Floss Band ou Faixas Compressivas: O que são, Usos, Benefícios…

Floss Band ou Faixas Compressivas: O que são, Usos, Benefícios…

Hoje vamos contar uma técnica utilizada dentro do âmbito desportivo: Floss Band, ou Faixas Compressivas

Trata-se de uma técnica inovadora que oferece certos benefícios, como melhorar a mobilidade articular ou acelerar a recuperação muscular, entre outros. Vamos à analise!

O que é o Flossing Band e Como funciona?

Também conhecido como CTF (Compression Tack and Flossing), Tissue Flossing, ou Floss Band, é uma técnica de mobilização ativa ou passiva que consiste em envolver a articulação ou región corporal ocluindo parcialmente o fluxo sanguíneo.

A direção do enrolamento da faixa deve ser do extremo distal para o proximal.

A metade da faixa tem que seguir o padrão de sobreposição (sobreposta em cada passagem sucessivamente) de 50% com um alongamento relativo ou um intervalo de força de alongamento de 50-90% do comprimento da faixa.

Depois, o elástico vai tensar esticando a faixa até ao comprimento desejado (por exemplo, 50%).

Em seguida, o cliente/desportista irá realizar uma intervenção de entre 1´-3´ de FB, o qual pode incluir vários movimentos ativos e passivos da região corporal abrangida (Borda e Selhorst, 2017; Cheatham e Baker, 2019; Driller, Mackay, Mills & Tavares, 2017; Driller e Overmayer, 2017).

Materiais e Design

As Floss Bands (figura 1) geralmente são feitas de látex e estão disponíveis em diferentes larguras, densidades e comprimentos (Cheatham e Baker, 2019)

Aqui deixamos um vídeo demonstrativo onde se pode apreciar como o desportista envolve a articulação do joelho e realiza uma série de exercícios:

Origem da técnica

O Flass é uma estratégia popular utilizada pelos profissionais do desporto e da medicina desportiva (Cheatham e Baker, 2019)

Esta técnica tem o seu fundamento na teoria da Hiperemia Reativa (interrupção temporal do fluxo sanguíneo) e na Restrição do Fluxo Sanguíneo (RFS), também chamado este último treinao oclusivo, KAATSU, ou Vascular Oclusion Training (Hodeaux, 2017).

Esta ferramenta ganhou popularidade no livro de Starrett e Cordoza (2013) onde os autores introduxiram a compressão da faix para aumentar o percurso articular, postulando que os mecanismos potenciais por detrás do benefício de usar faixas podem ser atribuidas ao corte fascial e/ou à re-perfusão do sangue ao músculo.

Floss Band para o joelho

Floss Band para o joelho

Por outro lado, os mecanismos implicados podem ser semelhates aos do treino sob restrição parcial do fluxo sanguíneo, pelo qual a re-perfusão do sangue para a zona ocluída pode ser associado com
  • Aumentos na hormona do crescimento e das catecolaminas;
  • Uma maior força muscular, contratibilidade; e
  • Aumento da eficácia de ligação excitação-contração nos músculos (Driller et al., 2017; Hodeaux, 2015)

Flossing Band. Para que serve

A esta técnica inovadora e popular são atribuídos numerosos usos e funcionalidades dentro do campo do treino desportivo, na reabilitação, readaptação e treino físico-desportivo (Cheatham e Baker, 2019; Carlson, Rife & Williams, 2019; Gorny & Stöggl, 2018; Hodeaux, 2017):

  • Diminuição do fluxo do sangue sobre a extremidade.
  • Constrição da articulação envolvida.
  • Aumento do ROM.
  • Diminuição da dor muscular.
  • Aumento da mecânica articular.
  • Aumento da função miofascial.
  • Útil na Reabilitação, Readaptação e Treino de lesões desportivas.
  • Melhoria do rendimento desportivo.
  • Promoção da Hiperemia Reativa.
  • Redução da dor e do edema.
  • Rutura do tecido aderente da musculatura previamente lesionada.

Como aplicar a Floss Band

  1. Cobrir a zona pela parte proximal e distal, envolver o ventre muscular (e/ou tendão), a metade da faixa vai estar sobreposta em cada passagem sucessiva,
  2. O paciente/desportista vai poder sentir uma leve moléstia com esta técnica (“retirar a faixa se experimentar dormência ou formigueiro, ou se a sua extremidade se torna pálida ou azul”)
  3. Manter um alongamento de 75 a 90% na faixa (existem diferenças na faixa em função da articulação)
  4. Retirar a floss band depois da intervenção e caminhar (ou realizar uma atividade aeróbica do membro superior) durante um minuto para permitir que o fluxo do sangue regresse à articulação objetivo.

