Existe uma longa lista de razões e argumentos que podem responder à pergunta, Por que motivo as Pessoas não fazem Exercício?
Hoje tentamos analisar o porquê desse fracasso continuado, esta vez no âmbito do exercício físico. O porquê das pessoas hoje em dia não fazerem exercício físico e é sedentária, é uma pergunta que deveríamos estar à procura dia após dia.
No post de hoje vou referir-me ao “exercício físico”, mas podemos também estar a falar da “atividade física”.
Índice
Costume ou hábito: o fator fundamental
Os profissionais estam cansados de o dizer: em qualquer intervenção dirigida para a melhoria da qualidade de vida, o hábito é essencial
A capacidade das pessoas de “fazer o que há que fazer durante o tempo que o temos que fazer”, seria uma boa e básica forma de definir “hábito/costume”.

E não é para menos, uma vez que costuma ser o fator que falha na maioria dos casos numa tentativa de melhoria da saúde
Vamos analisar quais são as razões que contribuem para que tenhamos uma população cada vez mais sedentária, mas de certeza que podes deixar-nos muitos mais nos comentários:
Motivação
As motivações para uma pessoa se mexer variaram muito em pouco tempo
Não necessitamos (apenas) mover-nos para comer, nem para beber. Ainda me lembro quando os meus avós me contavam que todas as manhãs tinham que andar 5 km para ir ao poço buscar água potável.
É algo a assinalar. Hoje em dia desde a aplicação do smartphone podemos encomendar três pizzas, e dentro de pouco tempo o entregador já as vai meter na nossa boca já mastigadas. A densidade de supermercados e pontos de compra aumentaram nos últimos 10 anos.
Em suma, os “motivos” pelos quais as pessoas se mexem mudaram muito e, quer queiramos quer não, o principal continua a ser a motivação estética.
O que acontece então com a pessoa acomodada, de idade média e que não persegue nenhum fim estético, ou então o avozinho que não quer saber dessa coisa da estética?
Que não têm nenhum tipo de motivação para fazer exercício.

E por isso temos uma população em que 60% são sedentários
Idade
Já alguma vez ouvir falar da frase: Com a minha idade, para que vou eu fazer exercício
Continuamos a ter a ideia enquanto sociedade de que o exercício e a atividade física são coisa da juventude e que conforme se vai envelhecendo temos que nos tornar mais sedentários e cheios de rugas de forma irremediável.
Temos uma epidemia de sarcopenia entre os nossos mais velhos (e nem tanto) que apenas se pode solucionar com exercício físico.
Fatores sociais
Trabalho
Os que prescrevem o exercício físico têm muito claro os seus benefícios, mas por vezes não nos sabemos colocar na pele da outra pessoa
Estou cansado de engolir as minhas próprias palavras quando digo “…tem que treinar diariamente…” e respondem “…eu, querido doutor, sou taxista, trabalho 14 horas diárias em turnos imprevisíveis e quando chego a casa o único que quero é que me deixem tranquilo no sofá…”.

A atividade profissional é uma grande condicionante no momento de realizar exercício físico e de se ser saudável
Por isso é tão importante desenvolver programas de exercício físico no âmbito laboral, legislar a esse respeito e oferecer ao cliente estratégias e treino que maximizem o costume e comprometam o menos possível o estilo de vida da pessoa.
Nível sócio-económico
Por falar de duras realidades, quando uma pessoa está farta e o seu pensamento está dirigido para vaticinar se os seus filhos vão poder comer ou não nos últimos dias do mês, não lhe fales de exercício físico.
Isto que pode parecer uma situação extrema, é a realidade de milhares e milhares de pessoas diariamente. O contexto socioeconómico é outro grande condicionalismo.
Ambiente do indivíduo
O ambiente é tudo. Se te rodeias de pessoas ativas, serás mais ativo. Se os teus amigos saem para passear à tarde, vais ter mais probabilidades de o fazeres também. Se os teus amigos vão tomar umas cervejas, tu também. Se tens um grupo de amigos no ginásio, vais criar esse hábito também.

Se o teu grupo de amigos é sedentário, vão combinar para ver uma série ou tomar umas tapas
Preconceitos
Continuam a existir preconceitos em redor do exercício físico que condicionam o indivíduo:
- “As mulheres ficam grandes se treinam com pesos”
- “Na gravidez não podes fazer exercício”
- “As crianças não devem tocar nos pesos”
- “Se estás constipado não treines”
- “A sala de musculação é para culturistas vaidosos”
- “Treinar com muito peso é mau para as costas”
Prioridades
Existe uma discordância entre o que as pessoas pensam que é a sua prioridade e o que demonstram as suas ações
Se fizermos a pergunta a 10 pessoas de forma aleatória na rua “o que é o mais importante para ti”, pelo menos 6 ou 7 vão dizer “a saúde”.
No entanto, isto é uma ideia e um princípio que despois não se costuma materializar em ações concretas para proteger essa saúde. Os hábitos, condicionalismos e problemas costumam ganhar a batalha.

A saúde não é uma prioridade para a maioria das pessoas
Educação
Desde pequenos que nos metem na cabeça que a “educação física” é menos importante que as outras disciplinas principais, que as atividades desportivas são “ócio”, que “o primeiro é o primeiro”… Associámos inconscientemente o exercício físico a algo hierarquicamente inferior a outras coisas “mais importantes”.

E levamos este condicionalismo para a nossa idade adulta
Ócio tecnológico
Vivemos na era Fortnite…
Os Streamers ganham barbaridades a jogar videojogos precisamente porque têm um público fiél e crescente.
Os pobres pais e mães trabalhadores deixam os seus filhos diante do ecrã enquanto fazem a lida da casa, vendo um momento de respiro perante a loucura da vida quotidiana, e os seus filhos estão a ver o seu youtuber favorito a jogar online.

Cada vez há menos rapazes na rua a brincar, e isto entristece muito
Quando tinha 10 anos brincava com o meu grupo de amigos no parque todas as tardes e, apesar de às vezes se acabar à pedrada ou a brigar, recordo a sensação de cansaço e fome ao chegar a casa depois de 4 horas a correr e a saltar. Crio que isso é justamente o que se está a perder.
Vemo-nos no próximo post!
Fontes Bibliográficas
- Schutzer KA, Graves BS. Barriers and motivations to exercise in older adults. Preventive Medicine. 2004.
- Korkiakangas EE, Alahuhta MA, Laitinen JH. Barriers to regular exercise among adults at high risk or diagnosed with type 2 diabetes: A systematic review. Health Promot Int. 2009;
- Justine M, Azizan A, Hassan V, Salleh Z, Manaf H. Barriers to participation in physical activity and exercise among middle-aged and elderly individuals. Singapore Med J. 2013;
- Mailey EL, Phillips SM, Dlugonski D, Conroy DE. Overcoming barriers to exercise among parents: a social cognitive theory perspective. J Behav Med. 2016.
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