Benefícios do treino em Zona 2

Benefícios do treino em Zona 2

Nos desportos de resistência, conhecer as zonas de treino é essencial para saber como treinar, aplicando a intensidade desejada em cada sessão.

  • Quantas zonas existem? Skillen y Mc.Lellan (1980) estabelece 3 zonas de treino e dois limiares ventilatórios. No entanto, podemos encontrar modelos diferentes (5 zonas de treino denominadas desde z1-z6, Fase I, II e II, R0 A R5+ etc.).
  • Cada zona de treino é determinada por certas alterações fisiológicas que resultam da duração e intensidade do esforço, das alterações da frequência cardíaca, do consumo de oxigénio, da combinação de recursos energéticos (hidratos de carbono, gorduras) como principal recurso energético para o esforço exigido, etc…
  • O objetivo de cada zona de treino é provocar adaptações fisiológicas e metabólicas específicas para melhorar o rendimento, que ocorrem em diferentes intensidades, e como podem ser melhorados no treino.
Quando falamos de Zona 2 faz-se referência à zona de treino de baixa intensidade, normalmente situado abaixo do primeiro limiar ventilatório e, por vezes, coincidindo mesmo com o primeiro limiar lático; cuja principal fonte de energia é a oxidação das gorduras.

Treino na Zona 2

Treinadores de todo o mundo e a literatura científica descrevem que, idealmente, 80% de todo o treino deve ser dedicado à zona 2.

É errónea e popularmente estendido que treinar nesta zona (a baixa intensidade) não produz melhorias no rendimento. Mas, na realidade, é o maior mito dos desportos de resistência. Explicamos porquê.

Benefícios de treinar na Zona 2

  • Melhora a eficiência aeróbica.
  • Melhoria do rendimento.
  • Recuperação ativa.
  • Fortalece o coração e ajuda na prevenção de doenças cardiovasculares.
  • Base para treinos mais intensos.
  • Ajuda no controlo do peso.

Nesta zona de treino, estimulamos as fibras musculares de tipo 1, de contração lenta; além da função mitocondrial, o que melhorará a capacidade de utilizar a gordura.

Este aspeto é fundamental para o rendimento, pois ao melhorar a utilização da gordura, preserva-se a utilização do glicogénio durante a competição:

O organismo aprende a ser mais eficiente do ponto de vista metabólico e menos dependente do glicogénio, o que é crucial para as provas de resistência.

No treino da Zona 2 aumenta a densidade mitocondrial – as fontes de energia das células – assim como os transportadores MCT-1, que é responsável por captar o lactato e transportá-lo para as mitocôndrias, onde se reutiliza como energia.

Evotonic SportSeries

Quanto mais mitocôndrias houver no nosso organismo, maior será a energia produzida com a mesma intensidade.
No caso de sessões de longa duração e de intensidade baixa ou muito baixa, o ideal é consumir uma bebida isotónica como Evotonic.

Como calcular se estás na Zona 2

Lembra-te, quando treinares na zona 2, podes utilizar um sensor de frequência cardíaca, como uma cinta torácica, e monitorizar a tua frequência cardíaca. Se alguma vez precisas dele para subir de pulso, podes continuar a andar.

Exame médico de esforço

Sem qualquer dúvida, a forma mais válida e eficaz de saber quais são as tuas zonas de treino é um exame de esforço com análise de gases. A partir dos resultados obtidos, serão determinados os 2 limiares ventilatórios (VT1 e VT2) e, a partir daí, as diferentes zonas de treino.

Ao conhecer as tuas zonas de frequência cardíaca através de um exame médico de esforço, poderás controlar os teus treinos com o monitor de frequência cardíaca.

Atleta a realizar uma prova de esforço

Teste de Conversação

Outra forma muito prática e simples é utilizar o famoso “Talk Test”, ou seja, saberás se está na zona de treino de baixa intensidade quando conseguirer falar confortavelmente.

Se não tens esta zona de base desenvolvida, terás provavelmente de começar a trabalhá-la caminhando, e com uma corrida muito, muito suave.

Realizar exames regulares

É importante efetuar exames regulares para verificar se foram introduzidas melhorias.

Facilmente, após um bom desenvolvimento da base aeróbica, descobrirás que és capaz de correr ligeiramente mais rápido com uma frequência cardíaca mais baixa e com sensações muito confortáveis.

Conclusão

Se queres ser mais rápido, treina mais tempo na Zona 2.

O plano de treino ideal deveria incluir 3-4 dias por semana de treino na Zona 2 nos primeiros 2-3 meses de treino de
pré-temporada, seguido de 2-3 dias por semana à medida que a época se aproxima e dois dias de manutenção quando a época está em pleno andamento.

Recorda que treinar a tua base aeróbica vai melhorar a tua capacidade aeróbica, aumentar o tamanho do teu coração, aumentarás a rede de capilares que transportam oxigénio para os músculos, ajudará a melhorar o teu sistema de oxidação de gorduras… Tudo isto são benefícios, por isso não deixes de a treinar.

Referências Bibliográficas

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