Benefícios da Glicina e o Colagénio

Benefícios da Glicina e o Colagénio

A glicina participa na síntese de colagénio. Apesar de ser um aminoácido não essencial, as investigações revelam existe benefícios para melhorar a produção do colagénio. Vamos falar dos benefícios da Glicina e o Colagénio.

Importância dos aminoácidos não essenciais

Como já sabem os frequentadores habituais do blog, as proteínas estão constituídas por aminoácidos.

Tradicionalmente utilizaram diferentes critérios para classificar estes. Além disso pelas suas diferencias estruturais, os aminoácidos estão distinguidos na função de se produzem no organismo ou não.

Desta forma distinguimos entre:

  • (EAAs) – Aminoácidos essenciais : são aqueles que NÃO somos capazes de sintetizar e devem ser aportados obrigatoriamente a través da dieta.
  • (NEAAs)- Aminoácidos não essenciais: são aqueles que são capazes de produzir por nós mesmos.
  • (CEAAs) -Aminoácidos condicionalmente essenciais: aqueles que, em determinadas condições fisiológicas ou etapas da vida, devem ser aportados pela dieta obrigatoriamente.

Normalmente, há uma máxima importância a ingesta de EAAs, já seja a través de alimentos ou de suplementos . Más, o que acontece  com os aminoácidos não essenciais?

dieta-glicina-colagénio

Sem lugar a duvidas, o facto de que somos capazes de produzir estes no nosso organismo restou uma importância na sua incorporação a través da dieta

Realmente  contamos com vias de síntese destes, e que possivelmente uma baixa ingesta que não seja perigosa para a supervivência, más,  produzimos quantidades suficientes destes aminoácidos para satisfazer as nossas demandas?

Funções dos NEAAs

Nos últimos anos surgiram várias publicações que falam da “essencialidade dietética” dos aminoácidos não essenciais.

Esta corrente se baseia em diferentes investigações, que colocam de manifesto a certa falta de eficiência da síntese endógena, ou ao menos, certa incapacidade para produzir nas quantidades suficientes de suportar, de maneira óptima, todas as funções metabólicas nas que participam.

função neaas

Como podemos observar na imagem, não são poucas as vias e funções que intervém estes aminoácidos

Incluso propuseram classificar os aminoácidos em virtude das necessidades funcionais, em lugar de só ter em conta se sintetizam no organismo ou não.

Em outras palavras não considerar os “aminoácidos sintetizáveis” como “nutricionalmente não essenciais”

Exemplo do aminoácido Arginina

Como exemplo disso, nos anos 40, um estudo demonstrou que o seguimento de uma dieta baixa em arginina diminuía em um 90% tanto a mobilidade, como o número de espermatozóides.

A arginina é um aminoácido não essencial e, se fossemos capaz de produzir em quantidades suficientes, tais complicações não teriam ocorrido.

Esta alteração se corrigiu mediante la suplementação com certo aminoácido

O que se defende, em definitiva, é que as necessidades dietéticas de aminoácidos não deveriam basear-se se são sintetizados endogenamente ou não, mas de acordo com as suas necessidades metabólicas

A importância da glicina

Esta constituinte de uma terceira parte da estrutura do colagénio, que ao mesmo tempo é a proteína mais abundante no organismo.

A glicina é outro dos NEAAs que recebeu maior atenção nos últimos anos

Além disso a sua funcionalidade estrutural (síntese de proteínas), a glicina atúa como neurotransmissor, ou como precursor de moléculas como a creatina, a glutationa ou os ácidos nucleicos, entre outras.

Carência de glicina

De acordo com o que se observou, a quantidade de glicina produzida no organismo é insuficiente para cumprir com as demandas totais, e este desequilibro se mantém incluso quando se sumam as quantidades de glicina que possam aportar a dieta.

Na base do estudo publicado por Meléndez-Hevia et al., em 2009, a síntese endógena deste aminoácido ronda os 3 gramas diárias, enquanto que o aporte habitual a través da dieta supõem uns 2,5 g ao dia.

Considerando que se invertem uns 14,5 g ao dia na síntese de metabolitos, colagénio e outras proteínas, se geraria um deficit de uns 8,5 – 10 g de glicina ao dia

Glicina e produção do colagénio

Estes autores destacam que, embora o deficit dietético da glicina não seja letal ou comprometa a supervivência,  sim, é requerida para a correta síntese do colagénio e para assegurar uma adequada reposição desta proteína.

O que estes autores defendem, é que uma menor quantidade de glicina na dieta, rentabilizara o processo de renovação da mesma

Um aspecto relevante que observou em alguns estudos, é que administração intravenosa de aminoácidos (glicina) é capaz de acelerar a síntese de colagénio.

