Amino Spiking O que é e Como o Identificar. Realmente é Proteína de Soro

Amino Spiking O que é e Como o Identificar. Realmente é Proteína de Soro

Se já tens bastante experiência no mundo dos suplementos, talvez não seja uma surpresa para ti, mas se ainda não sabes a que se refere o título deste post, convidamos-te a compreender as técnicas fraudulentas que alguns fabricantes utilizam no momento de elaborar os seus produtos.

O que é o Amino Spiking?

Ou também conhecido como “Protein Spiking”, trata-se de uma técnica que consiste em agregar (manipular) à fórmula da proteína uma série de aminoácidos de baixo custo para aumentar o valor nitrogenado total.

Ou, por outras palavras: uma maneira de aumentar a quantidade de proteína diminuindo os custos à custa de “enganar o cliente”.

Proteina amino spiking

Quais são os Truques para Aumentar a Percentagem de Proteínas?, clica em este link.

Como se aproveitam os Fabricantes?

A quantidade de proteína é medida em função do conteúdo de nitrogénio.

Tal como a proteína contém aminoácidos, e estes contêm nitrogénio, os testes que são utilizados para comprovar o conteúdo deste nutriente baseiam-se neste princípio.

No entanto, o teste procura medir Proteínas Completas, ou é aquilo que se supõe ao introduzir a amostra.

O que acontece é que se pode “falsificar” e, devido ao fornecimento extra dos aminoácidos, subir o total proteico

Proteina aminoacidos

O resultado? Um valor de proteína por dose que será uma mistura entre os aminoácidos que se encontram presentes na proteína + “aminoácidos baratos”, inclusivamente aminoácidos que não servem para a síntese de proteínas (não proteinogénicos).

Por que motivo se utiliza a técnica do Amino Spiking?

Os mecanismos e procedimentos de obtenção da proteína, passando pelo seu acondicionamento de embalagem, transporte e campanha de marketing, são custos que o fabricante deve assumir.

Por este facto, se se pode reduzir o total do investimento, de forma fraudulenta, como neste caso, vai-se poupar um boa quantidade de dinheiro.

Não há outra justificação.

Quais são os Aminoácidos utilizados no Amino Spiking? Geralmente costumam-se utilizar: glicina, creatina, taurina ou inclusivamente glutamina. Estes aminoácidos são muito mais baratos do que as proteínas completas, pelo que o fabricante pode aprovoveitar-se para falsificar os resultados do preparado alimentar.

É legal o Amino Spiking?

A resposta curta é que sim (se este conteúdo de aminoácidos está indicado na etiqueta).

A FDA (Food and Drug Administration) é a responsável desta regulação. E tal como assim parece ser, ao submeter qualquer proteína a uma análise, como Kjeldahl, o qual deteta substâncias nitrogenadas, o resultado será interpretado como proteína.

Deste modo, se na etiqueta encontras que por dose uma proteína indica que fornece 22g, se foi tratada por estas técnicas de falsificação, estarás a ingerir a sua proteína e os aminoácidos extra.

Obviamente que este facto não agrada a ninguém.

Legal amino spiking

De acordo com a FDA, os produtos de aminoácidos puros não se contam como proteínas, mas não se especifica nada em concreto a respeito da proteína que inclui aminoácidos adicionais.

Qual é o Problema do Amino Spiking?

Basicamente, podemos falar de uma má praxis por parte da empresa que fabrica os produtos e, em relação ao cliente, um engano.

Infelizmente joga-se com a falta de conhecimento de muitas pessoas, que depositam a sua confiança nestas empresas mas que, no fim de contas, o que menos lhes importa é precisamente o cliente que lhes compra os produtos.

Por outro lado, podemos chegar a pensar que se se adicionam aminoácidos à fórmula, esta vai estar fortalecida. Mas a verdade é que isto não é completamente verdade. O máximo que se consegue, consoante que aminoácido adicionado, é aumentar o conteúdo de nitrogénio sem nenhum outro benefício.

Por último, é de considerar que estes aminoácidos adicionados não são proteogénicos, isto é, não são utilizados diretamente como elementos construtores.

A creatina é um suplemento que ajuda a melhorar o rendimento físico, e o seu fornecimento comparado com serviço que procuras numa proteína, não é o correto.

Qualidade proteina

Se queremos creatina, podemos sempre comprá-la em suplemento e adicioná-la como julguemos pertinente

Os aminoácidos que nos interessam são aqueles que o nosso corpo não pode sintetizar: os Aminoácidos Essenciais.

Taurina, glicina, glutamina, péptidos, creatina… O que fazem no meu batido de proteínas?!

