Por detrás desse nome estranho encontra-se um composto natural presente no vinho tinto, cuja fama tem vindo a crescer em consequência dos seus potenciais benefícios para a saúde.
Não em vão, estamos perante um dos produtos mais aclamados na nutrição dietética, graças às suas propriedades terapêuticas para a manutenção e a potenciação da saúde e é que, entre outras razões, o seu interesse reside na sua consideração como “Molécula da Juventude”…

O que é e para que serve o Resveratrol?
Há já algum tempo que os compostos bioativos das plantas, entre os quais se encontram os flavonoides, passaram a ocupar os primeiros lugares no ranking dos suplementos que mais interesse despertam.
Uma das substâncias mais procuradas desse conjunto é o já famoso resveratrol.
Existe em elevada concentração no vinho tinto (Vitis vinífera) e sabe-se com certeza que os seus efeitos benéficos para a saúde exercem um papel protetor contra as doenças degenerativas relacionadas com a idade.

A sua estrutura corresponde à de um polifenol e apresenta-se na natureza sob a forma de isómeros cis e trans 1.
Nas plantas, esta substância atua como um antioxidante, protegendo-as dos efeitos nocivos do sol.
Que alimentos contêm mais Resveratrol?
Pelo que foi dito até agora, talvez tenhas decidido que só vais poder ingerir resveratrol por via alimentar através do vinho tinto. Pois bem, isto não é assim porque, embora se trate da sua fonte mais conhecida, também está presente noutros alimentos, podendo ser sintetizado tanto por plantas como por microrganismos.
Entre os alimentos ricos em resveratrol destacam-se a uva vermelha, os amendoins, as amoras, as framboesas ou o chocolate negro.
Assim, uma das principais fontes de resveratrol é a planta Vitis Vinifera e, em particular, o sumo obtido das uvas, que são os seus frutos.
São múltiplos os estudos que mostraram a sua muito baixa toxicidade e os seus potenciais benefícios para a saúde, o que faz do resveratrol um ingrediente muito funcional que não deves ignorar.
Que relação tem com os Fitoestrogénios?
Catalogado como fitoestrogénio, o resveratrol é um componente químico presente nas plantas. Entre as suas virtudes, importa mencionar que serve como um poderoso escudo de defesa contra agentes agressores ou stressores do ambiente (insetos, radiação…)
A nível molecular, a sua estrutura assemelha-se aos estrogénios.
Isso justifica o seu comportamento como um antagonista dos recetores de estrogénio do organismo.
Além disso, a comunidade científica centra-se nesta substância pelo seu potencial efeito no combate a certas doenças e patologias, sobretudo as relacionadas com as mulheres, como sintomas da menopausa e osteoporose…

Descobre as suas propriedades medicinais
O campo de ação do resveratrol não é propriamente limitado. São muitas as facetas em que atua e diversas as investigações que apontam para a sua capacidade de modular diferentes vias.
Nesta linha, importa mencionar as potentes propriedades deste composto:
- Cardioprotetora
- Antioxidante
- Antiplaquetária
- Anti-inflamatória
- Redutora dos níveis de glicose no sangue
- Anticancerígena
- Protetora contra doenças neurodegenerativas
- De melhoria da osteoporose
No entanto, muitos destes benefícios foram observados em estudos realizados a nível celular e animal, pelo que se pode dizer que algumas das investigações sobre a funcionalidade do resveratrol ainda estão numa fase inicial.
Que papel desempenha na obesidade?
Para nos podermos focar neste ponto, convém fazer um esclarecimento prévio: a obesidade é uma doença causada por diferentes fatores. Considerada um dos grandes males da população no que diz respeito à saúde, vai muito além do mero excesso de gordura corporal.
Assim, pode dizer-se que altera uma grande quantidade de parâmetros metabólicos predisponentes ao desenvolvimento de outras patologias.
Efeito antiobesogénico
Nos ensaios realizados com animais, o resveratrol mostrou ser capaz de inibir a proliferação de adipócitos (células que armazenam a gordura corporal), reduzindo a lipogénese de novo e promovendo a lipólise e a beta-oxidação.
