Oxitocina Benefícios que não Sabias

Oxitocina Benefícios que não Sabias

Vamos falar de uma hormona de que pouco ou nada se ouviu falar, pelo menos no panorama fitness ou no mundo da saúde: a oxitocina.

Todos estamos acostumados a ouvir falar da hormona do crescimento ou da insulina como hormonas anabólicas.

No mundo da fisiologia parece que está tudo dito mas…nada mais longe da realidade.

O que é a Oxitocina?

A oxitocina é uma hormona produzida em células do hipotálamo (neurónios parvocelulares e magnocelulares) e classicamente (assim foi como a conheci na faculdade de medicina) está relacionada com dois processos fisiológicos essenciais para o ser humano:

  1. Induzir ao trabalho de parto
  2. Amamentação materna (juntamente com a prolactina)
Hoje analizamos outros efeitos adicionais da oxitocina que poucos conhecem. O artigo de hoje inspira-se nesta recente e bonita publicação da Endocrine Reviews (1).

Amamentação

Quais são os efeitos metabólicos que tem a oxitocina?

Além das funções mencionadas no parto e amamentação, a oxitocina parece comportar-se como um sensor do estado nutricional em ambos os sexos (homem e mulher).

Parece ser que a OXT tem um efeito anorexígeno, provocando menor ingestão de energia mediante a sua atuação em várias vias homeostáticas e neurocomportamentais.

Enamoramento

Alguma vez ouviste isso de “não tem fome, está apaixonado”?

Pode ser que o post de hoje dê a resposta a esse fenómeno tão habitual que apelidei de “anorexia pós-apaixonamento”.

Como se produz?

A oxitocina liberta-se como resposta ao trabalho de parto e pela sucção do mamilo por parte do bebé.

Mas há outros estímulos que a libertam, como o exercício, o sexo ou o contato romântico, mas que, porêm, foram menos estudadas.

O interessante é que os estudos que temos disponíveis mostram uma perda de peso como resultado de perda de massa gorda, não de massa magra.

Os indivíduos aumentam o seu consumo energético e diminuem a sua ingestão quando estão expostos a níveis elevados de oxitocina.

Consumo calórico

Mas a coisa não fica por aqui: parece que a oxitocina é uma hormona anabólica para o músculo e para o osso.

Estamos perante a nova GH?

Provavelmente não, porque o seu padrão de secreção é muito mais concreto, mas se se pudesse isolar e administrar-se de forma segura a pacientes com obesidade, estaríamos perante um novo fármaco anti-obesidade?

Benefícios

Lipólise

Maior oxidação de gordura.

Anabolismo muscular

O que qualquer culturista queria…

Também é do interesse de pessoas com patologias crónicas, pois muitas de elas derivam em sarcopenia com o passar do tempo.

Sarcopenia

Dispomos de um post muito interessante acerca da Sarcopenia. Se queres aprofundar mais, faz click em este link.

Anabolismo ósseo

Não podemos esquecer o osso, primo irmão do músculo e cuja saúde é, pelo menos, tão importante como a do músculo.

Diminuição do ritmo de vazio gástrico, favorecendo a sensação de plenitude

É o mesmo mecanismo que têm, por exemplo, outras hormonas utilizadas na obesidade, como os chamados análogos de GLP-1, uma incretina muito utilizada na terapia anti-diabética e anti-obesidade.

Se queres saber qual é a relação entre as Increatinas e a Diabetes visita o seguinte link.

Secreção de insulina incrementada perante uma mesma carga glucémica

Isto é, ajuda o pâncreas na secreção de insulina quando é necessário, diminuindo potencialmente a hiperglucemia.

Alterações no microbioma

Hoje-em-dia, falar de microbioma é falar de metabolismo.

A microbiota e os metabolitos que produzem, demonstraram atuar por centenas de vias diferentes no metabolismo.

Microbiota

Parece que a oxitocina também tem influência na microbiota (flora intestinal).

Menor ingestão calórica

Já sabem, a “anorexia do apaixonado”.

Além de um maior consumo energético moldando o tom do sistema nervoso simpático.

Efeitos sociais

A oxitocina está implicada em processos pouco tangíveis mas tão humanos como a empatia, o afeto ou o amor.

Empatia

Por isso é chamada “ a hormona do amor”.

Poderá no futuro administrar-se para tratar patologias?

Pois é precisamente aquilo que se está a testar:

  • Tanto em pessoas com obesidade exógena (a mais frequente);
  • Como em pacientes com obesidade hipotalámica (existente em alguns síndromes como o Prader-Willi).

Obesidade

Vários ensaios clínicos estão a levar-se a cabo, sendo a forma de administração um dos desafios que tratamos de resolver.

Formulações intraperitoneais, intranasais ou endovenosas estão a ser estudadas.

Existe alguma forma de a produzir endogenamente?

Sim, existem várias formas, algumas mais e outras menos práticas, de aumentar a secreção de oxitocina:

Se fores mulher:

  • Dar à luz.
  • Ter um bebé pendurado do peito.

Apaixonarse

São os dois estímulos mais poderosos conhecidos para a estimulação da oxitocina.

Mas, também, para ambos os sexos:

  • Estímulo sexual.
  • Afeto.
Dito de forma menos académica, “o apaixonamento” que conhecemos desde sempre, parece aumentar os níveis de oxitocinas em ambos os sexos.

Conclusões

Popularmente, o facto de estar apaixonado foi relacionado com um estado de êxtase e bem-estar fisiológico.

Isto é devido à secreção de uma série de neuropéptidos, como as endorfinas, durante esse período tão bonito das nossas vidas.

Cortejar

Mas curiosamente, outra questão que se relaciona com o período de cortejo e apaixonamento é o de “ter menos fome”.

A fisiologia não deixa de nos surpreender e este artigo corrobora que a oxitocina tem efeitos sistémicos que vão muito mais além do que produzir contrações no parto ou fazer subir o leite.

Esperemos que brevemente possamos retirar proveito de estes efeitos ao nível clínico.

Entretanto, podes sempre te apaixonar. Um forte abraço e a continuar a treinar.

Fontes Bibliográficas

  1. McCormack SE, Blevins JE, Lawson EA. Metabolic Effects of Oxytocin. Endocr Rev. 2020 Apr 1;41(2).

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  • Dieta durante a Amamentação.
  • Convidamos-te a conhecer como Competir em Fitness depois de ter sido mãe… click aqui.
Avaliação Oxitocina

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Sobre Borja Bandera
Borja Bandera
Borja Bandera é um jovem médico dedicado as áreas de nutrição, exercício e metabolismo, que concilia a sua atividade clínica junto a sua vocação divulgativa e investigadora.
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