, e sempre será, uma das melhores alternativas para determinar a carga e intensidade do treino.
Assim também como te manteres nas zonas estabelecidas em função do tipo de sessão.
Nem por isso vamos “desestimar” o potenciómetro de running, podemos fazer uso do mesmo e dos dados que nos oferece para ter uma visão mais global e completa do rendimento do desportista ao longo dos diferentes períodos.
Conclusões
Treinar com potência fornece-nos um extra quando analisamos e interpretamos os dados no pós-treino.
Interpretar é a chave.
Por exemplo:
- Se os watts aumentam mas a velocidade não, significa que provavelmente devemos rever alguma coisa da nossa técnica, ou então significa que devemos tirar uns dias de descanso.
- Se perdemos eficácia pode significar uma falta de recuperação e um decréscimo de carga pode prevenir uma lesão ou um estado de excesso de treino.
Fontes Bibliográficas
- Coggan, A. (2016). WKO4: New Metrics for Running With Power.
- Vance, Jim (2016) “Run with Power: The Complete Guide to Power Meters for Running”.
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