Estudos e Evidência

A aplicabilidade prática do Tissue Flossing está limitada pelas diferenças metodológicas dos estudos, entre os quais se destacam os seguintes apartados:

Diferentes conteúdos de trabalho

  • Mobilizações e exercícios de força (Bohlen, Arsenault, Deane, Miller, Guadagno & Dobrosielski, 2014; Weber et al., 2018),
  • Tissue Flossing e massagem com bola de Lacrosse (Borda e Selhorst, 2017)
  • Mobilizações (Driller et al., 2017; Driller e Overmayer, 2017; Gorny & Stöggl, 2018; Hodeaux, 2017; Mills, Mayo, Tavares & Driller, 2019)
  • Alongamentos (Kiefer, Lemarr, Enriquez, Tivener & Daniel, 2017)
  • Exercícios de reabilitação com Floss Band (Plocker, Wahlquist & Dittrich, 2015)
  • Exercícios de força ao falho muscular e Floss Band (Prill, Schulz & Michel, 2018)

Ligaduras elásticas e agachamentos

Distintos objetivos

  • O fluxo de sangue (afluência arterial em repouso e o fluxo sanguíneo hiperémico reativo) do gémeo e da força em flexão plantar e dorsiflexão (Bohlen et al., 2014).
  • Tratamento da Tendinopatia de Aquiles (Borda e Selhorst, 2017).
  • O ROM do tornozelo (articulação talo-crural), o rendimento do salto e do sprint em diferentes pontos temporais (5´, 15´, 30´ e 45´) (Driller et al., 2017).
  • O ROM posterior do tornozelo e a altura do salto (Driller e Overmayer, 2017).
  • A regeneração depois dos exercícios de força-resistência e para reduzir a dor muscular de início tardio (DOMS) (Gorny & Stöggl, 2018).
  • O ROM do cotovelo (Hodeaux, 2017).
  • O edema pós-operatório do pedal do membro inferior (Kage e Patil, 2018).
  • A flexibilidade dos tecidos moles e a perceção do movimento do ombro (articulação gleno-humeral) (Kiefer et al., 2017).
  • Rendimento desportivo e o ROM do tornozelo (Mills et al., 2019).
  • A potência das extremidades superiores (UEP) e o ROM do ombro (Plocker et al., 2015).
  • O DOMS percebido (Prill et al., 2018).
  • Doença de Osgood-Schlatter (Weber, 2018).

Metodologia

  • Terapia
  • Durabilidade nas intervenções
  • Heterogeneidade nos sujeitos
  • Diversos instrumentos de medida
  • Variedade nas magnitudes da carga durante as intervenções
  • Marcas das Floss Bands
  • Outros
  • Bilateral (Bohlen et al., 2014; Driller et al., 2017; Mills et al., 2019; Plocker et al., 2015; Weber, 2018)
  • Unilateral (Borda e Selhorst, 2017; Driller y Overmayer, 2017; Gorny & Stöggl, 2018; Hodeaux, 2017; Kage e Patil 2018; Kiefer et al., 2017; Prill et al., 2018).
  • 14 dias (Bohlen et al., 2014), 6 semanas (Borda e Selhorst, 2017)
  • 1 sessão (Driller e Overmayer, 2017; Gorny & Stöggl, 2018; Kiefer et al., 2017; Plocker et al., 2015; Prill et al., 2018)
  • 2 sessões (Hodeaux, 2017; Mills et al., 2019), 4 meses (Kage e Patil, 2018), y
  • 9 semanas (Weber, 2018).
  • Atletas adolescentes (Borda e Selhorst, 2017; Bohlen et al., 2014), atletas amadores (Driller et al., 2017; Driller y Overmayer, 2017),
  • Sujeitos ativos e saudáveis (Gorny & Stöggl, 2018), jogadores de ténis nível elite (Hodeaux, 2017)
  • Indivíduos no pós-operatório com edema do pedal das extremidades inferiores (Kage e Patil, 2018),
  • Universitários (Kiefer et al, 2017; Prill et al., 2018),
  • Atletas profissionais de râguebi masculinos (Mills et al., 2019),
  • Atletas masculinos (Plocker et al., 2015) e futebolista masculino jovem (Weber, 2018).
  • Dinamómetro (Bohlen et al., 2014), pletismografia de oclusão venosa (Bohlen et al., 2014), LEFS e EVA (Borda e Selhorst, 2017), Weight-Bearing Lunge Test (WBLT)
  • Salto com contra-movimento (CMJ) e 15m sprint (Driller et al., 2017; Mills et al., 2019),
  • WLBT,
  • ROM da dorsiflexão e plantarflexão de tornozelo, altura e velocidade de salto vertical de uma só perna (Driller e Overmayer, 2017), goniómetro (Hodeaux, 2017; Plocker et al., 2015),
  • Questionário DOMS e EVA (Prill et al., 2018).
  • 1-3 séries x 10 repetições (Bohlen et al., 2014; Borda y Selhorst, 2017),
  • 2´ de trabalho x 1 série (Driller et al., 2017; Gorny & Stöggl, 2018; Mills et al., 2019),
  • 20 repetições x 1 série (Driller e Overmayer, 2017),
  • 6 exercícios x 3 repetições x 1 série (Hodeaux, 2017),
  • durante 24h (Kage e Patil ,2018),
  • 5 séries x 30” (Kiefer et al., 2017),
  • 3´ x 1 série (Prill et al., 2018),
  • 3 vezes/semana (Weber, 2018).
  • Intervenção diária com o TF (Borda e Selhorst, 2017; Kage e Patil, 2018).
  • Theraband® (Borda e Selhorst, 2017)
  • Life Flossbands® (Driller et al., 2017; Driller e Overmayer, 2017; Mills et al., 2019)
  • Rogue Fitness® (Hodeaux, 2017; Kage e Patil, 2018; Kiefer et al., 2017; Plocker et al., 2015; Prill et al., 2018).
  • Escassos tamanhos da amostra (Kiefer et al., 2017; Borda e Selhorst, 2017; Weber, 2018).
  • Difusão do êxito por outros tratamentos: exercício excêntrico (Borda e Selhorst, 2017).
  • Desconhecimento das características das Floss Bands.
  • Exceto a Rockfloss® (Cheatham e Baker, 2019).
  • Poucos estudos medem a pressão da faixa: 178 ± 18 mmHg (Driller et al 2017; Driller e Overmayer, 2017) y 180 mmHg (Mills et al., 2019).
  • Falta de uma condição placebo/simulada (Driller et al. 2017; Mills et al., 2019).
  • A vantagem psicológica pode ser associada com o uso da Floss Band (Driller et al., 2017; Mills et al., 2019).