Por outras palavras, poderia dizer-se que é uma molécula capaz de criar um ambiente antiobesogénico a nível metabólico.
Os estudos citados até ao momento sugerem que o resveratrol pode simular os efeitos da restrição calórica, com as importantes consequências que isso acarreta na perda de peso.
Estudos relacionados com a perda de peso
Do mesmo modo, também não mostrou efeitos significativos sobre o metabolismo basal. Por outras palavras, não se conseguiu demonstrar que tenha um efeito “termogénico” ou que potencie o gasto calórico.
Convém referir que, na opinião dos próprios autores da meta-análise, a maioria dos estudos em que não se verificou efeito sobre o peso corporal foi realizada durante curtos períodos de tempo, que em nenhum caso ultrapassaram os 2 meses.
Se partirmos da base de que, em muitos deles, se pediu aos participantes que não alterassem as suas rotinas alimentares, não surpreende que 2 meses sejam considerados um período demasiado curto para se poderem apreciar diferenças significativas.

Aumento da adiponectina
Por outro lado, o tecido adiposo produz uma hormona que recebe o nome de adiponectina.
Toma nota dos principais efeitos da adiponectina!
- Favorece a sensibilidade à insulina
- Melhora a função endotelial
- Promove a oxidação dos ácidos gordos
- Diminui a produção de glicose no fígado
- Atua como agente anti-inflamatório e cardioprotetor
São os baixos níveis desta hormona que, unidos aos níveis elevados de leptina (outra hormona segregada no tecido adiposo), se relacionam com maior adiposidade, aterosclerose e risco cardiovascular.
Uma meta-análise de ensaios clínicos sobre o resveratrol concluiu a sua eficácia ao aumentar as concentrações de adiponectina, independentemente da dose, do tempo de tratamento e dos níveis iniciais desta hormona e de leptina. Ainda assim, os seus autores pedem cautela na interpretação destes resultados.
Resveratrol e doença hepática
O fígado gordo não alcoólico (FGNA) é considerado a patologia hepática crónica com maior prevalência em todo o mundo. A razão? A sua estreita ligação ao excesso de peso e à obesidade.
Ambas as condições favorecem a acumulação de gordura a nível visceral.
Em doentes com FGNA, o resveratrol conseguiu mostrar uma redução do grau de gravidade da doença em participantes suplementados com 500 mg diários de resveratrol.
Apesar disso, este estudo encontra-se entre o reduzido número dos que indicaram que a suplementação estava relacionada com diminuições no peso e na gordura corporal. Por esta razão, cabe a possibilidade de que a menor gravidade da doença mencionada esteja mais relacionada com a perda de gordura do que com a suplementação em si.
Pelo contrário, noutro dos estudos recolhidos na mesma revisão observou-se uma diminuição dos níveis de gordura intra-hepática, sem que se produzisse uma redução significativa do peso ou da gordura.
Benefícios a longo prazo
No ano de 2016 realizou-se uma intervenção em doentes com FGNA. A ideia era que recebessem um suplemento diário de 3 doses de 500 mg de resveratrol ou um placebo durante 6 meses, de tal forma que, a associação da ingestão de suplementos com resveratrol e a redução dos níveis de gordura hepática e de transaminases (enzimas do fígado) foi caracterizada pela fraqueza.
Indo um passo mais além, num estudo em que os participantes receberam uma dose mais baixa, de 150 mg/dia, nem sequer se observaram essas melhorias.
Ainda assim, a nível global poderia produzir-se uma redução do estado pró-inflamatório em doentes hepáticos, o que, em princípio, poderia representar menos complicações a médio e longo prazo.
Como funciona no controlo glicémico?
O resveratrol mostrou a sua eficácia em estudos realizados em animais, ao melhorar a sensibilidade à insulina e o controlo dos níveis de glicose no sangue. Por outro lado, os resultados dos estudos realizados até ao momento em seres humanos não são tão claros.
