O Desportista de Elite: Nasce ou Faz-se?

O Desportista de Elite: Nasce ou Faz-se?

Neste artigo, vou partilhar de maneira muito resumida alguns dos aspetos chave para compreender a relação entre o perfil genético de uma pessoa, o seu talento, e que esta chegue a ser desportista de elite. Nasce ou Faz-se?

Que relação existe entre a genética e o desporto?

Falar de genética e desporto é aventurar-se numa matéria imensa de conhecimento e de muitas interrogações que ainda estão por se descobrir.

É claro que este tema é um dilema ainda por conhecer na sua totalidade. Resolver essa relação entre genética e ambiente e ver a interrelação e predominância de uma delas para determinar se o atleta de elite nasce ou se faz.

Por isso, temos que mencionar que o campo que estuda esta relação é o campo da epigenética.

Esta estuda a relação da expressão ou inibição de certos genes em função de outros fatores, como sejam: o ambiente externo, o treino, a dieta, relações afetivas nos primeiros anos de vida etc…

Em 2003 concluiu-se o Projeto do Genoma Humano, cartografando o genoma humano. Todas as regiões mais ou menos de ADN que contêm os genes tinham sido identificadas, 23.000.

Que relação existe entre a genética e o desporto?

No entanto, devido à complexidade genética, não identificaram nos anos posteriores os genes responsáveis de uma forte influência na prática desportiva.

Se bem que é certo que a herança e a educação estão entrelaçadas em qualquer âmbito da prática desportiva, atualmente as linhas de investigação estão orientadas para conhecer qual tem maior incidência.

“A priori”, podemos pensar que certos caracteres genéticos podem ser determinantes para a predisposição do indivíduo para a prática de um desporto ou outro: sexo, raça, tamanho…

Mas também se sabe que o meio no qual se desenvolveram e evoluiram certas povoações, civilizações e /ou indivíduos afetaram diretamente o perfil genético de ditas populações com o passar do tempo.

Sim se pode afirmar que pode existir uma predisposição genética para a prática de um desporto e não outro em função da disposição das fibras musculares, níveis hormonais de certas hormonas predominantes… mas à margem de que possam ser uma ajuda para ter êxito em determinado desporto específico, está claro que não são tudo.

Portanto, pode afirmar-se que: o meio no qual um desportista de desenvolve não apenas marcará a sua evolução, mas também pode determinar o seu êxito ou fracasso nesse desporto.

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O que faz um desportista para chegar até à elite?

Então,

  • Que outros fatores provocam que um desportista passe a ser um de categoría elite?
  • Quais são os fatores que predispõem o desportista a que seja um caso de êxito na sua disciplina?

Como bem indicámos, o meio psico-social tem um papel relevante no desenvolvimento e na evolução dos desportistas desde tenra idade até conseguir o êxito da sua carreira desportiva.

Mas não é o único, já que a prática constante e continuidade vão por de manifesto essas qualidades extraordinárias.

Que gene influi na velocidade e na resistência

Já referimos que existe ainda um grande desconhecimento de quais os genes que nos fazem melhores atletas. No entanto, através de diferentes estudos levados a cabo pela neurologista pediátrica e especializada em genética Kathryn North, estabeleceu conclusões muito reveladoras: o gene ACTN3 e a proteína alfaactinina-3.

Em um de«os seus estudos, reuniu ADN de pessoas com abundantes fibras de contração rápida: o dos velocistas de elite.

Juntamente com o Instituto Australiano de Desportos, realizaram experiências a desportistas internacionais. Entre os resultados destacados, enquanto os velocistas australianos, 18% tinham 2 cópias deste gene ACTN3, quase nenhum dos velocistas de elite do país o possuiam.

Os velocistas não apenas tendiam em geral a não ter duas cópias do ACTN3 mas, quanto melhores eram, menos probabilidades de que fossem XX.

A autora concluiu que este gene codifica a velocidad e encontra-se nas fibras musculares de contração rápida.

No caso de desportos de resistência, encontramos o gene ECA que regula o volume sanguíneo, o que gera a enzima conversora da “angiotensina” e que apresenta um papel fundamental tanto na regulção do volume sanguíneo, equilíbrio dos electrólitos, assim como na pressão arterial.

Algumas variantes deste gene está relacionada com uma diminuição da resistência periférica, permitindo que chegue mais sangue aos músculos periféricos e, portanto, maior parte de oxigénio, de modo que o desportista de resistência se veria favorecido.

O talento desportivo nasce ou faz-se?

Para falar do talento, à margem do desporto, li o Livro de Daniel Coyle, “As Chaves do Talento”.

A ideia inicial é determinar por que umas pessoas têm habilidades especiais, e inclusivamente desconhecidas para eles, e que fator é o que faz com que dita habilidade seja desenvolvida.

Que parte do nosso cérebro é ativada, ou qual é o mecanismo neurológico através do qual uma prática específica se converte em habilidade.

Entre os estudos e descobrimentos científicos, destaca-se a descoberta de que existe um isolador natural, a mielina, a que muitos neurologistas consideram o santo graal das habilidades, sejam estas quais forem.

Ou seja, qualquer que seja a habilidad humana, é oriunda de uma cadeia de fibras nervosas que transmite um diminuto impulso elétrico, que viaja através de um circuito.

O talento desportivo nasce ou faz-se?

A mielina rodeia essas fibras nervosas, de modo isolante.

Desta maneira favorece que os impulsos elétricos não se escapem e viajem através desse circuito de forma mais rápida e forte. Quanto maior seja a camada dessa mielina, maior a capacidade de isolamento, de maneira que os nossos pensamentos e movimentos serão mais velozes.

Portanto, quanto mais tempo se dedique a praticar corretamente, mais tempo passemos nessas zonas adequadas de ativação, maior ativação nesses circuitos nervosos e, portanto, maiores habilidades são obtidas.

Nesse sentido, podemos ter um talento inato para encestar triplos do cesto, mas para o verdadeiro desenvolvimento e êxito, é necessário a prática constante e intensa e que se ponha a maior atenção possível…

Talento desportivo genético

Pelo que, o talento desportivo é a base da boa prática e de ter um meio que facilite a mesma.

No ambiente desportivo, a prática orientada e focada na aprendizagem e o erro são fundamentais. Para construir um bom circuito de conexões, a melhor maneira é ativá-lo, prestar atenção aos erros e ativá-lo continuamente.

Também a paixão e a preserverança têm um importante papel, já que provocam o querer recorrer à prática constantemente, e engrossar os circuitos dessa mielina necessita grandes doses de tempo e de energia.

Conclusões

Visto tudo o anterior, existe ainda um grande campo de investigação que nos pode ajudar a determinar que perfil genético é o próprio de um atleta de elite, sem ter em conta os fatores ambientais e externos, todavia podem existir vários .

O nosso perfil genético pode predispor-nos a desenvolver dentro de um campo e/ou desporto, mais orientado para a resistência ou força / potência, e pode afetar a outras variáveis como a alimentação, efeito ergonénico de certos suplementos…

No entanto, fatores ambientais como o meio promotor do desenvolvimento nesse desporto, o compromisso com o desporto e a capacidade de trabalho e desenvolvimento, serão chave para converter a um desportista geneticamente dotado num desportista de elite.

Referências Bibliográficas:

  1. Coyle, Dan. “ Las Claves del Talento”, 2009, Editorial Planeta.
  2. Epstein, David. “ El Gen Deportivo”, 2014, Ediciones Urano.

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