Se a glicina não tivesse importância a nível dietético, devido a que só utilizamos no nosso organismo que produzimos, a produção do colagénio deveria permanecer invariável.

Isto faz que, embora produzamos certa quantidade de alguns aminoácidos, o aumento da sua disponibilidade pode melhorar tanto a síntese de proteínas, como de metabolitos dos quais são precursores

Regeneração do colagénio

A regeneração do colagénio esta considerada, praticamente, a pedra angular para o tratamento da osteoartrite.

O subministro dos aminoácidos que o compõem (glicina, prolina e lisina) pode ser chave no momento da recuperação e a prevenção de doença.

sintomas osteoatrite

Em relação com isto, este mesmo ano publicou-se um estudo in vitro (Paz-Lugo et al., 2018) no qual se observou como quando se aumentava a disponibilidade de glicina, lisina e prolina, os condrocitos (células constituintes da cartilagem) aumentavam a produção de fibras de colagénio tipo II.

Cabe destacar que quando se administrarão outros aminoácidos como controle (isoleucina e ácido aspártico), a síntese de colagénio permaneceu constante, o que deixa entrever a especificidade da glicina, a lisina e a prolina para estimular a produção deste

Colagénio como fonte de aminoácidos e péptidos

Quando ingeres suplementos de colagénio hidrolisado, não só se absorvem os seus aminoácidos constituintes,  que determinados di- e tripéptidos (uniões de 2 ou 3 aminoácidos) passam para o sangue.

De todos eles, o dipéptido Pro-Hyp (prolina – hidroxiprolina) parece ter efeitos protetores a nível da cartilagem, estimulando a proliferação e o crescimento celular, ou a síntese de ácido hialurónico de acordo com estudos in vitro.

Também o dipéptido Hyp-Gly (hidroxiprolina-glicina) presente no colagénio parece ter efeitos positivos.

Como podemos observar, os níveis no sangue destes péptidos aumentam de uma forma proporcional da dose ingerida, conseguindo um pico máximo as 2 horas e voltando aos valores basais as 6 horas após de ser consumidos.

É possível que muitos dos efeitos beneficiosos que se atribuem a ingesta do colagénio hidrolisado (toda a informação aqui), devem tanto ao aporte destes polipéptidos, como ao extra de glicina que proporciona.

Além de fatores dietéticos, a síntese de colagénio se estimula pelo exercício

Benefícios do colagénio nos desportistas

Numa investigação observou-se que a ingesta de gelatina (colagénio) junto com vitamina C, aumentava os níveis de glicina e o resto de aminoácidos constituintes do colagénio (prolina, hidroxilisina e hidroxiprolina) no sangue.

O aumento nas concentrações destes componentes exerceu um efeito estimulador da síntese de colagénio, no qual se potenciou ao realizar um treino posterior ao tomar gelatina.

Isto pode ter implicações positivas na melhora da recuperação depois do exercício

Estudo em Desportistas

Por outra parte, num estudo realizado no ano 2008, se recrutou um total de 147 atletas universitários (97 completarão o estudo) que costumavam padecer a dor e o mau-estar articular.

O objetivo do estudo foi avaluar a efetividade do aporte de 10g de colagénio ao dia durante 24 semanas em comparação com um placebo.

grafica comparativa

Como podes observar, houve uma melhoria significativa no grupo que consumiu  o colagénio em quanto a percepção da dor tanto ao caminhar como permanecer de pé 

Resultados

De acordo com os investigadores, o grupo que consumiu o suplemento do colagénio mostrou pouca dor também ao transportar objetos ou realizar levantamentos.

Também sugerem que os seus efeitos podem demorar certo período de tempo em manifestar, pelo que requerem continuidade ao consumo.

Já que em outros estudos, a diminuição da dor provocada pela ingesta do colagénio fez com que reduzira a quantidade de analgésicos consumida

Colagénio e benefícios para a pele

As fibras de colagénio e aelastina se debilitam com o passar dos anos e da lugar a formação de linhas e de rugas. Todo isso suma-se a diminuição de glucosaminoglucanos e ácido hialurónico, o que provoca ma perda de capacidade de hidratação da derme.

Neste contexto, foi proposto que um aporte extra de colagénio e outros nutrientes poderia reverter estas mudanças  associadas ao envelhecimento

pele colagénio

Não é nenhum segredo que a idade afeta o tecido conetivo, tanto da cartilagem como da pele

Estudo recente

Neste ano  foi publicado um estudo (Czajka et al., 2018) dobre cego, controlado pelo placebo, no que precisamente se aplicou uma combinação de colagénio hidrolisado, glucosamina, ácido hialurónico, condroitín sulfato e outros ingredientes activos, vitaminas e minerais.