Uma meta-análise indicou que a suplementação com resveratrol reduziu:
- Os níveis de glicemia e de insulina em jejum
- A hemoglobina glicada (HbA1c, uma medida da glicemia a médio prazo)
- Melhorou a resistência à insulina em doentes com diabetes
No entanto, esses resultados não se replicaram entre aqueles que não sofriam desta doença.
Embora seja inegável que se trata de resultados que, à partida, parecem promissores, a evidência mais recente parece afastar-se dessa linha. A razão? Num estudo bastante mais atual não se observaram diferenças por parte dos doentes diabéticos nem ao consumir 40 mg, nem 500 mg.
No entanto, a utilização de 250 mg de resveratrol em conjunto com fármacos indicados para o controlo glicémico revelou-se superior ao consumo desses medicamentos de forma isolada.
Qual é o seu papel na doença cardiovascular?
A síndrome metabólica desencadeia complicações de muito diversa índole, uma das quais é a temida doença cardiovascular. Em concreto, a hipertensão contribui de forma notável para o seu desenvolvimento.
Por isso, evitar valores elevados de pressão arterial pode tornar-se um importante mecanismo de prevenção.
O resveratrol mostrou atuar por diferentes vias através das quais é capaz de gerar um efeito anti-hipertensivo.

Além disso, o resveratrol parece poder diminuir especialmente a pressão arterial sistólica, considerada uma peça-chave no que se refere ao aumento do fator de risco cardiovascular.
Reduz a hipertensão
Um estudo demonstrou que a suplementação com resveratrol melhorava a ação de um medicamento tipicamente utilizado para o tratamento da hipertensão arterial. Ainda assim, esses resultados devem ser interpretados com cautela, mas à partida sugerem que se trata de uma substância que poderia contribuir para a diminuição da dose de fármacos em doentes hipertensos.
Reduz a aterosclerose
Outro dos fatores que contribuem para a doença cardiovascular é a formação de placas de ateroma, uma condição conhecida como aterosclerose. A formação dessas placas costuma iniciar-se com a oxidação do LDL, um dos principais veículos pelos quais o colesterol circula no sangue.
Essas partículas oxidadas introduzem-se na parede do vaso sanguíneo, promovendo a sua inflamação e o aumento da sua rigidez.
Ainda assim, não existem opiniões unânimes entre os especialistas relativamente a saber se o resveratrol pode ou não melhorar o perfil lipídico (formado pelas concentrações de LDL, HDL, colesterol total e triglicéridos), uma vez que existem estudos a favor e contra.
Reduz a inflamação
Por outro lado, combinar resveratrol com frutoborato de cálcio (substância presente em várias frutas e verduras que estabiliza o resveratrol ao nível intestinal) mostra uma redução dos níveis de inflamação e de disfunção sanguínea em doentes isquémicos.
Consulta a dose padrão deste composto
A dose padrão recomendada de resveratrol vai depender dos fatores individuais de cada pessoa, como possam ser saúde, sexo, idade e circunstâncias particulares de cada uma delas.
Hoje em dia, ainda não existe informação científica que possa ser considerada suficientemente sólida acerca da dose exata e ótima de resveratrol.
Ainda assim, e dado que se trata de um produto completamente natural, a sua toma é segura. Quanto à dose, o mais sensato é respeitar as indicações do folheto informativo do suplemento nutricional em questão.
O Resveratrol tem contraindicações? E efeitos secundários?
Em linhas gerais, o resveratrol é bem tolerado numa ampla faixa de dosagem. Isso é sustentado pelo facto de atualmente não se terem conseguido determinar com certeza os efeitos adversos do consumo desta substância, embora exista uma grande quantidade de estudos que revelem níveis elevados de tolerância por parte de certos indivíduos durante o decorrer das investigações.
O mesmo acontece com substâncias do tipo hipocolesterolemiantes, antiarrítmicos, inibidores de proteases, antagonistas dos canais de cálcio, ciclosporina, terfenadina, tacrolímus, sildenafil e benzodiazepinas.
