Fazer Cárdio na Fase de Volume?

Fazer Cárdio na Fase de Volume?

No âmbito da musculação, o exercício aeróbico, também conhecido como “cárdio” foi reduzido a uma ferramenta para aumentar o consumo energético e desta forma conseguir diminuir a nossa percentagem gorda de forma mais rápida ou gerando reduções calóricas menores através da dieta. Cárdio na Fase de Volume.

Cárdio apenas em Definição?

O cárdio é realizado classicamente na etapa de definição ou secagem, caindo no esquecimento nas etapas de volume ou ganho de massa muscular, já que se o nosso objetivo é gerar um supéravit calórico para dispor de energia para os processos de síntese proteica, para quê vamos aumentar o consumo energético?, parece contraproducente, verdade?

A Importância do Exercício Cardiovascular ou “Cárdio”

O exercício aeróbico demonstrou ser uma importante ferramenta para aumentar a nossa capacidade cardiorrespiratória e a nossa condição física, sendo um catalisador para reduzir o risco de mortalidade por doenças cardiovasculares e cancro, entre outras, existindo uma correlação negativa entre condição física e risco de mortalidad por todas as causas (Blair et al. 1989)

O exercício aeróbico de baixa intensidade, que é aquele que recomendo como primeira opção em qualquer momento da temporada, já que é o que nos vai gerar um menor fenómeno de interferência quando o nosso objetivo seja ganhar massa muscular, produzindo uma menor estimulação nervosa, e será aquele que vai utilizar predominantemente ácidos gordos como substrato energético.

Neste artigo vou dar a minha visão pouco ortodoxa do cárdio e por que motivo considero importante realizá-lo durante todo o ano, em etapas de volume e de definição.

Importância do Exercício Cardiovascular ou Cardio na fase de volume

Para compreender bem o artigo e a fim de não ter que repetir conceitos, recomendo que leias o meu último artigo sobre a oxidação de ácidos gordos.

No artigo sobre a oxidação de ácidos gordos falava sobre a mitocôndria, aquele orgânulo celular onde os ácidos gordos sofrem um processo denominado beta-oxidação, ou seja, o lugar onde “queimamos a gordura”

O Treino com Cargas dificulta a Eficiência na Perda de Gordura?

Certas investigações apoiam a hipótese de que o treino com pesos pode danificar as mitocôndrias, reduzindo o número e o tamanho das mesmas, principalmente por mecanismos induzidos pela criação de espécies reativas de oxigénio e pela hipóxia local causada pela repetida contração muscular que aumenta o “inchaço celular” (mais conhecido como cellular swelling ou pump).

(Webster, 2009) fala-nos acerca de como as espécies reativas de oxigénio podem iniciar o processo de dano mitocondrial, danificando a permeabilidade da membrana.

O Treino com Cargas dificulta a Eficiência na Perda de Gordura?

Além de ver como a diminuição do PH, causa de uma acidose induzida pelo protagonismo do metabolismo anaeróbico láctico (predominante no treino de musculação) pode danificar a capacidade de produzir ATP na mitocôndria alterando o grau iónico através das membranas e produzindo a morte da célula (necrose celular).

Os mecanismos pelos quais este processo pode suceder são complexos e são estudados em casos graves de infartes ou doenças cardiovasculares, desconhecemos o alcance que pode ter a acidificação voluntária (mediante exercício físico) sobre a integridade da mitocôndria, mas podemos tomá-lo em consideração.

O Exercício Aeróbico Melhora a Eficiencia da Queima de Gorduras?

No entanto, o exercício com um metabolismo predominantemente aeróbico, como caminhar ou correr a baixa intensidade, é uma ferramenta importante para favorecer a biogénese mitocondrial, que é o processo pelo qual aumenta o tamanho, o número, o conteúdo e a atividade das mitocôndrias.

Isto, segundo (Hood, 2009) deve-se à ativação de certas proteínas em consequência do exercício físico que ativa a expressão génica mitocondrial resultando num aumento da rede mitocondrial e uma maior capacidade de produzir ATP.

O exercício aeróbico deve ser concebido como o contra-peso na balança do “dano” produzido pelo volume: treinos intensos, como os mencionados anteriormente, que podem afetar a integridade celular.

O Exercício Aeróbico Melhora a Eficiência da Queima de Gorduras? Cardio na fase de volume

Dichas sesiones son dañinas para nuestras mitocondrias, y donde un menor número de mitocondrias es igual un menor número de “hornos” disponibles para quemar grasa.

O resultado vai ser um maior ganho de gordura em etapas de volume e um maior esforço para a sua perda em etapas de definição.

Deve Suprimir-se o Cárdio em Volume?

Não, de forma nenhuma.

Tão simples como incluir pequenas sessões de exercício físico aeróbico de forma regular para manter a gordura à risca, inclusive em volume.

Fontes

  1. Webster, K. A. (2009, September). Mitochondrial Death Channels. American Scientist.
  2. Hood, D. A. (2009). Mechanisms of exercise-induced mitochondrial biogenesis in skeletal muscle. Applied Physiology, Nutrition, and Metabolism = Physiologie Appliquee, Nutrition et Metabolisme, 34(3), 465–472.
  3. Blair, S. N., Kohl, H. W. 3rd, Paffenbarger, R. S. J., Clark, D. G., Cooper, K. H., & Gibbons, L. W. (1989). Physical fitness and all-cause mortality. A prospective study of healthy men and women. JAMA, 262(17), 2395–2401.

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Avaliação Cárdio em Fase de Volume

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Sobre Alfredo Valdés
Alfredo Valdés
É especialista em treino de fisiopatologia metabólica e nos efeitos biomoleculares da alimentação e do exercício físico.
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