Para evitar a fadiga e as cãibras, um futebolista deve seguir um protocolo científico rigoroso: ingerir 500 ml de água 90 minutos antes do jogo, beber 150 ml de bebida isotónica a cada 20 minutos durante o jogo (aproveitando as paragens) e repor 150% do peso perdido no final.
Contamos-te tudo o que precisas de saber sobre a hidratação no futebol. O que devemos beber antes, durante e depois do jogo?
O gasto energético e a taxa de sudorese no futebol
O futebol é um desporto intermitente de alta intensidade. Durante os 90 minutos de jogo competitivo, um jogador está sujeito a um gasto energético muito elevado, que ronda, em média, as 16 kcal/min (Bangsbo, 2006).
Este esforço metabólico contínuo provoca um aumento drástico da temperatura corporal. Para manter a homeostase (o equilíbrio interno), o nosso organismo ativa a sudorese como principal via de dissipação de calor. No entanto, este mecanismo de defesa fisiológico desencadeia inevitavelmente um processo de desidratação se as perdas não forem repostas de forma rigorosa.
O que acontece se desidratarmos em campo?
A perda de líquidos afeta diretamente as capacidades físicas e cognitivas do jogador. Segundo os consensos do American College of Sports Medicine (Sawka et al., 2007), uma perda de apenas 2% do peso corporal (equivalente a 1,5 litros num futebolista de 75 kg) é suficiente para reduzir drasticamente:
- A resistência aeróbica e a capacidade de realizar sprints repetidos.
- A força muscular e a velocidade de reação.
- A precisão técnica no passe e no remate devido à fadiga do sistema nervoso central.
A desidratação média de um jogador ao longo de um jogo de 90 minutos é de aproximadamente 3,4% do seu peso corporal (Aragón-Vargas et al., 2009). Isto explica porque a maioria dos erros táticos e dos golos sofridos acontece na fase final de cada parte.
Perda de sódio e o impacto da temperatura ambiente
Não perdemos apenas água através do suor, também eliminamos eletrólitos essenciais, sendo o sódio o mais crítico. O sódio é o mineral responsável por fazer com que as células retenham a água ingerida e é vital para a contração muscular. A sua ausência é a causa direta das temidas cãibras musculares.
Muitos futebolistas cometem o erro de descuidar a hidratação no inverno. No entanto, a ciência demonstra que mesmo com temperaturas baixas a desidratação é considerável.
Perda de suor vs. Ingestão de líquidos (Treino de 90′)
| Condições de desempenho | Suor médio perdido (mL) | Ingestão média real (mL) | Balanço hídrico final |
|---|---|---|---|
| Equipe A (Alta Temperatura) | 2193 ± 365 mL | 972 ± 335 mL | Deficitário (~1,2 Litros) |
| Equipe B (Temperatura Moderada) | 1690 ± 450 mL | 423 ± 215 mL | Deficitário (~1,2 Litros) |
Fonte: Dados adaptados de Maughan et al. (2005) sobre o balanço de eletrólitos em futebolistas de elite.
Protocolo de hidratação no futebol: Antes, durante e depois
Para otimizar as reservas de glicogénio e manter o equilíbrio hídrico, é obrigatório combinar água com hidratos de carbono e sais minerais. A concentração ideal de hidratos de carbono numa bebida para futebolistas deve situar-se entre 4% e 8%.
A seguir, apresentamos o protocolo oficial de hidratação desenvolvido para o futebol de alta competição:
1. Hidratação pré-jogo (Fase de carga)
Começar o jogo num estado de “euhidratação” (hidratação ótima) atrasa o aparecimento da fadiga.
- Recomendação: Ingerir 500 ml de água entre 60 e 90 minutos antes de entrar em campo. Podes complementar com cápsulas de eletrólitos se as condições de calor forem extremas.
2. Hidratação durante o jogo
As regras do futebol limitam as pausas, por isso deves aproveitar cada interrupção do jogo (lesões, foras de jogo ou pausas oficiais de hidratação da FIFA).
- Recomendação: Tenta beber cerca de 150 ml de bebida isotónica a cada 20 minutos de jogo.
3. Hidratação ao intervalo
Os 15 minutos de pausa são a janela crítica para salvar o rendimento da segunda parte. Aqui o objetivo é duplo: repor líquidos e restaurar o glicogénio muscular gasto.
- Recomendação: Consumir entre 400 e 500 ml de uma bebida desportiva avançada que combine ciclodextrina ou palatinose com sódio. Para esta fase, a opção ideal é utilizar uma fórmula otimizada como Evotonic da SportSeries, que fornece a proporção exata de hidratos de carbono e eletrólitos sem provocar desconforto gástrico.
4. Hidratação pós-jogo (Recuperação)
O processo de reidratação profunda dura aproximadamente 6 horas após o apito final.
- Recomendação: Deves ingerir pelo menos 150% do peso perdido durante o jogo (Shirreffs & Maughan, 1998). Se a balança indicar que perdeste 1 kg de peso, deves consumir 1,5 litros de líquido combinando água, sumos naturais ou um recuperador muscular com aminoácidos e sais.
Referências Bibliográficas
- Sawka M.N., Burke L.M., Eichner E.R., Maughan R.J., Montain S.J., Stachenfeld N.S (2007). American College of Sports Medicine position stand. Exercise and fluid replacemen. Med Sci Sports Exerc 39:377-390.
- Maughan R.J., Shirreffs S.M., Merson S.J. y Horswill C.A (2005). Fluid and electrolyte balance in elite male football (soccer) players training in a cool environment. Journal of Sports Sciences 23: 73-79.
- Shirreffs, S. M. and R. J. Maughan (1998). Volume repletion after exercise-induced volume depletion in humans: replacement of water and sodium losses. Am J Physiol 274(5 Pt 2): F868-875.
- Ali, A, and C. Williams (2013). Isokinetic and isometric muscle function of the knee extensors and flexors during simulated soccer activity: effect of exercise and dehydration. J Sports Sci. 31(8):907-16.
- Aragón-Vargas, L.F., J. Moncada-Jiménez, J. Hernándes-Elizondo, A. Barrenechea, M. Monde-Alvarado (2009). Evaluation of pre-game hydration status, heat stress, and fluid balance during professional soccer competition in the heat. Eur. J. Sport. Sci. 9:269–276.
- Maughan, R.J., P. Watson, G.H. Evans, N. Broad, S. Shirreffs (2007). Water balance and salt losses in competitive football. Int. J. Sport Nutr. Exerc. Metab. 17, 583-594.
- McGregor, S.J., C.W. Nicholas, H.K. Lakomy, C. Williams (1999). The influence of intermittent high-intensity shuttle running and fluid ingestion on the performance of a soccer skill. J Sports Sci. 17(11):895-903.
- Bangsbo, J., M. Mohr, P. Krustrup (2006). Physical and metabolic demands of training and match play in the elite player. J. Sports Sci. 24:665-674.
- Aragón-Vargas, L. y Mayol-Soto, L. (2008). Hidratação no Futebol: O que aprendemos até agora?. PubliCE.
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