Hoje vamos falar de um dos aminoácidos essenciais: Histidina ou L-Histidina. Te contamos as suas propriedades e benefícios para a saúde e rendimento.
Índice
O que é a Histidina?
A histidina é um dos 22 aminoácidos proteinogénicos, aqueles que codificam nosso código genético e são utilizados para a síntese de proteínas. Além disso esta considerado um dos 9 aminoácidos essenciais que devemos consumir a través da dieta para evitar sofrer signos de degradação proteica e má-nutrição.
Onde podemos encontrar?
Na natureza encontramos o enantiómero levorrotarorio da histidina, ou seja, a forma L-histidina.
É um aminoácido muito presente em grande quantidade de alimentos, tanto de origem animal como vegetal, pelo que a sua carência é uma condição estranha e normalmente associada a alterações genéticas ou má-nutrição severa.
As quantidade de L-histidina nas fontes alimentarias habituais em uma dieta occidental são:
| Origem Animal | |
| Alimento | Quantidade/100g |
| Ovos | 322mg |
| Leite | 93mg |
| Vaca | 849mg |
| Porco | 647mg |
| Frango | 937mg |
| Robalo | 552mg |
| Origem Vegetal | |
| Alimento | Quantidade/100g |
| Soja | 1170mg |
| Feijão | 303mg |
| Ervilhas | 85mg |
| Trigo | 228mg |
| Milho | 251mg |
| Arroz | 165mg |
| Batata | 28mg |
| Couve-flor | 37mg |
| Quinoa | 478mg |
Tabela I. Fontes alimentares de L-histidina (Tessari et al., 2016).
Para que serve?
A L-histidina é um aminoácido essencial, e como tal, sua administração externa esta requerida para a síntese de proteínas.
Da mesma maneira, a L-histidina é o aminoácido precursor da síntese de outros compostos biológicos como a histamina (actuando com um modulador imunológico), e a carnosina (um potente antioxidante endógeno).
A própria histidina está envolvida na catálise de um amplo leque de reações:
- A metilação dos resíduos de arginina.
- A síntese de ácido urocánico
- Precursor ao mesmo tempo da síntese de ácido glutámico,
- Protetor da radiação Ultravioleta na pele e imuno-regulador.
- A biosíntese de outros compostos orgânicos intermediários genómicos, e não genómicos.
Importância da Histidina
Síntese de Histamina
A importância da L-histidina foi claramente determinada no momento que se estabeleceu uma relação directa e imprescindível com a síntese de histamina, uma amina libertada pelos determinados tipos de glóbulos brancos em resposta a deteção de um antígeno (agente extranho que entra no nosso corpo).
O clássico efeito de “reação alérgica” onde sofremos de urticaria, edema, broncoconstrição, secreção mucosa, aumento da permeabilidade vascular, lacrimejo, tosse…
Todos esses signos, que são desagradáveis para nós, são necessários para proteger de um agente extranho já, que facilitam a orientação e a fusão dos leucocitos aos antígenos e o controle de moléculas inflamatórias no organismo, ou seja, a resposta protetora do sistema imunológico.
Proteção neurológica
A histamina e a histidina, cumpre um papel imprescindível na proteção do organismo, especialmente sobre a integridade das vainas de mielina que recobrem os axones das neuronas, cujo mantimento é imprescindível para evitar desenvolver doenças neurodegenerativas (como o Parkinson, o Huntington, ou a Esclerose múltipla).

Figura I. Efeitos da histamina no organismo.
Sistema Digestivo
Necessitamos a histamina para estimular a produção de protões nas células parietais do estômago, permitindo a normal produção do ácido clorhídrico e, por tanto, o entorno ácido requerido no meio estomacal.

Figura II. Mecanismo de secreção ácida no estômago. (Bowsen, s.f.).
A histamina e os seus mecanismos mediados pela activação dos receptores H2 no estômago são imprescindíveis para poder digerir corretamente os alimentos e não sofrer uma condição de hipoclorhidria, um causante habitual de má-nutrição e transtornos digestivos.
Equilíbrio ácido-base
Além disso aumenta as concentrações de bicarbonato no sistema vascular, nosso principal mecanismo tampa extracelular que permite que nosso pH não descenda ante perturbações do equilibro ácido-base.

Figura III. Escala do meio ácido-base. Extraído de http://med.se-todo.com/himiya/14326/index.html.
A L-histidina é um aminoácido anfótero, ou seja, possui a capacidade de equilibrar do pH do organismo actuando como ácido ou base em função as necessidades do meio.
Rendimento desportivo
Talvez estas propriedades não as conheças. mas certeza que já ouviste falar de carnosina, um dipéptido formado pela união da L-histidina e Beta-Alanina que possui propriedades de tampa intracelular, controlando as mudanças no pH do tecido muscular, protegendo da acidose, e permitindo que possamos seguir fazendo exercício físico de alta intensidade sofrer alterações na função muscular.
Bem, pois estes efeitos da carnosina são produzidos graças a presença do anel imidazol que contém a histidina.

Figura IV. Mecanismo tampam do anel imidazol na cadeia lateral da carnosina. (Lancha Junior et a., 2015).
Por tudo isto a L-histidina relaciona-se com a habilidade para diminuir a resposta inflamatória associada a certas doenças e ao stress induzido pelo exercício físico intenso.
Artrite reumatoide
Além disso esta sendo estudada pelo seu potente efeito na melhora da artrites reumatoide com resultados prometedores sobre a melhora dos sintomas de rigidez e mobilidade reduzida em estes pacientes (Pinals et al., 1977).
Como se toma?
Os requerimentos diários da L-histidina em adultos são de 10mg/kg/dia de acordo com a FAO (1992).
Como podes comprovar na tabela das fontes alimentarias de L-histidina, 100g de carne de vacuno, ou 200g de quinoa são suficientes para satisfazer as necessidades mínimas. Estes limites foram determinantes para situações de pobreza e má-nutrição extrema; atualmente em países ocidentais, na sua carência é um fenómeno extremamente estranho.
Se és um desportista as tuas necessidades de consumo de proteínas são maiores, por isso tendo em conta que estes requerimentos foram estabelecidos na base a um mínimo de 0,66g/kg/dia de proteína, se o teu mínimo é de 1,2g/kg/dia (em função da tua atividade diária), os teus requerimentos da L-histidina serão do dobro.
Fontes Bibliográficas
- Bowsen, R. (s.f.). The Parietal Cell: Mechanism of Acid Secretion.
- Kessler, A., & Raja, A. (2019, 9 octubre). Biochemistry, Histidine. StatPearls – NCBI Bookshelf.
- Lancha Junior, A. H., de Salles Painelli, V., Saunders, B., & Artioli, G. G. (2015). Nutritional Strategies to Modulate Intracellular and Extracellular Buffering Capacity During High-Intensity Exercise. Sports Medicine, 45, 71–81.
- Pinals, R. S., Harris, E. D., Burnett, J. B., & Gerber, D. A. (1977). Treatment of rheumatoid arthritis with L-histidine: a randomized, placebo-controlled, double-blind trial. Journal of Rheumatology, 4(4), 414–419.
- PubChem (s.f.). Histidine.
- Tessari, P., Lante, A., & Mosca, G. (2016). Essential amino acids: Master regulators of nutrition and environmental footprint? Scientific Reports, 6, 26074.
- Tomé, D., Moughan, P., Burlingame, B., Millward, J., Pencharz, P., & Fuller, M. (2017). Evaluación de la calidad de las proteínas de la dieta en nutrición humana: consulta de expertos, 31 de marzo-2 de abril, 2011, Auckland, Nueva Zelanda.

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