Todos os medicamentos mencionados seguem a ação da enzima citocromo P450 como via metabólica, sem que existam indícios de que o resveratrol possa inibir essa enzima, mas sim de que seja capaz de reagir com estes medicamentos ampliando os seus efeitos bastante acima do aceitável.
Ao mesmo tempo, também se sabe que mulheres grávidas e lactantes, crianças pequenas ou pessoas com cancro que sofram de elevada suscetibilidade às hormonas, como pode acontecer no caso do cancro dos ovários, não devem consumir esta substância. Se o fizerem, poderão dar origem a resultados indesejados ou a um aumento dos seus possíveis efeitos secundários.
Em qualquer caso, lembra-te de não o combinar com a toma de medicamentos tão frequentes como ibuprofeno ou aspirina, na medida em que são anticoagulantes.

Para quem está indicada a sua toma?
De acordo com o que vimos a dizer, a toma de cápsulas de resveratrol é muito útil para:
- Quem quer fortalecer o seu sistema cardiovascular. Os investigadores conseguiram demonstrar que se trata de uma substância cardioprotetora que, além disso, pode prevenir o aparecimento de problemas cardíacos
- Quem deseja fortalecer a visão. Da mesma forma, descobriram que o resveratrol tem a capacidade de modular a angiogénese (ou crescimento dos vasos sanguíneos), podendo travar o crescimento anormal dos mesmos, o que pode ter um efeito negativo na visão
- Quem pratica desportos de resistência. E isso devido ao caráter antioxidante desta substância
Em suma…
Compreendendo que é muita a informação que te estamos a fornecer sobre o resveratrol e, no nosso afã sintetizador, vamos resumi-la em alguns pontos importantes com os quais te interessa ficar:
- Faz parte do grupo de substâncias que se conhecem como antioxidantes. Podes encontrá-lo em numerosas fontes alimentares de origem vegetal, sendo as uvas e o vinho tinto as mais célebres de todas.
- É a sua natureza antioxidante, juntamente com as múltiplas investigações levadas a cabo tanto a nível celular como em animais, que fez com que o resveratrol recolhesse o sucesso de que desfruta nos últimos anos.
- Costumam atribuir-se-lhe propriedades associadas ao anti-envelhecimento ou à proteção contra a doença cardiovascular, a obesidade, a diabetes ou o cancro, entre muitas outras.
Até que ponto é eficaz?
Com frequência, os investigadores testaram a eficácia desta substância perante diversas complicações metabólicas, verificando-se, em linhas gerais, que não foi possível replicar amplamente nos estudos clínicos em humanos os resultados obtidos em animais.
Essa falta de concordância pode dever-se à enorme variabilidade existente entre uns estudos e outros, a nível de:
- Doses utilizadas
- Tempo de suplementação
- Características dos sujeitos
- Administração conjunta com outras substâncias ou fármacos
Apesar de não se poderem emitir recomendações específicas, acredita-se que o resveratrol poderia ser mais eficaz em indivíduos que sofrem complicações cardiovasculares. Na mesma linha, poderia ser coadjuvante em terapias contra a diabetes e a hipertensão.
Em conclusão
Não há dúvida de que o resveratrol oferece resultados dos mais promissores a nível pré-clínico, algo que ainda deve ser confirmado em seres humanos por meio de estudos controlados, com amostras de maior dimensão e a longo prazo, como garantia de fiabilidade.
São muitos os aspetos que contemplámos neste post sobre o resveratrol. Por isso, esperamos ter esclarecido as tuas dúvidas a propósito desta molécula. Se te surgir alguma mais, aqui estamos para a esclarecer!
Fontes Bibliográficas:
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- Mohammadi-Sartang M, Mazloom Z, Sohrabi Z, Sherafatmanesh S, Barati-Boldaji R. Resveratrol supplementation and plasma adipokines concentrations? A systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Pharmacol Res. 2017;117:394-405. doi:10.1016/j.phrs.2017.01.012.
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