Principalmente avalua-se os seus efeitos sobre a saúde e a aparência da pele:

tabela colagénio glicina

Observaram durante os 910 dias de intervenção,  grupo suplementado com o produto manifestou uma maior elasticidade na pele, algo que não se produziu com o grupo de placebo

Resultados

Os autores também destacaram uma maior saúde articular no grupo de intervenção, o que quer dizer menor dor articular, maior flexibilidade, maior mobilidade e menor rigidez.

resultados estudo

Os sujeitos mediante, questionários , também apontaram  uma melhora da sensação do bem-estar e vitalidade quando consumiram o suplemento más não no grupo placebo

Provavelmente, a maior limitação deste estudo é a fonte de financiamento do mesmo, embora este não seja o motivo suficiente para a válidez dos resultados

Conclusões

Tradicionalmente não foi dada a importância do aporte dos aminoácido que somos capazes de produzir por nós mesmos, conhecidos como aminoácidos não essenciais.

Varias investigações recentes demonstraram que o facto de que sejamos capaz de sintetizar estes, não implica que sejamos capazes de satisfazer ao 100% nossas demandas.

Um dos casos mais destacados é a da glicina, a qual está implicada nas numerosas funções vitais, sendo uma das mais relevantes: a síntese de colagénio

A deficiência da glicina  relacionou-se com problemas motores e do crescimento, e o seu aporte a través da dieta demonstrou ser efetivo para estimular o síntese do colagénio.

A prolina e a hidroxiprolina, outros dos aminoácidos que constituem as moléculas do colagénio, também desempenham importantes importantes funções no organismo.

O consumo de colagénio se associa a numerosos benefícios relacionados com a saúde articular, tanto na população desportista como a nível geral.

articulação

Incluso pode reduzir a necessidade do consumo de analgésicos

A pesar de que ainda falta muito por investigar, e que muitos dos estudos estão a favor do colagénio, tem importantes conflitos de interesse, devido a segurança destes suplementos e os seus potenciais benefícios. Podem supor uma boa opção para melhora a saúde articular e da pele.

Mais além do colagénio e a glicina, devido a importância dos aminoácidos não essenciais, devemos reformular o conceito de proteína completa ou “ideal” que esta ligado exclusivamente, até agora, aos aminoácidos essenciais

Fontes Bibliográficas

  1. Clark et al., 2008. 24-week study on the use of collagen hydrolysate as a dietary supplement in athletes with activity-related joint pain.
  2. Czajka et al., 2018. Daily oral supplementation with collagen peptides combined with vitamins and other bioactive compounds improves skin elasticity and has a beneficial effect on joint and general wellbeing.
  3. Daneault et al., (2015). Biological effect of hydrolyzed collagen on bone metabolism.
  4. Hou et al., (2015). Dietary essentiality of “nutritionally non-essential amino acids” for animals and humans.
  5. Meléndez-Hevia et al., (2009). A weak link in metabolism: the matabolic capacity for glycine biosinthesis does not satisfy the need for collagen synthesis.
  6. Moskowitz (2000). Role of collagen hydrolysate in bone and joint disease.
  7. Paz-Lugo (2018). High glycine concentration increases collagen synthesis by articular chondrocytes in vitro: acute glycine deficiency could be an important cause of osteoarthritis.
  8. Razak et al., (2017). Multifarious beneficial effect of nonessential amino acid, Glycine: a review.
  9. Shaw et al., (2017). Vitamin C-enriched gelatin supplementation before intermittent activity augments collagen synthesis.
  10. Shigemura et al., (2014). Dose-dependent changes in the levels of free and peptide forms of hydroxyproline in human plasma after collagen hydrolysate ingestion.
  11. Wang et al., (2013). Glycine metabolism in animals and humans: implications for nutrition and health.
  12. Wu et al., (2013). Dietary requirements of “nutritionally non-essential amino acids” by animals and humans.

Aqui podes continuar com a informação sobre a temática de Colagénio:

Avaliação da Glicina sobre o Colagénio

Ajuda a produção do Colagénio - 100%

Contribui para a Saúde Articular - 100%

Melhora a síntese de Colagénio - 99%

Tomar Glicina é essencial - 100%

100%

HSN Evaluação: 5 /5
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Sobre Carlos Sánchez
Carlos Sánchez
Carlos Sánchez é um apaixonado da nutrição e do desporto. Diplomado em Nutrição Humana e Dietética, sempre procura dar um sentido prático e aplicável nas diferentes teorias.
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