Aplicações práticas do Flossing Band

Os anteriores pontos práticos necessitam de ser submetidos a estudo já que são baseados em modelos e deduções teóricas. Por isso, foram revistos e analisados de forma exaustiva aquelas evidências que usam a estratégia do Floss Band.

Como resultado, foram obtidas uma série de aplicações práticas:

Ferramenta e estratégia apropriada para

  • Melhorar o rendimento do ROM (articulação do tornozelo), o salto e o sprint em atletas recreativos, até 45 minutos depois de eliminar as faixas (Driller et al. 2017).
  • Aumentar a dorsiflexão, a flexão plantar e o rendimento de salto com apenas uma perna em atletas recreativos (Driller e Overmayer, 2017).
  • O tratamento do edema do pedal de forma eficaz (Kage e Patil, 2018).
  • Aumentar a flexibilidade do ombro em universitários (psicológica, não física) (Kiefer et al., 2017).
  • Desenvolver o ROM (articulação do tornozelo), o CMJ e o rendimento no sprint, até 30 minutos depois da aplicação em atletas de râguebi nível elite (Mills et al., 2019).
  • Reduzir o DOMS percebido em estudantes universitários (Prill et al., 2018).

Alongar Durante

Tissue Flossing apresenta resultados não significativos ou confusos relativamente a

  • À função vascular (Bohlen et al., 2014): não foram apreciados câmbios no fluxo sanguíneo hiperémico reativo, o que sugere que não há efeitos adversos ou benéficos.
  • Tendinopatia de Aquiles (Borda e Selhorst, 2017): o tratamento manual (floss band e exercícios excêntricos) resolveu com êxito os sintomas da tendinopatia de Aquiles de uma paciente que previamente não tinham respondido ao cuidado tradicional conservador.
  • Redução do DOMS (Gorny & Stöggl, 2018): os resultados mostram que o TF não melhora nem atrasa a regeneração depois do programa de treino.
  • Aumento do ROM do cotovelo (Hodeaux, 2017): as floss bands não melhoram significativamente o ROM do cotovelo em comparação com outros métodos de tratamento.
  • Desenvolvimento do ROM do ombro e da potência das extremidades superiores (UEP) (Plocker et al., 2015): os dados indicaram que o ROM dos sujeitos e da UEP não melhoraram significativamente depois do uso das floss band.
  • O tratamento com êxito e prometedor do Flossing na doença de Osgood-Schlatter (Weber, 2018).

