Se são praticantes de CrossFit, é possível que exista uma relação amor-ódio com o seguinte exercício: o Thruster.
Não obstante, no seguinte artigo vamos expor as fases para realizar corretamente o exercício, e vamos identificar os erros comuns.
Índice
O que é um Thruster?
O Thruster é uma combinação de um Agachamento Frontal (Front Squat) e do Push Press num só movimento.
Especificamente, é um exercício global multiarticular com:
- Elevada exigência metabólica e do sistema lombo-pélvico;
- Elevada produção de força-velocidade dos membros superiores e inferiores.
Ao contrário da pega em rack do front squat, o Thruster requer uma pega firme da barra, devendo-se colocar os cotovelos numa posição mais baixa para facilitar o impulso vertical.
Os Thrusters como exercício mágico
Os Thrusters são um exercício atraente devido à consecução de intensidade por meio de:
- Frequência cardíaca;
- Estímulo de hipertrofia;
- Perda da percentagem gorda.
É uma tarefa básica para atletas experientes, não obstante, um correto processo de ensino-aprendizagem dos elementos que formam o exercício vai proporcionar um exercício eficaz e eficiente para qualquer utilizador.
Thruster com barra
Os Thrusters com barra são excelentes para aquelas pessoas que o possam executar de forma eficaz, mas não é assim tão fácil para a maioria dos desportistas:
“Treinar para desenvolver corretamente os Thrusters”.
Thruster: Técnica Correta
A execução técnica é um componente chave dentro do processo de treino do Thruster.
Concretamente, este exercício é formado por 4 fases que devem ser bem diferenciadas:
1. Posição inicial
- Pés separados à altura dos ombros ou ligeramente para fora da linha dos ombros.
- Joelhos e ancas em extensão.
- Retroversão pélvica: respeitando a curvatura fisiológica lombar normal.
- Bracing abdominal (co-ativação global abdominal).
- Pega em rack frontal (front rack position).
- Ligeira rotação externa dos ombros
- Os polegares roçam os deltóides laterais
- Cotovelos altos (menor que o agachamento frontal).
- Cabeça e pescoço alinhados com a vertical.
- Olhar em linha reta.

2. Fase de descida
- Flexão e descida da anca.
- Flexão e excursão (até à linha dos pés) dos joelhos.
- As ancas descem abaixo da linha dos joelhos.
- Vai manter-se a curvatura lombar.
- Os cotovelos não alteram a sua posição e fazem resistência à sua descida.
- A cabeça e o olhar vão manter-se fixos e alinhados com a vertical.

3. Fase de subida
- Os joelhos e as ancas esticam-se rapidamente e em coordenação.
- Os calcanhares permanecem apoiados até que as ancas e joelhos se estiquem completamente.
- No ponto de máxima extensão, os braços esticam-se para realizar o press/push.
- A barra move-se pela linha média do pé.
- Uma vez superada a linha horizontal dos ombros, a barra desloca-se para cima e para trás.
- O pescoço estica-se (afasta/separa) ligeiramente para facilitar o impulso vertical.

4. Bloqueio
- O movimento termina com uma extensão completa da anca, joelhos e braços.

5. Reinício e encadeamento de fases
- O pescoço vai voltar a esticar-se para facilitar a descida da barra até aos ombros.
- Descida da barra em modo front rack position: os cotovelos flexionam-se para diante do corpo.
- O seguinte Thruster vai começar quando a barra voltar aos ombros.