Devido à definição muito pouco específica da FDA (organismo encarregue da regulação de suplementos alimentares na América, entre outras tarefas) do termo “proteína” esta prática é tecnicamente legal se se indica no rótulo.

Além disso, a falta de regulação ao nível europeu também não ajuda muito a esclarecer o assunto.

Pode pensar-se que, ao fim e ao cabo, o que se adiciona são aminoácidos e que vão influir positivamente na síntese proteica….Erro.

O concentrado 80% (WPC 80%) e o isolado de soro (WPI) são proteínas que demonstraram ser especialmente eficazes para contribuir para o ganho de massa muscular. No entanto, a glutamina, glicina e taurina simplesmente não são tão eficazes.

Preço do soro concentrado

Neste artigo sobre a síntese proteica explica-se muito claramente que quanta mais leucina, maior síntese proteica muscular.

Como Identificar o Amino Spiking?

Temos que comprovar o rótulo ou ficha nutricional que nos forneça o fabricante

Neste caso é verdade que, por lei, deve figurar a informação com respeito à composição. E, portanto, se existe “amino spiking”, é facilmente detetável no rótulo.

Importante: quando nos referimos à alteração da proteína, vamos sempre referir-nos a um suplemento de proteínas sem nada mais adicionado, isto é, as fórmulas “Tudo-Em-Um”, ou as que são misturas de vários tipos de proteínas não as contemplamos, dado que já de por si se indica que estão constituidas à base de várias fontes (proteínas, aminoácidos, carbohidratos…).

O que temos que observar no rótulo?

  • Como já sabemos, a lista de ingredientes aparece ordenada de maior para menor conteúdo, portanto, se aparecem elementos ao início da descrição, é possível que tenham sido adicionados
  • Se entre estes se encontram: creatina, glicina, taurina… quando o que temos é um frasco de proteínas, é outro motivo de peso a considerar se nos interessa este produto.
  • Procura Selos de Qualidade. Entre estes podemos citar: Certificação cGMP e Hazard Analysis and Critical Control Points (HACCP).
  • Temos que saber que cada sabor produz um desvio no total de proteínas. Geralmente, o sabor a chocolate costuma possuir menos % de proteínas por causa do seu conteúdo em cacau.
  • Falta de informação, tal como o aminograma. Muitos fabricantes juntam o perfil de aminoácidos correspondente à matéria-prima, mas não o que verdadeiramente obtemos ao comprar o produto, já que foi processado, adicionado o sabor…
Os preparados alimentares à base de proteínas da HSN contêm estas certificações mencionadas, além de estarmos a trabalhar continuamente para melhorar as fórmulas, sendo toda esta informação totalmente transparente além de oferecer ajuda técnica ao cliente em todo o momento.

Aprendendo a ler rótulos

As imagens abaixo comparam uma proteína 100% Premium Whey Protein Plus da Muscletech com Evowhey 2.0 da HSN onde se podem ver diferenças na composição devido à adição de ingredientes, a priori desnecessários numa proteína.

O Clean Label (ou seja, torná-lo o mais simples possível) é um factor muito importante e por isso presta muita atenção ao ler o rótulo.

Aprendendo a ler rótulos

Conclusões

Neste sentido, um bom exemplo de como apresentar a informação seria uma que se incluisse:

  • Imagem do produto.
  • Selos de certificação em aqueles que os têm (aspeto fundamental).
  • Finalidade de utilização do suplemento em questão no desporto.
  • Informação nutricional de macronutrientes e micronutrientes por 100 gramas e por dose de consumo aconselhável.
  • Sabores disponíveis, tamanho e modo de apresentação do produto.
  • Aminograma completo (produtos com proteínas e aminoácidos) e ingredientes adicionais (como por exemplo, edulcorantes o emulsionantes).

Fontes

  1. Bruno, G. (2014). Do your proteins meet label claims
  2. European Comission. (2014). Food Supplements
  3. European Food Safety Comission
  4. Finete, VL.; Gouvêa, MM.; Marques, FF.; & Netto, AD. (2013). Is it possible to screen for milk or whey protein adulteration with melamine, urea and ammonium sulphate, combining Kjeldahl and classical spectrophotometric methods?. Food chemistry, 141(4), 3649-3655.
  5. Food and Drug Administration

Entradas Relacionadas

Avaliação Amino Spiking

Identificar - 100%

Aminoácidos adicionados - 100%

Observar rótulo - 100%

Produtos com certificações - 100%

100%

HSN Evaluação: 5 /5
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Sobre Alfredo Valdés
Alfredo Valdés
Especialista e treino de fisiopatologia metabólica e nos efeitos biomoleculares da alimentação e o exercício físico, com os seus artigos, vai levar-te no complexo mundo da nutrição desportiva e clínica, de forma simples e desde uma perspectiva crítica.
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