A floss band (Rockfloss®) apresenta um indicador de carga de trabalho: a força de alongamento. Cheatham e Baker (2019) observaram que foi produzido um aumento lineae na força de alongamento à medida que as faixas foram ficando mais compridas (25%, 50%, 75%, 100%, 125%, 150%).

Validade (ICC ¼ 0.99, CV ¼ 1.1%) e confiabilidade (CV ¼ 4.9%) do sensor de pressão (Kikuhime) como ferramenta na configuração desportiva da Floss Band (Driller et al., 2017; Driller e Overmayer, 2017; Mills et al., 2019).

Fontes Bibliográficas

  1. Borda, J., & Selhorst, M. (2017). The use of compression tack and flossing along with lacrosse ball massage to treat chronic Achilles tendinopathy in an adolescent athlete: a case report. Journal of Manual & Manipulative Therapy, 25(1), 57-61.
  2. Cheatham, S. W., & Baker, R. (2019). Quantification of the Rockfloss® Floss Band Stretch Force at Different Elongation Lengths. Journal of Sport Rehabilitation, 1, 1-4.
  3. Driller, M., Mackay, K., Mills, B., & Tavares, F. (2017). Tissue flossing on ankle range of motion, jump and sprint performance: A follow-up study. Physical Therapy in Sport, 28, 29-33.
  4. Driller, M. W., & Overmayer, R. G. (2017). The effects of tissue flossing on ankle range of motion and jump performance. Physical Therapy in Sport, 25, 20-24.
  5. Hodeaux, K. (2017). The Effect of Floss Bands on Elbow Range of Motion in Tennis Players. University of Arkansas.
  6. Starrett, K., & Cordoza, G. (2013). Becoming a Supple Leopard: The Ultimate Guide to Resolving Pain, Preventing Injury, and Optimizing Athletic Performance. In The Systems (pp. 217-222). Las Vegas, NV: Victory Belt Publishing Inc.
  7. Carlson, S., Rife, G. & Zachary, W. (2019). “Comparing the Effects of Tissue Flossing and Instrument Assisted Soft Tissue Mobilization on Ankle Dorsiflexion”.The Research and Scholarship Symposium, 5.
  8. Gorny, V., & Stöggl, T. (2018). Tissue flossing as a recovery tool for the lower extremity after strength endurance intervals. Sportverletzung Sportschaden: Organ der Gesellschaft fur Orthopadisch-Traumatologische Sportmedizin, 32(1), 55-60.
  9. Bohlen, J., Arsenault, M., Deane, B., Miller, P., Guadagno, M., & Dobrosielski, D. A. (2014). Effects of applying floss bands on regional blood flow. In International Journal of Exercise Science: Conference Proceedings (Vol. 9, No. 2, p. 7).
  10. Weber, P. (2018). Flossing: An alternative treatment approach to Osgood-Schlatter’s disease: Case report of an adolescent soccer player. Journal of Bodywork and Movement Therapies, 22(4), 860-861.
  11. Mills, B., Mayo, B., Tavares, F., & Driller, M. (2019). The Effect of Tissue Flossing on Ankle Range of Motion, Jump, and Sprint Performance in Elite Rugby Union Athletes. Journal of Sport Rehabilitation, (00), 1-5.
  12. Kiefer, B. N., Lemarr, K. E., Enriquez, C. C., Tivener, K. A., & Daniel, T. (2017). A pilot study: perceptual effects of the voodoo floss band on glenohumeral flexibility. International Journal of Athletic Therapy and Training, 22(4), 29-33.
  13. Plocker, D., Wahlquist, B., & Dittrich, B. (2015). Effects of tissue flossing on upper extremity range of motion and power. In International Journal of Exercise Science: Conference Proceedings, 12(1), p. 37.
  14. Prill, R., Schulz, R., & Michel, S. (2018). Tissue flossing: a new short-duration compression therapy for reducing exercise-induced delayed-onset muscle soreness. A randomized, controlled and double-blind pilot cross-over trial.
  15. Kage, V. & Patil, Y (2018) Effectiveness of Voodoo Floss Band versus Crepe Bandage in Subjects with Post- Operative Lower Limb Pedal Edema: A Randomized Clinical Trial’, International Journal of Current Advanced Research, 07(6), pp. 13498-13501

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Avaliação Floss Band

Acelerar recuperação de lesões - 100%

Melhorar o ROM - 100%

Melhorar o ROM - 100%

Material - 100%

Forma de uso - 100%

100%

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Sobre Ivan Sotelo
Ivan Sotelo
Iván Sotelo é especialista em Prevenção e Reabilitação Físico-Desportiva, com experiência em equipas profissionais de futebol.
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