Vídeo Thruster
Construção dos Thrusters
A construção de uns Thrusters corretor é determinada pela identificação e intervenção sobre aqueles fatores implicados na eficácia e eficiência do movimento.
Concretamente, podem observar-se dois grupos: Front Squat e Push Press.
Como consequência, estes movimentos estão baseados na mobilidade, estabilidade e ativação muscular analítica.
Por isso, as chaves do treino são reduzidas à avaliação e intervenção sobre os seguintes fatores de risco:
Front Squat
Movimento baseado em desenvolver um agachamento enquanto se sustém (agarra em rack frontal) uma barra sobre os ombros (deltóides anteriores).
Seguidamente, vão identificar-se os elementos críticos que devem ser treinados e reavaliados constantemente com a finalidade de obter um agachamento frontal top:
Front Rack Position
A posição ideal do front rack depende em grande medida do indivíduo (tamanho das extremidades, lesões anteriores e as limitações de mobilidade), desempenhando um papel essencial o facto de se encontrar a posição mais cómoda e estável.
- Ligeira rotação externa dos ombros.
- Polegares roçam os deltóides laterais.
- Cotovelos elevados (menor que o agachamento frontal).

Extensão Torácica
- Ativação e Controlo Lombo-Pélvico (Core)
- Mobilidade e Ativação da anca
- Dorsiflexão do Tornozelo.
- Ativação da musculatura intrínseca do pé.

Push Press
Movimento de força-velocidade, baseado num impulso vertical mediante uma quádrupla extensão: tornozelo, joelhos, ancas e ombros.
- Ativação e Controlo Lombo-Pélvico
- Front Rack Position
- Ativação e Mobilidade do ombro.

Trabalhar a técnica
Uma vez identificados e corrigidos os anteriores fatores de risco do front squat e do push press, o passo seguinte a dar é o aumento do rendimento nesses exercícios de forma isolada mas coerente com o objetivo.
Regra geral, o rácio de trabalho push press e front squat é de 1:2 e 1:3, isto é, por cada impulso vertical (push press), devem fazer-se o dobro ou o triplo de agachamentos frontais.
Finalmente, é necessária a integração e otimização do movimento por completo, resultando em Thrusters como um movimento único e fluido.

Erros comuns
A deteção de erros durante a execução de um movimento durante um processo de aquisição do movimento, ou durante o desenvolvimento de um treino, é uma componente básica da metodologia e planificação do treino desportivo.
- Dificuldade na manutenção do front rack position.
- Movimento descoordenado e pouco fluido.
- O tronco desloca-se para a frente durante a fase de descida.
- Impulso vertical mediante o uso exclusivo dos membros superiores.
- Flexão do pescoço (a cabeça orienta-se para baixo).
- Uso do suicide grip.
- Antecipação da fase de descida.
- Deslocação da barra para fora da linha vertical do corpo.
- Falta de extensão completa dos membros no final do movimento.
Variantes
O princípio da variedade no treino ou do movimento é um dos princípios básicos e essenciais do treino desportivo.
Por isso, é necessário comentar as principais variantes do Thruster e tratar brevemente as características dos movimentos.
Não obstante, cada exercício está determinado com base em:
- Complexidade da execução;
- Produção/capacidade de força;
- Exigências do complexo lombo-pélvis-abdómen (Core); e
- Habilidade de ensino-aprendizagem.
| KB Thruster | Barbell Thruster | Dumbbell Thruster | Plate Thruster | Sandbag Thruster | |
| Complexidade | Alta | Alta | Média | Baixa | Baixa |
| Força | ?? | ???? | ??? | ? | ?? |
| Exigências Core | ➕➕➕➕➕ | ➕➕➕ | ➕➕➕➕ | ➕➕ | ➕➕ |
| Aprendizagem | ????? | ????? | ?? | ? | ? |
KB Thruster
Dumbbell Thruster
Plate Thruster
Sandbag Thruster
Bibliografia
- Bruno, B. (2015). Better than Thrusters. T-Nation.
- Burgener, S. (2019). Tips & Trick for more efficient Thrusters. Invictus.
- Crossfit © (2015). Guía del entrenamiento nivel I. Crossfit©.
- Dewar, M. (2017). 5 Drills to Improve your Front Rack Position This Week. Barbend.
- Eckert, R., & Snarr, R. L. (2014). Kettlebell thruster. Strength & Conditioning Journal, 36(4), 73-76.
- Soriano, M. A., Suchomel, T. J., & Comfort, P. (2019). Weightlifting overhead pressing derivatives: a review of the literature. Sports Medicine, 49(6), 867-885.

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